Escolhendo o bicho certo
Segundo Guilhardi (2006), um aspecto extremamente importante para aprimorar as relaes
entre o homem e seu animal de estimao o conhecimento das leis que regem os comportamentos de cada espcie. A Anlise do Comportamento uma rea da Psicologia especialmente habilitada para ensinar como instalar, desenvolver e alterar comportamentos no seu "discpulo". H uma srie de tcnicas e procedimentos para manejar comportamentos, tais como modelao, fading, reforamento positivo, extino, etc. O domnio de tal rea permite ao dono do animal desenvolver ao mximo o potencial do seu "companheiro", tornando-o obediente, participativo e diferenciado. H algumas informaes relevantes que devem ser consideradas antes de escolherem um bicho de estimao, entre elas elencaremos:
Primeiro: Questo de Sensibilidade- ter sensibilidade ao outro (no caso, o "outro" o animal). Ou seja, as necessidades do animal devem ter importncia para mim. O frio que ele sente, a sede, a fome, a dor, a solido devem ser respeitados e meu conforto, preferncias, cansao, etc, no podem prevalecer indiferentes s carncias do outro. Assim, mesmo cansado, por vezes dever se levantar e preparar a comida do seu animal de estimao.
Se voc no for sensvel ao outro, no busque um animal de estimao, a sensibilidade um fator fundamental. Voc pode fazer-lhe mal, ele est sempre em desvantagem, pois est fora do seu ambiente natural, indefeso, desprotegido, uma vez que os dotes da natureza, em nossas casas, no funcionam em sintonia com oprocesso de seleo natural. No justo, e nem humano, tir-lo do contexto que lhe prprio e abandon-lo prpria sorte. E, finalmente, tudo o que fizer pelo seu animal deve ser feito com afeto: vibrar com as realizaes e satisfaes dele; sofrer com as dores dele. Desta forma, a sua relao com seu animal gratificante para ambos. Voc deve se realizar com seu leal companheiro e no t-lo como um estorvo, dando-lhe de comer por obrigao.
Segundo: Mitos e Verdades- O mito mais freqente est relacionado, com os sentimentos do animal em relao ao seu dono. Num extremo, as pessoas pensam que seu "amiguinho" tem sentimentos como ela; no outro, afirmam que um "bicho" e no sente. A verdade que a interao entre o animal e seu dono intensa e desenvolvem-se discriminaes muito sutis entre ambos. Tanto um, como o outro captam mudanas mnimas de comportamento; nas rotinas, nos encadeamentos de respostas. Desta maneira, h uma comunicao no verbal elaborada e que simula troca de afeto. No se pode afirmar que os animais apresentam os afetos humanos; mas ns podemos ter pelos animais afetos humanos. Tal constatao basta. Essencialmente, a manuteno de boas rotinas mantm comportamentos e emoes intactos e saudveis. Interaes estressantes produzem vulnerabilidades, no mnimo, afetivas (tristeza, ansiedade, preocupao etc). Como e quanto os sentimentos afetam o funcionamento do organismo no resta dvidas.
Terceiro: Perfil do Dono- A pessoa deve ser afetiva; ter disponibilidade mnima de tempo para cuidar rotineiramente do seu animal; ser capaz de quebrar rotinas para situaes de urgncias (ferimentos, atropelamentos, dores agudas, etc.); ter curiosidade para ler, investigar, saber mais sobre hbitos, rotinas, alimentao, etc, do animal; compartilhar seu espao fsico e, eventualmente, sua rotina com o animal; ter habilidades para envolver as demais pessoas da famlia nos cuidados dispensados ao "parceiro". A relao entre odono e seu bicho deveria ter caractersticas semelhantes s dos humanos entre si, porm num nvel menos intenso.
Guilhardi (2006) ressalta alguns perfis de pessoas que se enquadram a determinados animais:
- "Pessoas que trabalham fora: Pessoas que trabalham fora deveriam colaborar, curtir, conviver o possvel com animais de pessoas prximas. No indicado deixar os animais muito tempo a ss. Os animais solitrios podem satisfazer necessidades de solido e de expresso de afetos dos humanos, mas eles prprios pouco recebem em troca. Como conseqncia, manifestam carncias atravs de comportamentos anmalos. Peixes talvez possam ser uma opo para pessoas que ficam muito ausentes de casa.
