UM MENINO CAIPIRA QUE SE FEZ MONGE
UM MENINO CAIPIRA QUE SE FEZ MONGE
UM MENINO CAIPIRA QUE SE FEZ MONGE
UM MENINO CAIPIRA QUE SE FEZ MONGE
[DOM JOAQUIM GRANGEIRO DE LUNA]
NOTAS SOBRE O TIO MONGE
ESCRITAS POR PADRE LUNA
MISSO VELHA - 1979
Filho legtimo de Manuel Felipe de Luna Alencar e Raimunda Clara do amor Divino Grangeiro, nasceu a 8 de junho de 1881 em Misso Velha, Cear, e foi batizado a 24 do mesmo ms e ano recebendo o nome de Salustinano. Por se achar o stio em que nascera (stio Logradouro) distante da Vila, cerca de uma lgua, cursou uma escola particular primria, obtendo uma instruo rudimentar de 1893 a 1895 esteve empregado de caixeiro num pequeno estabelecimento de fazendas secas e molhadas, na vila, tendo casa, comida, roupa lavada e cinco mil reis ordenado mensal.
Em 1896 foi para o Tipi municpio de Aurora, ensinar o ABC aos filhos do irmo Antonio de Luna e a outras crianas da redondeza.Foi em outubro desse ano que faleceu seu velho pai, que ia completar 82 anos poucos meses depois, tendo ficado j rfo de me aos 10 anos.
Eram seus pais catlicos fervorosos e deram uma educao verdadeiramente crist aos filhos. Voltando Misso Velha no fim daquele ano, 1896, devia agora cuidar da vida por si mesmo, pois sendo o penltimo dos irmos todos os outros j estavam casados, com exceo da ltima (me de Padre Luna) que tinha ento 12 anos e ficara em casa de uma das irms.
Pensando ento no futuro, resolveu ir para Manaus onde tinha um tio Rico que lhe prometera uma boa colocao Preparou-se para a viagem e foi a Barbalha despedir-se de uma tia. Esta, ento lhe disse "no meu filho, voc no pode ir para Manaus, esse meu irmo no tem religio"" (de fato estava at metido no espiritismo) nico membro da famlia que se afastara da religio, voc vai se empregar aqui em Barbalha. O Marido saiu com ele a uma das casas comerciais onde lhe disseram no precisarem de empregados.
Dali dirigiu-se Casa Sampaio e irmos, naquele tempo a maior no s da cidade Como talvez a maior e mais movimentada de todo Sul do Cear. Chamado o chefe da Casa, o irmo mais velho dos trs scios, Este disse precisar mesmo de um rapaz para o Balco e que o rapaz obtivesse uma carta de recomendao do vigrio de Misso Velha. Vendo o movimento da casa e quase a certeza do emprego o rapaz se entusiasmou e julgou garantido o seu futuro. Voltou no mesmo dia Misso Velha, obteve a carta de recomendao e a 14 de outubro de 1897 estava empregado. Tinha ento 16 anos
Tendo feito a primeira comunho aos 9 anos, inscreve-se logo no apostolado da orao, por inspirao de sua piedosa me que era muito devota do Sagrado Corao, confessa-se sempre s primeiras sextas feiras do ms. Tendo ele se empregado Na Vila aps a morte de sua me, abandonara quase completamente a prtica da religo. O Patro no tinha religio e aos Domingos ainda que quisesse no podia ir missa por ser dia de feira na vila e dia de maior movimento no comrcio local. Assim cresceu afastado da casa paterna desde os doze anos e a viver entregue a si mesmo. Pode-se ento avaliar qual tinha sido o estado da Alma de um Tal rapaz nessa fase crtica de sua vida, acompanhado muitas vezes de outros rapazes que no davam bons exemplos.
Empregado agora na Casa Sampaio, o scio mais moo, catlico fervoroso, aconselhou-se assistncia a `missa e a recepo dos sacramentos e mais tarde, convidou a se inscrever na conferncia de So Vicente da qual era presidente. Foi assim que o rapaz recomeou a freqentar os sacramentos e a praticar os outros atos de religio, quase seis anos aps os Ter abandonado quase por completo, tendo no entanto conservado a f incutida pelos seus pais que eram profundamente crentes e fervorosos: no faltavam por prpria culpa missa nos dias de preceitos, apesar de morarem cerca de uma lgua de distncia da vila, e tendo de fazer o trajeto a p. De Manh Cedo, reunia-se toda famlia para a recitao de orao da manh que constava do ofcio de N. Senhora, em portugus que os pais sabiam de cor e outras oraes noite a recitao do tero quase sempre seguido da ladainha de N. Senhora, geralmente cantada aos sbados. Oraes estas, feitas diante de um oratrio com vrias imagens entre as quais uma bela esttua de Nossa Senhora da Conceio qual os pais tinham particular devoo.
Empregado agora na Casa Sampaio e irmos o rapaz dentro de pouco tempo estava a par de todo movimento da casa em que havia de tudo, fazenda de toda espcie, ferragens, miudezas at livros, exceto comestveis e bebidas. Comerciava no s a retalho Como tambm em grosso, com preos fixos e muita lisura, pelo que era muito procurada. Um ano depois o Salustinano obtivera confiana dos chefes e se tornara o primeiro caixeiro.
