Welcome to YLOAN.COM
yloan.com » misc » O GRAU DA PALAVRA: FLEXÃO E DERIVAÇÃO
Gadgets and Gizmos misc Design Bankruptcy Licenses performance choices memorabilia bargain carriage tour medical insurance data

O GRAU DA PALAVRA: FLEXÃO E DERIVAÇÃO

INTRODUO

INTRODUO

A Gramtica tradicional, ainda se manifesta confusa quanto categorizao dos afixos de grau. A gramtica normativa, at a dcada de 1970, se manifestava de uma forma bastante categrica, quanto classificao flexional dos afixos, porm, a partir dos 1980, fizeram uma reviso, na qual deixaram de descrever o grau em sees destinadas s flexes do nome.

Hoje, algumas obras descrevem o processo de flexo e de derivao a partir de suas diferenas e semelhanas. Com isso, criam uma viso atualizada e corrente sobre essas duas "morfologias", focalizando, para tanto, os afixos do portugus: sua relao com os demais componentes da gramtica e seu diagnstico a partir de uma analise de critrios empricos.

O trabalho foi desenvolvido atravs de pesquisa bibliogrfica, tendo como base alguns autores renomados.

Apresenta-se a temtica: o grau da palavra: flexo e derivao, pois torna-se necessrio enfatizar a referida temtica pela existncia da problemtica de incluir os processos flexionais como parte da morfologia, levando em conta a vertente fraca em oposio vertente forte do lexicalismo. Na objetividade de retomar a discusso a respeito da flexo e derivao e apresentar os tratamentos dados pelas principais gramticas.

1 REFERENCIAL TERICO

de grande relevncia enfatizar que as gramticas normativas no listam os principais afixos, limitando-se basicamente a uma classificao estrutural que diferencia as formas sintticas (construes base + afixo, como "cadeirinha ", " bocarra", "pauprrimo") das analticas (construes sintticas, como " cadeira pequena", " boca grande", " muito pobre").

Em contrapartida, Rocha Lima (1998) e Bechara (2000) mencionam que os afixos dimensivos, os quais nem sempre expressam noo de aumento ou diminuio de um certo referente; no entanto, esses autores deixam de justificar seus posicionamentos, quanto aos principais usos desses formativos. Na mesma direo, Cunha (1983:215) considera que nem sempre as noes de aumento e diminuio vm atualizados nos sufixos mais tipicamente dimensivos (-inho e -o).

Muitos gramticos parecem no demonstrar os freqentes significados metafricos (" espigo", " orelho" ) ou metonmicos ("flanelinha", "lanterninha") da gradao morfolgica. Rocha Lima (1998), no entanto, cita a existncia de aumentativos e diminutivos " meramente formais", como "papelo" e "folhinha".

Percebe-se que, embora j tenham sido realizados vrios estudos, as obras que foram editadas mais recentemente, mencionam as variaes de aumentativo, diminutivo e intensidade, insistindo em consider-las como flexionais e reservando-as ao tratamento de substantivos e adjetivos.

Segundo Cmara Jr. (1970 apud Gonalves, 2007:151), quase todas as descries normativas dos anos 1960 e 1970, fortemente influenciadas pela NGB, nivelavam as categorias gnero, nmero e grau, considerando, todas elas, flexes possveis dos nomes, porque assim era na tradio latina.

Embora, as gramticas normativas modernas tenham passado por uma reviso, quanto a determinados questionamentos, levando-se em considerao as descries lingsticas, as gramticas escolares direcionadas para o ensino mdio ainda mencionam o grau como uma das flexes dos nomes, sem referir-se aos afixos gradativos e ao campo semntico das palavras, afirmando que sufixos como inho e o do a ideia de diminuio e aumento.

Um dos primeiros estudiosos a discutir a condio do grau em nossa lngua foi Cmara Jr. (1970:83), o qual se posicionou contra toda a tradio, ressaltando que: a expresso de grau no um processo flexional em portugus, porque no um mecanismo obrigatrio e coerente, e no estabelece paradigmas exaustivos e de termos exclusivos entre si.

