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Resenha sobre a obra A Ferro e Fogo I- Tempo de solidão

A FERRO E FOGO I - TEMPO DE SOLIDO.

A FERRO E FOGO I - TEMPO DE SOLIDO.

A Ferro e Fogo I - Tempo de solido, romance publicado em 1972 pelo escritor gacho Josu Marques Guimares. Narra o episdio da imigrao alem dentro da histria do Rio Grande do Sul, Construindo a saga da famlia Schneider-Daniel Abraho Lauer Schneider e de Catarina Klumpp Schneider, em uma poca de guerras, injustias e incertezas.

A linguagem de A ferro e fogo, mesmo sendo narrada em terceira pessoa, com um foco impessoal e onisciente, indica a presena de um narrador que toma partido do imigrante, ou seja, o relato se desenvolve sob a perspectiva deles: so eles os protagonistas, os heris, as vtimas das injustias e dos sofrimentos vividos. A voz do narrador em terceira pessoa funde-se muitas vezes no decorrer do relato com a voz dos personagens.

Josu Guimares inicia a narrativa com a chegada do bergantim protetor``, com 38 imigrantes alemes a bordo, em julho de 1824, na localidade do Faxinal da Courita, extinta Feitoria do Cnhamo e atual So Leopoldo. Denuncia desde o incio as pssimas condies pelas quais so submetidos estes imigrantes.

Catarina a protagonista de A ferro e fogo. Por meio dela que a trama narrativa se desenvolve. Catarina, Daniel Abraho e seu filho Philipp de apenas cinco anos saem de Hamburgo junto com a primeira leva de imigrantes destinados futura colnia de So Leopoldo. Chegando aqui tero de enfrentar a misria e as agresses s quais so submetidos durante a longa e interminvel espera: que o governo brasileiro cumpra com o que lhes havia prometido na Alemanha - uma colnia de terras de papel passado, ferramentas, sementes e animais domsticos.

Apesar do no cumprimento das promessas feitas pelo governo a vida da famlia Schneider aparentemente comea a mudar, mas com a oferta de Grndling. Imigrante alemo que adquiriu fortuna trazendo para o Brasil seus conterrneos a peso de ouro. Este lhes oferece um bom pedao de terra, escravos, um ndio, Juanito, e todas as demais regalias que eles jamais adquiririam se ali continuassem.

E foi esta vida de misrias, privaes e promiscuidades que leva Catarina a aceitar a oferta deste imigrante rico, a de ir com a famlia para o Chu, no encargo de posteiros de mercadorias vindas da banda oriental para a colnia de So Leopoldo.

Catarina descobre somente mais tarde que o tipo de negcio que Grndling os havia proposto na verdade era o de contrabando de armas e por esse motivo e mais a Guerra Cisplatina (1825-1828) que havia iniciado justamente nessa regio, Catarina comea a temer pela vida de seu marido e que ele fosse enforcado. exatamente neste momento da narrativa que o dio de Catarina por Grndling surge, pois acreditava que ele era o culpado por todas as coisas ruins pelas quais estava passando.

Catarina decide que Daniel Abraho se esconda em um poo prximo a casa para que ele no fosse capturado pelos soldados, pois os saques s propriedades eram muito comuns nessa poca de guerra. A famlia de Catarina Schneider representa os abusos e as violncias sofridas pelos imigrantes alemes neste perodo. Sendo que a prpria Catarina violentada por soldados.

Mesmo com toda a violncia sofrida, o marido se recusando a sair do poo e alheio s coisas, Catarina encontra foras para custear a sobrevivncia da famlia, porm nunca recusa a ajuda de Daniel Abraho. O mundo dele era o poo e os acontecimentos do mundo exterior j no mais o interessavam. O poo tornou-se para Daniel Abraho como um tero materno, o qual lhe dava proteo e segurana as quais no encontrava fora dele.

Aps algum tempo surge na estncia um soldado chamado Herr Ostereich e comunica Catarina de que a Guerra Cisplatina havia terminado e assim estava voltando para sua famlia em So Leopoldo. Imediatamente ela prope trocar com o soldado a sua estncia pela casa que ele possua. Ostereich aceita a proposta e a famlia Schneider parte para So Leopoldo.

Chegando a So Leopoldo Catarina decide que Daniel Abraho voltaria a exercer sua antiga profisso de seleiro. Alm disso, abriu dois emprios e desse modo comea a fazer concorrncia com Grndling. Mesmo com a nova mudana e a certeza de que no estava sendo mais procurado pelas autoridades, seu marido insiste em construir um alapo (poo) para se proteger do mundo que tanto o assustava, mas durante o dia realizava os trabalhos determinados pela mulher.

Grndling sabendo de que Catarina estava em so Leopoldo e que ela havia conquistado sua freguesia no comrcio local, decide procur-la, mas quando Catarina o v chegando recebe seu inimigo de espingarda na mo. Ele convencido a ir embora, pois se duvidasse acabaria morto. Catarina no desiste de se vingar e vai at a casa de Grndling para terminar o que havia iniciado, mas quando chega ao local deparasse com um cortejo fnebre.

Ele acredita que Catarina estava ali para lhe prestar solidariedade pela morte de sua amada esposa Sofia. Catarina ao perceber a imensa tristeza de Grndling desiste de ir adiante com o seu plano de mat-lo: Caminhou at Grndiling. Ele sem Sofia, ela sem o seu velho dio. Os dois em solido. Catarina caminhou at o grupo, segui ao lado dele, sem uma palavra, olhando duro para frente, com medo de chorar``. (TS, p.225).

Assim, A ferro e fogo muito mais do que narrar a histria dos imigrantes alemes, descreve de maneira singular as suas lutas e resistncias em um mundo hostil e desconhecido. Essas pessoas, apesar de todas as adversidades, permanecem com sua identidade preservada e no se deixam vencer pelos obstculos. Catarina Klumpp Schneider um exemplo desta rdua luta de resistncia e perseverana.

Evani Fumagalli vila.

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A abreviatura TS ser utilizada para se referir obra A Ferro e Fogo I - Tempo de Solido.

Resenha sobre a obra A Ferro e Fogo I- Tempo de solido


Por: Evani Fumagalli vila

Perfil do Autor

Acadmica do curso de Letras, UPF, Palmeira das Misses- Rs. (Artigonal SC #3407681)

Fonte do Artigo - http://www.artigonal.com/literatura-artigos/resenha-sobre-a-obra-a-ferro-e-fogo-i-tempo-de-solidao-3407681.html
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