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O Uso da Internet em Cursos de Capacitação Profissional Através de Cursos Não-Presenciais

1 Introduo

1 Introduo

Analfabetismo. Este termo, h muitos e muitos anos, vem sendo utilizado para designar pessoas que no sabem ler e escrever, e por muitas vezes, tem sido um divisor de guas bastante claro entre o sucesso e o fracasso profissional de um indivduo. Embora atualmente o ndice de analfabetismo de lecto-escritura (saber ler e escrever) seja muito pequeno se comparado com trs dcadas atrs, e atinja apenas uma parcela definida da populao em especial, os de idade mais avanada ou que vivem em regies rurais remotas outros tipos de analfabetismo comeam a surgir. Entre eles, nos focaremos em um em especial: o analfabetismo tecnolgico.

O analfabetismo tecnolgico se traduz, a grosso modo, na incapacidade de um determinado indivduo em utilizar, de maneira satisfatria, os recursos tecnolgicos tidos como cotidianos pela maior parte da populao, como um DVD player, um caixa eletrnico ou um microcomputador conectado a Internet.

Com o barateamento da tecnologia em especial dos microcomputadores e equipamentos de conectividade a utilizao da tecnologia da informao vem se tornando uma constante em empresas de todos os portes, de multinacionais com parques de mquinas compostos de milhares de computadores, mainframes e links de fibra tica ligadas diretamente a backbones de alta performance a bazares de livros usados com um ou dois computadores de baixa performance utilizados apenas e unicamente para gerenciar o estoque. Desta forma, assim como o analfabetismo de lecto-escritura, o analfabetismo tecnolgico, hoje em dia, est se tornando um importante fator no sucesso profissional de um dado indivduo, uma vez que habilidades bsicas na operao de equipamentos tecnolgicos se tornaram pr-requisito no momento da obteno de um emprego.

Porm, da mesma forma que o indivduo que no possui conhecimentos bsicos de informtica, os profissionais que atuam ativamente na rea de Tecnologia da Informao tambm necessitam buscar por aprimoramentos quase dirios de seus conhecimentos. Com o avano das tecnologias de transmisso de dados, o advento da Internet e o fenmeno da globalizao, hoje, mais do que simplesmente possuir conhecimento, importante tambm saber como, onde e quando procurar por informaes que venham a somar ao conhecimento que se possui. Faz-se mister, desta forma, que as pessoas busquem, cada dia mais, aprimorar suas habilidades na operao de recursos tecnolgicos, em especial, o microcomputador, sejam elas atuantes na rea de tecnologia da informao ou no.

E uma das ferramentas mais teis na aquisio destas informaes , indubitavelmente, a prpria Internet. Porm, como procurar? Onde procurar? E, mais importante ainda em especial para os profissionais que atuam ativamente na rea qual o grau de segurana da informao obtida?

Embora seja possvel encontrar praticamente tudo na Internet, muitas das informaes encontradas acabam sendo inutilizadas por vrios fatores, variando da (in)experincia do interlocutor linguagem utilizada. Outras podem, intencionalmente ou no, acabar por comprometer a prpria segurana do ambiente onde ser utilizada.

Desta forma, os cursos de EAD (Educao Ditncia) surgem como uma opo extremamente atrativa, pois possuem qualidades nicas que tornam a informao buscada no apenas acessvel ao pblico em geral, de modo didtico e em lngua nativa, mas tambm confivel. Um outro aspecto bastante importante a eliminao quase que completa do processo de aprendizado por tentativa e erro, uma vez que se conta com um material preparado por uma equipe pedaggica competente e, muitas vezes, com um professor experiente no assunto tratado.