Funcionando na cidade um curso noturno de ensino secundrio para rapazes no prdio do " gabinete de leitura do qual era presidente o scio mais moo da Casa Sampaio, este o convidou a se matricular nesse curso, o que fez logo que se empregara. Vindo pouco depois residir em Barbalha o abalizado professor Jos Joaquim Teles Marrocos, foi convidado para lecionar nesse curso o que fez com grande competncia. Era estimadssimo dos alunos no s por ser o mais idneo do coro docente como pelo interesse que tomara por cada um deles, pela sua afabilidade respeitosa para com todos, pelo seu porte sempre digno e seus sentimentos religiosos. Amicssimo do Padre Ccero Romo Batista do qual fora colega no seminrio de Fortaleza, onde fizera todo o curso de Teologia e recebeu o diaconato, jamais comentou perante os alunos os fatos de Juazeiro relativos ao Padre Ccero e Beata Maria de Arajo nem fez qualquer aluso desrespeitosa autoridade diocesana. Era muito devoto da paixo do senhor e consta que rezava diariamente o Brevirio. De Moral ilibada, era muito estimado pela sociedade Barbalhense tanto pelos seus dotes morais Como pelos intelectuais.
Ansioso para se instruir, o Salustinano trabalhava duramente o dia e estudava noite e nos momentos livres do dia. Havia muita unio e estmulo pelo estudo entre os rapazes alunos quase todos comercirios.
Associados a outros jovens barbalhenses, fundaram um grmio l literrio em que havia conferncias relativas aos fins da instituio e assuntos da atualidade, menos polticos. As solenidades do grmio eram abrilhantadas pela Banda de msica composta dos prprios. Salustinano foi eleito seu primeiro secretrio, j exercia o cargo de bibliotecrio do ~ Gabinete de Leitura ~.
Gozando da estima e confiana dos patres, o primeiro caixeiro da casa comercial Sampaio e irmos.
Ao completar os vinte anos, refletindo sobre o futuro e o estado que devia abraar, achou que essa vida no comrcio no lhe convinha nem tampouco ficar nesse meio atrasado como era o interior do Cear. Desejando ampliar os seus estudos e conhecer outras Terras, pensou, rezou e resolveu ingressar na Ordem Beneditina. O Que sabia a respeito dessa ordem era que havia lido na Histria Universal de Csar Cantu, relativo mesma e as poucas notcias da restaurao dos mosteiros do Brasil estampados no ~Estandarte Catlico ~, edio do norte, sob a direo de D. Vanderilo Hospierre, do qual era assinante.
Antes de qualquer outro, comunicou o seu intento ao professor Marrocos pedindo sua opinio. Ele imediatamente se entusiasmou e disse " timo, seu Salustinano, uma Ordem Venervel de uma histria gloriosa e que tem dado muitos Santos igreja. E como lhe dissesse que queria ingressar no mosteiro do Rio de Janeiro, descreveu-lhe ento a situao da Velha abadia donde se descortina vistas belssimas sobre a cidade, a baia da Guanabara, a serra dos rgos, etc e, disse mais ser amigo do abade. Que o Marrocos havia residido por algum tempo no Rio de Janeiro, da as suas relaes com S. Bento. O Futuro Monge pediu-lhe, j que era amigo do Abade. Lhe escrevesse pedindo sua admisso no mosteiro, pois ningum melhor do que ele para inform-lo a respeito do rapaz pretendente. Isto em fins de 1901. Para se Ter resposta de uma carta, naquele tempo, enviada para a Capital do Pas devia-se contar com cerca de dois meses.
Tendo o rapaz tomado a resoluo de deixar o emprego e ingressar na Ordem Beneditina devia comunic-la aos patres. Estes desaconselham-lhe tal propsito dizendo que a sua sade no suportaria os rigores de uma vida enclausurada em que o religioso nunca podia por os ps fora da clausura, e submetido aos rigores da vida monstica, vida de jejuns prolongados e de silncio e outras mortificaes como sejam: flagelao e uso de silcio, etc, Ele ento respondeu "se ou outros podem suportar penso que tambm eu, que sou moo, poderei suportar.
Um Menino Caipira que se fez Monge [ Dom Joaquim Grangeiro de Luna ] Notas sobre o tio Monge, escritas por Pe. luna, Misso Velha - 1979
Os membros da famlia desaconselharam-no igualmente: " voc tem boa colocao, por que deix-la para entrar para o convento para se
santificar no necessrio tornar-se frade. Os colegas de estudo e outras pessoas amigas: Rapaz voc est maluco, ser frade no mais do nosso tempo. Ele ento tomou a resoluo Se a resposta da carta disser venha que ser bem recebido, haja o que houver, irei, se porm puser obstculos, sinal que no vontade de Deus, desistirei. Nesta expectativa ansioso aguardava a resposta at que na Segunda metade do ms seguinte, Janeiro de 1902 recebeu carta do mosteiro. Abriu com as mos trmulas de emoo e leu: "Dom Abade recebeu a sua carta, aqui no Rio de Janeiro, no possvel a sua admisso porque no h vida regular no Mosteiro (havia ento no
mosteiro, somente o velho abade) mas v para o Mosteiro da Bahia, residncia do Abade Geral, onde h noviciado, l ser bem recebido"
Agora de posse da resposta que seria bem recebido no Mosteiro da Bahia, tratou de preparar-se para a viagem. Entretanto os scios da Casa Sampaio insistiram, at com promessas vantajosas que desistisse dessa idia. Dos trs s o scio mais moo o encorajou dizendo pensasse bem e rezasse e se visse ser vontade de Deus que fosse, apesar de poder assegurar seu futuro no emprego que exercia.
