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subject: Mente e Corpo [print this page]


Nem Aristteles nem Plato fizeram uma distino entre a mente e o corpo. Isto no seria feito at o sculo dezessete quando os dois se tornaram separados. O filsofo francs Ren Descartes (1596-1650) foi o primeiro a formular explicitamente esta diviso. Em 1629, ele se retirou para uma hospedaria holandesa para meditar sobre os mistrios da mente. Ele estava inclinado a encontrar um princpio que trouxesse certeza realidade da mente. Descartes havia entendido que a percepo da realidade por nossos sentidos pode ser quase ilusria. Afinal de conta, nossos sentidos nos dizem que, como o Sol nasce no leste e se pe no oeste, a Terra deve se manter parada no centro do sistema solar, e o Sol e todos os outros corpos celestes revolvem em torno dela. Entretanto Coprnico tinha demonstrado desde 1543 que exatamente o contrrio era verdadeiro: O Sol estava de fato no centro do sistema solar, e a Terra que se revolvia em torno dele. O sistema Cartesiano de pensamento est baseado na duvida: Tudo deve ser criticado, pois no podemos confiar nos nossos sentidos, que esto aptos a nos conduzir a erros. Os objetos nos aparecem to reais num sonho como quando estamos totalmente acordados. Sabe l se a prpria vida no seno um sonho ? Naquela noite, em seu quarto na hospedaria, Descartes teve uma sbita revelao. Se tudo pode ser questionado o quarto no qual ele estava, a cadeira na qual ele se sentava, etc. pelo menos uma coisa estava alm de contestao: Isso era o prprio fato de que ele tinha duvidas. Quando ele estava duvidando, ele tinha que estar pensando, e porque ele estava pensando, ele tinha que existir como uma coisa pensante. Descartes expressou esta convico na sua famosa mxima: Cogito, ergo sum, "Penso, logo existo." A natureza dual do homem. Para Descartes, a realidade tinha duas formas distintas: aquela da mente (ou pensamento), e aquela do mundo material. Tal a essncia do dualismo Cartesiano. A mente pura conscincia, no tem extenso espacial, e no pode ser subdividida. Pelo contrrio, a matria desprovida de conscincia, estende-se atravs do espao, e pode ser subdividida. Assim, o homem tem uma natureza dual: Ele pensa, mas ele tambm dotado com uma extenso material que seu corpo. Descartes acreditava que o corpo era uma mquina perfeita, como a imagem dos autmatos no Royal Gardens em Saint Germain, em Paris, os quais o tinham fascinado. Em seu Treatise of Man, publicado em 1644, ele descreveu um inspetor caminhando no Royal Gardens, pisando sobre lajes para obrigar a gua de um reservatrio fluir atravs de canos e ativar os autmatos. Completamente distinto da mente, o crebro era para Descartes um componente de sua mquina perfeita. Ela funcionaria de acordo com princpios similares aos dos autmatos. Para ele, os rgos sensoriais eram estimulados pelo meio ambiente, justamente como os autmatos eram ativados pelo peso do inspetor pressionando as lajes do Royal Gardens. O crebro tinha seus prprios tubos e vlvulas, como tambm um reservatrio de fluido cujo fluxo era controlado por estes estmulos. A mente pensante estava estacionada perto do reservatrio e, como um atento engenheiro-chefe, procurava a prpria operao do mecanismo, ocasionalmente intervindo diretamente para abrir ou fechar as vlvulas do crebro. O contacto entre a mente e o crebro acontecia num local particular do crebro que Descartes chamou de "glndula pineal." Como um ponto matemtico, esta glndula no tinha extenso espacial. Por meio dela, a mente podia responder s paixes e humores do corpo, posto que ela tambm tinha o poder de se distanciar dos impulsos "bsicos" do corpo, tais como a luxria e o dio, e operar completamente independente dele (continua). Referncias: Trinh Xuan Thuan, Chaos and Harmony, University of Virginia. Pensamento do dia: O fracasso oportunidade de se comear de novo inteligentemente (Henry Ford, 1863-1947, industrial americano).

Mente e Corpo

Por: leopoldino dos santos ferreira

Perfil do Autor

Fsico e escritor. Tem cinco livros publicados. Mestre em Cincias pela COPPE-UFRJ. Doutor e Livre Docente em Fsica pela UFPA. Foi estagirio no Instituto de Pesquisa Nuclear de Jlch, Alemanha. Orientador de teses de mestrado na UFPA. Controlador de Vo. Coluna de divulgao cientfica, Fsicos e Filsofos, no jornal O Liberal em Belm. Artigos em jornais. Veja tambm em buscado Google assim: "leopoldino dos santos ferreira."

www.literatura-leo.com

(Artigonal SC #3522413)

Fonte do Artigo - http://www.artigonal.com/ciencias-artigos/mente-e-corpo-3522413.html




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