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O PAPEL DO GESTOR ESCOLAR NA MOTIVAÇÃO DO ALUNO E DO PROFESSOR

INTRODUO

INTRODUO

Todo ser humano e qualquer profissional, em especial o de educao, vivencia e/ou vivenciou em sua prxis, a falta de motivao tanto intrnseca quanto extrnseca. Ambos interferindo de alguma maneira no processo de ensino-aprendizagem. A primeira, aparentemente, por acontecer de forma encoberta onde as necessidades so internas, muitas vezes esquecidas ou adormecidas em virtude do ritmo de vida que temos; acabam sendo desconsideradas diante da presena de alterao do comportamento humano.

A segunda, embora como o prprio nome diz, so aquelas necessidades exteriores, nos permitindo reaes diferenciadas das normais, por ser geralmente, em particular, caso isolados, quase sempre fechamos os nossos olhos. Talvez por comodidade ou por falta de competncias essenciais a fim de minimizar essas questes empricas e significativas que podem contribuir para o sucesso do sistema educacional.

O presente trabalho tem por finalidade conhecer melhor o processo de formao e de atuao do professor em sala de aula, bem como, de seu trabalho de colaborao para com a sociedade. Para melhor entendimento deste processo, se faz necessrio conhecer o que h por trs das nuances da educao.

Para que o trabalho do professor seja estimado, e tenha bases slidas, o docente necessita trabalhar em conjunto com os demais integrantes da comunidade escolar. Visando propor uma alternativa de colaborao em relao atuao do gestor escolar, numa tentativa de contribuir para uma reflexo de gesto pedaggica inovadora, numa dinmica que objetive um bom relacionamento entre professores, alunos e toda comunidade escolar.

Atualmente, no se fala mais em administrao da escola e sim em gesto. Nessa perspectiva, a direo da escola deve passar a ser um trabalho de equipe, com ampla participao de todos os segmentos da unidade de ensino, e tambm da comunidade. Independentemente da terminologia usada, o que importa a atuao do gestor.

As atuais discusses sobre gesto escolar tm como dimenso e enfoque de atuao: a mobilizao, a organizao e a articulao das condies materiais e humanas para garantir o avano

dos processos scio-educacionais, priorizando o conhecimento e as relaes internas e externas da escola.

O objetivo primordial da gesto a garantia dos meios para aprendizagem efetiva e significativa dos alunos. O entendimento de que o aluno no aprende apenas na sala de aula, mas na escola como um todo. Faz-se necessrio que a unidade de ensino seja, em seu conjunto, um

espao favorvel aprendizagem. Que seja criando um ambiente de efervescncia de busca do conhecimento, de curiosidade em relao ao mundo, que os professores capturem o conhecimento que circula na sociedade e o tragam para dentro da escola, interagindo com a sociedade e recuperando o papel da escola na formao holstica do aluno.

Nessa nova realidade espera-se o comprometimento da equipe, pois, a mediao, o estudo e a soluo dos problemas ao de responsabilidade de todos, tendo como fio condutor do processo a gesto democrtica da escola.

A presente investigao se valeu das seguintes tcnicas ou formas de observao e coleta de dados: 1) Levantamento bibliogrfico de obras que tratam, na sua maioria, da gesto democrtica e da motivao no ambiente escolar. Assim entramos em contato com autores como: Bock, Furtado e Teixeira (2002), Cury (2003),Gagm (1975), Salteni (1975); Tafia e Fita (2000); Arajo(2000); Arroyo(2006); Dourado (2001); Freire (2001); Gandin (2000), Pano (1997), Bobbio (2000).

2) Pesquisa emprica qualitativa atravs de entrevistas semi-estruturadas( questes orais a fim de obter informaes verdadeiras contribuindo para a coleta de dados, tendo como mecanismo de ao entrevista disfarada), com a equipe gestora, corpo docente, discente e demais componentes da comunidade escolar da Escola Municipal de Ensino fundamental Teotnio Apinags.

Participaram deste estudo, professores, 1 diretor, 1 coordenador pedaggico, alunos, 7 mes que fazem parte do conselho escolar e uma pesquisadora de cidade de Rosrio do Iva- Paran, que desenvolveu pesquisa semelhante na concluso do seu curso de especializao.

A pesquisa foi feita em carter exploratrio e procurou utilizar observao direta agregando a entrevista disfarada, visando coletar informaes precisas, claras e objetivas sobre o tema investigado que foi fundamentado atravs de fontes secundrias.

Conhecer mais sobre como os professores se preparam para atuar em sala de aula, importante principalmente para quem est se preparando para trabalhar nesta rea. Para facilitar a compreenso do leitor, o presente trabalho foi subdividido em captulos a seguir:

CAPTULO I : Desenvolvimento: A origem da motivao

A origem etimolgico da palavra motivao vem do verbo latino movere,cujo tempo supino motum e o substantivo motivum, do latim tardio, deram origem ao nosso termo semanticamente aproximado, que motivo. Assim, a motivao ou o motivo a fora que coloca a pessoa em ao e que acorda sua disponibilidade de se transformar. aquilo que nos move, que nos leva a agir e a realizar alguma coisa. Logo, podemos dizer que motivar significa predispor-se com um comportamento desejado para determinado fim.

Os motivos ativam o organismo na tentativa de satisfazer e dirigem o comportamento para um objetivo que suprir uma ou mais necessidades. Atravs da motivao, o aluno escolhe, procuram dispara sua energia, capacidade, competncia, inteligncia, instiga, planeja metas, concretiza objetivos. , portanto, essencial aprendizagem e ao crescimento, mas por que no se mantm, que elementos a desmoronam?

Desnecessrio dizer que essa questo representa o centro das discusses pedaggicas e que abriga outros temas a ela correlatas, como a evaso escolar, a questo da disciplina e da indisciplina e, principalmente, a aprendizagem mecnica e cartorial facilmente esquecida e descartvel, no lugar da verdadeira aprendizagem na qual o aluno o protagonista da mesma.

Nos ltimos tempos, esta questo muito nos tem incomodado, pois temos observado que a total falta de motivao para o estudo por parte de muitos alunos, um dos principais fatores de muitos problemas em nossas escolas.

A situao do fracasso escolar que atinge grande parte da populao brasileira encontra na desmotivao, uma de suas principais causas, contradizendo afirmaes de que os mecanismos de avaliaes eram o grande responsvel pela expulso dos alunos da escola.

