subject: A mulher que me excitava [print this page] A mulher que me excitava. A mulher que me excitava.
Espalhadas pelo universo da mente masculina, esto, as musas. L esto as princesas que fecundam um intelecto to concorrido e to protegido. Concorrido pelos diversos fatores tpicos da psique do homem: a diverso com os amigos; as conquistas pessoais; as preocupaes com o trabalho; as infindveis dvidas a pagar; o final do campeonato brasileiro, etc. Protegido pelo af da conquista machista, que persegue o "Ado" sempre macho, como "Deus o fez" dominador; protetor; dono da situao.
Como homem, comigo no poderia ser diferente. No auge de minha adolescncia, com os hormnios a mil por hora, por onde quer que eu passasse, l estava ela a minha musa. A minha princesa ocupava cerca de 90 por cento de todos os meus pensamentos. Na sala de aula, era um olho no peixe e outro no gato. E, quem era o peixe? Adivinha! Isso mesmo: era aquela escultura de mulher. Dengosa. Eliminava todo o meu machismo. Formosa. Acabava com a possibilidade de ter algum amigo por perto. Se eu tinha alguma dvida, havia contrado para melhor me apresentar para ela. Dominador? Naquela situao, dominar a mim mesmo, j era uma misso quase impossvel.
Ela, simplesmente, surgiu no bairro, do dia pra noite, como um tsunami, sem avisar. Quando a vi pela primeira vez, ainda no conhecia a expresso: amor primeira vista. Mas, senti que algo muito diferente estava acontecendo comigo. Acho que a expresso a que me referi no faria a menor diferena, pois, o que eu sentia no tinha nada a ver com amor. Isso eu sentia pelas garotas da minha idade. Eu era apaixonado, pelo menos, por umas quinze. Eu sabia a diferena, porque quando eu via uma das garotas, objeto de minha paixo, eu sentia uma acelerao no corao. Mas, quando eu me deparava com aquela mulher, sentia uma palpitao no corpo inteiro, as mos suavam, as pernas tremiam e o termmetro natural logo acusava que a temperatura do corpo havia passado do normal, fazia tempo.
Anos a fio, aquele amor platnico me abalou. Acho que a expresso correta no seria "amor platnico", mas, "excitao platnica". Era uma sensao insustentvel porque eu no conseguia dormir, estudar e, nem pensar com lgica, eu conseguia.
A minha musa, apesar de linda, era "insuportvel". Parecia agir daquele modo propositalmente. Ela sabia que uma metade dos garotos do bairro a cobiava e, a outra metade a desejava ardentemente.
E assim, essa situao perdurou pelos longos anos de minha adolescncia.
Bem, eu cresci. Depois de adulto, quando vejo aquela mulher, a situao no mais a mesma. O que teria acontecido? Sua beleza no mais a "mesma". Ela no me excita mais. Quando ela sorri para mim, atualmente, parece algo to comum e sem graa que at passa despercebidamente.
Comeo a desconfiar que o que mudou foi o meu esprito de adolescente. Um esprito inocente que se afeioa com qualquer "coisa". Que se excita at por uma figura. Com a sensatez da fase adulta, uma seleo natural parece tomar o lugar da excitao espontnea.
A mulher que me excitava continuava atraente, mas, a prudncia de todo aquele que j tirou a "carteirinha" de ser humano, sabiamente, dita as regras de comportamento necessrias evoluo.