2 Metodologia

Para a composio deste artigo, foram realizadas experincias de casos reais e in loco de utilizao de cursos de EAD para capacitao profissional em determinados assuntos. Para tanto, foram utilizados os portais do projeto CDTC (Centro de Difuso de Tecnologia e Conhecimento - www.cdtc.org.br) do governo federal e do projeto Profissional Cinco Estrelas, da Microsoft (atravs do portal Technet www.microsoft.com/brasil/technet/). O motivo para a utilizao de dois portais diferentes foi a diferenciao do foco e da metodologia aplicada: enquanto o portal CDTC possui foco no sistema operacional Linux e conta com um professor para orientar os alunos e tirar dvidas, o portal da Microsoft, obviamente, focado no sistema operacional Windows, e no conta com nenhuma pessoa para orientar ou tirar dvida dos alunos. Os alunos pesquisados possuiam familiaridade, conhecimentos e habilidades equivalentes em ambos os sistemas operacionais, de forma a minimizar o impacto do ambiente de trabalho sobre os resultados finais da pesquisa.

Foram realizadas, tambm, para fins de comparao e mensurao, avaliaes prticas dos nveis de aprendizado e reteno das informaes transmitidas aos alunos, quando submetidos s seguintes situaes:

- um curso de EAD com suporte de um professor;

- um curso de EAD sem o suporte de um professor;

- um curso de ensino tradicional;

- autoaprendizado,quando os mesmos precisaram aprender por conta prpria, atravs de livros e documentao disponvel na Internet, um determinado assunto.

Para a realizao dos testes, foram propostas situaes de aplicao prtica dos conhecimentos adquiridos fugindo dos testes tericos habituais pois, uma vez que os supracitados projetos so voltados capacitao profissional, entendemos que devem preparar o aluno para a aplicao prtica dos conhecimentos.

Foram aplicados dois testes, ambos com as supracitadas caractersticas, sendo o primeiro imediatamente aps os estudos e o outro, aps uma semana, a fim de verificar, aps este intervalo, o nvel de reteno de informaes dos alunos.

3 Resultados e Discusses

O mundo tecnolgico em que vivemos atualmente exige, cada vez mais, profissionais capacitados e atualizados para gerir seus sistemas de informao. Porm, muitos destes profissionais no possuem o tempo ou os recursos necessrios para realizar cursos de capacitao profissional. Sem meios de participar de cursos presenciais, muitos profissionais acabam por se tornar inadequados s exigncias do mercado de trabalho. Outros, por sua vez, optam por um caminho solitrio de auto-aperfeioamento, estudando por conta prpria, e aprendendo atravs do processo de tentativa e erro, o que invariavelmente acaba por consumir uma quantidade de tempo ainda maior do profissional para o aprendizado de um determinado assunto. E, sem poder contar com a experincia de um professor ou tutor ou material de qualidade didtica para gui-lo em suas tentativas e erros, muitos destes alunos acabam por absorver de maneira errnea ou fragmentada as informaes que, teoricamente, deveriam capacit-lo a projetar, implementar ou operar um determinado recurso tecnolgico.

Com os avanos da tecnologia da informao e o uso crescente de Internet de banda larga a custos cada vez mais baixos, a maioria destes profissionais encontrou, na rede mundial de computadores, um ambiente propcio troca de idias e experincias com outros profissionais, de todo o mundo, com todos os nveis de conhecimento e experincia, variando desde o quase nulo ao exacerbadamente grandioso. Porm, mesmo assim, as informaes ainda chegavam de forma fragmentada e, por muitas vezes, equivocada, devido a fatores to diversos como linguagem e (in)experincia do interlocutor quanto prpria ndole do mesmo, que poderia, deliberadamente, fornecer informaes falsas. Outros fatores que dificultavam muito o aprendizado eram o bombardeio de informaes, que tornava quase impossvel ao profissional distinguir as informaes falsas das verdadeiras, e o fato de que praticamente todos os manuais e how-to (oficiais) encontram-se em ingls e presumem que o profissional possua algum conhecimento terico prvio.

Desta forma, uma das primeiras alternativas encontradas para centralizar e filtrar discusses tcnicas sobre um determinado assunto foram os frums e listas de discusso moderadas, onde so discutidos apenas e unicamente assuntos de um nico tpico, e moderados por pessoas com conhecimento quase pleno sobre o mesmo. Um dos melhores exemplos de listas de discusso desta natureza a do servidor de emails Postfix, moderada por Wietse Venema, o prprio criador do software e responsvel por cerca de 60% das respostas da lista.