Ora, se h reprovao porque no houve interesse pelos contedos planejados pelo professor, se no h interesse, no h motivao para aprender, logo no h porque dizer que o sistema de avaliao o responsvel pela evaso do aluno. No queremos dizer com isso que aceitamos essa atual forma de avaliar o aluno, isso outra questo que precisa ser, com certeza, repensada.

Segundo Jerome Bruner(1976), o professor deve sempre estimular os alunos para a descoberta, desafiando-os sempre a buscarem seus conhecimentos. O fato que a escola, hoje, no provoca o aluno de modo que ele se sinta motivado a construir novos conhecimentos a partir destes desafios.

O que mais se ouve nas escolas so professores reclamando de alunos " que no querem nada", "que s querem mesmo saber de conversar e de passar de ano, no interessa como". Existe

uma verdadeira averso pelo estudo, um conformismo, uma dificuldade de refletir sobre um texto e de elaborar questionamentos. Os alunos, parece, que se negam totalmente a aprender. Por que isso acontece ?

Na verdade, mais parece um jogo de fora desigual, de um lado o professor, o detentor do saber; e de outro o aluno, o receptor desse saber. O professor, muito mal formado, no consegue entender porque o aluno age dessa maneira, como ele aprende e muito menos o que precisa fazer para que possa motiva-lo e, assim, ajuda-lo no processo de construo de seus conhecimentos.

A preocupao maior do professor est em cumprir o contedo programtico e no com a aprendizagem do aluno, Isso acontece por que grande parte dos educadores ainda no tm conscincia de que seu agir pedaggico deve estar subordinado ao aluno, ou seja, que as situaes propostas em sala de aula devem depender do nvel de desenvolvimento cognitivo do aluno partindo das necessidades do prprio aluno.

De nada adianta estufar o peito e proclamar que cumprir todo o programa, se na realidade, o mais importante, que a aprendizagem, ele no atingiu. O ajuste entre as propostas de atividades e as caractersticas evolutivas do desenvolvimento do aluno, viria, pelo menos amenizar esse problema.

Por outro lado, o aluno no consegue aprender porque, alm de haver um verdadeiro descompasso entre os contedos escolares e as suas estruturas cognitivas, h tambm a questo da imposio desses contedos, ou seja, a escola pensa pelo aluno, antecipa tudo para ele, essa prtica acaba por tirar dele a oportunidade de planejar a busca de seus prprios conhecimentos, e tambm o prazer de aprender, pois sabemos, por vrias situaes em classe, que o contedo apresentado pelo professor pode no vir ao encontro dos interesses dos alunos.

Na verdade, a escola no d tempo nem condies de o aluno agir sobre o meio que o cerca e, assim tirar suas prprias concluses, pois atravs da interao que ele vai poder construir instrumentos de raciocnio e assim ter condies de assimilar e acomodar e acomodar novos conhecimentos.

O mais grave de tudo isso que os problemas desse aluno comeam desde as sries iniciais. claro que essas dificuldades s tendem a aumentar com o passar do tempo, at chegar ao ponto que no encontra nenhum prazer e nem motivos para aprender e, sem prazer e sem motivao, no h aprendizagem.

A motivao um fator essencial para que ocorra a aprendizagem, mas esta vontade tem que vir de dentro. Portanto, no adianta o professor levar para sala de aula diferentes materiais didticos,

no adianta ter computador na escola, se o aluno no se sentir motivado a usa-lo e, a partir da, construir conhecimentos. No incio, os alunos podero at se entusiasmar por ser uma novidade, mas com o tempo esse uso se tornar mecnico e cair na mesmice de sempre.

Mas descobrir as causas da desmotivao e como recuperar esse fator imprescindvel para que ocorra a aprendizagem a nossa meta. Para analisar tais questes, partimos do pressuposto de que a desmotivao do aluno tem origem numa prtica de escola tradicional, centrada apenas na transmisso de contedos escolares, sem nenhuma significao para ele e, por esse motivo, no ativam seus sistemas cognitivos para atriburem significados s informaes recebidas.

Esse histrico da escola tradicional interfere na aprendizagem do aluno porque suas estruturas cognitivas no foram estimuladas para reestruturar essas informaes recebidas, e assim, tenha condies de construir seus prprios conhecimentos.

A maturao constitui um fator essencial

para a aprendizagem. Se o aprendiz no

est maduro para executar uma atividade,

evidentemente no poder aprende-la,

porque no dispor de condies para a

sua realizao.(CAMPOS, 1987, P. 76)

Portanto, fica claro que a insistncia na prtica tradicional, s far com que o aluno cada vez mais perca o prazer pelo estudo, pois no ocorrendo aprendizagem, sua auto-estima fica em baixa e, consequentemente, ser mais um aluno desmotivado, entre tantos na escola.

E a desmotivao a ausncia de desafio e de motivo espontneo, frequentemente agravada pela frustrao de no se ter alcanado sucesso ao longo da vida escolar ou experincias anteriores negativas.

1.1. O Ensino Tradicional e a Motivao do Aluno

O mundo de hoje, dominado pela informao e pela informtica,ao de no comporta mais uma escola que aprisiona o conhecimento em alguns poucos livros didticos.

evidente que as crianas vo escola para construir e ampliar seus conhecimentos e, tambm, para apropriar-se do saber construdo ao longo do tempo pelo homem. Chegam cheias de sonhos, de ansiedade, de expectativas e, por que no de conhecimentos, ou seja, vo para escola motivados, querem aprender coisas novas, visto que toda criana tem uma curiosidade natural que a faz explorar tudo o que novo.

Segundo Bzuneck(2001), todo aluno j traz para a escola alguma forma de motivao positiva, resultante de diversas experincias em seu meio. No entanto, a escola tradicional, em vez de alimentar essa vontade com atividades que despertem a curiosidade e a criatividade da criana, em muito pouco tempo, se incumbe de matar essa motivao com atividades nada desafiadoras.

O currculo escolar no ensino tradicional mnimo e fragmentado. Essa estrutura no oferece uma viso geral e as disciplinas no se complementam nem se integram, dificultando a perspectiva global que favorece a aprendizagem. Esse tipo de currculo tradicional no cria motivos no aluno para que ele sinta vontade de aprender.

