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As crianças e os Animais

As crianas e os animais

As crianas e os animais

Por Adriana F. Pastor, Patrcia Oguma e Priscila Rufino

Cita Dotti (2005) que algumas pesquisas realizadas com pais de crianas que possuram animais de companhia em sua infncia apontam que as atitudes das crianas se tornaram mais intensas em relao responsabilidade, sensibilidade e senso de comunicao com outras pessoas. Os aspectos como de cooperao, organizao e de companhia foram identificados, facilitando o contanto com outras crianas e cria um ambiente saudvel para brincadeiras. Estudos recentes mostram que as crianas entre 5 e 12 anos, que possuem animais de companhia, tm mais sensibilidade e compreendem melhor os sentimentos de outras pessoas tendo mais empatia. Crianas menores desenvolvem mais rapidamente a cognio e se tornam at mais espertas, com aumento considervel em seus pontos de QI. Podem desenvolver mais rapidamente sua coordenao motora, campo visual e sua inter-relao com o mundo exterior.

Outro aspecto como o senso de igualdade e diferena tambm melhor compreendido pela criana. Em teste com crianas foi percebido que em seu relacionamento com o mundo exterior, com objetos inanimados, animais de brinquedo e animais vivos, h uma procura maior pelos animais vivos, independentemente dos brinquedos, barulhos e cores. Foi concludo que os animais vivos tinham um maior poder sobre as crianas, por responderem ao toque e estimularem os movimentos e a perseguio pela criana. O atrativo para a criana a espontaniedade na interao, e ela sempre tentar outra vez, nem a televiso, nem o brinquedo e nem o vdeo-game faro o mesmo ou parecero to interessantes para ela. (DOTTI, 2005)

Dotti (2005) salienta que no mundo da criana e do animal h uma cumplicidade, pois eles esto sempre unidos pelos momentos que passam juntos, pelas brincadeiras, pelas confidncias e pelo sentimento de sempre ter um amigo por perto. H indcios de que esses laos trazem criana uma estabilidade emocional e um amadurecimento compatvel com sua idade, tirando-a do isolamento e gerando novas possibilidades. Alunos que possuem um envolvimento maior com os animais tm maiores ndices de liderana e de altrusmo e menos ndices de problemas comportamentais e ansiedade. importante tambm o papel dos pais em incentivar as noes de dever e necessidade, para que a criana possa tomar conscincia dos cuidados com o seu animal. Os pais devem encorajar a criana, por meio do animal, comportamentos responsveis e de disciplina. Os animais apresentam grande oportunidade de envolvimento conjunto para com a famlia, onde momentos podem ser compartilhados de uma forma intensa por meio do contato fsico e emocional com seu bicho de estimao.

Crianas, Psicoterapia e Animais

Segundo Serpel (1999 apud DOTTI, 2005) h estudos que indicam que as crianas utilizam seus animais de forma a se sentirem mais confortveis quando se sentem chateadas, abandonadas, sozinhas e infelizes. Crianas com problemas de agitao, ansiedades, traumas em geral, podem ter uma grande ajuda dos animais, principalmente no que envolve a confiana entre terapeuta e paciente. Na maioria das vezes o que ocorre quando um animal est presente na sala e serve de apoio emocional, que a criana sente-se acompanhada e cria uma cumplicidade afetiva com aquele animal, tornando-se menos ansiosa na hora de se abrir com o terapeuta, at o ponto de falar sobre suas prprias emoes de uma forma mais natural e tambm com mais propriedade.

Qualquer tipo de trauma pode prejudicar habilidades de socializao, pois gera desconfiana e insegurana. J a relao com o animal segura e isso traz um pouco de esperana para que a pessoa volte a acreditar nos outros e em suas relaes. Uma srie de tcnicas podem ser utilizadas com a ajuda da presena do animal, trabalhando com os instrumentos que a prpria pessoa fornece, trabalhando em suas virtudes e aspectos positivos podendo trazer superfcie fatos que com o decorrer da terapia podero ser tratados. O terapeuta precisa criar uma atmosfera para que a criana encontre uma base de sustentao para seus problemas emocionais, e a partir da aplicar diversas tcnicas para realizar seu trabalho. Como por exemplo, aquelas que sofreram abusos ou foram negligenciadas, podem ter no animal um agente catalisador importante de suas emoes, o que poder fazer a grande diferena, para que as mudanas e o crescimento possam ocorrer. Um dos fatores principais que o animal proporciona criana o senso do toque, onde ela sente que est doando e recebendo afeio, e por causa dessa relao que o terapeuta, por meio do animal, consegue alcanar o paciente esteja ele onde estiver, e aos poucos conect-lo com o mundo. (DOTTI, 2005)

Em entrevista realizada por Sanches (2007) com a veterinria Valria Oliva, responsvel pelos animais da Co - Cidado (Unesp), a melhora no comportamento agressivo dos pacientes sensvel. A iniciativa vai ser ampliada para crianas autistas ou com quadros severos de doenas mentais, e j reconhecida por psiquiatras.

