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subject: Análise da obra O primo Basílio de Eça de Queirós [print this page]



ANLISE DA OBRA O PRIMO BASLIO DE EA DE QUEIRS.

O Primo Baslio, romance de Ea de Queirs, publicado em 1878, constitui-se de uma crtica profunda famlia Lisboeta urbana do sculo XIX. Ea de Queirs denuncia claramente uma das instituies mais preciosas da poca, o casamento. O autor mostra-nos o quanto a sociedade era ftil e ociosa ressaltando isso por meio da histria de um casamento burgus aparentemente feliz e perfeito, mas que comea a esmaecer quando Baslio retorna a Portugal e volta a procurar a prima Luisa.

.... mas eu no ataco a famlia - ataco a famlia lisboeta - a famlia lisboeta produto do namoro, reunio desagradvel de egosmos que se contradizem, e mais tarde ou mais cedo centro de bambochata. No Primo Baslio que apresenta, sobretudo, um pequeno quadro domstico, extremamente familiar a quem conhece bem a burguesia de Lisboa; - a senhora sentimental, mal-educada, nem espiritual (porque cristianismo j a no tem; sano moral da justia, no sabe a que isso ), arrasada de romance, lrica, sobre excitada no temperamento pela ociosidade e pelo mesmo fim do casamento peninsular que ordinariamente a luxria, nervosa pela falta de exerccio e disciplina moral, etc., etc. - enfim a burguesinha da Baixa; (trecho da carta de Ea de Queiros a Tefilo Braga, 1878)

Lusa a tpica esposa burguesa, romntica, fraca e submissa ao marido, Jorge, um engenheiro promissor e respeitado na sociedade.Quando esta se v sem o marido a seu lado, entrega-se a Baslio de forma irracional. A inconsequncia com certeza uma das principais caractersticas desta personagem que em momento algum mediu seus atos e o que estes poderiam acarretar.

Ea de Queirs, atravs de suas personagens, fez uma dura critca a todas as classes sociais de sua poca, ou seja, estava realmente voltado para o combate social. Juliana foi uma de suas personagens que realmente lutou para mudar a sua situao, representou verdadeiramente a classe trabalhadora de sua poca e denunciou todas as condies subumanas a que era exposta.

...eu procurei que os meus personagens pensassem, decidissem, falassem e actuassem como puros lisboetas, educados entre o Cais do Sodr e o Alto da Estrela; no lhes daria nem a mesma mentalidade, nem a mesma aco se eles fossem do Porto ou Viseu; as individualidades morais variam de provncia a provncia - mas no meio lisboeta que escolhi, creio que elas so lgicas, exactamente derivadas e perfeitamente correspondentes" (Queirs, Correspondncia, p.141)".

Com certeza a personagem mais completa da obra. Tem sido vista como o smbolo da amargura e do tdio em relao profisso. Feia, virgem, solteirona, bastarda, inconformada com sua situao e por isso odeia a tudo e a todos, principalmente a seus patres, no se detendo diante de qualquer sentimento de fundo moral.

Servia, havia vinte anos. Como ela dizia, mudava de amos, mas no mudava de sorte. Vinte anos a dormir em cacifos, a levantar-se de madrugada, a comer os restos, a vestir trapos velhos, a sofrer os repeles das crianas e as ms palavras das senhoras, a fazer despejos, a ir para o hospital quando vinha a doena, a esfalfar-se quando voltava a sade!... Era demais! Tinha agora dias em que s de ver o balde das guas sujas e o ferro de engomar se lhe embrulhava o estmago. Nunca se acostumara a servir. Desde rapariga a sua ambio fora ter um negociozito, uma tabacaria, uma loja de capelista ou de quinquilharias, dispor, governar, ser patroa; mas, apesar de economias mesquinhas e de clculos sfregos, o mais que conseguira juntar foram sete moedas ao fim de anos; tinha ento adoecido; com o horror do hospital fora tratar-se para casa de uma parenta; e o dinheiro, ai! derretera-se! No dia em que se trocou a ltima libra, chorou horas com a cabea debaixo da roupa (QUEIRS, 1979 pg. 52).

A descoberta das cartas pela empregada o clmax da histria, pois sem estas a histria no existiria e o modo como Juliana se utiliza delas foi surpreendente. Luisa, vendo-se perdida e sem sada, realiza todos os desejos da empregada. Aqui se evidencia o desejo de um grito de liberdade da classe trabalhadora da poca. Ea de Queirs procurou por meio deste romance, de uma forma clara e direta, atingir os alicerces da sociedade burguesa j que esta se mostrava aqum de qualquer deslize ou pecado moral.

Baslio o retrato do bon vivant, cnico, desprezvel e desprendido de qualquer moral, preocupava-se excessivamente com a aparncia. Demonstra a sua irresponsabilidade, o cinismo, a mania de grandeza, de ser superior a tudo e a todos, mantendo uma relao de uso com as mulheres e com o pas. Em certos momentos despreza Luisa de modo grosseiro, rude e humilhando-a completamente, faz meno de que seus atos e costumes so ultrapassados. Nesse sentido, a personagem Baslio retrata aqui uma das caractersticas essenciais do realismo/naturalismo em oposio ao romantismo-o homem voltado exclusivamente para seus instintos.

Como voc viu bem o carter do Baslio! Est claro que a fortuna nunca o poderia ter moralizado; a sua fortuna, como voc diz, foi um bambrrio; era pulha antes, um pulha pobre - depois tornou-se apenas um pulha rico. Pessoas amigas escrevem-me dizendo, que parece incrvel que um homem que trabalhou na Brasil com valor; seja no fundo um canalha! Estranha opinio! A Bahia considerada - como a Fonte Santa da Purificao...( trecho da carta a Teofilo Braga, 1878).

Queirs, em O Primo Baslio, redefiniu a relao entre literatura e sociedade para que se tomassem conscincia de uma realidade que sabiam que existia, mas no queriam ver . Ea de Queirs buscou, por meio de sua obra, denunciar a verdadeira faceta da sociedade lisboeta do sculo XIX- a da futilidade. Dotado de uma genialidade sem igual, descreveu a famlia lisboeta de forma nica e em certos momentos da obra sua ironia evidenciada nas personagens- relao Luisa e Juliana. Queirs produziu uma obra exemplarmente perfeita, pois tranps para a literatura sua dura critca a uma sociedade que tinha sim plena conscincia de suas futilidades e ociosidades.

Evani Fumagalli vila.

Anlise da obra O primo Baslio de Ea de Queirs

Por: Evani Fumagalli vila

Perfil do Autor

Acadmica do curso de Letras, UPF, Palmeira das Misses- Rs. (Artigonal SC #3407671)

Fonte do Artigo - http://www.artigonal.com/literatura-artigos/analise-da-obra-o-primo-basilio-de-eca-de-queiros-3407671.html




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