Com efeito, a escola tradicional organiza seu trabalho em torno da seriao de contedos, elegendo a compartimentalizao como forma de trabalho e, cada disciplina, trata de suas questes especficas, como se estivessem encaixotadas em caixinhas, no propiciando interao entre as demais e, por isso mesmo, artificial e sem significao para o aluno.

Devido a esses procedimentos, nada estimulantes da escola tradicional, medida que a criana vai crescendo e avana em escolaridade, observa-se que a diminuio do interesse, da curiosidade e da motivao e, claro, as dificuldades de aprendizagem aumentam. Nos parece que o envolvimento do aluno fica restrito a situaes fora da sala de aula. Ou seja, percebendo que a escola no nada do que sonhava, a criana acaba perdendo a motivao de vir para a sala de aula e se adequar aos moldes que a escola lhe impe.

Outro problema que a escola tradicional sempre tratou a criana como um pequeno adulto, um ser que raciocina e pensa como ns, mas desprovidos simplesmente de conhecimentos e de experincia. Nesse caso, a criana seria apenas um adulto ignorante, cabendo ao professor equipa-la atravs de exerccios mecnicos, repeties, cpias e contedos sem nenhum sentido.

Na viso da escola tradicional, toda a nfase dada linguagem, onde os alunos recebem uma realidade j interpretada, geralmente distante da sua e, portanto, descontextualizada, mediante transmisso. Nesta perspectiva, h a crena de que um conhecimento construdo, e j formalizado por outros, possvel de ser entendido desde que transmitido de forma gradual, numa seqncia linear que vai do mais simples ao mais complexo.

Assim, pela transmisso, pela induo e pelo exemplo, os alunos, supostamente, adquirem os elementos e valores necessrios para se tornarem adultos, semelhantes a seus professores. Mas, a criana no pensa como adulto. Segundo a teoria construtivista, a criana forma seu intelecto aos poucos, em interao com o mundo. Por isso, ela precisa, sim, de atividades diversificadas para que tenha condies de entendimento e, assim, possa construir a partir da seus prprios conhecimentos.

Segundo Piaget ( apud: Seber, 1997, p. 182), " O desenvolvimento da inteligncia (...) provm de processos(...) que podem ser utilizados e acelerados pela educao familiar ou escolar, mas que no derivam delas, constituindo, pelo contrrio, a condio prvia e necessria da eficincia de todo ensino (...)" , isto , conforme Piaget explica, nenhuma aprendizagem parte do zero, porque construir conhecimentos novos significa diferenciar conhecimentos anteriores.

A partir dessas idias, acreditamos que, antes de iniciar qualquer proposta de trabalho em sala de aula, necessrio saber que representaes ou hipteses sobre determinados conceitos o aluno j tem.

De acordo com os PCNs, "os alunos no contam exclusivamente com o contexto escolar para a construo de conhecimentos sobre contedos considerados escolares. A mdia, a famlia, a igreja, os amigos so tambm fontes de influencia desses contedos. Essas influencias sociais normalmente somam-se ao processo de aprendizagem escolar, contribuindo para consolida-lo, por isso importante que a escola as considere e as integre ao trabalho. (...)" (Vol. 01. pg.54).

Na escola tradicional, tudo realizado fora de hora, simplesmente porque no se investiga como a criana aprende, como seu raciocnio progride, importando apenas cumprir o contedo escolar. O que o professor transmite no cria o conhecimento, como tambm no cria o interesse, mesmo porque no o docente que ensina, o aluno que aprende, pois o conhecimento vem de dentro e, no de fora, como pensa a escola tradicional. Por isso, a motivao um elemento chave nesse processo.

Para Pedro Demo,

" As escolas ( tradicionais) so lugares de decoreba' onde o aluno

tangido para a domesticao. Por vezes internaliza coisas, ajunta na

cabea um monte de informaes, aprende pedaos de conhecimento,

mas no os junta, sistematiza, questiona, reconstri, porque o prprio

professor no sabe fazer isso." ( 1994, p.100)

A escola hoje, precisa desestabilizar esse ensino retrgrado e tradicional, que mantm o aluno apenas como copiador, " confundindo a ambincia educativo-emancipatria com mera instruo, domesticao" ( Demo, 1991. p. 5), que no satisfaz as exigncias da sociedade moderna.

preciso que o professor considere o nvel de estruturao cognitiva do aluno, porque em funo desse nvel que ele ter condies de realizar as tarefas propostas e, a partir da construir conhecimentos.

Segundo Piaget, o conhecimento uma construo e, essa construo, se d em estgios. Em cada estgio, o sujeito constri um repertrio de esquemas que lhes permite aprender a realidade e agir sobre ela. Podemos at dizer que em cada estgio, existe uma inteligncia atuando que possibilita um determinado nvel de aprendizagem.

Em cada um desses estgios, a criana vai conquistando aos poucos nveis de equilbrio e reversibilidade cada vez mais elevados. O professor tem que levar em conta esses estgios, criando situaes que favoream a construo da inteligncia dos alunos, de acordo com o estgio em que eles se encontram. Caso contrrio, podero ter dificuldade de realizar as tarefas propostas e sua aprendizagem ser mecnica, baseada na memorizao, sem possibilidade de fazer generalizaes e construes de reversibilidade.

O sucesso da criana na escola e na vida depende de aes concretamente realizadas, desde o perodo do desenvolvimento da inteligncia prtica at boa parte do desenvolvimento da inteligncia verbal ou refletida, ou seja, o desenvolvimento intelectual refere-se essencialmente s atividades construtivas da criana, desde as aes sensrio-motoras s operaes mais interiorizadas.

Essa questo coincide justamente com a fase da educao infantil e as primeiras sries do ensino fundamental. Acontece que nessa etapa de escolarizao que as crianas so submetidas a atividades mecnicas que consistem em cobrir traados, ligar uma a uma figuras iguais, riscar, marcar figuras de acordo com um determinado comando, alm de cpias e mais cpias de nmeros, letras e palavras soltas.

Estas atividades em nada contribuem so desastrosas. Fatos como estes s acarretam mais atraso nas estruturas cognitivas desta criana porque se os processos construtivos no evoluem, a reversibilidade prpria das operaes concretas no se efetiva.