Como os seminaristas barbalhenses que estavam de frias voltassem para o seminrio em fevereiro, quis ir em companhia deles at Fortaleza. Combinaram partir dia 20, a despedida foi dolorosa, o prprio chefe da casa comercial chorou. Ele providenciou para que nada faltasse na viagem em que devia ser feita a cavalo at Senador Pompeu, cerca de 300 km de Barbalha e dali em diante de trem, ainda um dia de viagem at Fortaleza.
O Futuro Monge levava cartas de Recomendao do vigrio de Barbalha. Padre Antonio Jata, de Casa Sampaio e irmos e tambm para o Baro Stuart, em Fortaleza, a fim de que este escrevesse ao presidente das conferncias de So Vicente da Bahia, mdico do exercito, Cel Medeiro, pedindo-lhe apresentar o rapaz ao abade geral. que ele no tina tido nenhuma comunicao com o mosteiro da Bahia, apenas se apoiava na promessa da carta do Rio de Janeiro de ser bem recebido neste Mosteiro,
Dois dias depois de Ter chegado a Fortaleza embarcou para a Bahia no Vapor Desterro do Lorde Brasileiro, Tendo os dois seminaristas Um Menino Caipira que se fez Monge [ Dom Joaquim Grangeiro de Luna ] Notas sobre o tio Monge, escritas por Pe. luna, Misso Velha - 1979
Barbalhenses Francisco Silvano Sousa e Manoel Queiroz, acompanhado at o navio. Agora, aps os abraos dos dois amigos e votos de felicidade, achava-se num meio estranho sem nenhuma pessoa conhecida. Tudo era novidade para ele. Era a primeira vez que se deitava em cama, pois o leito usual do nordeste, sobretudo do interior, ainda hoje a rede. Parecia-lhe est de cabea para baixo. Ainda mais enjoou terrivelmente. O Companheiro de Camarote perguntou-lhe se era a primeira vez que viajava a bordo e para onde ia, e como lhe dissesse que ia para a Bahia, interrogou ainda se ia estudar e tendo por resposta que ia estudar no Mosteiro de So Bento, disse ele chamar-se Amrico Barreira e mdico em alagoinha, Bahia, porm Natural de Baturit e que sua famlia era muito amiga dos beneditinos da Serra do Estevo.
Foi ento que soube que havia beneditinos no Cear. timo companheiro no s de Camarote como de viagem foi assim a viagem do rapaz salvisado, tendo tambm desaparecido o enjo logo no segundo dia. Ao desembarcar na Bahia disse ento ao amigo, pois verdadeiramente ele o foi que queria ficar uns trs ou quatro dias na cidade antes de apresentar-se ao Dom Abade. Ele o conduziu a uma penso rua Chile, no centro da cidade e perto do Mosteiro e nesse mesmo dia seguiu para alagoinha.
Agora o rapaz, sem Ter pessoa alguma conhecida, devia guiar-se por si mesmo numa cidade grande e desconhecida com cerca de 200 mil habitantes, e procurar o Dr. Medeiros, que morava no bairro de Itapagipa, para entregar-lhe a carta do Baro de Stuart, e alm disso, queria tambm conhecer um pouco a cidade antes de ingressar no Mosteiro. Saindo rua viu um soldado do exrcito parado. Perguntou-lhe se estava de servio e como respondesse que no, pediu-lhe o favor de acompanh-lo at a casa do Doutor. Ele logo se prontificou de muita boa vontade. Ao passar o bonde para aquela direo ele deu sinal de parar e o futuro monge entrou e ele ficou no estribo. Assim visitou todos os lugares que queria, tendo de vspera combinado com ele a hora do encontro para o dia seguinte. No terceiro dia ao despedir-se dele, agradecendo-lhe o bom servio que lhe havia prestado, quis recompens-lo, ele porm de modo algum quis aceit-lo. "no seu moo, de modo algum ". Perguntou-lhe de onde era e disse ser do estado de Pernambuco.
Combinado com o Dr. Medeiros o dia e a hora de se apresentarem ao Um Menino Caipira que se fez Monge [ Dom Joaquim Grangeiro de Luna ] Notas sobre o tio Monge, escritas por Pe. luna, Misso Velha - 1979
Dom Abade Geral, pelas 16 horas do dia 5 de maro, dirigiram-se a p para o Mosteiro, pois ficava perto da penso e ao chegar portaria, antes de tocar a campainha chamando o porteiro, disse o doutor, agora vamos rezar cinco padre-nossos, cinco ave-marias e glria em honra de N. senhora Auxiliadora para que voc seja feliz.
