FONOLOGIA - VOGAIS: MATTOSO CÂMARA
INTRODUO
INTRODUO
As lnguas se encontram sempre em um equilbrio instvel e numa mutao contnua. H razes de ordem psicolgica e social que podem perturbar o uso de uma lngua e provocar alteraes. A variao lingustica estabelecida pela dialtica liberdade e norma. Por isso, para assegurar a compreenso do que se fala de grande relevncia mostrar a fonologia e as vogais na viso de Mattoso Cmara, para direcionar as pessoas a pratic-las no ato da lngua, pela necessidade destas na sociedade. O trabalho feito conforme a pesquisa bibliogrfica ser posteriormente publicado via on line, para contribuir com a cincia e a polis interessada no mbito fonolgico. Isso porque, baseada numa tradio coletiva, temos uma norma superior, imposta pelo uso coletivo, que busca a convenincia social, com uma defesa de certos princpios comuns a todos os falantes.
1- O QUADRO DE VOGAIS
H muito radicalismo em alguns trabalhos que procuram invalidar o uso de um nvel culto ou formal, j consagrado, sem exageros de certas determinaes de autores que no seguem os preceitos da lingstica que procura descrever os fatos da linguagem sem um parti pris normativo. Porm, no nosso objetivo discutir esses pontos polmicos criados h algum tempo. Por isso passaremos a verificar o quadro de vogais orais na fase sincrnica, a partir da releitura de conceitos do grande descritivista da lngua portuguesa - o mestre Joaquim Mattoso Cmara.
As vogais orais, de acordo com o ambiente fnico (posio do fonema na slaba), apresentam um quadro varivel. Como exposto por Mattoso:
1 - tnicas - sete vogais: / a / , / / , / / , / i / , / / , / / , / u / . Aqui o quadro apresenta o maior nmero de vogais (sete), em virtude da oposio entre o timbre aberto e fechado, como em: peso (s. = / / ) x peso (v. = / / ) gosto (s. = / / ) x gosto (v. = / / ). A comutao (substituio) de fonemas ocasiona a mudana de significado dos vocbulos.
E ainda:
2 - tonas pretnicas - cinco vogais: / a / , / / , / i / , / / , / u / . Nesta posio, s necessitamos de cinco vogais. Aqui se anula a oposio entre aberta e fechada (neutralizao) que ocorre na posio tnica. Com duas vogais pretnicas, pode ocorrer uma oscilao ou flutuao, fenmeno fontico apenas, pois a mudana no traz alterao no significado. Isso acontece com as vogais / e / e / o / , em palavras como: 1) desvia: o / e / pretnico pode ser emitido como / i / ; porm, mxime nos estados nordestinos, h um forte timbre aberto nessas vogais: / / ; 2) costume: o / o / pretnico pode passar a / u / ; tambm no Nordeste se nota um timbre aberto nessas vogais: //.
O autor destaca ainda outra classificao das vogais, ou seja, as:
3 - tonas postnicas mediais - dolo rima com estrdulo; prola com crula ( = cerlea - da cor do cu), como nos mostra MattosoCamara Jr. Num estudo sobre poesia em autores brasileiros. Diz oautor no existir nessa posio, fonologicamente, a vogal / o //.Apesar de alguns vocbulos (eruditos) manterem o / o / inalterado (cone, tona, paroxtona, oxtona, proparoxtona), na pronncia formal, o fato no traz oposio significativa. Portanto, o quadro de vogais postnicas mediais passa a ser de quatro fonemas, j que as posteriores / , e u / ficam reduzidas apenas ao / u / , pela neutralizao (anulao da oposio lingstica).4 - tonas postnicas finais - trs vogais apenas: / a / , / i, / u / . Ex.: bnus / U / x pato / U / ; jure / I / x jri / I / . Observem-se: tribo e quase, com vogais pronunciadas / u / e / i / , respectivamente.
