O sofrimento tem a dimensão que damos a ele!
"A dor inevitvel, mas o sofrimento opcional"
. Sabiamente Carlos Drumond de Andrade cunhou esta frase, que , de fato, veraz.
Temos visto que as pessoas tm dimensionado seus sofrimentos. Muitos sofrem antecipadamente. Fazem um velrio antes do tempo. O que tem levado o ser humano a se comportar assim? Procurei fazer as seguintes distines, veja:
As pessoas querem ser vistas com comiserao: parece que boa parte da populao que realmente sofre, a que menos reclama ou, pelo menos, no se faz ouvir. Contudo, aqueles cuja vida tm, como a de todos ns, pequenas dificuldades, pedras, obstculos, alardeiam aos quatro cantos para que sejam vistas com grande compaixo, como vitimas do mundo e que esto acometidas pelo maior sofrimento que um ser humano possa ter. Possivelmente, por falta de iniciativa, atitude, preparao contnua, imaginam que outros lhes daro oportunidades por reclamarem bastante e que, preferencialmente, sintam pena delas. Acreditam que o "reclamar muito" gera oportunidades.
Falta de parmetros de comparao: conheci uma histria de um jovem, que subia por uma rua, com bastante inclinao, assoviando, rindo e feliz. At a nada demais. A diferena que esse jovem subia essa rua se arrastando, porque no tinha pernas. Ao v-lo, outro cidado que subia a mesma rua lamentando a prpria existncia, por no possuir carro o inquiriu: "Hei, voc, porque est to feliz? Veja, no tem pernas, est todo machucado de se arrastar. Como que pode estar assoviando rapaz?" Para sua surpresa, o jovem lhe respondeu: "Em que voc acha que minha vida seria melhorada por eu reclamar? No mximo, talvez algum me carregasse no colo, de pena de mim. Nenhum ser humano deve sentir pena de outro, mas sim, admirao. Foi isso que escolhi para mim: ser o que eu sou, feliz da vida". Envergonhado, o cidado e o jovem subiram assoviando.
No temos dado o verdadeiro valor ao que somos e temos, porm, somos rpidos em diminuir o valor de tudo isso. Se quisermos parar de reclamar e olharmos as questes da nossa vida com mais propriedade, basta fazermos algumas comparaes.
Tenha algum de quem voc se envergonhe: reclamamos muito e, noutra ponta, fazemos as coisas erradas porque, quase nunca, lembramos das pessoas que amamos nos momentos em que estamos errando e lamentando. Como ser humano, todos ns somos tentados em algum momento a agir inadequadamente, nas mais simples como nas mais complexas atitudes e decises. Aprendi que, por exemplo, se no meu trabalho eu estiver dando o meu pior, reclamando dele, devo lembrar: "O que ser que meus filhos e minha esposa pensariam ao me ver fazendo isso de maneira errada?" Se voc no tem filhos ou esposa, encontre algum de quem voc se envergonharia, caso essa pessoa o visse fazendo coisas erradas. Se for corajoso, ver uma grande mudana no seu comportamento. Com toda humildade, tenho dito isso nas minhas palestras e tem mudado a vida de muita gente.
4. Esteja ao lado do "Seu Z": quando eu era gari, vrias vezes pensei em desistir de tudo na minha vida, certamente, coisa de adolescente, afinal, eu tinha quatorze anos. Contudo, no imagino como teria sido minha trajetria se o "Seu Z", o homem com o qual eu trabalhava e que era o qual pilotava o carrinho dos garis, enquanto eu juntava a sujeira, no tivesse me servido de exemplo. Ele me aconselhava assim: "Paulinho, peo que seja como eu na vontade que mostro agora, mas no siga meus passos. Preciso trabalhar. J tenho mais de sessenta anos e veja o que construi; quase nada. No posso me dar ao luxo de parar de trabalhar, pois no tenho capacidade para fazer outra coisa, seno varrer ruas. Quando jovem, decidi no me aperfeioar e hoje o tempo j passou. Reclamei muito, acreditei que devia mesmo sofrer e que algum dia algum faria algo por mim... no percebi que esse algum deveria ser eu mesmo. Porm, posso servir de exemplo para voc. No faa como eu... estude menino, estude... no reclame menino, no reclame..."
J faz algum tempo que no vejo "Seu Z", mas suas palavras e ensinamentos jamais sairo da minha memria, elas ecoam sempre. No podemos transferir a responsabilidade pelo nosso sucesso aos outros. Mas, timo poder contar com pessoas que nos incentivam, de algum modo, seja, por bons ou maus exemplos. O que vale o que aprendemos com elas, e no o que elas aprenderam ou deixaram de aprender.
Pare de sofrer a toa. A dor um sinal, pelo menos, de que ainda estamos vivos. O que no podemos super-dimensionar nossas dores, nos considerando as pessoas mais sofredoras da Terra. Diga a si mesmo: "Em que minha vida ir melhorar enquanto eu reclamo e sofro?". Se conseguir encontrar alguma coisa positiva, me avise. J faz quinze anos que procuro e no consegui encontrar nada alm de um monte de bobagens.
Felicidades sempre, um abrao!
Professor Paulo Srgio Buhrer
www.professorpaulosergio.com.br O sofrimento tem a dimenso que damos a ele!
Por:
Paulo Sergio BuhrerPerfil do Autor
PALESTRANTE, CONSULTOR E ESCRITOR. PS-GRADUADO EM GESTO EMPRESARIAL E MBA EM GESTO DE PESSOAS. H MAIS DE DOZE ANOS TEM REALIZADO PALESTRAS E TREINAMENTOS POR TODO O BRASIL. AUTOR DO LIVRO "O CDIGO PENSSAARR", disponvel em
www.jurua.com.br;
www.livrariacultura.com.br;
www.saraiva.com.br, dentre outros. (Artigonal SC #3363992)
Fonte do Artigo -
http://www.artigonal.com/auto-ajuda-artigos/o-sofrimento-tem-a-dimensao-que-damos-a-ele-3363992.html
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