subject: O Mito de SÃsifo e os dias atuais [print this page] Os deuses tinham condenado Ssifo a rolar um rochedo incessantemente at o cimo de uma montanha, de onde a pedra caa de novo por seu prprio peso. Eles tinham pensado, com as suas razes, que no existe punio mais terrvel do que o trabalho intil e sem esperana.
Este mito at hoje desperta uma bela mensagem de determinao e otimismo em meio contradio da insensatez de um cotidiano, muitas vezes, montono, ftil e intil.
Albert Camus (1913-1960) contextualiza que tanto o operrio que realiza as mesmas tarefas tem um trgico desfecho de Ssifo. Entretanto, a conscincia deste absurdo que traz tona a revolta desta condio miservel e possibilita a ressignificao criativa desta situao.
As atividades de trabalho nalgum momento sero enfadonhas, isso independe de gostar no do que faz, mas diferente de Ssifo, temos a liberdade de escolha e ao desfragmentarmos deste cotidiano podemos ir alm dele. Afinal, diferente de Ssifo, temos a liberdade de escolha, a vida no precisa se resumir no soar do despertador e o passar do crach de ponto, pilhas de papis, ligaes telefnicas, agenda de reunies... para no dia seguinte, comear tudo de novo. A ressignificao deste cotidiano tambm pode ser um poderoso antdoto contra o estresse desta vida moderna.
Entretanto, no campo emocional h pessoas to endurecidas como pedrae vivem alheias e desconectadas que no conseguem diferenciar a montanha, o rochedo de si mesmas. E por sua limitada percepo alimenta a crena que este fardo parte do destino; um destino de expiaes e autoflagelo.
Mudar esta percepo que tarefa rdua e complicada.
A percepo funciona como uma espcie e radar que auxilia o corpo, as emoes e sentimentos dos prprios limites, quando bem utilizada direciona os caminhos nos quais alcanamos a integrao e a harmonia desses sentidos.
Pessoas endurecidas corromperam este radar e padecem fragmentadas em partes, algumas j perderam a capacidade de amar, doar-se, entregar-se, entristecer-se e alegrar-se fora do seu prprio circuito interno. Outras preferem o absurdo mantendo-se anos no sobe e desce da montanha presas a corrente invisvel deste crculo vicioso de dor, sofrimento e certo conformismo.
O tempo passa, as foras diminuem, a exausto se mistura com o acmulo de revolta e desnimo. O maior perigo quando o rochedo se torna o modo de ser e viver.
A proposta psicoterpica pode auxiliar nesta "juno de partes", a cortar os rochedos em pedaos midos at que no oferea obstculos para desbravar o cume da montanha e de lenxergar os novos horizontes que ela possa oferecer.
Psicoterapeuta Existencial com Especializao em Psicoterapia Fenomenolgico Existencial, Centro de Psicoterapia Existencial. Atuao Clnica e Desenvolvimento de Programas de Orientao Profissionale Assistncia a Obesos e portadores de Transtornos Alimentares, Psicoterapia Afirmativa para LGBT e Atendimento Domiciliar. Contato: (11) 8104-6490, e-mail: valeria.psc13@yahoo.com.br