subject: As Digressões [print this page] Escorregando Na Maionese Escorregando Na Maionese
Acho que os articulistas precisam ler muito, incluindo principalmente, este que vos escreve. Simplesmente, qualquer pessoa que saiba ler e escrever, isto , qualquer pessoa que tenha dois ou trs anos de estudo primrio capaz de escrever bons textos. Um bom observador pode constatar isso. Sabemos que muitas pessoas de nvel superior escrevem mal e, outras, com pouqussimos estudos, conseguem escrever muito bem. Conclui-se que escrever bem uma questo de esforo e f em si mesmo. E claro que muitos tm esse dom, e, com leitura ou sem leitura, escrevem bem. Mas isso exceo.
Jos Saramago e Machado de Assis so os melhores exemplos de grandes escritores sem nvel superior, considerados grandes mestres da literatura brasileira e portuguesa, sendo que Saramago detentor inclusive do Prmio Nobel de Literatura. So dois autores que apesar de terem poucos estudos se tornaram grandes escritores, igualando-se aos melhores. Portanto, qualquer pessoa pode escrever bem desde que se proponha a ler muito e a se esforar no estudo da lngua portuguesa. E neste processo fundamental a leitura dos grandes autores, principalmente, portugueses e brasileiros. Mas, para um resultado melhor, devemos estud-los. Assim fazendo, aos poucos, iremos melhorando a nossa capacidade literria e analtica sobre os diversos assuntos que permeiam nossas vidas e o mundo. E o entendimento da realidade vir com naturalidade e freqncia, juntamente com a capacidade de escrever bons textos.
As vezes preocupo-me com o que escrevo, achando que fao muitas digresses. Talvez isso ocorra em algumas ocasies. Confesso que me preocupo com isso, mas, fao um grande esforo para melhorar e me superar. Na verdade, no me considero um escritor ou um jornalista, mas, podem ter certeza de que fao umgrande esforo para chegar perto. Se um dia chegar l vai ser muito bom. Se no chegar, fica o consolo de quepelo menos tentei.
Se a digresso se perder no assunto sobre o qual estamos escrevendo, preciso, ento, vigiar mais ao elaborar os artigos e evitar, a todo custo, sair do assunto em pauta mesmo que momentaneamente. No fcil porque as idias vo surgindo e tomam conta da imaginao, levando-nos s idias e argumentos que fogem, muitas vezes, do assunto abordado.
A preocupao em no cometer tal erro j um primeiro passo. Mas, preciso muita ateno porque no fcil controlar as idias e pensamentos que vm mente, muitos deles no tendo a menor relao com o tema examinado. Do mesmo modo que um rdio de pilha ou de bateria capta as ondas do rdio e de televiso que esto no ar nossa volta, o nosso crebro funciona de modo semelhante, em relao aos pensamentos que flutuam ao nosso redor e que, pelo esforo de pensar, so captados pela nossa mente.
O esforo de manter na mente o tema em questo, buscando idias, desde que mantido com perseverana, vai determinar novas vises e idias sobre o assunto estudado ou pensado. E muitas vezes chegaremos a concluses surpreendentes, que nos levaro a descobertas que de outro modo no nos surgiriam. Sempre que mantemos na mente uma idia ou um pensamento buscando relaes e correlaes com ele, ativamos um processo maravilhoso no nosso ser que o processo de pensar. E quando fazemos isso descobrimos novas facetas sobre aquele assunto em que estamos pensando e que de outro modo no ocorreriam. Todas as solues que encontramos para os nossos problemas advm do exerccio de pensar, ou de ler e pesquisar. Podemos dizer tambm que pensar no apenas um exerccio, um esforo, mas, acima de tudo uma arte, que deve ser aprimorada pela repetio permanente do exerccio de pensar.
Ao manter o foco num assunto acontece algo semelhante atrao de um m. Cada pensamento atrai outro pensamento correlato, que, por sua vez, atrai outro pensamento ou idia semelhante que propicia o aprofundamento do que se pensa. E no raro nos surpreendemos com as revelaes que o crebro nos traz ao longo dessa prtica. Assim, pela persistncia no exerccio de pensar, vamos encontrando solues que de outro modo no descobriramos.
Quando divagamos, isto , quando nos perdemos em meio a um assunto demonstramos com isso desconhecimento sobre o que escrevemos. O que nos d a certeza de que s se deve falar sobre o que se conhece. Quem no tem nada a dizer melhor lhe convm ficar calado. Falar por falar jogar conversa fora e demonstra imaturidade ou vontade de aparecer. A Bblia diz que mais sbio ouvir do que falar, quando no se tem algo importante a dizer. Nesses casos mais sbio o silncio do que a palavra sem sabedoria.
A preocupao de preencher um espao com palavras e pensamentos sem nenhuma consistncia, uma atitude intil e prpria de mentes vazias e incultas. Quando se sabe e quando se quer, e se tem a oportunidade, atitude inteligente e aceitvel materializar atravs de palavras o conhecimento que se possui desde que ele seja para um bom propsito e possa construir algo de positivo, acrescentando algum valor. Divagar por falta de assunto ou coisa parecida uma deficincia triste de quem no tem nada melhor para fazer.
Todo o conhecimento til uma riqueza que pode e deve ser passada com bons propsitos. Transmitir ou passar informaes ou conhecimentos adquiridos uma das mais nobres misses do ser humano, de importncia to capital que determinou todo o progresso da raa humana desde os tempos pr-histricos. Somos a soma de tudo o que aprendemos e selecionamos de bom ao longo dos tempos.
Mas, a divagao ou a digresso, portanto, uma viagem sem destino que no nos leva a lugar nenhum, devendo, pois, ser evitada. Falar por falar ou escrever por escrever, sem transmitir nada de positivo ou vlido, apenas preencher espaos no papel ou som nos ouvidos dos circunstantes. Falando mais claramente, falar sem dizer nada, escorregar na maionese.
Membro da Academia Evanglica de Letras do Brasil, membro da Sala de Letras Gabriela Mistral de Petrpolis, escritor, articulista de vrios jornais em todo o Brasil, professor de Motivao Pessoal, autor do livro "A Verdade de Deus e a Mentira dos Homens". E-mail: ebenezeranselmo@yahoo.com.br (Artigonal SC #3386832)