subject: O BRASIL SORRIDENTE PARTE II [print this page] Em um contexto dentro do programa Brasil Sorridente o que mais ilude a populao brasileira extremamente necessitada de um programa de sade bucal so as ofertas das especialidades oferecidas pelos Centros de Especialidades Odontolgicas. Compreende-se que em um programa considerado o verdadeiro "caa votos" municipais ou mesmo federais, essa vaidade no iria to longe.
O Brasil Sorridente um programa novo, podendo mesmo ser citado como um programa "jovem", na qual foram investidos e ainda h investimentos de milhes de reais para a criao e manuteno do mesmo e hoje encontra-se nos Centros de Especialidades Odontolgicas um verdadeiro sucateamento de equipamentos, materiais odontolgicos e tambm de profissionais. Muitos colegas de profisso que no so e tambm no sonham em fazer uma especialidade e atuam nesses programas como contratados pelos administradores municipais em troca de servios em campanhas polticas. Volto a ressaltar que no so todos os municpios que possuem essa audcia mas na maioria deles o que vem acontecendo constantemente.
Analisando as atuaes desfalcadas de muitos CEO`s, nota-se que um investimento paliativo do Governo Federal. Relato que um investimento perdido devido m administrao municipal dessas verbas. No so todos os municpios que atuam dessa maneira, mas toda essa ao desconfortvel poderia ser reduzida se o Governo Federal, ou mesmo, o Ministrio da Sade pudessem implantar sistemas de fiscalizao tanto na atuao dos repasses, quanto nas execues dos servios prestados populao. Fazendo uma busca no histrico da Sade Pblica no Brasil, desde os primrdios da chegada da famlia real, aproximadamente em 1808, nota-se que existiam muitos poucos mdicos e a atuao dos pajs e dos " boticrios" eram constantes em nosso benemrito pas conhecido como Brasil Colnia. Na realidade ainda freqente as aes dos curandeiros com sua ervas milagrosas, mas esse assunto ser abordado em um prximo artigo.
Com tanto sucateamento e muita m vontade, a situao da Sade Pblica no Brasil foi tentando melhorar aos poucos, uma ampla escalas de programas foram criados e lgico que muitos foram fracassados, o que no era de se surpreender pois a primeira medida sanitarista no pas foi acontecer no perodo de 1902 a 1906 no Governo de Rodrigues Alves, porque na realidade o Brasil, ou melhor sendo mais especfico na cidade do Rio de Janeiro as doenas se espalhavam de uma forma to gil que nem os pajs davam conta de suprir as demandas de tantas pestes que circundavam na regio. Foi ento que o presidente Rodrigues Alves nomeou o mdico Osvaldo Cruz para tentar resolver a precria situao, porm, o grande mdico teve tamanha responsabilidade como sanitarista que acontecimentos do tipo invaso de residncias, incndio de casas, torturas estavam deixando a populao indignada e impressionada com tamanha violncia em prol da erradicao de doenas. Foi ento que ocorreu a "Revolta da vacina" pela populao. Lgico que Osvaldo Cruz foi afastado, afinal um crime de poder maior do que esse no era difcil de ser notado.
Esquecendo um pouco o passado triste da sade pblica do Brasil e voltando aos nossos dias atuais e penetrando nos canalculos da Odontologia, hoje em nossa atualidade temos no poder uma grande escala de Secretrios de Sade e at Coordenadores de Sade Bucal (no so todos) que tambm so presenteados com cargos de confiana e fazem o abuso de poder, sendo que muitos cometem crimes muito maiores e de extrema gravidade como exemplo o racismo, o cinismo, o uso de cargo para conseguir benfeitorias, extorses, alm de perseguies polticas e pessoais. Essa a realidade necrosada em que vivemos no submundo da Sade Bucal Pblica no Brasil.
Por trs do programa de ouro Brasil Sorridente que um sucesso mundial existem grandes empresas interessadas em fixar sua marca, por trs do Programa existem polticos usurpadores que inauguram CEO`s em suas cidades e anunciam serem obras da prpria prefeitura e outros sendo at mais audaciosos chegam at relatar que um Programa realizado com recursos prprios do municpio.
E ento eu questiono os (as) senhores (as):
De que vale um programa na qual profissionais ditos "especialistas" no executam procedimentos dentro de suas especialidades e encaminham para consultrios particulares pelo devido motivo de falta de equipamentos ou mesmo de conhecimentos clnicos?
De que vale um programa na qual milhares de reais so gastos em compras de equipamentos, materiais de consumo, honorrios profissionais, sendo que nem 1% da populao conseguem receber esses tratamentos especializados?
De quem o erro, do Governo Federal que no fiscaliza ou das secretrias de sade que no atuam e cumprem com a planilha oramentria?
E a prestao de contas dos municpios? E as guias de preenchimentos do SUS? Ser que tem como confiar e acreditar que no h fraudes?
Realmente muito complicado, tentar compreender uma determinada poltica pblica de ao em sade bucal, aonde muitos profissionais no querem enxergar que todo esse Brasil Sorridente no sorri a muito tempo.
Como que um programa auto intitulado de servio especializado (Centro de Especialidades Odontolgicas) vai funcionar corretamente, sendo que, nem mesmo os servios de ateno bsica em sade bucal conseguem sobreviver. Antes mesmo de tentar especializar uma ao em sade, deve-se estruturar o bsico do servio em sade, pois estruturando o bsico (a base), a estrutura fica mais forte e consegue-se obter resultados mais vantajosos e qualificados. Com isso a sade em geral da populao ganha benefcios e a populao passa a acreditar em resultados que as aes de sade bucal na esfera pblica podem vir a oferecer. Concomitante a tudo isso, no adianta distribuir milhares de escovas e cremes dentais em escolas, hospitais, orfanatos, sendo que no h saneamento bsico em uma cidade, e tambm de nada adianta fazer promoo preventiva de sade bucal em uma comunidade aonde deve-se entrar com a Odontologia Curativa. O elemento dental que est cariado deve ser restaurado, ou feito um tratamento endodntico, ou em casos mais graves uma exodontia, mas no tentar fazer preveno em indivduos que estejam completamente infectados com a doena crie, nesses casos, repito novamente e creio que muitos colegas de profisso tambm sabem o que digo: No d para preservar a crie, temos que remover o foco de infeco e ento comear a ensinar com aes de preveno como evitar essa nova contaminao. uma tarefa delicada e que exige muita dedicao onde praticamente temos que incorporar aquele professor que teve a pacincia de J em nos alfabetizar. Concordo que devemos prevenir mas tambm observo que temos que curar, as aes em sade bucal so um conjunto de medidas, procedimentos e atitudes e todas devem andar juntas. Caso contrrio no adianta especializar o Brasil Sorridente pois nossa poltica no extracionista.
Cirurgio dentista. Ps graduado em Implantodontia. Ps graduado em MBA em gesto de negocios na area da saude. Ps graduando em Sade Coletiva. Ps graduado em Odontologia do Trabalho. Mestrando em Odontologia (Artigonal SC #3331039)