Para o autor, a associao do grau a operaes flexionais se justifica somente do ponto de vista histrico. Cmara Jr. diz que, no latim, determinados sufixos como ior (comparativo) e issimus (superlativo) eram considerados obrigatrios em um contexto sinttico.

Em latim, o grau do adjetivo felix (feliz) era expresso de duas maneiras: felicier (mais feliz que) e felicissimus (o mais feliz do(a)); ao contrrio do que acontece em portugus, j que a gradao no obrigatria e no necessita de um contexto sinttico para ser expressa.

Rocha (1998:222) sustentam a natureza derivacional dos afixos de grau dizendo que: (a) determinados vocbulos, apesar de terem afixos de grau, no necessariamente expressam tamanho, como o caso do vocbulo "calo" ("traje de banho") e "camisinha" ("preservativo"); (b) a expresso de afetividade est presente em diversas construes morfolgicas de grau, como o caso de "filhinho", "comidinha", "sopinha".

Segundo Rocha (1998:73), por exemplo, a afetividade est sempre presente na sufixao gradual, ao passo que a noo de aumento ou diminuio pode estar presente ou no, como ocorre em "carro", que pode indicar valorao, e "timinho", que tende veicular contedos pejorativos.

Rocha destaca os sufixos graduais ou sufixos avaliativos, os quais podem ser de trplice natureza: subjetivos, valorativos e dimensivos. Para tais tem-se os seguintes conceitos e exemplos:

a) Os sufixos subjetivos so aqueles que expressam a subjetividade do falante, e no a afetividade em relao a um determinado referente.

D adeusinho a sua mesada!

b) Sufixos valorativos, so aqueles que tm a finalidade de manifestar um julgamento de valor em relao a um dado referente. Tal julgamento pode ser positivo, com sufixo melhorativo, ou negativo, com sufixo pejorativo.

Que gracinha de vestido! (positivo).

Quem essa mulherzinha que est gritando na calada? (negativo).

c) Os sufixos dimensionais, por sua vez, expressam noo de aumento ou diminuio de certo vocbulo.

Aquele rapaz tem, de fato, um narigo. (aumentativo)

Vejam aquele ratinho! (diminutivo).

Loures (2000) enfatiza o valor discursivo dos afixos de grau, ou seja, segundo a autora, sufixos diminutivos tm um valor afetivo, diminutivo e aumentativo e no expressam necessariamente a dimenso do referente, mas a afetividade do falante, podendo indicar aspectos positivos ("cachorrinho", "mulhero") ou negativos ("leizinha", "papelo"). Os afixos de grau tm como principal finalidade realar qualidade e/ou quantidade, de acordo com os padres individuais do falante.

Segundo Gonalves (2005), para separar a morfologia flexional da morfologia derivacional so utilizados pelo menos 16 critrios diferenciadores, pelos quais avaliado o comportamento dos principais afixos de grau dimensivo (-inho e o) e intensivo (-ssimo).

Nos exemplos a seguir, o sufixo de gnero do substantivo imposto para o adjetivo que com ele concorda; no entanto, percebe-se que o mesmo no pode ser notado para o de grau, que pode aparecer somente no substantivo (1b. e 1e.) e no adjetivo (1a. e 1d.); ou nos dois termos (1c. e 1f.), enfim nos exemplos (1g. e 1h.), o ncleo pode se manifestar num grau que no concorda com o seu adjunto.

(1) a. menina bonitinha b. menininha bonita

c. menininha bonitinha d. menina bonitona

e. meninona bonita f. meninona bonitona

g. menininha bonitona h. meninona bonitinha

Outro fator que diferencia a flexo da derivao ocorre no momento em que se compara a aplicabilidade de duas "morfologias". Nessa situao o grau pode ser considerado flexo.

(ii) A flexo mais intensa que a derivao, no sentido de que a estrutura paradigmas mais regulares e sistemticos. Gonalves (2005: 156).

