O ano 2123. No h mais petrleo no planeta desde 2080 e 20 anos antes de esgotar a primeira reserva no oriente mdio, a OPEP (Organizao dos Pases Exportadores de Petrleo) organizou um consrcio para compra de gua potvel, enchendo assim galerias preparadas para armazen-la. A ideia na poca era que futuramente, quando esgotasse o petrleo, as antigas galerias do "ouro negro" servissem para armazenar gua doce. Deu certo!
Hoje, o Oriente Mdio o maior exportador de gua potvel no mundo. E em segundo, os Estados Unidos, que domina a tecnologia de reciclagem de gua e de transformao da gua salobra em gua doce (tecnologia aeroespacial comprada da antiga Unio Sovitica, ainda no final da Guerra Fria).
Na Amrica do Sul, antigo celeiro do mundo, no h mais gua potvel. Ainda no sculo XXI a extrao e queima das rvores nativas esgotaram o que ainda existia de verde na Amaznia e consequentemente o Rio Amazonas tambm secou. Desta falta, somente dez anos antes de acabar a gua doce, principalmente dos rios que abastecem as barragens de hidreltricas (principal fonte de energia eltrica da poca na regio) que as autoridades latinas comearam a tomar providncias e investir em energias alternativas, como usinas atmicas e solares por exemplo. Um dos grandes problemas foi a falta de investimento prprio em P&D (pesquisa e desenvolvimento). A baixa qualificao de engenheiros, o excesso de cargos polticos nas estatais e empresas mistas, juntamente com a falta de recursos tecnolgicos prprios, fez com que ocorressem acidentes em algumas dessas usinas atmicas, principalmente na maior, Iontaip (em homenagem usina hidreltrica de Itaip, Brasil-Paraguai, desativada em 2089). Iontaip, logo na sua inaugurao causou um acidente nuclear 40 vezes maior que a de Chernobyl (1986). Hoje a Amrica do Sul abriga os pases mais pobres do mundo. Paraguai, Bolvia e Venezuela j nem existem mais.
A falta de petrleo no mundo no mais problema desde 2076, mas a falta d'gua potvel sim. O que era apenas um recurso natural de altssima necessidade para os seres vivos passou a ser mais um commodity negociado no mercado financeiro.
No sculo XX, com seis bilhes de habitantes no mundo, a sociedade acreditava que o mundo acabaria em uma grande guerra nuclear promovida pelos pases que dominavam tal tecnologia. No incio do sculo passado, pouco se falava em guerra. Neste sculo, com pouco mais de 3 bilhes de habitantes, o Oriente Mdio sequer sabe o significado da palavra "Guerra". E alguns pases, como Brasil e Argentina por exemplo, brigam pela posse de pequenos veios d'gua em suas divisas... (CAVAGNARI, 2006).
O texto que abre esse artigo no se trata simplesmente de uma histria de fico cientfica. E como no h detalhes como foguetes e aliengenas, pode ser (ou poder ser) uma realidade to extravagante quanto .
Talvez esse cenrio negro e futurista possa conscientizar muitas empresas no mundo a evitar o excesso de poluentes no ar e nas guas, reciclagem de materiais e investimento em tecnologias alternativas. Mas isso no acontece. Empresas no pensam em coletividade para o bem estar da sociedade, mas sim, em lucratividade.
Resta ento ao Estado esse papel de mediar empresas e sociedade e evitar que acontea o que muitos especialistas em meio ambiente j alertam a muito tempo, o esgotamento das nossas fontes naturais de recursos.
A soluo pode parecer simplesmente um investimento em educao, como pesquisa e desenvolvimento. Mas no ! No a capacidade tcnica em criar meios alternativos que resolvero o problema da falta de gua, aquecimento global, poluio, entre outros problemas ecolgicos. O que resolve o poder e a capacidade tcnica do Estado em evitar que pessoas e empresas promovam externalidades negativas. Mas tambm no pode incentivar um excesso de externalidades positivas, beneficiando monoplios e oligoplios que buscam apenas lucros maiores.
O Estado deve promover o equilbrio, evitando ao mximo as externalidades negativas e promover as externalidades positivas cautelosamente.
Poderamos dissertar por muitas linhas acerca da busca pelo desenvolvimento, discutindo necessidades sociais e econmicas das sociedades, mas o que no podemos deixar de pensar o que o futuro reserva para todos.
Porm, a discusso longa e maante e vai continuar sendo enquanto as pessoas manterem seus discursos de meio-ambiente a encargo de pessoas virtuais, ou melhor, de pessoas jurdicas.
Empresas, por serem grandes e de grande responsabilidade e at de potencialidade para esgotar recursos e de poluir o meio ambiente, so considerados os grandes viles. Mas fcil responsabiliz-las de todo e qualquer tipo de catstrofe ecolgica.
Na cincia econmica costuma-se dizer que as empresas devem produzir mais, utilizando o mximo da capacidade produtiva disponvel. O objetivo maior no simplesmente a reduo de custos ou aumento de lucros, mas sim, o aproveitamento mximo dos recursos com o objetivo maior de se evitar a escassez, a especulao e principalmente com o propsito de gerar mais emprego. Por ser uma cincia social acima de tudo, seu objetivo maior o de promover o equilbrio e desenvolvimento sustentvel.
A cincia econmica no se preocupa apenas com as empresas, com o intuito maximizar lucros, mas tambm, e principalmente, preocupa-se com a sociedade como um todo. Na macroeconomia, estuda-se a necessidade de uma produtividade maior, uma busca pelo crescimento e desenvolvimento. Teoriza para menores taxas de inflao e menores ndices de desemprego. Na microeconomia, antes mesmo de esclarecer custos, lucros e receitas, promove o bem-estar do consumidor, suas necessidades e seus desejos. Resumindo, j dizia John Maynard Keynes que o Estado deve prover o emprego antes de tudo, pois so as pessoas que fazem com que a economia funcione e se sustente.
Conclui-se ento que, se as cincias sociais, como j diz o nome, visam acima de tudo buscar e entender o bem-estar da sociedade, cabe as pessoas, individualmente e coletivamente o papel de promover seu prprio futuro.
Se a prpria teoria econmica j esclarece que no h oferta se no existir a demanda (no h produo se no houver pessoas procura e consumo), ento no havero agresses ao meio ambiente se essas mesmas pessoas procurarem por produtos que no poluem ou que esgotem os poucos recursos naturais que ainda restam.
Se as garrafas plsticas poluem e agridem a natureza, quem o responsvel por elas existirem, as pessoas ou as indstrias? (Lembre-se que, a demanda que cria a oferta e no o contrrio).
H quem diga: "vamos conscientizar as empresas a polurem menos, a utilizarem menos polmeros e a despejarem menos monxido de carbono". Isso o mesmo que dizer essas empresas: "Lucrem menos!" Isso no idealismo, fantasia pura e simples.
Meio ambiente coisa sria e s existe um responsvel pela sua agresso e que denominamos como pessoa fsica. um ser pensante e individual que vive, quer queira ou no, em coletividade. ele, como j denominava o filsofo Karl Marx, que idealiza, que cria e transforma a natureza na ideia, no pensamento, antes mesmo de transform-la efetivamente. O ser humano.
Enfim, que faamos a nossa parte e tomemos para ns mesmos a responsabilidade que j nos pertence. Controle seus anseios, suas necessidades e desejos de consumo, mas com responsabilidade ecolgica acima de tudo. O futuro depende disso, quer voc acredite ou no.