Para as crianas, brincar com bichos tambm positivo at mesmo quando so animais de fazenda. Uma pesquisa realizada no final de 1999 na ustria, mostrou que os pequenos que brincam com vacas, galinhas, porcos e ovelhas tm menos chance de desenvolver alergias e problemas respiratrios, como a asma. A explicao? O contato aumenta as clulas de defesa e deixa o corpo mais tolerante a bactrias e caros. (GULLO, 2000)

Segundo Dotti (2005) de suma importncia saber que h uma grande diferena nas relaes com as crianas institucionalizadas e outras crianas pertencentes aos outros grupos que desenvolvem a TAA. A criana institucionalizada por motivo de abandono ou mesmo por que foi retirada de seus lares por violncia contra ela, seja fsica, emocional ou psicolgica, deve ter um tratamento mais aprofundado e conseqentemente exigir a participao de profissionais da instituio, juntamente com os profissionais do programa de TAA.

A relao da criana com o animal poder ser de profunda dependncia e vnculo extremo ou de descaso e crueldade. Ela pode se tornar agradvel, cheia de ateno e afeto para com o animal e para com seu dono em uma interao intensa, ou se mostrar revoltada, arredia e projetar no animal toda uma carga emocional negativa, que se traduz em formas brutas e cruis no convvio com os animais. Aconselha-se que essas crianas sejam analisadas e acompanhadas por psiclogos e pedagogos, para educar e aliviar a dor da rejeio e do abandono, continua o autor.

Para Poresky (1996 apud DOTTI, 2005) outro ponto importante a relao de vnculo que se pode criar nessas condies. De qualquer jeito essa relao criada, mas essencial um monitoramento para que se crie um ambiente harmnico e no prejudicial para elas. No recomendvel incentivar a relao apenas com um animal, pois possivelmente trar ansiedades e um profundo vnculo com ele. Mesmo que haja preferncias, o que normal, h de se abrir outras possibilidades e equilibrar as relaes, com planejamento adequados para cada criana assistida.

Estudiosa do assunto nos seus 45 anos de profisso, Hannelori sempre observou a influncia do animal dentro de uma famlia. Notava o quanto se guardava o luto quando o co ou gato morria e as crianas que chegavam a adoecer sem seu bichinho de estimao. Por isso, h trs anos resolveu fazer um trabalho voluntrio que uma verdadeira preciosidade. Leva animais para brincar com crianas deficientes do Lar Escola So Francisco, em So Paulo, e para fazer companhia aos doentes do Hospital da Criana, tambm na capital paulista. N. M. S., seis anos, internado no hospital s pressas por causa de uma intoxicao por remdio, adorou ser visitado pelos bichinhos. O garoto estava de cama, recebendo soro e bastante amuado com o susto. Assim que a psicloga e a sua equipe apareceram no quarto ele mudou de nimo e deixou transparecer um gostoso sorriso no rosto. A especialista afirma que as crianas se soltam e possvel notar uma melhora fsica e mental.(TERAPIA, 2007)

O portador de distrbios psiqucos, V. R. G., vivencia problemas de sociabilizao, concentrao e aprendizado. Aps seis meses de prtica da equoterapia, o menino de apenas 8 anos, alcanou avanos fsicos e mentais. A me, R. G., conta com entusiasmo que, logo nas primeiras semanas de tratamento, ele passou a agir de forma mais socivel, melhorando o relacionamento com os irmos e tambm o jeito de andar, falar e aprendeu as cores. A psicopedagoga, Luciana Rocha, uma das profissionais que atua no seu tratamento equoterpico, explica que as atividades propostas para V. R. G. so focadas no aprendizado e na capacidade de concentrao. Alm da equoterapia, o garoto conta com o acompanhamento psiquitrico, fato que contribui ainda mais para o seu desenvolvimento. (CRISTINA, 2007)

Em entrevista realizada por Gullo (2000) com Alexandre Rossi, a utilizao desse tipo de terapia apresenta timos resultados com crianas doentes. Na presena de animais at os mdicos conseguem se aproximar do paciente mais facilmente. Depois das visitas, o relacionamento e o humor dos pequeninos melhoram visivelmente. No rastro dessa idia, o zootecnista comeou h alguns meses a levar cachorros em asilos e nas casas de apoio do Hospital das Clnicas de So Paulo para brincar com crianas que sofrem de cncer. Essas instituies abrigam crianas doentes cuja famlia em geral no tem como mant-las. Segundo ele, que tambm especialista em comportamento animal, quando o cachorro chega, uma festa. Tanto crianas como os velhinhos ficam visivelmente mais felizes. Alegria, aumenta os nveis de endorfina no organismo. Essa substncia, que nosso calmante natural, influi no sistema de defesa do corpo, deixando o paciente mais fortalecido, desse modo, reage-se melhor s doenas.