Porm, alguns dos principais problemas persistiam: embora fosse possvel obter praticamente qualquer resposta em uma lista de discusso bem-moderada, as mesmas se encontravam quase que invarivelmente em ingls e se destinavam a profissionais que j possuiam um mnimo de conhecimento sobre o tpico discutido. Desta forma, continuava sendo de inteira responsabilidade do profissional adquirir os conhecimentos prvios tidos como bsicos o que muitas vezes, acabava por desestimular ou mesmo inviabilizar o aprendizado.

Como uma soluo alternativa para os profissionais que no dispem de tempo ou recursos para realizar cursos de capacitao profissional presencial, os programas de EAD (Educao Distncia) podem ser utilizados como um ambiente de interao propcio troca de informaes entre profissionais qualificados e profissionais que desejam se qualificar em um determinado assunto. Veja que iremos abordar, neste artigo, apenas cursos pequenos, de capacitao profissional. Cursos de maior amplitude, como algumas faculdades oferecem, de graduao atravs deste mesmo modelo fogem ao escopo deste documento.

Tais projetos possuem duas vertentes bsicas. Uma delas se baseia no modelo tradicional de ensino, contando com um nico professor ensinando, orientando e tirando dvidas de vrios alunos, enquanto a outra no possui sequer um professor disponvel. Ambas as vertentes, porm, possuem a mesma caracterstica essencial e completamente divergente do modelo de ensino presencial tradicional: o aluno e no o professor o responsvel pela prpria evoluo no assunto tratado. Por fim, no h um horrio rgido a ser seguido, de forma que o aluno pode estudar o contedo exigido quando achar melhor.

Um outro ponto bastante interessante que, enquanto em um curso presencial, espera-se que oprofessor apresente e explique o contedo do curso de maneira pausada e didtica, com uma carga de horas pr-definida, em um curso no-presencial o professor, quando existente, executa um papel um pouco diferente, atuando mais como orientador, a fim de redimir dvidas e esclarecer os pontos mais complexos sobre o assunto do que como transmissor ativo das informaes que possui. Neste modelo, embora no haja nenhum tipo de contato presencial entre os alunos e o professor, ambos se tornam colaboradores na construo do conhecimento coletivo, quebrando o paradigma da transmisso de saberes prontos e pr-formatados, na qual os modelos de ensino tradicionais encontram-se embasados atualmente.

Importante ressaltar, tambm, que este modelo de ensino, onde h uma construo interativa do conhecimento, lembra um pouco o modelo construtivista, que tem o francs Jean Piaget como principal nome. Segundo este modelo, a real absoro do conhecimento pelo aluno no se d pela memorizao de contedos fornecidos pelo professor, e sim quando o mesmo constri o conhecimento de maneira interativa.

Observando, ento, o modelo proposto pelos cursos de EAD, podemos perceber que todos os problemas elencados anteriormente, quando o profissional utiliza listas de discusso, manuais e how-to para aprender so, em um primeiro momento, sanados. Todo o material (exceo feitas aos termos tcnicos) encontra-se na lngua do aluno, bem como as avaliaes, sendo os mesmos, normalmente, desenvolvidos por uma equipe pedaggica competente, de forma a facilitar a absoro das informaes transmitidas, e tendo em vista a premissa de que os alunos no possuem qualquer conhecimento prvio sobre o assunto tratado. O professor, nos casos em que esta figura existe, embora no presente fisicamente, encontra-se disposio durante boa parte do dia para redimir as dvidas dos alunos, seja por e-mail ou por fruns de discusso apropriados. A flexibilizao do horrio permite que o profissional estude em casa, antes de dormir, antes do caf da manh, durante o almoo ou dentro do nibus de acordo com suas possibilidades. Por fim, a menos que os alunos, entre si, troquem experincias sobre o assunto, a chance de uma informao falsa ser amplamente disseminada praticamente eliminada.

