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A tomada de posio
A tomada de posio

30 de setembro de 2010, da Vila Setembrina de lanceiros negros e farrapos pelas costas apunhalados por mentirosos miditicos a ocultar a epopia missioneira, Bruno Lima Rocha

O editorial do centenrio jornal O Estado de So Paulo, datado de 25 de setembro de 2010 um episdio marcante (leiam o link). Para o entendimento deste analista, assumir posio publicamente implica uma nova era nas relaes das empresas jornalsticas com a poltica brasileira. No texto intitulado "O mal a evitar", o peridico da famlia Mesquita define sua rejeio ao conceito da mdia comportando-se como partido poltico e ao mesmo assume o apoio para Jos Serra (PSDB) e ndio da Costa (DEM) alegando buscar evitar um dano maior. Ao contrrio de vrios colegas na cincia poltica contempornea, entendo que a imprensa (os agentes econmicos cujo produto simblico condensa informao, opinio e sentido) ainda bebe na tradio da Revoluo Francesa e deve sempre expor sua viso de mundo e posicionar-se nas conjunturas polticas. de sua natureza, e mesmo quando no o explicite, ainda assim realiza estes dois movimentos.

Quando uma das maiores empresas do pas se define sua preferncia no momento poltico, vejo tal fato como motivo para celebrao, uma vez que advogo esta tese h mais de dez anos. Comemoro a faanha como jornalista de formao (me graduei nesta habilitao na UFRJ) e tambm por ser atuante tanto na mdia alternativa, como no ensino na rea de comunicao e poltica. Um dos passos para aumentar a participao popular neste regime o explicitar das posies. Eu mesmo, modestamente, nunca escondi minha no adeso ao processo de democracia indireta e abri a defesa pela via direta, onde as decises fundamentais passam por plebiscito ou referendum. Reconheo estarmos muito distantes deste modelo democrtico radical.

No que diz respeito s relaes tensas entre a grande imprensa e o governo, precisamos ter frieza analtica para compreender o motivo do desconforto. H duas semanas escrevi aqui que a campanha est sendo pautada pela mdia. Isto no implica necessariamente adulterao factual, mas as nfases e angulaes sempre esto e estaro vinculadas com o ponto de vista de quem produz o contedo. disso que se trata a pugna dos candidatos governistas com as maiores empresas de comunicao do Brasil. Este processo eleitoral de primeiro turno vem sendo uma disputa em duas partes. Na primeira metade, concomitante com a eliminao do Brasil na Copa do Mundo e, posteriormente, o incio da campanha obrigatria, todos os candidatos afirmavam-se pela agenda positiva. Por tabela, tentavam pegar carona na verossimilhana com o governo de Luiz Incio.

J na segunda parte do primeiro turno, e concomitante com as denncias e a contra pautas das mdias, a disputa comea a embaralhar-se. No se trata de novidade, haja vista o ocorrido na eleio passada, quando a ao dos "aloprados" cria o fato miditico necessrio para injetar flego na oposio tucana. Fato idntico deu-se em 2002, com a Operao que estoura a empresa Lunus. Dessa vez o trabalho das maiores empresas jornalsticas foi o de investigar, requentar (conforme j afirmei aqui neste blog) e difundir uma imagem em parte correta de que h (ou havia) um desmando no primeiro escalo da presidncia. A oposio trabalha com a evidente manobra de campanha de associar Dilma com sua ex-subordinada, Erenice Guerra. J a situao advoga, a meu ver de forma muito tmida, a tese de que a mdia "toma partido" e atua a favor de uma ou duas candidaturas.

No vejo a tomada de posio como problema ou dilema, tanto conceitual como de prtica poltica. A mdia de pas algum "neutra, imparcial e objetiva". Vou alm. Se h algo incompatvel com a produo de sentido a neutralidade. Contraditoriamente, a afirmao de neutralidade como teoria facilmente refutvel, mas como doutrina tem um efeito de legitimao absurdo. Quando a empresa da famlia Mesquita explicita sua preferncia eleitoral e expe os motivos, convida seus pares a fazerem o mesmo, aderindo ou no ao seu candidato.

Repito. Tal fato muito saudvel para aumentar a politizao dos ainda poucos brasileiros que consomem e compreendem a produo de jornalismo com nfase na poltica. Espero, sinceramente, que todo e qualquer veculo miditico, seja grande ou pequeno, empresarial ou sindical, de mercado ou alternativo, privado ou comunitrio, faa o mesmo. S assim derrubamos o falso mito da neutralidade e objetividade e passamos a compreender que a deciso coletiva implica em dissensos e antagonismos.

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Agradecemos a publicao deste artigo, sempre citando a fonte e solicitamos o favor de enviar para nosso endereo eletrnico o LINK da pgina onde o texto foi reproduzido.

Gratos pela ateno

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A tomada de posio

Por: Bruno Lima Rocha

Perfil do Autor

Nascido em 14 de julho de 1972, carioca de origem e gacho por adoo, iniciou sua vida poltica ainda secundarista, em 1988. (Artigonal SC #3380185)

Fonte do Artigo - http://www.artigonal.com/politica-artigos/a-tomada-de-posicao-3380185.html




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