- Para famlias que possuem crianas: Para crianas, animais que expressam afetos (neste sentido, os cachorros so imbatveis) e que interajam abertamente, porm sem brutalidade (mesmo que no seja intencional, um movimento brusco e intenso machuca, apesar da alegria e boa vontade do animal). As crianas, ao se relacionarem com os animais, aprendem a expressar e receber afeto.
Devem ser estimuladas a cuidar deles, a notar dificuldades e proezas de seus "inseparveis amigos". O animal um excelente professor de afetividade, de auto-estima, de responsabilidade, de disciplina, e fundamental para o desenvolvimento de repertrio social.
- Para Idosos: Para os idosos, recomenda-se "companheiros" com as mesmas caractersticas apontadas para as crianas, mas principalmente aqueles que estimulem os idosos a emitirem comportamentos, tais como sair de casa; fazer exerccios fsicos moderados, mas sistemticos; que estimulem a interao social e os faam sentir-se teis.
- Desde bebs at pr-adolescentes: Animais mais indicados so aqueles de boa ndole, mansos, tranqilos. Para crianas, conforme citado anteriormente, aqueles que interajam mais freqentemente e que demonstrem afeto. Acredito que o melhor animal para uma criana aquele que os pais mais adoram. Sendo amado, o "amigo" ser mais bem tratado, o que dar para a criana e/ou pr-adolescentes importantes modelos de interao com animais e, atravs de generalizao, bons modelos de interao com outras pessoas, assim a criana cresce sabendo se socializar. Alm disso, qualquer animal bem cuidado ser mais dcil, mais afetivo, mais acolhedor. H necessidade de bom senso na escolhado animal de estimao. Por exemplo, o que fazer se a criana adora cachorros, mas o pai gosta de passarinhos? Neste caso, que ambos fiquem felizes: cachorro para o filho, passarinho para o pai e pacincia para a me.
- Solitrios e Depressivos: Os animais devem ser escolhidos, no impostos. Devem ser bem tratados, pois assim so mais gratificantes e do menos trabalho; devem ser includos na rotina da pessoa, dentro de limites ( muito agradvel ter seu animal de estimao por perto, tranqilo, enquanto voc l ou assiste televiso, por exemplo); a pessoa deve ser bem informada sobre as caractersticas e hbitos do animal, pois assim pode trat-lo de forma mais adequada. Os animais so excelentes companheiros e sua dependncia gera sentimentosde eficincia e utilidade; suas iniciativas despertam sentimentos de prazer e orgulho (s vezes, de zanga passageira, quando so travessos). Os animais tm funo de preveno de sentimentos de solido e de depresso. Os benefcios da companhia do animal de estimao advm da convivncia construda passo a passo, no da intromisso arbitrria. Uma pessoa deprimida pode se sentir incomodada com a presena de um animal; algum ansioso pode se irritar ainda mais com a presena do animal. O animal inesperado pode ser indesejvel e isso traz perdas para o dono e para o prprio animal". (s/p)
Enfim, conforme nos afirma Guilhardi (2006) "so muitos e importantes benefcios" (s/p). H troca de afetos; a pessoa sente-se amada e til; desenvolve responsabilidade e disciplina para cuidar da rotina e das necessidades do animal; os "amiges" propiciam interaes sociais entre as pessoas que conversam sobre seus bichinhos; estimulam atividades fsicas, passeios; no dono melhora sua auto-estima; desenvolve tolerncia frustrao, entre muitos outros.
Segundo Grimaldi (s/d), advogada especializada em direitos dos animais, conciliadora do Juizado Especial - JEPEC - do Frum de Pinheiros (SP/SP), o que todas pessoas deveriam saber, em sua s conscincia, antes, durante e depois de adquirirem um animal de estimao:
"1 - Bicho no brinquedo, vida: Portanto, sente, ama e sofre cansao, dor, calor, frio, fome, sede. Na legislao animais de estimao so considerados, bens mveis, durveis, so semoventes (capazes de se moverem). Quando adquiro um animal eu tenho o direito de sua propriedade, porm tenho
tambm o dever de mant-lo com dignidade. Ou seja, um animal requer cuidados bsicos como, local apropriado que seja abrigado de umidade, frio ou calor intenso, alimentao adequada, exerccios fsicos, acompanhamento mdico veterinrio (vacinaes e vermifugaes).