Na flexo nota-se uma correspondncia entre as formas do modelo, havendo poucos casos irregulares. No entanto, a derivao tende a formar modelos no necessariamente coesos, pois visa a apresentar determinadas restries em sua aplicabilidade.

Para Cmara Jr. (1970:71), palavras derivadas no obedecem a uma pauta sistemtica e obrigatria para toda uma classe homognea do lxico. Em outros termos, uma derivao pode aparecer para um dado vocbulo e faltar para um vocbulo congnere, no constituindo "um quadro regular, coerente e preciso".

Segundo Loures (2000) e Piza (2001), a todos os nomes da lngua podem ser inseridos afixos de grau, tendo em vista que eles so bastante produtivos em portugus; tal produtividade est relacionada a valores afetivos, como, por exemplo, os pronomes ("euzinha", "elazinha"), nos advrbios ("pertinho", "devagarinho"), nas interjeies ("adeusinho", "at loguinho") e at mesmo nos verbos ("correndinho", "dormindinho").

(iii) Processos flexionais no so responsveis por mudanas de categoria lexical, ao contrrio dos derivacionais, que podem promover alteraes dessa natureza. Gonalves (2005:158). Nestes termos, percebe-se que na flexo, base e produto apresentam sempre a mesma especificao lexical, ou seja, a flexo no causa mudana na classe em que o vocbulo pertence. Nas palavras "gatos" e "linda", no momento em que se acrescenta o s de plural e do a de feminino no gera nenhuma alterao sinttica, j que tanto a base e o produto so nomeados como substantivos e adjetivos.

O que j no se percebe na maior parte dos sufixos derivacionais do portugus, os quais so responsveis por mudanas de classe. Por exemplo, -o e ada formam substantivos a partir de verbos ("canalizao", "esticada").

(iv) Arbitrariedade ou desvios so freqentes nas operaes derivacionais e pouco provveis nas flexionais. Gonalves ( 2005:161).

O que se percebe no critrio (iv), que para distinguir flexo de derivao, usado a lexicalizao, que para alguns autores proposta como uma fuga ao padro esperado.

Convm ressaltar, ainda, que o tipo mais comum de lexicalizao de alguns nomes complexos com afixo de grau: a semntica. Percebe-se que no comum encontrar usos figurados de sufixos aumentativos e diminutivos para designar seres ou eventos por critrios objetivos, mas a partir do significado termos associativos.

Em alguns vocbulos, o sentido original transforma-se em uma metfora ou metonmia. O que ocorre no vocbulo "camisinha", cujo significado " preservativo". Nos exemplos a seguir, podemos perceber, a lexicalizao:

diminutivos lexicalizados aumentativos lexicalizados

coxinha ("salgado") bolo ("aposta")

folhinha ("calendrio") espigo ("edifcio")

raspadinha ("jogo") pistolo ("pessoa influente")

beijinho ("doce") sapato ("lsbica")

selinho ("beijo") pescoo ("tapa").

O ensino da Lngua Portuguesa em nvel mdio, alm de considerar os estudos dos afixos de grau, pode inserir todo esse conhecimento a um processo morfolgico, com o objetivo de desenvolver a expressividade e a estruturao discursiva e textual.

A abordagem que os livros didticos trazem, de carter normativo, ou seja, se detm a classificar os principais afixos intensivos e dimensivos, sem levar em considerao a estrutura textual.

O aluno de nvel mdio no se interessa em saber se o grau que caracteriza em flexional ou derivacional, haja vista que, o assunto um tanto complexo e polemico. O mais importante que categorizar disponibilizar, para os alunos, no frases soltas, mas textos que mostrem o uso real e efetivo dos afixos.

Diante do exposto, os livros didticos e os professores de nvel mdio, no momento em que forem abordar o assunto, podem levar em considerao alguns aspectos, conforme sugeri Gonalves (2005: 165,6):

*desvencilhar a abordagem do grau das do gnero e do nmero.

