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o FILME "67" E MINHAS MEMÓRIAS SOBRE A ERA DOS FESTIVAIS

O filme "67" e minhas memrias da era dos festivais


Nos anos 60 eu, um praticante inveterado do rock, descobri que existia uma msica "mais sria", e que chamavam "musica popular brasileira". Estvamos ento no clima dos festivais de musica. Estes reproduziam o esquema de programas de auditrio que eram usados nas rdios desde a dcada anterior com suas torcidas(tais como as de "Emilinha" e Marlene)e eram organizados pelas TVs Excelsior, Record e Globo. As duas primeiras fizeram festivais da MPB e a ltima, alm destes, o Festival Internacional da Cano. A Excelsior comearia, sendo desbancada pela Record, que sua vez perderia para a Globo.

O pano de fundo dos festivais eram a ditadura militar e a crescente indstria cultural onde ocupava boa parte do cenrio musical uma "musica jovem" identificada com o rock, e disputando com aquela, restrita a quase que somente ao pequeno pblico universitrio.

A "MPB" de ento, era um mix onde cabia a bossa nova, canes, um samba estilizado, hinos de protesto e gneros regionais que ascendiam cena musical nacional. A esquerda tradicional tinha preferncia pelo samba estilizado(em funo do seu contedo popular)ou pelas chamadas "musicas engajadas". Os romnticos ou alienados como eu, adotavam o ponto de vista da arte pela arte, submetendo a letra melodia.


Acompanhei pela TV o primeiro festival, realizado pela Excelsior em 1965. No entanto no gostei da musica que ganhou, Arrasto, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, cantada por Elis Regina. Mas, enquanto os compositores reforavam a religio dos pescadores Gilberto Gil fazia a critica ao conformismo religioso atravs de Procisso, onde tinha trechos como:

As pessoas que nela vo passando

acreditam nas coisas l do cu.

As mulheres cantando tiram versos

e os homens escutando tiram o chapu,

eles vivem penando aqui na terra

esperando o que Jesus prometeu(...)

Eu tambm estou do lado de Jesus

Mas que acho que ele se esqueceu

de dizer que na terra agente tem

de arranjar um jeitinho pra viver(...)

Entra ano, sai ano e nada vem

e o serto continua ao Deus dar

mas se existe um Jesus no firmamento

na terra isso tem que se acabar.

Nenhuma das duas msicas faria a minha cabea, ao contrrio da romntica Eu s queria ser(Vera Brasil e Mirian Ribeiro) que, embora possusse uma letra comum, apresentava uma bela melodia cantada pela esplndida Claudete Soares.

A partir de 1966 os festivais tornaram-se uma febre, particularmente o da Record. Nesse ano minha famlia havia me matriculado no Instituto Valena, acho que com medo que eu levasse trs anos em cada ano do Colegial, como havia ocorrido no primeiro ano. Numa fbrica..., quero dizer, em um novo colgio, passei a me dar bem logrando aprovao direta no segundo e terceiro ano de contabilidade.

A televiso passou a ser o centro das nossas atenes. Assistamos tudo por ela. No que concerne aos festivais haviam sesses de classificao das msicas e uma grande final. Nesse ano na TV Excelsior ganharia, para a minha satisfao, a musica engajada Porta estandarte(Fernando Lona e Geraldo Vandr) unificando esquerda e romnticos, devido a apresentar uma bela melodia juntando protesto e qualidade musical.

Eu vou levando a minha vida enfim

cantando e canto sim,

e no cantava se no fosse assim

levando pra quem me ouvir

certezas e esperanas pra trocar

por dores e tristezas que bem sei

um dia ainda vo findar.

Um dia que vem vindo

e eu vivo pra cantar

na avenida girando

estandarte na mo

pra anunciar.

Neste ano, na TV Record, as coisas ganham evidente dicotomia com as msicas A banda(Chico Buarque) e Disparada(Geraldo Vandr e Theo de Barros). Na ocasio se colocaram duas vises estticas, a que apontava uma atitude de ficar "pra ver a banda passar" cantando coisas de amor, e a que afirmava que "a morte, o destino, tudo estava fora de lugar" e que ns vivamos pra consertar. Que mostrava a diferena de comportamento entre boiada e gente. Lembro da torcida que fiz para a primeira, cantada por Jair Rodrigues e da emoo quando soube que o vencedor do festival Chico Buarque foi chorando exigir do jri o empate desta musica com a sua.