2 - Meu direito termina quando comea o direito de meu semelhante: perfeitamente vivel possuir um animal de estimao em um apartamento, porm como vivemos em sociedade devemos seguir regras.
O artigo 554 do Cdigo Civil Brasileiro estabelece o mau uso de propriedade, ou seja, posso ter meu animal desde que respeite os horrios de sossego, no suje as reas pertinentes do condomnio e nem coloque em risco a segurana alheia.
Respeitando essas normas estou resguardado no artigo 5 da Constituio Federal, no direito de propriedade. Eu tenho o direito de passear com meu co em vias pblicas, e meu vizinho tem o direito de no ter de pisar nos dejetos oriundos de meu co.
3 - A compra e venda de animais de estimao est resguardada no Cdigo de Defesa do Consumidor, quando adquirimos um animal com pedigree, alm do Direito da Genealogia ficamos protegidos quanto a determinados defeitos congnitos que impossibilitem o animal finalidade para a qual foi adquirido. Por exemplo se adquirimos um co para a finalidade de exposio e reproduo faltas como prognatismo ou criptorquidismo so cabveis de reparao. Doenas infecto contagiosas tambm cabem na garantia. O responsvel por fraudes de registro responde nas esferas cveis e criminais.
4 - Tu s responsvel por tudo aquilo que cativas: O nico animal que mata por prazer, vingana ou motivo torpe o homem. Somos responsveis nas esferas cveis e criminais por todo dano que causarmos a nosso semelhante.
Um co empresta os olhos quando guia e d sua vida quando guarda.
No compara-se ces a armas, mas sim a instrumentos, eles podem salvar ou matar como nossas mos ou um veculo, mas tudo vai depender de quem est por detrs, quem comanda o veculo. Ao adquirirmos um co devemos ter em mente, muros altos e portes que impeam evases, placas advertindo perigo, e sociabilizao com pessoas e outros animais para evitarmos eventuais fatalidades. O difcil no ter, mas manter.
5 - Quanto vale um amigo? Tenha em mente que animais, como pessoas, envelhecem, o encanto de filhote um dia acaba. Se voc no tem o intuito de criar e adquiriu uma fmea, para evitar crias indesejveis, castre-a, abandonar os filhotes a prpria sorte desumano e cruel, alm de ser crime. Ces velhos j foram um dia, encantadores e teis, lembre-se disso, sacrificar seu co s porque ele envelheceu uma sentena digna de um algoz, abandon-lo at pior, ele pode sofrer dias at o descanso final. Para voc, quanto vale um amigo? Um co s no humano, mas um grande amigo, talvez o nico que lhe seja sincero. Pense nisso antes de brincar de juiz ou pior, de Deus. Lembre-se voc pode deixar de responder s leis dos homens, mas a vida cobra, voc semeia e depois colhe, certo que um dia voc h de envelhecer e asilos por mais agradveis que sejam, no so lares.
6 - Tenha sempre em mente: S existem duas coisas que o dinheiro incapaz de comprar: o sorriso espontneo e o abanar da cauda de um co. Voc pode at comprar o co, mas suborn-lo, jamais". (s/p)
Referncias Bibliogrficas
ALENCAR, T.S. Amigo animal: O que leva pessoas a escolherem animais de estimao? (Entrevista com Dr. Hlio Jos Guilhardi). Rede Psi, So Paulo, 6 Set. 2006. Disponvel em: . Acesso em: 29 mai 2007.
GRIMALDI, M. Ao escolher um bicho de estimao. Disponvel em:
. Acesso em: 12 maio 2007.
Escolhendo o bicho certo
Por: Patrcia OgumaPerfil do Autor
Patrcia Oguma - Psicloga - 06/95318
www.patriciaoguma.com.brcontato@patriciaoguma.com.br (Artigonal SC #3275231)
Fonte do Artigo -
http://www.artigonal.com/psicoterapia-artigos/escolhendo-o-bicho-certo-3275231.html
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