*Evitar a expresso "flexo de grau".

*Desmistificar a ideia de que os afixos dimensivos expressam apenas tamanho.

*Investir nos valores expressivos da gradao sempre com base em texto variados.

*Atentar para os casos de lexicalizao.

*Vincular o estudo do grau com abordagem das chamadas "figuras de linguagem".

*Optar por atividades que articulem esse tpico de gramtica com leitura e produo.

CONSIDERAES FINAIS

No presente estudo cientfico, foi apresentado vrios enfoques dados para o tratamento do grau da palavra, partindo dos gramticos tradicionais chegando at alguns lingistas que deram relevo ao assunto, com intuito de retomar a discusso sobre a incluso do grau entre os processos derivacionais ou entre os processos flexionais.

No decorrer da elaborao da pesquisa, percebe-se que o tema est se tornando bastante polmico e contraverso, conforme cita alguns autores em relao a argumentao de que o grau das palavras flexional, enquanto que outros analisam o grau como derivacional.

Portanto, verificou-se que para o grau ser flexo ou derivao, depende do ponto de vista (ou critrio emprico) que se tem em mente.

Se, por um lado, o posicionamento de Mattoso Cmara Jr. que o grau indiscutivelmente derivao, as evidncias apresentada por Piza e outros autores de que o grau pode ser considerado flexional sob outros aspectos.

Vimos, com Cmara Jr. (1970, 1976) e Rocha (1998), que o grau no constitui um sistema aberto que permite a criao de novos sufixos sem afetar o emprego ou valor dos j existentes e tem opcionalidade total, podendo ser usado ou no.

REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

BECHARA, Evanildo. Moderna gramtica da lngua portuguesa. Rio de Janeiro: Lucerna,2000.

CAMARA JR., J.M. Estrutura da lngua portuguesa. Petrpolis: Vozes,1970.

CUNHA, C.F. Gramtica da Lngua Portuguesa. Rio de Janeiro: Mec/Fename, 1983.

GONALVES, C.A.V. Flexo e Derivao em portugus. Rio de Janeiro: Setor de publicaes da Faculdade de Letras da UFRJ, 2005.

LOURES, L.H. Analise Contrastiva de recursos morfolgicos com funo expressiva em francs e portugus. Rio de Janeiro, 2000.

PIZA, M.C. Gnero, nmero e grau no continuum flexo/ derivao em portugus. Rio de Janeiro, 2001.

ROCHA, L.C. Estruturas Morfolgicas do portugus. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 1998.

VIEIRA, S. R. e BRANDO, S.F, Ensino da gramtica descrio e uso. So Paulo. Editora Contexto, 2007.

O GRAU DA PALAVRA: FLEXO E DERIVAO


Por: Nora Andreia

Perfil do Autor

(Artigonal SC #3202704)

Fonte do Artigo - http://www.artigonal.com/ensino-superior-artigos/o-grau-da-palavra-flexao-e-derivacao-3202704.html
What type of Brisbane Magician Shall I be? Jan Berkowitz Excited To A Member Of St. Jude Partner In Hope Program 80s Icons - A Space Invaders Couch!? Автоперевозки Ваш Выбор Ремонт Сотовых The Starting Point of ALL Achievement Basic Skills Required To Be An Animator Needing Big Apple Inexpensive Adventures? Read About These Hints On How To Book Premier Excursion Bu Did You Know About The Various Kinds Of Iron Fences? Essential Ambiance: Flos Ariette Benefits Of Magnesium Characteristics Of A Cardigan Welsh Corgi The Convenience of Roller Window Shades
print
www.yloan.com guest:  register | login | search IP(216.73.216.114) California / Anaheim Processed in 0.023554 second(s), 5 queries , Gzip enabled , discuz 5.5 through PHP 8.3.9 , debug code: 161 , 14476, 85,
O GRAU DA PALAVRA: FLEXÃO E DERIVAÇÃO Anaheim