A soluo conciliadora, entretanto, no pode mais ser adotada nos prximos anos que veriam, tambm no cenrio potico-musical, uma polarizao crescente, at seu desfecho em 1968, no FIC, com a disputa entre Sabi(Chico Buarque e Tom Jobim) e Pra no dizer que no falei de flores(Geraldo Vandr). Quanto aos FICs no acompanharia o de 1966 (levado ao ar quase ao mesmo tempo em que o da Record), mas os trs ltimos.

No filme Uma noite em 67 o prprio Chico Buarque reconhece a situao. Confessa que ele, Edu Lobo e outros da MPB teriam virado uma espcie de clones do velho e do bom mocismo, enquanto os tropicalistas e o rock, para Caetano, "assumiam a cultura massificada". Para Edu "eles ficaram mais jovens do que ns".

Na busca do novo pblico que ento ascendia ao consumo cultural os tropicalistas trouxeram uma verso mais elaborada de musica jovem, incorporando a realidade ao seu discurso musical, seja a que se expressava na vanguarda do rock internacional, seja a da participao politica da juventude brasileira, exprimida em boa parte dos casos pelo tratamento inovador dado por arranjadores e compositores como Rogerio Duprat, Jlio Medaglia e Damiano Cozzela.

A polarizao se iniciaria em 1967. Na ocasio eu,(profundamente alheio a esse pano de fundo) no mudaria meus conceitos. Durante o FIC vibraria com a msica Travessia de Milton Nascimento e Fernando Brandt, que ficaria apenas em segundo lugar, perdendo para Gutemberg Guarabira. Chico Buarque concorreria com Carolina obtendo um modesto terceiro lugar, mas consagrando na leitura de esquerda da poca uma postura de "quem fica na janela vendo o tempo passar".

Mas a sensao mesmo estava guardada para o festival da Record que passou a ser o principal palco de disputa dos artistas. Neste ano havia ficado impressionado com o lbum dos Beatles Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band. Para mim aquilo parecia ser o mximo em matria musical. Estvamos s vsperas das megamanifestaes estudantis e do incio da montagem da guerrilha urbana.

Peo licena ao leitor para fazer outro parnteses sobre esta situao de transio retratada pelo filme de Renato Terra e Ricardo Calil (Uma noite em 67). O filme consegue recuperar o clima, a emoo e certas questes que frequentaram o imaginrio da poca. Chorei durante a interpretao de Roda viva pelo autor Chico Buarque e o MPB-4, musica que considerava na poca(e mantenho at hoje) a que deveria ter ganhado o festival.

No filme se percebe a incidncia de outros fatores que contriburam para a polarizao esttica e poltica. Um deles era a estratgia desenvolvida pelo principal ator, a TV Record, que detendo uma espcie de monoplio de programas musicais na poca pode organizar um festival-espetculo que, como diz o seu realizador Solano Ribeiro, "nada mais era do que um programa de TV". Realizado na antevspera da instalao da indstria cultural do pas quando as atuais estrelas da MPB ainda estavam em ascenso, possibilitava a formao de verdadeiras claques pr e contra as msicas apresentadas. No filme, se denuncia o clima de concorrncia entre os artistas e suas gravadoras, atravs da revelao de uma claque que teria a inteno de vaiar a apresentao de Roberto Carlos.

Paulo Machado de Carvalho, ento diretor da TV Record, reconhece em seu depoimento o intento de se criar uma dramaturgia onde haveria o mocinho, herona e o vilo. O filme porm no vai a fundo nos interesses empresariais que estavam por traz da passeata contra as guitarras realizada neste ano num momento de penetrao do capital estrangeiro no setor das comunicaes no Brasil.

Caetano Veloso concedeu uma entrevista h certo tempo onde informava de uma reunio naquela emissora onde teria sido proposta a iniciativa da "frente nica da MPB". No filme "67" ainda mais explcito. Observa inclusive a diviso dos artistas quanto ao inusitado da proposta que suscitou opinies contra e a favor. Fornece argumentos brilhantes em relao a iniciativa, como o paralelo do movimento com o integralismo, e informa do constrangimento de Nara Leo.

Gilberto Gil, entretanto, tenta explicar o inexplicvel, sua participao neste movimento "contra a influncia estrangeira na nossa msica" (que tinha como principais cones inimigos o rock e a guitarra), embora a prpria emissora realizasse o programa Jovem Guarda e o compositor utilizasse no festival deste ano o conjunto Os Mutantes para acompanhar sua musica Domingo no parque.