Porm, embora alguns problemas sejam eliminados, outros surgem em seus lugares, sendo o principal deles a motivao do aluno. Pois, se no modelo tradicional, temos a figura de um professor que ativamente transmite informaes a um aluno passivamente receptor, neste modelo o aluno o elemento ativo, sendo responsvel pelo prprio desenvolvimento no assunto, podendo contar com o professor (quando existente) apenas para redimir as dvidas mais obscuras sobre os pontos mais complexos. Isso acaba por acarretar em um grau de desistncia ou de reprovao bastante elevado por parte dos candidatos realizao de cursos nestes moldes, uma vez que uma grande dose de iniciativa por parte do aluno se faz necessria.

Um bom exemplo do modelo de EAD com suporte de um professor o projeto CDTC (Centro de Difuso de Tecnologia e Conhecimento) do governo federal. Contando com dois portais distintos, um voltado comunidade e outro, a empregados do governo em suas esferas municipal, estadual e federal, o projeto fornece cursos gratuitamente todos que desejem realiz-los.

O aluno precisa simplesmente se cadastrar no site (www.cdtc.org.br) e escolher os cursos que deseja realizar. Todos os cursos possuem duraes variveis de 1 a 4 semanas, com os materiais sendo disponibilizados em formato de lies (tpicos) a serem estudadas, uma por dia. Durante cada lio, so propostas algumas questes e uma prova de avaliao de conhecimentos deve ser feito ao fim de cada curso. A nota mnima para aprovao de 70% e calculada com base nas respostas fornecidas tanto durante as lies quanto durante a prova de avaliao de conhecimentos.

A figura do professor se faz presente, porm, de maneira passiva, limitando-se a orientar ou redimir dvidas.

Os cursos encontram-se divididos em dois grupos diferentes: usurios e tcnicos. O grupo de cursos para usurios conta com cursos sobre ferramentas normalmente utilizadas por usurios finais (pacotes grficos, editores de vdeo e udio, etc) enquanto que o grupo de cursos para tcnicos conta com cursos mais especficos, voltados para a montagem e manuteno de uma infra-estrutura corporativa (servidores web, roteamento e firewall, e etc). Embora o portal de cursos voltados comunidade no fornea certificados, o contedo o mesmo fornecido no portal de cursos para empregados do governo.

Um outro portal que segue o modelo de EAD, porm, sem o suporte de um professor, o do programa de certificao Profissional Cinco Estrelas, da Microsoft, fornecido atravs do portal Technet (www.microsoft.com/brasil/technet/).

Para participar deste programa, basta que o aluno possua uma conta registrada no site da Microsoft (passport). O material disponibilizado em documentos de texto, divididos por tpicos, sem recomendaes de intervalos de estudos, bem como atravs de vdeos disponveis no prprio portal. No h avaliaes durante o estudo dos materiais, e a nota mnima para aprovao de 70%, sendo a prova de avaliao de conhecimentos o nico requisito para a aprovao.

Importante notar que, no modelo sem o suporte de um professor, a nica vantagem para o aluno a confiabilidade do material adquirido, bem como a acessibilidade do mesmo, normalmente com figuras ilustrativas e texto claro e didtico.

Se, em cursos presenciais, a figura do professor realiza o papel de transmissor ativo das informaes, enquanto o aluno realiza o papel do receptor passivo, nos modelos de auto-aprendizado e de EAD o papel se inverte, criando algumas dificuldades adicionais para ambos os lados.

Quando a figura do professor se faz presente, o aluno no possui nenhum tipo de contato pessoal com o mesmo, o que pode acabar por gerar certa estranheza a algumas pessoas einibir o envio de perguntas que poderiam ser rotuladas como "idiotas" pelos demais participantes do curso ou mesmo pelo professor. Desta forma, o professor normalmente se limita a realizar algumas poucas orientaes sobre a forma ou a ordem como os tpicos devem ser estudados, porm, respondendo a poucas ou nenhuma indagao. Por outro lado, quando esta barreira inicial rompida, as indagaes que surgem costumam ser de nvel excepcionalmente bom e realizadas de maneira inteligente. Muitas vezes, as mesmas nem mesmo so respondidas pelo professor, e sim por outros alunos, sendo, posteriormente, apenas endossada pelo mesmo, validando, desta forma, o conceito de criao colaborativa do conhecimento, sob a orientao de um tutor.