Por isso fundamental que desde as sries iniciais, o professor promova a interao social na sala de aula e encoraje o questionamento, desenvolvimento o esprito crtico e investigativo, principalmente, dos problemas levantados pela prpria criana, pois assim, ela estar mais apta a compreender e interagir com o meio fsico e social que a cerca.

1.2. A Afetividade no processo de Motivao

incontestvel que o afeto desempenha um papel essencial no funcionamento da inteligncia. Sem afeto no haveria interesse, nem necessidade, nem motivao, pois nesta interao afetiva que se desenvolve os sentimentos positivamente ou negativamente e constri-se a auto-imagem.

De acordo com o Dicionrio Brasileiro Globo ( Fernandes, Luft e Guimares, 1990), afetividade "sentimento de inclinao para algum; simpatia; afeio; (...); dedicado; afeioado; entregue; pendente".

, principalmente, no sentido de o aluno estar entregue, envolvido e mobilizado com todos os seus esquemas para aprender algo que falamos de afetividade, visto que ele no estar envolvido somente intelectualmente, mentalmente, mas sim, ele inteiro estar envolvido neste processo.

Mas tambm queremos deixar claro que afetividade no sentido de "simpatia, afeio" importante no processo do ensino-aprendizagem, pois se o aluno no se envolve de forma afetiva com o professor, dificilmente se envolver em um projeto, por exemplo, em que o professor seja o coordenador, pois nesse processo, o decente no mero facilitador, mas tem um papel crucial do conhecimento pelos aluno.

Observa-se nas salas de aula, que professores que interagem com os alunos de uma forma mais prxima e afetiva, so os que mais contribuem para a construo de conhecimentos dos alunos, portanto isto nos fornece um indicio de que a relao afetiva tem importncia relevante para a construo do conhecimento e o gosto por aprender.

Porm, temos percebido que muito raramente as relaes aluno-professor so feitas de afetividade, pelo contrrio, existe muita relao defensiva entre eles, no h camaradagem, carinho, amizade e, muito menos, regras de solidariedade e de justia.

O professor deve empenhar-se em cativar o aluno, tal qual a raposa de O Pequeno Prncipe' ( Saint-Exupry, 1967), depois basta sedimentar os laos de afetividade que so insubstituveis e no podem estar auentes no processo de ensino-aprendizagem, seja qual for a faixa etria dos alunos.

" Certamente a afetividade ou sua privao podem ser a causa de

acelerao ou atraso no desenvolvimento cognitivo (...) Mas isso

no significa que a afetividade engendre, nem mesmo que modifique,

as estruturas cognitivas, cuja necessidade permanece." ( Piaget,1973,

47 )

Os componentes afetivos da motivao como o estado de "fluir" so provenientes do profundo envolvimento pessoal nas atividades realizadas. Nesse ponto de vista, o aluno sente-se to absorvido naquilo que est fazendo que nada mais parece ter importncia, sente-se completamente satisfeito.

Esse estado de fluir importante como origem da motivao intrnseca, por tratar-se de uma experincia positiva e em decorrncia do seu potencial para gerar mpeto para o crescimento pessoal. Piaget, define a afetividade como todos os movimentos mentais conscientes e inconscientes no-racionais, sendo o afeto a energia necessria para o desenvolvimento cognitivo e seus estudos especificam que a afetividade na construo do conhecimento.

Pois, considerando a afetividade o combustvel para a sistema intelectual funcionar, tanto ele implicar num maior envolvimento do sujeito com o objetivo de estudo, como, tambm, na relao com seus pares e com o professor.

Segundo Piaget ( apud Barry, 1992, 24 ),

" A inteligncia tem dois aspectos, o cognitivo e o afetivo. O desenvolvimento

cognitivo, enquanto um processo contnuo pode ser dividido em quatro estgios

de anlise e descrio. O desenvolvimento afetivo ocorre de modo semelhante

ao desenvolvimento cognitivo. Isto , as estruturas afetivas so construdas como

as estruturas cognitivas so construdas. O aspecto afetivo responsvel pela

ativao da atividade intelectual e pela seleo dos objetos sobre os quais agir".

De fato, a afetividade de extrema importncia na vida do aluno, pois diz respeito aos interesses, motivaes, afetos, facilidades e esforo. A afetividade o motor das condutas, mas no a causa suficiente para a formao das estruturas cognitivas, visto que ningum se esfora para resolver um problema de matemtica, por exemplo, se no estiver interessado em absoluto por tal disciplina.

Porm, se o aluno estiver envolvido em projeto de aprendizagem sobre como funciona, por exemplo, os foguetes, certamente ir resolver os problemas que surgirem sem perceber que est trabalhando a matemtica, pois estar intrinsecamente motivado, estar totalmente entregue na resoluo do projeto.

Motivao, agrado, desagrado, afeto, facilidade, empenho, interesse, enfim, tudo que concerne ao aspecto afetivo constitui a relao que liga a situao exterior ao nvel de construo das estruturas da criana. Dizer ento que ela se interessa por algo significa afirmar que ela est de posse de certas estruturas passveis de assimilar o que lhe propem.

O que se prope criana no deve ser nem muito conhecido, pois h o perigo de haver desinteresse; nem muito novo, pois se a novidade estiver alm do seu nvel de desenvolvimento, ou seja, se a sua organizao intelectual ainda no estiver em condies de assimilar o fato exterior, a criana manifesta sentimentos de desagrado e de desinteresse tambm.

Por isso, voltamos a afirmar novamente, nenhuma situao exterior, seja ela qual for, em si mesma interessante, desafiadora, fcil ou difcil, pois tudo depende dos esquemas de assimilao da criana e, quando o professor no tem conhecimento de tais esquemas, acontece exatamente o que constatamos durante os projetos de aprendizagem realizados durante nossa prtica na escola: desinteresse e falta de motivao.

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1.3. O Professor no Papel de Investigador da Aprendizagem do Aluno

Em todas as situaes de aprendizagem, a motivao do aluno sempre esbarra na motivao do professor. Mas, para motivar o aluno, h a necessidade de um senso de compromisso com a educao, por parte do professor, mais ainda, de um entusiasmo e at mesmo de uma paixo pelo seu trabalho.

O estilo motivacional do professor, promotor da autonomia de seus alunos, deve estar presente em todas as situaes de ensino, como, por exemplo, nas propostas e organizao de tarefas, pois, assim, possibilitam sua autodeterminao e percepo de competncia.