O filme mostra tambm at que ponto as condies festivalescas interviram nas opes potico-musicais tomadas pelos protagonistas que ficaram famosos, como Sergio Ricardo e Caetano. Ao voltar a observar aqueles incidentes pude perceber que a atitude do primeiro no teve como motivo nico as vaias. certo que havia um clima hostil contra a sua musica Beto bom de bola, que alis, apresentava uma complexa elaborao harmnica. No entanto, no inicio de sua apresentao o musico havia sido bastante enftico, ao deixar claro que no cantava sob vaias e conseguiu mesmo amenizar os protestos e comear a execuo musical. Ao faz-lo, entretanto, tropeou nas passagens bruscas da musica perdendo o tom. Sua falta de eficincia na execuo musical, portanto, que foi decisiva para a atitude de reconhecer "vocs ganharam" e, ato continuo, quebrar o violo e jog-lo sobre o pblico.

Para no ser injusto com Srgio podemos especular sobre as razes de ter perdido o tom. Isso poderia ser imputado ao stress do conflito inicial com o pblico, a no conseguir ouvir o acompanhamento pelo barulho e falta de retorno do som, ou ainda a perceber que no teria mais chances de classificao aps tropear na harmonia. Vou parar por aqui pois a discusso envereda por um campo subjetivo que no tenho tempo de tratar nos limites deste artigo. No filme, entretanto, Sergio Ricardo insiste na verso que ficou famosa.

Assistindo aos crditos do filme lembrei tambm da minha insatisfao com o fato da musica Cantador(Dori Caimmy e Nelson Motta)interpretada por Elis Regina, no lograr classificao no festival onde surgiria o Movimento Tropicalista cruzando os sinais da poca, sendo digna a atitude de Gil de dar o crdito a Caetano como o principal criador do movimento.

Independente do talento do seu criador, e dos demais tropicalistas, outros fatores iriam contribuir para acertar a antena da sensibilidade de Caetano. Pouco antes dos festivais de 1967, durante uma apresentao de uma orquestra sinfnica em So Paulo, houve a invaso do palco por um grupo de msicos, entre eles o arranjador Rogerio Duprat pronunciando um libelo contra as formas musicais tradicionais.

Se Sergio Ricardo preferiu esgotar o episdio em uma atitude aparentemente enraivecida, Caetano aproveitou a ocasio para a propaganda de todo um discurso esttico e poltico. Numa poca onde os artistas notrios ainda pertenciam ao Sudeste pode alavancar o grupo baiano, despertar a ateno das gravadoras, e sendo protagonista do impasse de uma gerao. A ocasio ocorreria quando da apresentao de proibido proibir. Naquele momento reproduziu-se um clima semelhante ao enfrentado por Sergio Ricardo e que se verificaria em vrias ocasies quando coincidiam pelo menos duas coisas, a definio da maior parte dos assistentes por outras composies e a qualidade meldica inferior ou o estilo inusitado da musica apresentada. Com Caetano aconteceu de tudo, chegando, em funo das vaias que recebeu, a virar as costas para o pblico que reagiu da mesma forma.

Tambm na msica no havia mais espao para o intermedirio. Era "cala de veludo ou bunda de fora". Assim, a revoluo cultural proposta por Caetano de derrubar as prateleiras, as estantes, as esttuas, as vidraas, louas e livros no encontrou eco. Seu discurso, no entanto, ficaria eternizado pela mdia, quanto a outro, s seria "enunciado" no ano seguinte, por Geraldo Vandr.

Atrado por compositores e interpretes de talento, em sua maioria da Bahia, o tropicalismo apareceu para mim como uma sntese entre os dois gneros com os quais me debatia ao fim dos anos 60, o rock das guitarras e as harmonias elaboradas da Bossa Nova. As letras simples, sempre falando sobre temas do cotidiano, versus as letras elaboradas. Repercusso especial me causaram musicas como Lunik 9, Onde Andars, Lindonia e Baby, no por coincidncia, todas relacionando letra e harmonia elaboradas a ricas e romnticas melodias. A expresso desse conflito esttico e poltico agora se estenderia enquanto durassem os festivais,