Um outro ponto que logo fica claro a ausncia de colegas de classe. Embora todos os alunos estejam abertos para a comunicao direta com todos os outros, esta interao inicial praticamente nula. Salvo em raros casos onde os alunos se conheam previamente, esta interao entre alunos praticamente inexiste, vindo a se criar apenas quando as perguntas comeam a ser realizadas. Neste momento, a maioria dos alunos comeam a se manifestar, emitindo opinies, perguntas ou mesmo respostas, tudo sob o olhar crtico do professor, que pode endossar, corrigir ou tomar quaisquer outras medidas que julgue necessrio com relao s discusses iniciadas.

Sob o ponto de vista dos alunos, este tipo de interao bastante proveitosa, uma vez que, normalmente, a mesma se inicia aps a primeira metade do tempo previsto para o curso, momento em que quase todos os alunos encontram-se nivelados e capacitados a manter uma discusso de um nvel satisfatrio, sem fugir do contexto em que se encontram. Um outro ponto bastante positivo que estas discusses normalmente so moderadas, de forma que assuntos no-condizentes com os estudados no so permitidos, bem como agresses verbais. Isto ajuda muito a manter o interesse dos alunos nos tpicos propostos, uma vez que os mesmos tendem a possuir um grau de informaes relevantes bastante alto.

Por outro lado, quando o curso no possui um professor, no pudemos observar nenhum tipo de interao entre pessoas realizando o mesmo curso. A figura do tutor, pelo que pudemos observar, compreendida pelos alunos como um mediador entre os mesmos, de forma que a comunicao praticamente se extingue quando esta figura no se encontra presente.

Embora seja fato conhecido que o desempenho de um determinado aluno encontra-se intimamente ligado ao seu empenho e sua fora de vontade nos estudos, esta relao se torna ainda mais clara quando utilizados os mtodos de auto-aprendizado ou EAD. Pois, se no modelo tradicional, o professor atua como agente ativo de transmisso de informaes, nos mtodos de auto-aprendizado e EAD os alunos so, individualmente, os agentes ativos nesta relao, sendo os nicos responsveis pelo seu desenvolvimento, bem como pela reteno das informaes transmitidas.

Nos primeiros testes realizados, tivemos que os alunos que realizaram cursos presenciais atingiram uma mdia de 87% de conhecimento sobre o assunto. Os que realizaram um curso de EAD sem o auxlio de um professor, atingiram a marca dos 48%. Os que realizaram cursos de EAD com o auxlio de um professor atingiram os 79%. Por fim, os que trilharam o caminho do auto-aprendizado, alcanaram os 73%, conforme grfico 1, a seguir.

Observando o grfico 1, podemos seguramente dizer que um aluno que esteja acostumado a simplesmente receber, passivamente, as informaes pr-formatadas nos moldes tradicionais (atravs de professores), encontra dificuldades de se adaptar ao modelo de EAD sem um tutor.

Grfico 1 Testes de conhecimento prtico 24/08/2007

Podemos, portanto, deduzir que a presena de um tutor fator crucial na curva de aprendizado de um aluno, impactando diretamente na quantidade de informaes realmente memorizadas pelos alunos neste primeiro momento. Agindo como facilitador, o professor capaz no apenas de tirar dvidas, mas tambm de transmitir experincias e conhecimentos prticos adquiridos no dia-a-dia, no encontrados nos livros ou apostilas.

