Os heternimos de Fernando Pessoa surgem em sua obra como uma forma de desintegrante desdobramento de personalidade. Nada tendo a ver com pseudnimos, querem referir existncia de outros nomes, isto , de outros poetas, com sua identidade, vida e sentidos autnomos, vivendo dentro do poeta, permitindo desta forma que este se torna um e vrios ao mesmo tempo.
Nesse sentido os heternimos so um meio de se entender e conhecer a complexidade csmica impossvel somente para uma pessoa, mas no podem multiplicar-se em nmero igual aos seres j viventes ou por vir. Assim, Pessoa se transforma em heternimos-smbolos que o possibilita chegar s cosmovises arquetpicas em numero limitado (conjecturas que mantemos consciente ou inconscientemente sobre a constituio bsica do nosso mundo).
Fernando pessoa com o passar dos anos descobriu dentre os heternimos qual seria o mais importante: Alberto Caeiro nasceu em Lisboa, mas viveu`` grande parte da vida como campons, considerado o mestre de todos os demais heternimos, o poeta que se isola no campo, pois sendo poeta e nada mais, deve procurar estar sempre em contato constante com a natureza. Caeiro foi o nico a no escrever em prosa alegava que somente a poesia seria capaz de dar conta da realidade.
Ricardo Reis, mdico de profisso, simbolizava uma forma humanstica de ver o mundo, adepto a herana clssica da literatura ocidental. Acreditava que o culto da Ode e dum paganismo anterior noo do pecado so apenas duas particularidades, mas expressivas manifestaes.
lvaro de Campos representava a poesia moderna do sculo XX, engenheiro de profisso, foi o nico a apresentar em sua obra fases poticas distintas. Tira do desespero a prpria razo de ser e no foge de sua condio de homem sujeito a mquina e a cegueira dos semelhantes. Marca prpria dos inconformados. Fernando Pessoa e seus heternimos de certo modo negam toda verdade unitria, ou seja, que no implique em contradio, nesse sentido uma analise profunda das coisas a do ser ou no ser.