Depois tocou a campainha e veio o 1 Irmo Gaudncio que o conduziu ao Abade Geral, Dom Domingos. Este os recebeu amavelmente e informado do que se tratava e, apos Ter lido as cartas de recomendaes, mandou chamar o Padre Prior. Dom Ulrico Sonntag o mesmo que respondera a carta dirigida ao Abade do Rio de Janeiro e aconselhara que o rapaz fosse para o Mosteiro da Bahia. E que Dom Ulrico estava fazendo companhia nessa ocasio, ao Abade Mercs Ramos a mandato de Dom Gerardo Van Caloen.
Agora no Mosteiro tudo era novidade para o rapaz caipira,. Nunca tido sado do Cariri. Jamais entrara num convento nem mesmo falara com religiosos. Apenas tinha visto de longe a trs a trs. Quando ainda pequeno, a dois religiosos que passaram por Misso Velha angariando donativos para umas obras no oriente, e outra vez a D. Maurcio, ainda diconoo, em 1889, que pernoitara em Barbalha de viagem ao Crato a mandado de Dom Gerardo por no poder ele faz-lo em conseqncia de ma queda do cavalo quando se dirigia para o Cariri, acompanhado do prprio D. Maurcio. que naquele fim de sculo os religiosos que haviam em todo o estado do Cear, eram s os padres Lazaristas na direo do Seminrio de Fortaleza e os padres capuchinhos em Canind. Os Beneditinos chegaram a Guaramiranga em outubro de 1889; e, quanto a religiosas, as nicas que haviam eram as irms de Caridade do Colgio da Imaculada Conceio, em Fortaleza.
Conduzido o rapaz cela de hspedes, foi lhe dito que sua admisso ao postulantado de pendia de Dom Gerardo Van Caloen que se achava na Europa, mas no tardaria a voltar. No tomava parte nos atos da comunidade a no ser nas refeies comuns. Durante o recreio aps as refeies, um dos novios que eram sete, fazia-lhe companhia. A missa conventual e o oficio de Vspera assistia-os do Coro superior; o que mais impressionou agradavelmente foi a recitao em comum, do ofcio divino e das vsperas cantadas.
A comunidade era pequena, constava do Abade Geral j idoso, de 78 anos, o padre prior, Dom Urico Santag, que era tambm mestre de novios, Dom Vanderilo Hespierre, Vice prior redator do "Estandarte Catlico", organista e muito procurado no confessionrio. Dom Agostinho Schmidt, h pouco chegado da Europa, sete novios, todos alemes com exceo de um que era belga. D. Agostinho era padre zelador (Auxiliar do mestre de Novios) mestre do canto, sacristo e prefeito dos irmos conversos que eram cinco. Havia ainda um postulante para monge de couro, Baltazar vieira. Na Segunda Metade do ano, veio do mosteiro de So Paulo outro Postulante, Irmo Arajo, que entrara em Guaramiranga (Cear) e fora Mandado para o Mosteiro de So Paulo.
Na incerteza de ser aceito na comunidade, por depender de Dom Gerardo, que estava na Europa, sem saber ao certo quando voltaria, essa incerteza e a lembrana dos amigos e parentes que deixara no Cear e da despedida de todos eles e sobretudo do Grmio Literrio do qual era scio Fundador e Secretrio. Os quais noitinha foram acompanhado com banda de msica frente, apresentar as suas despedidas e votos de boa viagem e de felicidade no Novo estado que ia abraar; tudo isso acrescido da tentao do capeta Que no via com bons olhos a resoluo do rapaz, causou lhe tamanha saudade que alguns dias depois, resolveu voltar. Entretanto antes de se decidir definitivamente e comunicar a resoluo ao Padre Prior, foi a igreja e diante do Santssimo pediu, com fervor e os olhos em lgrimas, a nossa Senhora que lhe manifestasse a sua vontade a respeito, (desejando no ntimo que fosse para voltar, no entanto reconheceu de modo sensvel que era sua vontade que ficasse. De posse desse sinal e confortado com a bondade e misericrdia do senhor, alegre, disse consigo mesmo: agora haja o que houver, fico
No dia seguinte tarde, entra o prior na sua cela e lhe diz, " Dom Abade Geral recebeu carta de Dom Gerardo dizendo que vai demorar na Europa e no sabe quando volta, por isso ele resolveu lhe dar o hbito de postulante depois de amanh (20 de Maro) antes das primeiras vsperas, prepare-se" O Rapaz no se pode ento se conter de alegria. Tendo recebido o hbito de postulante, cerimnia que se fazia ento com certa solenidade, incorporado agora comunidade, adeus saudade. Nunca mais na sua longa vida de Monge, teve saudade do Mundo. Reconheceu ser esta a sua verdadeira vocao, apesar das dificuldades e cruzes que h tambm nos claustros e s vezes bem pesadas de que Deus, se serve para purificao e santificao de seus eleitos. Como Postulante devia suprir a deficincia de seus estudos, sobretudo de latim, com aulas dirias, juntamente com outros colegas de postulado e, ao mesmo tempo. Lecionar Geografia aos alunos da Escola Claustra da Abadia.
