subject: BIG-BANG – TZIMTZUM - EVOLUÇÃO [print this page] "O 'Princpio' ampliou-se e fez um palcio para si mesmo, para glria e louvor. Ali semeou a semente sagrada () Assim que a semente entrou, o palcio encheu-se de luz. Dessa luz jorraram outras luzes, centelhas voando pelos portais e dando vida a tudo." (Sefer haZohar)
A teoria do big-bang explica, em simples palavras, que havia, no princpio, um ponto ou semente de energia de propores menores que um prton. Ao seu redor havia o "nada". Num dado momento, "no princpio", esse ponto explodiu lanando para todos os lados uma carga de energia que, medida que ia se afastando do centro, formava os universos e os mundos.
O "Nada Absoluto", o "Ayin", o "Zero", o Deus Transcendente d origem ao "Ayin Sof", o "Um", o Infinito, o "Tudo Absoluto", o Deus Imanente. Na cabala, Nada e Tudo so o mesmo. Porm, "Deus desejou ver Deus", e esse desejo ou vontade tornou-se Luz, o "Ayn Sof Or", a Luz Infinita. E "Deus desejando ver Deus" desencadeou uma "separao no separada", de modo a Deus poder "olhar" para Deus. Isso foi realizado por uma "concentrao" (Tzimtzum) no "Tudo Absoluto", tendo como finalidade gerar um um "lugar" (Makom), um "espelho", a existncia manifesta, um "lugar esvaziado" para a futura "existncia existir", l "no comeo", "no princpio". Na verdade, Deus no se retirou, mas ocultou-se para que o finito pudesse exisitir.
E do lugar oculto, o Ayin Sof Or enviou ou penetrou um Raio de Luz de sua Vontade (Kav), conhecido como "Ehyeh" (Eu Sou). E dessa emisso do Kav deu-se a origem de toda a criao, manifestando-se em Dez Emanaes Divinas (as Sefirt da rvore da Vida). O Raio de Luz, o Eu Sou, ento, fez sua trajetria at o centro do "lugar esvaziado para a existncia", e formou, em sua trajetria, a grande rvore da Vida (Etz Chaim), ou seja, o Eu Sou manisfestando-se como Kter (a Coroa, a Vontade), Chochm (a Sabedoria), Bin (a Inteligncia), Chssed (o Amor, a Misericrdia), Gvur (o Rigor, a Fora, o Julgamento), Tifret ( a Beleza, o Corao do Cu), Ntzach (a Eternidade, a Durao, a Vitria), Hod (o Explendor, a Glria, a Reverberao), Yssod (o Fundamento, a Base, a Sexualidade) e Malcht (o Reino, a Receptividade). Ento, assim, surge o Adam haKadmon (o ser arqutipo, "criado imagem e semelhana de Deus") que contm a rvore da Vida e contido na rvore da Vida.
Em Malcht, o Eu Sou se manifesta como Shechin, a Divina Presena Eu Sou, que est no ntimo de toda a maifestao (mundos e seres). Na maonaria, na rosacruz e no martinismo, dentre outras ordens, a Shechin est representada no centro do templo, como um pequeno altar triangular, sustentando trs velas (luzes) e o Livro da Lei, dentre outros objetos ritualsticos. Representa, simbolicamente, a Presena de Deus (Eu Sou), no mundo, no templo e em cada criatura.
A criao "distanciou-se" do Criador. Entenda-se que a criao o prprio Criador "distanciado" de si mesmo ("Deus desejou ver-se a si mesmo"), pois nada pode existir fora do Absoluto e Infinito, seno o Absoluto e Infinito deixaria de ser o Absoluto e Infinito. Tendo-se distanciado, necessitou de um caminho de retorno, depois de cumprir o caminho de "descida". Temos, ento, o longo caminho de "subida". Caminho este que todos os seres e mundos percorrem. Deus "retornando" a si mesmo.
Portanto, nesse afastamento e retorno, encontra-se o possvel segredo da existncia: o aperfeioamento dos seres e dos mundos (a evoluo), o aperfeioamento de Adam haKadmon, que a prpria imagem de Deus. Em outra palavras, como escreveu o cabalista Warren Kenton, "o segredo da Existncia um espelho no qual o homem reflete a Imagem do Divino, para que, assim, Deus possa contemplar Deus.
Numa rpida e superficial viso e omitindo muitos detalhes e pormenores, procurei mostrar que a Criao Divina no obra do acaso. H um propsito definido, embora no nos seja possvel, neste nosso atual grau evolutivo, de o sabermos em termos claros, precisos e definitivos. Tudo constitui-se, na verdade, numa viagem da inconscincia conscincia, e desta uma superconscincia. Muitas dificuldades a vencer. "Muita dor propulsionando a evoluo, mas a prpria evoluo anulando progressivamente a dor", como disse o filsofo Pietro Ubaldi.
Prof. Hermes Edgar Machado Junior
Referncias e sugestes bibliogrficas:
-"Ado e a rvore Kabalstica", Z'ev Ben Shimon Halevi
-"Universo Cabalstico", Z'ev bem Shimon Halevi
-"A Grande Sntese", Pietro Ubaldi
-"A Cabala", Rabino Alexandre Safran
-"A Cabala", Henry Serouya
-"A Rosa de Treze Ptalas", Rabino Adin Even Ysrael
-"As 3 Dimenses da Kabal", Rav Chaim David Zukerwar
Prof. HERMES EDGAR MACHADO JUNIOR (ISSARRAR BEN KANAAN) Temas relacionados espiritualidade universalista e ecltica, meditao, esperanto, hebraico, psicologia, filosofia, histria, arqueologia, naturismo e informtica (principalmente linux).