O DRAMA DA FALTA DE ÁGUA
A iminncia de um colapso global no fornecimento de gua potvel pode estar escondendo uma das grandes injustias de nossa era.
"Todos tero que comer menos para que ningum morra de fome", j dizia CS Lewis, numa concluso que pode muito bem ser reescrita assim: "Todos tero que diminuir o desperdcio para evitar a morte de milhes que ningum socorre". Se se ressalta tal calamidade para o caso da falta de alimentos, qual destaque no merecer a tragdia da sede no mundo?
A Humanidade, assim, est inteira e inteiramente doente, porquanto aqueles que tm posses e que podem comprar muito mais do que o que comem, no conseguem fugir dos vrios tipos de contaminaes que atingem a gua e os alimentos de um modo geral, estando a merc da prpria sorte ou sob exclusiva proteo da vontade de Deus. Se o indivduo de fato, comprovadamente doente em seu organismo fsico, e precisa de gua pura para sobreviver, no poder ter garantias de pureza nem nas melhores guas minerais do planeta, pois muitas delas esto com PH alterado ou abaixo do recomendado para o organismo humano. Alm do mais, se tiver boa conscincia, poder se perturbar ao perguntar "por que ELE merece ter aquela gua, enquanto outros andam lguas e lguas para encontrar gua suja, morrendo no caminho ou aps ingeri-la". Em primeira pessoa ficaria melhor: "Por que eu mereo estar num pas que possui o maior rio do mundo e onde brotam as nascentes das mais potveis guas do planeta, enquanto pessoas pobres, muito mais puras do que eu, morrem feito gado na seca sem encontrar o precioso lquido? E se meu corpo doente precisa dessas boas guas, porque homens de bem de outras terras no receberam dessas guas quando seus corpos tambm precisavam delas?"...
Uma frase magistral concluiu a tese de mestrado de um telogo amigo deste articulista, e at hoje no sei porque ele no quis divulgar sua opinio de maneira oficial, publicando seus trabalhos. A frase que mais me marcou ao lado dele, quando fizemos o seminrio juntos, foi a seguinte: "Eu no posso ser feliz enquanto houver um pobre no mundo". claro que o pblico-alvo desta mxima so os figures do mundo todo, os donos do capital, os quais, sem qualquer remorso ou conscincia, simplesmente usufruem daquilo que a natureza ainda lhes permite extrair, sem jamais se dar lembrana de que os bens naturais so exaurveis e sem jamais se lembrar dos excludos da sociedade, que aos mesmos bens tambm tm direito.
Em verdade, a conscincia de que no possvel a felicidade neste mundo, associada certeza de que no mereceramos nem uns poucos momentos felizes se no envidarmos todos os esforos para nos irmanar na alegria e na tristeza, na sade e na dor, na riqueza e na pobreza, na fome e na fartura (nivelando todos os homens naquele patamar em que a Natureza capaz de suprir a todos; i.e, se erradicssemos sumariamente o egosmo, em que poucos tm tudo e muitos no tm nada), seria a nica ferramenta capaz de tornar vivel a colonizao de um planeta com recursos finitos, na boa vontade de dar mxima longevidade a toda a biosfera.
Todavia, se a regra matrimonial quase nunca cumprida nem mesmo pelos casais enamorados, em que o dia-a-dia dos casamentos corri todas as boas intenes do dia do SIM, como crer que no nvel macro, que envolve toda a sociedade, uma regra dessas poderia acontecer no idealismo de Deus? Eis porque nos voltamos para a forma prtica do pensamento de CS Lewis. Ao dizer "todos tero que comer menos para que ningum morra de fome", ele deixou no ar um exerccio possvel para cada um e ns, quando agora j sabemos dos malefcios que a glutonaria (o comer demais) provoca no organismo, encurtando a vida.
E antes mesmo deste exerccio, j conseguimos vencer a batalha do cigarro, pela conscincia dos malefcios comprovados pela cincia, aps uma era em que fumar era charmoso e at motivo de composio musical. Hoje, qualquer um de ns, mesmo fumante, j sabe que est pondo um veneno dos lbios e logo logo o cigarro sumir do mundo, com a crescente conscientizao das crianas e dos seus pais.
exatamente isso que podemos pensar em fazer para chegar frase aparentemente utpica de Lewis, quando cada um de ns souber, com nfase interior, o tamanho do benefcio que est se auto-concedendo por reduzir a quantidade de ingesto por refeio, e espaar as refeies com merendas leves. Naquele dia to feliz, quando nossa conscincia tiver internalizado, enfatizado e automatizado tal prtica, o pouco que comermos nos far bem duplamente: por melhorar nossa sade e nosso sono, por dar chance a que muito mais gente possa ter o que comer.
O ltimo passo aplicar a mesma regra aos nossos outros vcios, de tal maneira que ocupemos pouco espao na monstruosa explorao (at ento necessria) da natureza, extraindo o mnimo e lucrando o mximo com sua resposta saudvel, adiando ou eliminando a sua extino e conseqentemente a nossa prpria vida. idealismo? utopia? sim, mas agora no mais uma conversa mole ou uma deciso adivel: seguramente a nossa ltima chance, desde que a tomemos sem demora. A fome no espera o emprego chegar, assim como a Me-natureza no esperar mais por nossa enganosa boa vontade.
...............................................................Prof. Joo Valente de Miranda (
eatjvs@gmail.com).
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Prof. Joo Valente de MirandaPerfil do Autor
Joo Valente de Miranda bacharel em Administrao de Empresas, com ps-graduao em O&M. bacharel em Teologia, com licenciatura plena em Cincias da Religio. tcnico em desenho de arquitetura, telefonia, mixagem musical e editorao de som. pesquisador de paracincias e uflogo, poeta e ex-articulista de jornais de circulao no Nordeste. atualmente assistente administrativo do Instituto de Estudos, Pesquisas e Projetos da Universidade Estadual do Cear. (Artigonal SC #3230117)
Fonte do Artigo -
http://www.artigonal.com/desigualdades-sociais-artigos/o-drama-da-falta-de-agua-3230117.html
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