Em 1968 seria a vez de me chatear com Tomz que ganhou com a musica So Paulo, meu amor no Festival da Record quando haviam vrias musicas que considerava melhores, incluindo Divino maravilhoso de Caetano e Gil. Na verdade s houve um festival da Record que gostei do julgamento, o ltimo, realizado em 1969, onde ganhou a msica Sinal fechado de Paulinho da Viola. Nestas ocasies estaria na contramo da esquerda no FIC. Concordaria com o jri em 1968 e 1969, ou seja, no rumoroso resultado da parte nacional do primeiro, que preferiu Sabi(de Chico e Tom Jobim, cantada pelo Quarteto em Cy) a Pra no dizer que no falei de flores(Geraldo Vandr), e no ano posterior, onde ganharia Cantiga por Luciana(Paulinho Tapajs e Edmundo Souto).

Meu partido por Sabi, estava ancorado na situao de Vandr que, no meu modo de ver, apresentava uma melodia bastante inferior em relao aquelas com que tinha concorrido em outros festivais. Sob a admirvel interpretao de Chico Buarque e do Quarteto em Cy, percebi, mais tarde, que a mesma era escapista ao anunciar:

Vou voltar

sei que ainda vou voltar

para o meu lugar.

Foi l, ainda l

que eu hei de ouvir

cantar uma sabi.

Vou voltar

sei que ainda vou voltar.

Vou deitar na sombra

de uma palmeira

que j no h

colher a flor

que j no d(...)

Sei que o amor existe

eu no sou mais triste

e que a nova vida

j vai chegar

e que a solido vai se acabar.

J a musica de Vandr era uma verdadeira convocao para a luta apontando inclusive contra quem lutar, os militares. Eu, no entanto, ainda no estava preparado para atender esse chamado.

Os festivais tinham ampla audincia entre os jovens de classe mdia, particularmente universitrios. Mas o filme "67" mostra tambm a presena de pessoas de outras faixas de idade. Acho que tudo isto levava as tentativas de certos artistas para se adaptarem ao gosto das torcidas.

Comeou mesmo a haver uma "musica de festival", onde havia uma primeira parte onde se expunha a melodia, e um refro acelerado para entusiasmar o pblico. Com o tempo as musicas acabaram sendo lanadas ao pblico antes que fossem tocadas no festival, o que prejudicava o necessrio ineditismo e os artistas que no tinham acesso mdia. Artistas que nada tinham a ver com a MPB passaram a fazer musicas e letras para disputar o festival.

Mas eu no apenas acompanhei os festivais pela televiso. Tomei parte neles. Muita gente no sabe, por exemplo, que houve festivais fora do eixos Rio-So Paulo. Talvez em funo de ter sido tardia a entrada neste clima por parte dos demais empresrios da comunicao. Na Bahia, algumas instituies j vinham fazendo festivais de pequena monta, como foi o caso da Associao Athltica do Banco do Brasil-AABB onde participei.

Mas no me limitei s a estes, chegando a inscrever msicas para o prprio festival da Record. Naquele tempo as inscries se davam nos estados onde se transmitia o festival. Havia inscrito em 1969 trs musicas no conseguindo classificao. Lembro que coloquei o que tinha "de melhor" no concurso e esperava melhor sorte, assim como outras dezenas de compositores de todo o Brasil que tambm o fizeram.

No entanto, todas as musicas classificadas foram inscritas no Rio ou em So Paulo, justificando a atitude de msicos baianos,(que j desfrutavam de certa notoriedade), de se inscreverem por esses estados. Mas o pior no foi a desclassificao, mas o comunicado da comisso organizadora que acompanhava a lista dos classificados. Este dizia, entre outras coisas que, tendo em vista as composies de outros estados "no apresentarem condies", as vagas previstas para outros estados haviam sido destinados para o Rio e So Paulo! Pode? Foi assim que comecei a compreender que um compositor desconhecido, sem produo ou articulao, no iria chegar a lugar nenhum.

Mais tarde, conheci pessoalmente o saudoso maestro Carlos Lacerda, que havia sido integrante do jri que havia selecionado as musicas baianas para o festival, que tinha uma famosa orquestra e dirigia a rea musical da TV Itapo. Na ocasio tive a oportunidade de cantar para ele algumas de minhas musicas, sendo que ele apreciaria bastante Ciranda cantada com a qual havia ganho o festival da AABB. Sabendo que ele havia participado da comisso de seleo da Record, pude saborear a minha vingana ao dizer-lhe que a havia includo na seleo no logrando classificao, o que o surpreendeu. Logo ele que Isso s fez reforar a minha opinio sobre que o Brasil no a Suia,entrando foras estranhas no julgamento de qualquer coisa.