Secularmente, o professor tem sido visto como o ator principal no processo de ensino-aprendizagem, por isso muito difcil para ele imaginar caminhos compartilhados com os alunos. Em vista disso, a adoo de uma metodologia que proponha envolvimento e responsabilidade do aluno como construtor do seu prprio conhecimento, esbarra sempre no papel central do professor como dono do saber. Ensinar dentro de estruturas autoritrias pode at parecer eficiente a curto prazo os alunos aprendem rapidamente determinados contedos, mas no aprendem a ser pessoas e a ser cidados.

S vale a pena ser educador dentro de um contexto comunicacional participativo, interativo e vivencial, pois s aprendemos profundamente dentro deste contexto. Pois, a liberdade de expresso uma prtica que refora no aluno a conquista de sua autonomia, aprimora seu senso crtico, visualiza a realidade sob vrios ngulos, adaptando seus conhecimentos a valores e comportamentos.

Nesta perspectiva, o professor passa a ter uma nova proposio metodolgica, pois se torna o articulador do processo pedaggico, atuando em parceria com o aluno, provocando situaes desafiadoras, instigando-o a buscar e a investigar novos caminhos. Um dos eixos para essa mudana na educao passa por sua transformao em um processo de comunicao autntica e aberta entre professores e alunos, primordialmente, mas tambm incluindo administradores e a comunidade, principalmente os pais. Segundo, Barry ( 1992, 101) " o respeito um agente no desenvolvimento do pensamento autnomo neste estgio( estgio sensrio-motor)".

Hoje, no basta ao professor se apenas um bom docente, ele tem que ser um diagnosticador, um comunicador, um companheiro e um solucionador. O professor deve ser um aliado, um cmplice do aluno. Sua interferncia no processo de aprendizagem deve ser sutil e, estritamente, no sentido de orientar, com muita cautela e segurana. Pois, o aluno no deve ser induzido em suas concluses, mas orientado no sentido de viabilizao de suas buscas e seleo das informaes encontradas, dessa forma estar contribuindo para a construo de seus conhecimentos.

Aproximar o aluno de seus recursos intelectuais, cria oportunidades para que o prprio aluno administre seus erros e acertos. A postura do professor deve ser sempre a de mediador das diversas situaes criadas em sala de aula.

Em nossa sociedade moderna, cada vez mais as pessoas trabalham com produo de conhecimento, isso significa estar construindo um conhecimento individual passo a passo. Ento o professor precisa saber instigar, ou seja, ser um provocador de dvidas em seus alunos, gerando neles o desequilbrio momentneo. Abrir espao para que os alunos percebam o que o conhecimento tem a ver com suas vidas exige, por parte do professor, diferentes estratgias metodolgicas.

Segundo Piaget ( apud Palangana, 1994, 72), " A necessidade e a estrutura cognitiva so dois aspectos indissociveis da conduta humana: o aparecimento da necessidade sempre solidrio a um determinado de organizao estrutural, sem o que os desequilbrios no podem ocorrer".

Em vista das dificuldades enfrentadas pelo professor em sala de aula, pensamos que o governo deve investir muito mais em cursos de formao de professores, e em cursos de atualizao que favoream a tomada de conscincia sobre como se aprende e como se ensina; que os leva a compreender a prpria prtica e transform-la em prol de seu desenvolvimento pessoal e profissional, e em benefcio de desenvolvimento de seus alunos.

De acordo com Fagundes, L; Sato, L & Maada, D., em " aprendizes do futuro: as inovaes comearam!", ( 1999 ):

" A grande maioria das metodologias educacionais, e de suas tecnologias,

que atualmente so ensinadas nos cursos de formao de professores,

mostram-se ineficientes para ajudar o aluno a aprender e desenvolver

novos talentos. No se sabe ajuda-lo a alcanar o poder de pensar, de

refletir, de criar com autonomia solues para problemas que enfrenta".

Mas tudo isso implica que o professor tenha autonomia para vivenciar a dialtica da prpria aprendizagem e da aprendizagem de seus alunos e reconstrua continuamente teorias, em um processo de preparao que se desenvolve segundo o ciclo descrio-execuo-reflexo-depurao. Isso exigir, com certeza, do professor, uma maior qualificao.

Mesmo que tivesse tempo suficiente para refletir sobre sua prpria prtica, provavelmente o docente no faria isso porque em sua formao tradicional essa prtica no foi incentivada. A falta

de preparo do professor um dos fatores que mais contribuem para que no haja uma mudana significativa na prtica escolar.

O docente, hoje, apenas fruto dessa escola que o sistema criou. mais vitima que vilo, afinal de contas trabalha, muitas vezes, sem as mnimas condies, sem apoio algum e, o que pior, recebe um dos mais baixos salrios do pas, obrigando-o, muitas vezes a trabalhar o triplo da carga horria de um trabalhador comum, sem contar que ainda leva trabalho para fazer em casa.

Segundo Cagliari ( 1989, 13 ), " O mal da educao que ela pode funcionar mal, para muitos interessa apenas que ela esteja no ar, no importando qual seja o programa", portanto, apenas construir salas de aulas e equipa-las, no adianta, o principal ponto tem que ser o investimento na formao e na valorizao do professor, sem estes dois requisitos no existir mudana nunca. Infelizmente, essa situao em que o professor se encontra hoje, reflete-se na sala de aula, de forma negativa, visto que sua auto-estima tambm negativa, pois totalmente desvalorizado pela sociedade, mas, ao mesmo tempo, essa mesma sociedade cobra que ele seja o dono do saber.

Isso vem criar um verdadeiro conflito de identidade no professor, reduzindo, assim, sua auto-estima, a vontade de querer especializar-se, de querer fazer melhor, enfim, de ter autonomia para inovar sua postura e prtica pedaggica.

Em vista desse quadro, pensamos que uma mudana na postura do docente, implica tambm polticas que valorizem seu trabalho. Os movimentos governamentais precisam sair do discurso e apresentar aes concretas e efetivas, para equipar as instituies escolares e capacitar os professores para o enfrentamento da modernidade.

Sabemos que todo esse contexto educacional desmotivador para o professor, entretanto, o aluno no pode ser penalizado na construo de seus conhecimentos. Cabe a cada um de ns a responsabilidade de construir uma sociedade mais justa.