Tendo o Capitulo Geral, realizado em maio de 1903, no Rio de Janeiro, determinando a reintroduo da observncia monstica na Abadia dessa cidade e a reabertura do noviciado, foram chamados trs postulantes do mosteiro da Bahia, que chegaram ao Rio de Janeiro a 23 de junho. Vieram acompanhados dos irmos conversos Domingos Lical e Gaudncio e foram recebidos carinhosamente pelo abade Geral, Dom Domingos e por D. Gerardo Von Caloen.
A Comunidade ficou ento constituda pelos dois abades Dom Majolo de Caigng, Prior. D. Vanderilo Hespirre, Vice Prior. Dom Meintrado, professo simples, chegado de vspera de So Paulo, os trs Postulantes (Irmo Vieira, Irmo Arajo e Irmo Luna) e os dois irmos conversos. Dias depois chegaram do Mosteiro de Santa Cruz (Cear) a chamado de Dom Gerardo os clrigos: D. Joo Ptero, D.Bento Faro, Dom Martinho Atade que mais tarde. J dicono, obteve da Santa s dispensa dos votos de religio. No dia 4 de julho chegaram do Mosteiro de So Paulo o clrigo Dom. Loureno Lmen (companheiro de profisso de D. Meintrado e o postulante irmo Laur. A Vida Regular foi Logo reintroduzida na Abadia no dia mesmo da chegada dos postulantes e dois irmos conversos 23 de Junho, 1903- com as primeiras vsperas da festa de So Joo e missa Conventual cantada n dia seguinte.
No dia 11 de julho, 1903- foram admitidos ao noviciado os quatro postulantes; Irmo Vieira, recebeu o nome de Mariano, Irmo Arajo de Jernimo, Irmo Luna de Joaquim e o irmo Laur o de Jao Baptista. A cerimnia de Vspera, na sala do captulo, como de costume, foi feita por Dom Gerado Van Caloen e, antes da missa de comunho do dia seguinte receberam a coagula de novios das mos do Abade geral, Dom Domingos. Em maio do ano seguinte o irmo Mariano foi despedido e o irmo Jernimo pediu para se agregar aos irmos conversos, de sorte que s os dois ltimos que chegaram a professos como monge de coro o que fizeram a 31 de julho de 1904. A Profisso solene foi no dia 02 de agosto de 1907 na sala do captulo, aps o ofcio de prima em presena de D. Abade Crisstomo, por estar ausente D. Gerardo, a qual consistia, ento somente alm da inteno do professo, na leitura da carta.
Os dois neoprofessos receberam a primeira tonsura no dia 06 de Janeiro de 1906 por ser a profisso simples perptua, n decorrer do curso de filosofia, as quatro ordens menores a primeira a 17 de junho de 1905, e a Segunda a 01 de novembro de 1905, a terceira a 22 de dezembro de 1905 a Quarta a 16 de maro de 1907. O Sub diaconato a 21 de dezembro de 1907 (Na capela da tijuca), o diaconato a 19 de dezembro de 1908, e o presbiterado a 4 de janeiro de 1910, devia Ter sido em dezembro do ano anterior, mas Dom Gerardo achava-se ento Ausente. Todas essas ordens sacras, desde a primeira tonsura, foram conferidas por D. Gerardo Van Caloen. No dia 06 festa dos reis, os dois neo sacerdotes celebraram as primcias, a primeira missa solene no altar MOR da abadia s nove horas e o segundo ao mesmo tempo 1 realizado, no altar de Nossa Senhora de Pilar. Ao evangelho pregou o Sr. Bispo de Maranho, Dom Antonio Xisto Albano, que se ofereceu gentilmente para fazer. Ao Terminarem a Santa Missa os dois deram juntamente, do altar mor a bno aos assistentes. Agora Monge o sacerdote e, o rapaz caipira, que o que rabisca estas linhas, s lhe restavam s lhe restava infinitas graas a Deus por estas to grande Merc da misericrdia e bondade do senhor, graa que ele at aos vinte anos, jamais pensava ao menos na possibilidade da mesma.
MISERICICRDIAS DOMINI IN AETENRUN CANTABO
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NOTAS ESCRITAS POR PADRE FRANCISCO LUNA TAVARES NOTAS ESCRITAS POR PADRE FRANCISCO LUNA TAVARES
NOTAS ESCRITAS POR PADRE LUNA NOTAS ESCRITAS POR PADRE LUNA
NOTAS SOBRE O TIO MONGE
ESCRITAS POR PADRE LUNA,
MISSO VELHA 1979
MATERIAL DE PESQUISA DA RVORE GENEALGICA-
PESQUISADOR- LUIZ DOMINGOS DE LUNA-
ENDEREO: RUA GENERAL SAMPAIO, 02, AURORA-CE/CEP: 63.360.000
Havia eu escrito algumas observaes para serem publicadas em torno de Dom Joaquim Grangeiro de Luna, beneditino, irmo de Minha me, falecido santamente no Mosteiro de So Bento no Rio de Janeiro aos 22 de novembro de 1969. Do mosteiro me enviaram uma pasta contendo diversos retratos da famlia, o seu bculo de jubileu Monstico e entre os documentos da pasta encontrei escrita lpis em dez folhas de papel almao, esta sua histria autobiogrfica, narrando justamente a sua vida at ser ordenado sacerdote em 1910. Antes mesmo de sua morte o querido tio me havia dito que aquelas lembranas ficariam endereadas para mim, que depois de sua morte o Mosteiro me haveria de remet-las, o que de fato aconteceu.