Em nosso segundo teste, realizado uma semana aps o primeiro, conclumos que os alunos que realizaram cursos presenciais obtiveram 66% de aproveitamento. Os alunos que realizaram cursos de EAD sem um professor obtiveram 39%. Alunos que participaram de cursos de EAD com o auxlio de um tutor obtiveram 69%. Por fim, os que realizaram o auto-aprendizado obtiveram 71% de aproveitamento. Tais resultados podem ser observados nogrfico2, abaixo:

Grfico 2 Testes de conhecimento prtico 31/08/2007

Traando uma comparao entre ambos os grficos, temos a seguinte situao:

Grfico 3 Comparativo de desempenho entre os alunos aps sete dias.

Podemos claramente verificar, no grfico 3, acima, uma perceptvel queda no rendimento dos alunos aps o perodo de uma semana, o que j era esperado, uma vez que os cursos realizados possuram apenas uma semana de durao, tempo insuficiente para arraigar as informaes transmitidas aos alunos.

Verificamos, tambm, que os alunos que receberam um curso presencial apresentaram a maior queda de rendimento (mdia de 21%) seguidos pelos que realizaram um curso de EAD com o auxlio de um professor (media de 10%). Os que menos apresentaram quedas de rendimento foram os alunos que realizaram um curso de EAD sem o auxlio de um tutor (mdia de 9%) e os alunos que realizaram o auto-aprendizado (apresentando uma queda derendimento de apenas 2%).

4 Consideraes Finais

Tomando como base as informaes acima relatadas, podemos deduzir que no h uma forma de ensino realmente eficaz sem o empenho, comprometimento, esforo e fora de vontade por parte do aluno.

O aluno, em qualquer um dos modelos analisados neste documento (presencial, EAD e auto-aprendizado) possui um papel fundamental em relao ao seu prprio aprendizado e, especialmente, em relao quantidade de informaes retidas.

Se, em um primeiro momento, o ensino presencial apresenta um melhor desempenho, ele o que, aps uma semana, apresenta a maior queda de rendimento. Tal fato pode ser explicado por vrios fatores, desde a existncia de uma maior interao social por parte do aluno com colegas de sala (consequentemente resultando em uma maior dispersividade do mesmo) quanto da passividade do mesmo em relao construo do prprio conhecimento.

Por outro lado, o aluno auto-didata no possui uma curva de aprendizado to acentuada quanto a de seus companheiros que possuem a ajuda de um tutor, porm, apresenta um ndice de reteno das informaes adquiridas muito maior do que qualquer outro.

No meio termo de ambos, temos os cursos de EAD, de onde se destaca a modalidade de EAD com apoio de um professor. Contando com uma interatividade um pouco menos acentuada do que o ensino presencial tradicional (portanto, com menos dispersividade por parte dos alunos), porm, ainda existente, este mtodo apresenta uma boa relao entre sua curva de aprendizado e reteno de conhecimentos. Tal fato, provavelmente, pode ser explicado devido prpria natureza da modalidade de ensino, que conta com o aluno como agente ativo na construo de seu prprio conhecimento.

Podemos inferir, portanto, que o grau de socializao inerente ao mtodo de ensino utilizado fator crucial tanto no grau de aprendizado quanto no grau de reteno de conhecimentos por parte dos alunos. Tal fato se deve, provavelmente, um maior grau de dispersibilidade por parte do aluno, uma vez que possui uma maior interao com colegas e tambm uma maior exposio de fatores que possam influenciar negativamente no aprendizado do mesmo, em especial estmulos visuais, auditivos ou mesmo emocionais, presentes em algumas dadas situaes.

No podemos, no entanto, de forma alguma, desprezar o mtodo de ensino presencial tradicional, uma vez que apenas atravs do mesmo se possvel atender alunos que tenham necessidades especiais, sejam elas de natureza fsica ou psicolgica. Ainda, torna-se claramente perceptvel que, embora as curvas de aprendizado com o apoio de um tutor sejam, realmente, mais acentuadas, os esforos dos alunos em adquirir por conta prpria possuem um papel fundamental, no tanto no aprendizado quanto na reteno de conhecimentos. Tal fato se deve, muito provavelmente, pelo fato de que, desta forma, o aluno absorve uma carga muito grande de informaes tericas embora muitas vezes no saiba como aplic-los na prtica que vo ser apenas posteriormente aplicados situaes reais, prticas. Desta forma, o aluno acaba por correlacionar os conhecimentos tericos obtidos com suas necessidades prticas, culminando em um grau maior de reteno de conhecimentos a longo prazo.