Se os professores fossem educados de forma a favorecer a autonomia e a cooperao, aliado, claro, ao compromisso tico-profissional, talvez no se deixassem ser submetidos s condies atuais, tanto do ponto de vista pessoal, quanto profissional.

Afinal, o professor, tambm, pode ser autor e construtor de sua histria, ser autnomo e cooperativo. Pois, ao colocar em prtica teorias pedaggicas inovadoras, estar construindo uma nova histria para a educao, contribuindo, assim, para a cidadania plena, tanto dele, quanto do aluno.

Com a atualizao das novas tecnologias na educao cresce a importncia do professor e a necessidade de uma formao continuada de modo que possa realizar pesquisas e desenvolver suas atividades pedaggicas utilizando essas novas tecnologias. Com isso cresce tambm a sua autonomia para propor mudanas necessrias.

Ao contrrio do que muitos professores pensam; ele, tambm, responsvel em fazer com que o aluno sinta-se motivado ou no, depende dele o sucesso ou no deste aluno nesta sociedade, pois s atravs da educao poderemos mudar esse quadro.

Portanto, insistimos em dizer que o professor tem que cumprir o seu papel, independentemente da conjuntura poltico-social em que se encontra. Segundo Fagundes, L,; Sato, L. & Maada, D. (1999), esse papel compreende em:

Ativar as aprendizagens: um professor to aprendiz quanto seus alunos, no funciona apenas cognitivamente, preciso ativar mais do que o intelecto. fundamental ativar a mente e a conscincia espiritual para aprender muito mais sobre o mundo interior e subjetivo.

Articular a prtica: esse papel exige grande disponibilidade, com facilidade de relacionamento e flexibilidade na tomada de decises. importante porque exige que o professor faa a costura entre os diversos segmentos dentro da comunidade escolar.

Orientar os projetos dos alunos: o papel do professor, aqui, o de acompanhar as atividades dos alunos, orientado-os em sua busca com perguntas que estimulam seu pensamento e reflexo.

Coordenar conhecimentos(especialista): o professor sempre ter como uma de suas funes, a funo de coordenar os conhecimentos especficos de sua rea de formao, ou seja, a funo de especialista. Afinal h momentos em que ele deve propiciar a sistematizao e a formalizao do que os alunos esto construindo.

Em resumo, pensamos que se torna cada vez mais necessria a interveno do professor com o propsito de organizar os conceitos adquiridos pelos alunos, de modo a permitir que se construa a estrutura dos diferentes campos de saber.

Por isso, necessria a formao continuada dos professores para atuarem de forma competente e integrada com os alunos, pois ensinando o professor tambm aprende e se sente motivado a levar os seus alunos a construrem novos conhecimentos a partir de uma nova abordagem.

1.4. (Des) Motivao dos Docentes e Discentes nas Sries Iniciais do Ensino Fundamental

Verificamos atualmente, que alguns segmentos responsveis direta ou indiretamente pela educao sistematizada tem sofrido pelo efeito contrrio motivao, tema este pesquisado, estudado e refletido durante todo meu trabalho, tendo como foco principal o professor e o aluno. Estes segmentos so atingidos diretamente pelo caos na educao. Aquele por desconsiderar a importncia de trabalhar as motivaes intrnsecas e extrnsecas em beneficio do aluno. Outros segmentos tambm tm suas parcelas significativas de responsabilidade e compromisso com a problematizao encontrada, como alguns atores desmotivados existentes nos primeiros cinco anos do ensino fundamental. Esta situao foi identificada e fundamentada atravs de pesquisas emprico bibliogrficas em entrevistas com diretora, coordenadora pedaggica, professores, alunos e famlia.

A partir de uma amostra e anlise de dados, detectamos que todos os segmentos acima mencionados possuem um percentual considervel, de desmotivao. Precisando urgentemente rever as estratgias, habilidades, atitudes, competncias e responsabilidades, no sentido de transformar aquele quadro opaco e sem definio, numa escultura que precisa ser lapidada e lubrificada sempre.

Visando no perder o sincronismo e brilho indispensveis

ao sucesso do ensino-aprendizagem, as escolas precisam

ser mais bem organizadas e administradas para melhorar a

qualidade do ensino, levando os alunos a se sentir envolvi-

dos nas aulas e nas atividades escolares. (LIBANEO, 2OO5

P. 301)

Para tanto, apresento na viso de TAPIA ( 2000 ); elementos indispensveis para a compreenso e anlise do processo, levando o educador e educando prtica e a realizao do mesmo: Formulao de meta; Conhecimento de estado inicial; Modelo de aprendizagem; Modelo de ensino.

Assim, importante perceber que a aplicabilidade dos cincos elementos acima citados, s ter sucesso se considerarmos a motivao do aluno e do professor, como sendo um dos fatores favorveis para a realizao com qualidade. Neste sentido, entende-se a importncia de comentar as teorias sobre a motivao no campo do ensino e da aprendizagem, apresentadas por Tapia, estando diretamente ligados ao tema estudado.

A criana de hoje vive em um mundo repleto de tecnologias e brinquedos que encantam e fascinam a todos. Os atrativos oferecidos pela mdia despertam interesses que esto alm do simples fato de freqentarem uma escola. No entanto, essa, muitas vezes, no oferece os mesmos atrativos, o que na maioria dos casos gera certos desinteresses e falta de motivao pelos estudos, pois para criana brincar, muito mais interessante do que estudar.

No entanto, essa, muitas vezes, no oferece os mesmos atrativos, o que na maioria dos casos gera certos desinteresses e falta de motivao pelos estudos, pois para criana, brincar muito mais interessante do que estudar. Embora as pessoas saibam da importncia da educao para o desenvolvimento do ser humano, fazer com que os meninos e meninas compreendam isso um grande desafio.

Pesquisas mostram que as crianas e os professores esto chegando s escolas cada vez mais desmotivados; os aluno pelos estudos, o que gera a repetncia e muitas vezes a evaso escolar, e os professores pela falta de motivao dos discentes acabam deixando de desempenhar seu papel de forma significativa.

So muitos os problemas causados pela desmotivao, no entanto acredita-se que no existe uma receita mgica para fazer as aulas serem o foco de ateno das crianas. Porm, o professor com sensibilidade e energia talvez consiga enfrentar o desafio ( Zenti, 2000 ).