Como pode-se observar, aqui ocorre a neutralizao total entre as vogais anteriores e posteriores, resultando um fonema apenas em cada uma dessas sries. O fonema nico resultante dessa anulao da oposio denominado de arquifonema. Temos cinco letras, mas apenas trs fonemas. No importa que no Sul, o / e / e o / o / sejam pronunciados de acordo com a ortografia, pois, nas demais regies, essas vogais soam como / i / ou como / u / . De qualquer forma, a articulao do fonema como / i / (mais normal) ou como / e / (no Sul) no acarreta mudana de significado no vocbulo: apenas um fenmeno fontico.
Este epistem pauta-se nos ensinamentos do linguista Joaquim Mattoso Camara Jr. Em nossa Gramtica aplicada da lngua portuguesa, onde demos grande realce a esse enfoque do estudo das vogais, pois essalio define claramente quais so as vogais no portugus do Brasil. As vogais tnicas permanecem em portugus, respeitados os valores do latim vulgar. As vogais longas eram fechadas; as breves tinham o timbre aberto. Como vimos o timbre das tnicas / e / e / o / fator distintivo, ou seja, serve como elemento opositivo na lngua portuguesa. As vogais postnicas do latim vulgar desapareciam (sofriam sncope) para evitar o proparoxtono, tendncia que ocorre at hoje no registro popular: plvora passa a polva ou porva; abbora se torna abobra.
Os hiatos no latim vulgar tendiam a desaparecer, pela difcil pronncia, exigindo aberturas sucessivas da boca. Assim: vinea > vinia > vinya > vinha. Havia uma tendncia de fechamento da vogal at chegar a uma semivogal, ocasionando, ento, uma palatalizao pelo contato do / n / com a semivogal / y / . O hiato do vocbulo ruim (ru-im) no ocorre na fala popular .
CONSIDERAES FINAIS
Muitos fatos da diacronia continuam a ocorrer no atual estgio da lngua portuguesa, o que demonstra a importncia do estudo da gramtica histrica do portugus. Verificar-se alguns fatos que so caractersticos dessa influncia diacrnica. Na evoluo do latim corrente at chegar ao portugus, os proparoxtonos foram eliminados, fato que ocorre normalmente no portugus do Brasil: - rvore - arve / / ginstica - ginasca / / plvora - porva / / msica - musga / / fsforo - fosfo / / fgado - figo / / crisntemo - crisantemo / / Ocenia - Oceania
A dissimilao total ocorre quando h duas vibrantes no mesmo vocbulo. Uma delas costuma ser eliminada: o latim rostru deu rosto. No uso popular no Brasil, verificamos: perturbar pertubar / / prprio - prpio / / apropriado - apropiado / / problema - pobrema. Observe-se que a lngua espanhola manteve a dissimilao em prpio e apropiado.
A perda de fonemas no incio do vocbulo (afrese) comum em muitos vocbulos: est - t / / espera - pera / / obrigado - brigado Acontece ainda com o nome Manuel, que procede de Emanuel. O nome sacristo foi contaminado pelo substantivo santo; da: sancristo. A consoante palatal no ocorria no latim literrio. Por transformaes fonolgicas, aparece na evoluo da lngua. No nvel popular, h tendncia de eliminao da palatal: lhe - li (que ocorre na origem do vocbulo: il (li)) / / senhor-sinhor-sinh-si-seu.
A assimilao resulta da influncia de um fonema em outro. No caso, a seguir, o / m / do vocbulo um teria influenciado a transformao do / b / em / m / :. Um bocadinho - um mucadinho Espero ter descrito alguns fatos de importncia da diacronia que permanecem na atual fase da lngua portuguesa, principalmente no uso falado e no nvel popular de linguagem.
REFERNCIAS
CAMARA JR., J. Mattoso. Estrutura da lngua portuguesa. 2 ed., Petrpolis: Vozes, 1970
_____. Para o estudo da fonmica portuguesa. 2 ed., Rio de Janeiro: Padro, 1977.
SILVA, Thais Cristfano. Fontica e Fonologia do Portugus: roteiro de estudos e guia de exerccios. Editora Contexto. So Paulo: 2007.
FONOLOGIA - VOGAIS: MATTOSO CMARA
Por:
Marcio AlmeidaPerfil do Autor
(Artigonal SC #3201218)
Fonte do Artigo -
http://www.artigonal.com/ensino-superior-artigos/fonologia-vogais-mattoso-camara-3201218.html
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