A. um garoto, tem 5 anos e portador da Sndrome de Down. Mas, quando est com a enorme e mansa Nagoya, uma rottweiler do canil Cambar, ou com Toby, um beagle, em So Roque, interior de So Paulo, o que se v uma criana comum, brincando ao ar livre, abraando o cachorro, que retribui o carinho do garoto na mesma proporo.

H alguns meses, A. e vrias outras crianas, portadoras de diversas deficincias, de problemas emocionais graves paralisia mental ou fsica, at autismo, tm encontrado no canil, junto aos animais, um elo com um mundo de movimento, expresses e descobertas que vm surtindo efeitos sensveis sobre sua sade. Duas vezes por semana, essas crianas vo at o canil e aprendem, no contato com os ces, a fazer movimentos que at ento eram quase impossveis. Muitos aprendem os rudimentos da fala, ou pelo menos se esforam para se expressar, e principalmente sentem-se aceitos e amados como so. Os ces no sabem que essas crianas so especiais. Sabem apenas que elas afagam, brincam e precisam de carinho. uma relao muito rica, e que est surpreendendo pelos resultados positivos, afirma a pedagoga Marisa Solano, dona do Canil Cambar, onde cria rottweilers, beagles, labradores, cockers e weimaraners. Dona tambm da Escola de Educao Infantil Toquinho de Gente, em So Paulo, onde A. estuda, ela diz que foi justamente observando-o sendo estimulado pelos ces numa visita ao canil que teve a idia de disponibilizar o espao e seus animais para a terapia junto a crianas especiais.

Dirigida pela psicloga Maria Lcia Silveira Batista Pivelli e pela fonoaudiloga Silvana Banys, a Refazenda tem entre seus alunos crianas com diversos nveis de deficincia. Sem muitos dados tericos com que trabalhar, as duas e a pedagoga Marisa Solano resolveram usar a sensibilidade e o estudo de caso a caso das crianas para verificar que tipos de estmulo os animais poderiam fornecer. Atravs da observao tanto das deficincias e dificuldades das crianas e do modo como elas se relacionavam com os animais elas foram estruturando exerccios e brincadeiras.

Foi assim, olhando cada criana e cada animal como indivduos com suas prprias caractersticas, que se chegou a exerccios de estmulo aos movimentos. Exemplo: andar junto com o co, ele sobre uma tbua e a criana ao lado, os dois se ensinando mutuamente, com a criana fazendo sem perceber exerccios psicomotores e de expresso. As crianas tentam se comunicar com o co como poucas vezes tentam se comunicar com as pessoas. Em casos de deficientes visuais, por exemplo, trabalham com animais com guisos, o que desperta a ateno da criana e as anima a brincar. Os resultados que as visitas e as brincadeiras, sempre monitoradas pelas trs profissionais e outras professoras da escola tm obtido so surpreendentes. H crianas que h alguns meses nem ficavam em p. Hoje se movimentam, com dificuldades ainda, dadas as suas prprias limitaes, e outras que no conseguiam falar j emitem sons, chamam os cachorros. Enfim, brincando elas esto aprendendo a viver e a se socializar. (ANIMAIS, 2007)

Referncias Bibliogrficas:

ANIMAIS SO USADOS COM SUCESSO NA TERAPIA HUMANA. 2007. Disponvel em: . Acesso em: 9 set. 2007.

CRISTINA, R. Cinoterapia: a terapia assistida por ces ajuda crianas, adolescentes e idosos a superarem seus limites. 15 jun. 2005. Disponvel em: Acesso em: 10 ago. 2007.

DOTTI, J. Terapias e animais. So Paulo: Notica, 2005.

GULLO, C. Benefcio animal: pesquisas mostram que cuidar de bichos ajuda no tratamento de doenas como cncer e depresso. Revista Isto . 25 jan. 2000. Disponvel em: . Acesso em: 1 ago. 2007.

SANCHES, M. Remdio em quatro patas. 2007. Revista poca. 21 mai. 2007. Disponvel em: . Acesso em: 3 ago. 2007.

TERAPIA CANINA. 2007. Disponvel em: . Acesso em: 18 ago. 2007.

As crianas e os Animais

Por: Patrcia Oguma

Perfil do Autor


Patrcia Oguma - Psicloga Clnica - 06/95318

www.patriciaoguma.com.br

contato@patriciaoguma.com.br (Artigonal SC #3260237)

Fonte do Artigo - http://www.artigonal.com/psicoterapia-artigos/as-criancas-e-os-animais-3260237.html
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