A administrao pedaggica da escola juntamente com o conselho escolar, enquanto gesto democrtica possuem papel fundamental na motivao dos envolvidos neste trabalho. Buscando atravs de atividades participativas, oferecer instrumentos de suporte pedaggico e tecnolgicos, afim de incentivar o trabalho docente, valorizando este profissional e consequentemente fazer a diferena no processo ensino-aprendizagem de nossos alunos.

Para Zenti ( 2000 ), os especialistas no assunto afirmam que os professores devem mostrar aos seus alunos que estudar pode ser divertido. Porm, a maior dificuldade est em competir com os atrativos tecnolgicos e os brinquedos que encantam as crianas, e que na escola no existem. Na maioria dos encontros de professores a queixa presente com relao ao desinteresse dos alunos em quere aprender.

esse fato afeta diretamente professores

e alunos em funo das reas de estudo,

dos nveis do sistema educacional e da

caractersticas socioculturais de quem

aprende ( ZENTI, 2000, p.07)

Frente a essas premissas e, com a intenso de investigar a motivao nas salas de aulas e que recursos so utilizados para isso. Verifica-se que, numa gesto descentralizada das burocracias, o suporte pedaggico fica mais presente; facilitando de certa forma o trabalho do docente, e consequentemente tornando as aulas mais atraentes aos olhos dos alunos.

a motivao escolar algo complexo, processual

e contextual, mas alguma coisa se pode fazer

para que os alunos recuperem ou mantenham seu

interesse em aprender. ( TORRE, 1999, p. 09 )

No se pode falar em motivao do professor, sem mencionar o aluno, a gesto da escola, a comunidade como um todo. Pois, muitas vezes dizemos que para o aluno ter motivao em aula importante ter um bom professor. Ouve-se dizer tambm, que um bom professor aquele que sabe motivar seu aluno.

A motivao dos alunos pelos estudos em sala de aula, um assunto preocupante, pois, segundo professores, as crianas esto chegando cada vez mais desmotivadas. Muitos docentes dizem que a escola est perdendo espao para os avanos dos brinquedos e vdeo-games, que encantam e acabam interferindo no aprendizado.Ao professor a desmotivao deve-se aos baixos salrios, falta de infra-estrutura das escolas e principalmente apoio pedaggico dos gestores escolares.

A desmotivao gera graves conseqncias como repetncia e evaso escolar. Nas escolas pblicas, muitos discentes, por repetirem vrias vezes a mesma srie, optam por sair da escola e ingressar no mundo do trabalho, o qual traz um retorno financeiro, causando assim a evaso nas escolas. Porm, segundo professores entrevistados, nas escolas particulares a repetncia est relacionada ao desinteresse dos alunos.

A motivao no um problema apenas dos alunos, mas dos professores tambm. Como ilustrou a fala de uma entrevistada: "eu entendo meus alunos. s vezes eu tambm vou dar aulas sem vontade de nada". Os docentes acreditam que para os alunos estarem motivados com a aprendizagem, preciso que eles estejam motivados. De acordo com Jesus e Santos ( 2004 ), a rotina e a inibio provocam a desmotivao.

Muitos docentes relatam que nem sempre esto motivados para o trabalho. Muitas vezes vo trabalhar cansados. Eles acreditam que essa atitude, de alguma maneira, percebida pelos alunos, o que faz com que se comportem desmotivados. "Noto que quando estou empolgado, meus alunos tambm esto. E quando estou baixo astral, eles tambm ficam. Parecem que captam o humor da gente".

Essa desmotivao pelo trabalho, est relacionado com as condies de trabalho oferecidas ao profissional da educao, que muitas vezes no recebem um salrio de acordo, trabalham com um grande nmero de alunos e poucos recursos tecnolgicos.

Fazendo um anlise, percebe-se que a falta de motivao do professor tambm est muito relacionada ao grande nmero de alunos nas salas de aulas. No entanto, relatos mostram que o acmulo de crianas na sala de aula acarreta uma desmotivao do aluno tambm, pois apresentam mais dificuldade em relacionar-se com o professor e colegas, gera certos empecilhos para poderem questionar suas dvidas e os docentes reclamam das conversas paralelas que atrapalham o rendimento.

CAPTULO II : Gesto Democrtica e conselho Escolar

A luta pela democratizao da educao tem sido uma bandeira dos movimentos sociais no Brasil, de longa data. Pode-se identificar em nossa histria inmeros movimentos, gerados na sociedade civil, que exigem a ampliao do atendimento educacional a parcelas cada vez mais amplas da sociedade. O estado, de sua parte, vem atendendo a essas reivindicaes de forma muito tmida, longe da universalizao esperada, como especulado por muitos pesquisadores.

Nas diversas instncias do poder pblico, pode-se perceber um esforo do atendimento s demandas sociais por educao no Brasil, porm, de forma focalizada e restritiva. A focalizao se d na ampliao significativa do acesso a apenas um dos segmentos da Educao Bsica. Mas mesmo nesse segmento h uma restrio evidente, pois somente as crianas de sete a quatorze anos so privilegiadas na oferta obrigatria do ensino fundamental. Alm disso, as crianas de zero a cinco anos, demandantes da Educao Infantil e os jovens do Ensino Mdio, tm um atendimento ainda insuficiente pelo estado.

Importante destacar que a democratizao da educao no se limita ao acesso escola. O acesso , certamente, a porta inicial para o processo de democratizao, mas torna-se necessrio, tambm, garantir que todos que ingressam na escola tenham condies para nela permanecerem, com sucesso. "Assim, a democratizao da educao faz-se com acesso e permanncia de todos no processo educativo"(apud ARAJO, 2000, p. 35).

Assim, a ltima faceta da democratizao da educao indica a necessidade de que o processo educativo seja um espao para o exerccio democrtico. E para que isso acontea forjada uma nova forma de conceber a gesto da educao: uma gesto democrtica.

Democratizao da educao, nesse sentido, vai alm das aes voltadas para a ampliao do atendimento escolar; configura-se como uma postura que, assumida pelos dirigentes educacionais e pelos diversos sujeitos que participam do processo educativo, inaugura o sentido democrtico da prtica social da educao.