Tudo est descrito com muita fidelidade, apesar duma distncia de mais de 60 anos no tempo e de centenas de quilmetros no espao. Nunca aquele cearense esqueceu o seu torro natal. A irm Mais nova, me de Pe. Luna, de quem fala, viveu em minha companhia, na casa Paroquial de Aurora cega e meio paraltica, at os 90 anos, quando faleceu em 1974.
Santana, a irmzinha do escritor, ficou em casa de sua irm Antonia Grangeiro de Luna, casada com Joaquim Carneiro de Luna. Um dos Maiores Problemas para o corao do moo Salustinano era justamente de sua irmzinha, pois o cunhado era extremamente pobre e sem administrao. Enquanto Salustinano estava empregado na casa Sampaio nada faltava sua maninha porque ele fornecia o que fosse necessrio. Era o arrimo da famlia pobre. Mas quando decidiu fazer-se religioso, sentiu grande dor no corao o deix-la em to fraca situao. Ainda assim, comprou uma propriedade no riacho do rosrio municpio da Serra de So Pedro, em lugar denominado picos e deixou o cunhado com a famlia morando l. Havia de certo possibilidade de trabalhar. Pouco tempo depois, o terreno foi vendido pelo cunhado, que ficou com a famlia ao lu.
Da convivncia de Salustinano em Barbalha existe um pormenor que merece ser explicado.Aquela tia materna de que ele fala que o fez desistir de emigrar para Manaus, Naninha Grangeiro no tinha filhos, mas, mas adotara uma sobrinha que se tornara muito conhecida, graas aos seus dotes de inteligncia e boas maneira. Essa jovem era conhecida por Band, mas o seu verdadeiro nome tambm Ana Grangeiro Chaves.. Era prima de Salustinano e de minha me, porm mais velha do que Salustinano mais de sete anos. Ele morava numa repblica, trabalhava o dia todo na loja, estudava de noite, mas fazia as refeies em casa de sua tia, na companhia de sua prima Band. Esta, j em idade nbil, pode muito bem tr-se apaixonado pelo primo com inteno de casamento, porm no encontrou nenhuma correspondncia amorosa por parte do primo. Este certamente enxergava a diferena de idade e como no tivesse ideal de casar-se to jovem, muito menos o faria com uma moa mais idosa do que ele. Mais no no h razo para uma nota que saiu em jornal do Rio, aps a morte de D. Joaquim na qual se afirma que a vocao monstica de Salustinano proveio do fato de no poder casar-se com a prima band, rica, cujo pai teria feito tenaz oposio. certo que Band, tambm no se casando com outro, seguiu depois o caminho andado pelo primo salustinano, encontrando acolhida na congregao das missionrias beneditinas na qual viveu longa existncia em Olinda, vindo a falecer em 1968, aos 94 anos de idade...Mantiveram em vida, correspondncia epstola como costume entre dois parentes religiosos e morreram ambos em idade avanadssima,como bons religiosos de So Bento
Minha me sofreu horrivelmente em tal companhia, at quando se casou com meu pai, Agostinho Tavares de Medeiros, em outubro de 1906. Quando o Jovem Monge, Dom Joaquim, cantava sua primeira Missa no Rio de Janeiro, em Milagres se batizava o 2 filho de sua irm Santana no dia 6 de Janeiro, 1910. Mais adiante da casa daquele humilde casal, Agostinho e Santana, que saia o 2 padre da famlia, ordenado em Fortaleza e encardindo na diocese do Crato 1949.
A Deciso do Jovem Salustinano, caixeiro da casa Sampaio de tornar-se Monge beneditino, foi algo de extraordinrio que deu o que falar em todo Cariri. Ele era muito conhecido como jovem educado e responsvel elogiado pelos prprios patres que alis eram tambm seus parentes. Embora pobre e rfo, Salustinano j cantava com um futuro garantido, pois alm de no haver perigo de ser despedido do emprego, ainda se falava entre famlia que seria possvel o casamento dele com ma das filhas de Antonio Sampaio, scio mais Velho da Firma, e assim o caixeiro passaria a scio tambm da grande empresa. Talvez fosse com a inteno de sugerir-lhe esse noivado que algum da famlia Sampaio fez notar a salustinano que j estava em idade de casar-se, pois j havia completado 21(vinte e um) anos e pensasse nisto.