Podemos, ento afirmar que, embora a modalidade de EAD seja uma alternativa extremamente vlida para prover conhecimentos tcnicos, tanto quanto um curso presencial, contando, inclusive, com um grande potencial de mercado, improvvel que vejamos nossos sistemas tradicionais serem suplantados por esta nova modalidade, por vrios motivos, sendo os principais entre eles, a necessidade do atendimento a pessoas com necessidades especiais e pessoas com dificuldades de aprendizado e troca de experincias in loco,fator inexistente em cursos de EAD. Um outro motivo para isso a natureza humana, intrinsecamente social, o que acaba por se tornar um outro atrativo dos cursos presenciais.

Por fim, podemos seguramente afirmar que, embora a presena de um tutor presencialmente ou no auxilie imensamente a aquisio das informaes em uma fase inicial, faz-se misterque o aluno aja ativamente na busca pelo conhecimento, sendo autodidata e se aprofundando nas informaes fornecidas pelos tutores, de forma a no apenas adquirir as informaes, mas tambm construir o prprio conhecimento de forma a manipular de maneira satisfatria os recursos tecnolgicos para quais o mesmo se capacitou.

Desta forma, podemos apontar o EAD com apoio de um tutor qualificado como uma alternativa vivel para indivduos que desejem realizar um curso de qualificao profissional atravs da Internet. E, com o barateamento da tecnologia em especial da Internet de banda larga e de microcomputadores pessoais tais projetos possuem um enorme potencial para, dentro de alguns anos, se tornarem os principais qualificadores de mo de obra no pas.

5 Referncias Bibliogrficas

-Melo, Janete Aparecida Pereira (2006) "Saberes e Conceitos sobre a Incluso Digital",PUCRS Virtual / Uniube.

- Technet www.microsoft.com/brasil/technet/

- Projeto CDTC www.cdtc.org.br

- INED Instituto Nacional de Educao a Distncia http://www.institutonacional.com.br/ead.html

- Senacnet http://www.mg.senac.br/ead/ead/default.htm

- Piaget, Jean (2006) "Psicologia e Pedagogia", Forense Universitria.

- Palmer, Jou (2006) "50 Grandes Educadores Modernos DePiaget a Paulo Freire" Contexto Editora.

- Lima, Lauro de Oliveira "A Construo do Homem Segundo Piaget" Summus Editora.

- Freire, Paulo (2007) "Educao e Mudana" Paz e Terra Editora.

- Freire, Paulo (2001) "Educao e Atualidade Brasileira" Cortez Editora.

- Pelanda, Nize Maria Campos / Schlunzen, Eliza T. M. / Schlunzen, Klaus Jr. (2005)"Tecendo Redes Afetivas / Cognitivas" DP&A

- Warchauer, Mark (2006) "Tecnologia e Incluso Social A Excluso Digital em Debate" Senac SPUnirondon

O Uso da Internet em Cursos de Capacitao Profissional Atravs de Cursos No-Presenciais


Por: Roberto Mizuuti

Perfil do Autor

Tecnlogo em Segurana da Informao, atualmente trabalha como Gerente de Desenvolvimento da Inove Tecnologia da Informao (Cuiab-MT). Possui tambm larga experincia na rea de infra-estrutura, tendo atuado por 2 anos como gerente de redes pelo Cepromat (Centro de Processamento de Dados do Estado de Mato Grosso). Possui, ainda, grande experincia com software livre. (Artigonal SC #3197298)

Fonte do Artigo - http://www.artigonal.com/informatica-artigos/o-uso-da-internet-em-cursos-de-capacitacao-profissional-atraves-de-cursos-nao-presenciais-3197298.html
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