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A gramica escolar e o uso efetivo.
A gramica escolar e o uso efetivo.

Existem dois parmetros que so indispensveis a qualquer avaliao de diretriz impressa ao ensino de gramtica. O primeiro o estudo do que seja a gramtica em si, e o segundo o papel da gramtica na atividade escolar lingustica , no efetivo uso da linguagem.

No podemos falar da natureza da linguagem sem mencionar o famoso esquema do "circuito de comunicao" que era representado por duas carinhas que, por sua vez, representavam um emissor e um receptor. Era considerado um esquema de fcil apreenso e de amplitude. Sua compreenso era divida pelas reas especificas dos saberes.

No entanto a compreenso da linguagem e seu funcionamento ficava a desejar, pois a ideia sugerida pelo esquema era um tanto mecanizada, sendo que o locutor e receptor tinham tarefas especificas de codificar e decodificar um cdigo lingustico. Simplista para uma analise da linguagem em uso e todas as suas implicaes. Como mero esquema, poderia ser considerado relevante, mas como representativo das funes da linguagem em uso, realmente uma simplificao at mesmo perigosa.

A veemncia de tal afirmao advm da certeza de que o enunciado o resultado da ao de enunciar, uma complicada troca, que a interao lingustica. Ao ignorar essa interao, o prprio circuito de comunicao deve ser revisado. Nas situaes de real interao comunicativa, os participantes no devem ocupar um espao esttico.

O falante um indivduo inserido num determinado contexto histrico-social que ser participante ativo na construo de seu enunciado. A prpria situao de comunicao pesa, nesse sentido. Por fim, o indivduo que estiver "do outro lado" no poder ser um mero receptor inativo da mensagem enviada, ele tambm um sujeito com insero scio-histrica pois, segundo Maria Helena de Moura Neves, at mesmo a direo do enunciado traz consigo a marca do que pratica a fala e, alm disso, mediada pelo interlocutor que a est recebendo.

Esse esquema, o da real interlocuo, complicado por analisar a situao interativa de comunicao em toda sua plenitude. levada em considerao a inteno do autor do enunciado no momento em que o constri, a expectativa que este tem acerca de sua produo, e da prpria recepo que sua mensagem ter ao chegar no interlocutor, assim como o potencial deste para seu entendimento.

na interao que se usa a linguagem , quando o homem, utilizando-se de sua capacidade universal, produz enunciados no mbito de uma lngua particular, criando uma situao de comunicao interativa.

O homem possui uma capacidade singular e nata que falar, o que universal e, devido sua insero histrica , participante de uma determinada comunidade onde ser usurio de um cdigo especifico, uma lngua particular e assim, de modo efetivo atua linguisticamente, produzindo discursos, praticando o ato da enunciao, construindo textos, enfim, se comunicando.

A escola fornece ao aluno o ensino da gramtica do portugus, enquanto lngua particular, restringindo-se a oferecer limites institucionalizados tradicionalmente. Denomina classes e funes na estrutura da frase sem avaliar as relaes existentes entre ambas.

Duas questes apresentam-se, cruciais e problemticas: a metalinguagem sufocando a linguagem e o nvel (fraseolgico) a que se limita a anlise. Assunto que traz tona insatisfaes e dvidas quanto funo e eficcia da gramtica e da disciplina. Portugus na sala de aula.

Tem-se como finalidade do ensino da gramtica a adequao ao padro culto ou adequao aos propsitos comunicativos. Contudo, observa-se uma insatisfao por parte dos professores com a gramtica normativa e os resultados obtidos atravs desta. Cticos, ento, ensinam gramtica no-normativa, tornando suas aulas meras exposies de taxonomia.

Maria Helena, em suas reflexes sobre a linguagem, enfatiza a importncia de trs aspectos da mesma:

O que est em questo, na fala, a capacidade lingustica de conseguir entender e fazer entender enunciados da lngua materna, sem alcanar padres desejveis;

Os pais, equivocados em seu julgamento do que constri uma "boa linguagem", insistem no desejo de verem seus filhos aprendendo sistematizao, hierarquizao de entidades e subentidades, suas definies e exerccios;

A escola tem negligenciado a importncia do sujeito da interao, a pertinncia da insero do discurso na interlocuo e a qualidade do texto.

A escola no tem utilizado a gramtica como meio para a reflexo sobre o funcionamento da linguagem, seus veculos (oral e escrito), seus nveis de tenso (culto ou coloquial), e os plos em que se distribuem (falar,ouvir, escrever e ler).

Atravs da reflexo pela gramtica, tanto o estudioso quanto o falante comum, podem orientar-se para uma eficiente utilizao dos recursos do processamento discursivo. Porm, o que se observa a ignorncia em relao ao que realmente importa: o real funcionamento da linguagem e o fato de que esta no meramente o cumprimento de funes. necessrio considerar-se o que representa o uso da linguagem.

Quando se avalia o ensino das escolas, observa-se que este revestido de um carter absolutamente "ritual". Primeiramente so organizadas atividades de rotulao e funes, apoiadas na definio das entidades que so apresentadas como absolutas, o que implica que estas estejam abrigadas em limites precisos. Desse modo, a gramtica torna-se um mapa taxonmico totalmente alheio linguagem e suas diversas implicaes. Portanto, fica configurado que no h reflexo no estudo da gramtica e que o uso da linguagem desconhecido na "gramtica" da lngua.

A partir das reprodues de Maria Helena de Moura Neves sobre o tratamento da gramtica na escola e as reflexes que a autora realiza em torno da relao deste com o uso lingustico, conclusivamente observa-se que h uma inadequao desmesurada nos mtodos de ensino. Os padres estatsticos que a gramtica apresenta so despropositalmente imprprios ao tratamento dos inmeros aspectos do discurso e do enunciado. Portanto, no exerccio dessas reflexes, encontra-se convico para afirmar que a gramtica na sala de aula, negligenciando sua relao com a prtica lingustica e sua complexidade, expe ao aluno, equivocadamente, um intrincado sistema de regras e funes mecnicas e aleatrias para o funcionamento de algo extremamente verstil, relativo, volvel e circunstancial que a linguagem em uso.





A gramtica escolar e o uso efetivo

Por: Cristiane Antunes

Perfil do Autor

Acadmica do curso de Letras (Artigonal SC #3421583)

Fonte do Artigo - http://www.artigonal.com/linguas-artigos/a-gramatica-escolar-e-o-uso-efetivo-3421583.html




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