Na Bahia o modelo de festival promovido por um grupo de comunicao iniciou-se no ltimo ano em que houve festivais no Sul, em 1969. Neste ano e no prximo colocaria uma msica para concorrer seleo, mas continuaria no sendo classificado. Interessante! Agora que estou me lembrando que s classifiquei musicas a partir de quando conheci Carlos Lacerda! Em 1971, tomei a iniciativa de "jogar pesado" inscrevendo trs msicas, Engenheiro do ar, Cantiga em dor maior e A nova metrpole. A primeira com musica minha e letra de Elsio Brasileiro. A segunda com musica de meu irmo Antnio Avena("Tonho") e letra minha. E a terceira com musica e letra minha. Na ocasio se inscreveram 120 msicas de dezenas de compositores. A lista de classificados saiu no jornal A Tarde, na coluna de Lzaro Guimares ocasionando alegria l em casa. Afinal de contas a famlia me via obter sucesso em alguma coisa!

Acabei classificando as duas ltimas, embora nenhuma para a finalssima. A segunda, franca favorita entre os compositores do festival, seria desclassificada por uma deciso polmica do maestro Carlos Veiga. Foi cantada por nossa irm Maria Helena, comigo ao violo, tendo o prprio pianista e maestro Carlos Lacerda feito a orquestrao. Acho que ele ficou constrangido com a deciso da Comisso Julgadora, que era constituda de Joo Augusto, fundador do Teatro dos Novos(futuro Teatro Vila Velha),do violonista Josmar Assis, do maestro Carlos Veiga, entre outros.

Esta considerou a musica de meu mano "plgio" de um preldio de Frdric Chopin, que este sequer conhecia. Fiz questo de anotar o nome da pea e ouvi-la no chegando mesma opinio. O episdio mereceria a solidariedade de outros concorrentes, a exemplo de Jocafi e Alcyvandro Luz. Estes apresentaram musicas excepcionais na ocasio que seriam classificadas para a finalssima. O primeiro concorreria com Em nome da tristeza, e o segundo com Chapeuzinho vermelho, tendo esta ltima vencido a parte baiana do festival com grande orquestra e sofisticada rtmica que alternava compassos de 6/8 e 5/8.

J a minha musica A nova metrpole teria uma sorte pouco melhor pois permitia aos organizadores do festival explorar um clima mais apropriado aos festivais. Pertencia a uma fase musical onde eu observava a contradio entre o crescimento vertiginoso de Salvador e o conservadorismo das suas relaes sociais. Preparei o arranjo da composio, e cantei vestido com a camisa do E.C.Vitria(oferecida pelo dirigente do clube Benedito Luz), grandes painis de Salvador, a presena de mquinas de datilografia no palco, e a execuo de rudos urbanos pelo conjunto musical que me acompanhou. Foi uma novidade no evento mas, embora tenha chamado bastante a ateno do jri e dos msicos presentes, no foi classificada para a finalssima. Acho que foi uma das primeiras vezes que foi apresentada na televiso da Bahia uma composio onde a melodia perdia o protagonismo para o clima musical.

Olhando hoje o que ocorreu no III Festival Nordestino penso no que teria havido se Carlos Veiga no tivesse tomado aquela atitude e eu insistisse em um caminho como compositor da MPB.

No IV Festival Nordestino, realizado no ano posterior, eu no inscreveria msicas pois fui convidado para tocar na orquestra do festival acompanhando as composies selecionadas. Na poca, as trs primeiras colocadas eram classificadas para a grande final nordestina em Recife onde fariam parte de um disco. Neste ano, portanto, eu no concorreria a meu primeiro carro, que a organizao decidiu dar ao primeiro colocado.

o FILME "67" E MINHAS MEMRIAS SOBRE A ERA DOS FESTIVAIS

Por: Franklin Oliveira Jr.

Perfil do Autor


Franklin Oliveira Jr.

Musico, professor universitrio e escritor

Doutor em histria social pela UFPE (Artigonal SC #3296407)

Fonte do Artigo - http://www.artigonal.com/cronicas-artigos/o-filme-67-e-minhas-memorias-sobre-a-era-dos-festivais-3296407.html
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