A gesto democrtica pode ser considerada como meio pelo qual todos os segmentos que compem o processo educativo participam da definio dos rumos que a escola deve imprimir educao e a maneira de implementar essas decises, num processo contnuo de avaliao de suas aes.

Na Escola Municipal de Ensino Fundamental Dep. Raimundo Ribeiro de Souza, sediada no Municpio de Jacund, no Sudeste do Estado do Par, visvel a participao da gesto escolar nos diferentes segmentos no que se refere ao processo educativo de seus alunos e consequentemente no processo de avaliao da aprendizagem. Com elementos constitutivos dessa forma de gesto podem ser apontados: participao, autonomia, transparncia e pluralidade.

A participao de todos os segmentos da escola condio para a existncia de uma gesto democrtica numa instituio de ensino. Assim, concebe-se a gesto democrtica como uma ao coletiva, onde os diversos segmentos da escola e da comunidade externa contribuem na delimitao e na implementao das aes educacionais. Esta participao se d de forma direta, em assemblias e reunies, e de forma indireta, a partir da representao dos diversos segmentos mencionados, em conselhos escolares e instancias similares. "Assim, qual se exercita a democracia participativa"( ARAJO, 2000, p. 47).

A participao aqui destacada compreende a possibilidade de todos os segmentos internos escola decidirem os rumos da mesma, de forma coletiva, onde a execuo das tarefas caber aos seus grupos profissionais especficos.

O conceito bsico de cidadania sustenta-se no exerccio da autonomia e no sentido da emancipao.Portanto, uma escola autnoma aquela que constri, coletivamente seu projeto poltico pedaggico, como estratgia fundamental para o compromisso com sua realizao. A gesto democrtica, nesse sentido, propicia condies de concretizao da autonomia em dois nveis: autonomia dos sujeitos histricos e autonomia da escola, resgatando o papel e o lugar da escola como centro e eixo do processo educativo autnomo.

Mais do que qualquer coisa, a transparncia torna-se uma questo tica, pois est intrinsecamente ligada idia de escola como espao pblico. "A gesto democrtica garante a transparncia das aes da escola como instituio pblica que tem o compromisso social de prestar contas de seu trabalho sociedade" ( DOURADO, 2001, p.37).

O pluralismo garante o respeito diversidade que marca os sujeitos envolvidos no processo educativo, garantindo no somente o respeito passivo, mas dando condies para que cada um possa demonstrar e ser atendido nas suas necessidades e potencialidades. preciso, pois romper com a lgica massificadora que tem historicamente desconsiderado a diversidade de opinies, posturas e demandas dos diferentes sujeitos sociais que agem no interior da escola.

Na escola j mencionada aqui anteriormente, pode-se perceber como eficiente a atual gesto, desenvolvendo seu papel, assumindo com responsabilidade, e direcionando de forma participativa e cooperativa todo o desenrolar de uma filosofia didtico-pedagogica, articulando-se com os diferentes

segmentos da escola, no esquecendo de forma alguma de seu principal alvo, o aluno.

2.1. Quais mecanismos so prprios de uma Gesto Democrtica?

Uma poltica clara de gesto democrtica para a escola deve estabelecer, para as diversas instancias do poder pblico e para a escola, espaos para a participao da sociedade n atarefa de transformar a dura realidade educacional demonstrada nos dados estatsticos apresentados por muitos autores.

Na escola, os instrumentos de gesto democrtica organizam-se em instancias de deliberao direta ou indireta e propiciam espaos de participao e de criao da identidade escolar. Assim, entende-se que, a gesto democrtica trabalha com atores sociais e suas relaes com o ambiente, como sujeitos da construo da histria humana, gerando participao e compromisso.

As caractersticas prprias da escola democrtica propiciam uma maior convivncia com as formas organizativas da vida produtiva, cultural, religiosa e poltica. Com isso, a gesto democrtica inclui a possibilidade do professor participar das reunies comunitrias e abrigar, na escola, assemblias gerais da comunidade. Desta forma, a escola pode se tornar um espao para encontros da comunidade e dos movimentos sociais como uma das formas de estmulo participao de todos na vida escolar.

Vale ressaltar boas experincias j vividas de organizao democrtica das escolas pesquisadas, onde se encontram registros de diversas aes pedaggicas realizadas junto com o corpo docente e discente, que visam ao intercambio de experincias, planejamento da atuao das escolas e de um ambiente de trabalho coletivo.

A gesto da escola se traduz cotidianamente

como ato poltico, pois implica sempre uma

tomada de posio dos atores sociais pais,

professores, funcionrios, alunos.

( ARROYO, 2006 )

Portanto sua construo no pode ser individual, deve ser construda coletivamente, envolvendo os diversos atores na discuso e tomadas de decises. Tambm assim, deve ser analisada a forma de provimento do cargo de diretor da escola, fortalecendo a idia de exerccio democrtico e da prtica democrtica.

Estudos e pesquisas desenvolvidos mostram que a forma de provimento no cargo pode no definir o tipo de gesto, mas, certamente, interfere no curso desta. E, nesse sentido, verifica-se que a eleio direta para diretor parece se configurar como a forma mais adequada num processo global de gesto democrtica, pois envolve a deciso da comunidade escolar e local. No entanto, ela necessita estar associada a outros mecanismos de democratizao, tais como o conselho escolar, para promover, efetivamente, o exerccio democrtico.

2.2. Qual o Papel do Conselho Escolar Visando Garantir a Educao como Direito de todos e Dever do Estado e da Famlia ?

O Conselho Escolar, por meio de representantes de pais, funcionrios, professores, equipe gestora e comunidade local que o compem, deve conhecer a legislao, os indicadores educacionais e a realidade do bairro e da escola a que se vincula. Assim, para fa

O PAPEL DO GESTOR ESCOLAR NA MOTIVAO DO ALUNO E DO PROFESSOR


Por: Eraldo Pereira Madeiro

Perfil do Autor

Graduado em Pedagogia, com Ps-graduao em Ingls e Gesto Educacional: Administrao, Superviso e Orientao Educacional; Mestrado em Educao Pela Universidade Politcnica e Artistca do Paraguai, cursa doutorado na mesma rea. (Artigonal SC #3351283)

Fonte do Artigo - http://www.artigonal.com/educacao-online-artigos/o-papel-do-gestor-escolar-na-motivacao-do-aluno-e-do-professor-3351283.html
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