Foi portanto, para todos uma grande surpresa, quando em vez de pender para o noivada to ligeiro, aquele moo declarou que a sua vocao era outra, a vocao religiosa. Ele foi o primeiro a dar esse passo em toda a regio do Cariri. Ele mesmo diz em suas notas que os patres envidaram todos os esforos a fim de demov-lo daquela loucura, mostrando-lhe de um lado os rigores da vida monstica que ele ia abraar e de outro lado as vantagens a que ele renunciava com aquele ato. uma das vantagens j se v era o tal noivado, Outra proposta que fizeram foi que estudasse no seminrio de Fortaleza para se ordenar padre secular. A firma Sampaio e irmos custearia as despesas de seus estudos. Mas ele foi teimoso: compreendeu que seria chamado para a vida monstica e no desistiu por considerao nenhuma. De tudo isto se pode concluir que Salustinano foi um verdadeiro heri na obedincia ao chamado divino para ma vida de abnegao e de sacrifcio e ningum mais do que ele se realizou naquela vocao.
Feito Sacerdote aos 4 de janeiro de 1910, no mosteiro do Rio de janeiro para onde escrevera aquela carta de 1902 agora o Jovem Salustinano j havia desaparecido e em seu lugar surgira o monge sacerdote D. Joaquim de Luna. Este Nome de Joaquim ma homenagem que os filhos de So bento quiseram prestar ao ento Bispo do Cear o grande vulto da histria eclesistica o Brasil. Dom Joaquim Jos Vieira em cujo territrio havia o mosteiro de Santa Cruz Na serra do Estevo e a fazenda Juiz no municpio de Misso Velha. Pertencente a famlia de So Bento.
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.Contara-me o Cel Joo Alves Grangeiro e filho adotivo de Madre Benta (Band) que a acompanhava a Olinda feito Oblato no Mosteiro daquela cidade e fez at o noviciado, sendo grande amigo de So Um Menino Caipira que se fez Monge [ Dom Joaquim Grangeiro de Luna ] Notas sobre o tio Monge, escritas por Pe. luna, Misso Velha - 1979
Bento em toda sua vida, contava-me ele que antes de ser admitido Salustinano ao noviciado, o abade D. Gerardo teria comunicado que em virtude de seus estudos deficientes e de sua idade j adiantada. Salustinano no seria admitido no noviciado clerical, mas simplesmente seria irmo converso. Que ele refletisse diante de Deus e viesse responder se aceitava essa condio: caso contrrio poderia retornar ao sculo sem nenhum dano pra a ordem.
Nosso jovem depois de rezar e refletir como lhe fora aconselhado, veio dizer ao abade que estava disposto a renunciar ao sacerdcio, contanto que ficasse como membro daquela memorvel famlia at morrer. Estava ali para servir e no para buscar os primeiros lugares na casa de DEUS. Diante de tal franqueza, o velho abade, com lgrimas nos olhos lhe comunicou que aquilo era somente ma provao a mais para verificar o ardor de sua vocao, mas que seu lugar j estava reservado entre os monges de coro, isto aqueles que alm dos votos monsticos ainda seriam coroados com as ordens sagradas. E de fato ele foi admitido ao noviciado, completou os estudos com relativa facilidade, e dentro de sete anos, -lo sacerdote de DEUS.
Trs qualidades distinguiram o jovem monge, para torn-lo um verdadeiro lider no mosteiro, desde os primeiros anos de vida religiosa: 1) a idade madura, pois ordenou-se aos 28 anos completos; 2 grande prtica de comercio que o faria triunfar em qualquer grande cidade, pelos seus conhecimentos, boas maneiras e honestidade; 3 comprovado amor ao mosteiro, to sonhado por ele, ao qual fizera votos de estabilidade. Por aquela casa ele derramaria o prprio sangue, daria at a prpria vida se fosse necessrio. E de fato, pode-se calcular que no teria sido influncia de D. Joaquim, brasileiro, na cidade do Rio de Janeiro, entre aqueles menos frades estrangeiro que pouco antes a populao carioca ameaara de linch-los. Quanta Um Menino Caipira que se fez Monge [ Dom Joaquim Grangeiro de Luna ] Notas sobre o tio Monge, escritas por Pe. luna, Misso Velha - 1979
dificuldade aqueles humildes alemes teriam encontrado no comunicar-se com o carioca se no fosse D. Joaquim Grangeiro de Luna como intrprete e intermedirio.
Houve um incidente no mesmo ano da sua ordenao (4 de Janeiro 1910) que o imortalizou no s entre os co-irmos, mas o colocou nas pginas de nossa histria ptria. Foi na revolta dos Fuzileiros Navais, Um Menino Caipira que se fez Monge [ Dom Joaquim Grangeiro de Luna ] Notas sobre o tio Monge, escritas por Pe. luna, Misso Velha - 1979chamada revolta da chibata, em dezembro de 1910. Convm anotar um pormenor daquele acontecimento.
