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O ciúme no decorrer do tempo


H mais ou menos um milho e meio de anos os homindeos mais antigos se incorporavam ao Planeta e pouco a pouco iam descobrindo o fogo, as armas rudimentares, caavam, pescavam e se escondiam em cavernas para se proteger das intempries da natureza. Quantos milnios se passaram desde os primrdios da humanidade, e o homem, esse animal biolgico, continua a carregar o DNA de seus antepassados? Durante sua evoluo, muitas caractersticas fundamentais sobrevivncia da espcie permaneceram se reproduzindo geneticamente. Hoje, dentre os variados atributos humanos permanecem o instinto de preservao e de proteo relacionados manuteno da vida, e em seu mago subjaz o cime, por que no?

Por mais que a psicologia tente explicar o cime como sendo parte de mecanismos psicolgicos infantis, como consequncia do Complexo de dipo no resolvido, como o temor da perda, como algo de carter instintivo e natural ou como a falta de confiana no outro e/ou em si prprio, o que tem relevncia para nossa reflexo hoje : porque ser que o cime ainda persiste em sobreviver ao tempo e aos diversos modelos de sociedade? Algumas emoes so consideradas mais importantes do que outras na escala evolutiva, mas por que o cime tem essa pecha de malvolo e deve ser abolido de nosso meio? No seria o cime, como um dos mais antigos, um sentimento realmente de carter instintivo e natural, permanecendo, por isso, at hoje em nossas clulas?

Apesar de toda elucubrao no que tange a se definir o que seja o cime ou indicar de onde ele provenha, talvez, a concepo mais aproximada e de bom senso seria: o cime existe "atavicamente" porque o mecanismo inato utilizado desde sempre pelos homens para proteo da prole e da sua aldeia. J pensou nisso? Quando se fala de "instintivo" s se pode entender como algo que se traz de algum lugar, mesmo que seja de onde nem sonhamos entender pelo raciocnio comum. E o que "natural" como algo inerente capacidade da natureza humana, que tambm pode ser modelada por meio do ambiente que cerca o homem. Mas, o natural torna-se natural devido ao do homem no cotidiano e seu hbito de reao s situaes imediatas. O instintivo o que pode permanecer como reminiscncia. Assim, o cime habitaria no homem como carga gentica adquirida no decorrer de sua existncia na Terra e permaneceria durante os anos afora, manifestando-se de forma "natural" instintivamente. Poderamos, ento, perguntar se seria o homem ainda o mesmo em virtude desses instintos e dessa natureza herdados?

Este um questionamento que insiste em voltar quando se fala em evoluo. Com tantas crises nos relacionamentos, particularmente por causa do famoso cime, que por vezes assume os aspectos mais bizarros, chegando patologia, no estaria a humanidade, como diria Lulu Santos, caminhando "com passos de formiga e sem vontade"? Esse ser humano no estaria vivendo unicamente condicionado a princpios massivos de inculcamento de uma realidade apropriada aos conceitos miditicos da sociedade e dos governos? No seria essa a tnica em que os especialistas deveriam se ater para desenvolver ideias novas ou terapias que atendessem necessidade da mudana de paradigmas dos velhos padres e crenas que alguns homens carregam at os dias atuais para sermos mais felizes?

O homem hodierno poderia conviver com resqucios deste cime ancestral, desde que, conhecendo-o na intimidade, no o deixasse assumir o controle de sua vida e soubesse se prevenir de ficar revelia de instintos selvagens que j nos possuram uma poca. Se o cime pudesse ser compreendido "racionalmente", apesar de fazer parte do campo emocional, e analisado em suas bases, de forma mais fria e lgica antes de se instalar numa relao (seja ela qual for), talvez pudssemos inverter o jogo do tempo que pesa sobre ns, e torn-lo leve e desarmado para o confronto. Se o cime fosse realmente uma forma de proteo e manuteno da vida dos que amamos, seria muito bom, pois ficaramos livres das maneiras individualistas e annimas de se dar cabo da vida alheia o que alguns insistem em chamar de amor.

Janice Mansur poeta premiada, professora, copidesque, revisora e consultora.

Visite a autora na Academia Niteroiense de Letras: http://www.academianiteroiense.org.br/revista virtual sai da gav Ano 3 No 3.htm

O cime no decorrer do tempo

Por: Janice Mansur


Perfil do Autor

Janice Brito Mansur graduada em Letras pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e ps-graduada em "leitura e produo de textos", pela mesma instituio de ensino. Leciona h 14 anos na rede pblica e em cursos de pr-vestibular. Atualmente, trabalha, tambm, prestando consultoria, como copidesque, redatora e revisora de textos para empresas e particulares. Envolvida com a rea jornalstica, mantm uma coluna "Conceitos & Preconceitos", no site www.niteroinegocios.com, na qual redige crnicas e artigos de opinio. poeta premiada pela Academia Niteroiense de Letras e participa, ainda, da Antologia DIGITAL SACIEDADE DOS POETAS VIVOS, VOL. 7, .

(Artigonal SC #3287851)

Fonte do Artigo -
http://www.artigonal.com/reducao-de-stress-artigos/o-ciume-no-decorrer-do-tempo-3287851.html
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