O Exrcito requisitou o prdio do mosteiro para da fazer fogo aos revoltosos, que estavam entrincheirados na ilha das cobras. Como era toda prudncia o abade deu ordem comunidade para se transportar para o mosteirinho do alto da Boa Vista, casa ainda hoje destinada ao repouso semanal dos monges do Rio. Mas D. Gerardo Van Caloen ao avisar que a comunidade se transportasse para a Tijuca, disse ainda que ia ele mesmo ficar no mosteiro e que seria conveniente que algum outro ficasse tambm, mas no indicou a quem fazia este apelo. Foi quando D. Joaquim se ofereceu espontaneamente para ficar. E era lgico Em se tratando de zelar pelos interesses do Mosteiro ele sempre estava disposto. Ele podia muito bem Ter subido com os outros sacerdotes e clrigos para alto da Boa Vista e ningum o podia censur-lo, visto como o Dom Abade no o convidou pessoalmente, e ele Dom Joaquim sentia desmaio ao simples fato de ver sangue derramado, mas era o velho mosteiro do seu sonho, a razo nica do seu viver no momento que estava precisando da sua ajuda e sendo assim ele no media sacrifcios: apresentou-se e ficou realmente com o Abade para os cuidados necessrios do mosteiro e dos soldados.
A data daquele acontecimento foi 10 de dezembro de 1910. O Ataque comeou s 5 horas da manh. Todos pensavam que os da Marinha se rendessem logo, que seria poucas horas de luta, mas eles estavam bem aquartelados e fizeram ma resistncia herica, resultando daquela greve e serem abolidos da marinha os castigos fsicos da palmatria e do chicote. s dez horas avisaram a D. Joaquim que no segundo pavimento estava se dando um comeo de incndio saia fumaa duma cela fechada. O Jovem Monge convidou ento um Um Menino Caipira que se fez Monge [ Dom Joaquim Grangeiro de Luna ] Notas sobre o tio Monge, escritas por Pe. luna, Misso Velha - 1979
empregado portugus, que havia pouco, chegara ao Brasil por termo da revoluo de Cremona que rebentaram com a proclamao da Repblica em Portugal. No momento em que abria a porta, ouvia-se um estampido e D. Joaquim viu desaparecido o pobre portugus que estava a seu lado, verificando que o seu hbito estava inteiramente ensangentado. Sua mo direita estava ferida, mas ele achava Ter sido atingido em mais parte do corpo, porque no era possvel que somente de sua mo perdesse num momento tanto sangue. Era o portugus que havia sido atingido pelo estilhao de uma Granada, ficando reduzido a pedao. Da mo direita de D. Joaquim foram decepados dois dedos, o indicador e o mdio, mas graas a Deus, no foi atingido seno nesse local. Conduzido para o Hospital Militar e tratado como ferido de Guerra, podia voltar novamente ao mosteiro no dia 10 de fevereiro de 1911, trazendo consigo aquele sinal que
sempre o distinguia: Sua mo direita mutilada a servio da ptria de Deus. Felizmente habituou-se com facilidade a todo trabalho, com a mo defeituosa, dizendo mesmo que aqueles dedos no lhe fizeram falta e que os iria encontrar na ressurreio do corpo. Escrevia letra aprumada e bem feita , to legvel como se nada tivesse acontecido
Cearense que nunca negou a sua a sua origem na cidade do Rio nas primeiras dcadas deste sculo, embora envolvido numa atividade ao mesmo tempo e oculta aos olhos do mundo. D. Joaquim teve o Dom de fazer-se influente no Mosteiro, com seu alto esprito de servio aos irmos ao mesmo tempo no faltar com assistncia possvel aos seus parentes e amigos do Cear,
Absorvido como era pelos encargos dentro daquela casa que ele desenvolveu com tanta prudncia, doura e sabedoria, no deixava de estar presente ao seu povo humilde do Cear, que ele pode visitar bem poucas vezes, mas que conhecia um por um com a sua larga e interessada correspondncia pelo Correio. No meio de suas grandes Como prior e administrador do mosteiro por mais de 20 anos encontrava tempo para escrever pessoalmente as suas cartas, que eram jias de redao onde transparecia a beleza de sua grande alma de sacerdote. E todos o parentes o tinham como o melhor de todos os conselheiros e o mais sbio de todos os mestres. Lembro-me tanto das cartas minha me, sua irmzinha Santana. Como ele se interessada porque houvesse em nossa casa esprito cristo, amor ao trabalho e interesse pelos estudos.
Remetia livros e revistas srias e recomendava que lssemos, indicando muitas vezes os assuntos mais interessantes E isto sem nem sequer conhecer pessoalmente os sobrinhos, pois somente trs vezes durante esses 67 anos de sua vida de monge, ele veio ao cear: em 1914, 1922 e 1948 sendo que da primeira vez em 1914 no
pode chegar ao Cear, sendo obrigado a voltar de Quixad, em virtude da revoluo de Juazeiro contra o governo Franco Rabelo. Posso dizer sem temer nenhuma dvida que foram "as cartas " e as lembranas daquele bom e piedoso tio que despertaram em mim a vocao de sacerdote Pe. Francisco Luna Tavares. Ref 01 ) Um Menino Caipira que se fez Monge ( Dom Joaquim Grangeiro de Luna, Notas sobre o tio Monge escritas por Padre Luna- Misso Velha -1979 .
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