Board logo

subject: Quando nascemos afinal? [print this page]


Voc j parou para pensar a respeito do nosso nascimento? Nascemos quando samos do tero materno? Quando conseguimos sobreviver de um grave acidente? Ou quando algo nos sacode e acordamos para a vida? Quando nascemos afinal? Voc deve estar dizendo: depende se estamos lidando ou no com o lado cientfico da questo, no mesmo?

"Possumos em ns mesmos, pelo pensamento e a vontade, um poder de ao que se estende muito alm dos limites de nossa esfera corprea."

(Allan Kardec)

Mas, o que desejamos mesmo , s margens da cincia que cuida dos aspectos fsicos, provocar reflexo focando sobretudo o lado filosfico do nascer. Tambm porque, o emocional, psicolgico, espiritual etc, so variveis sine qua non para a vida saudvel. Vou lhe contar um fato que ocorreu quando eu tinha em torno de seis anos de idade. Eu morava na fazenda e no havia muitos recusos por l. Da se algum sofresse acidente, a exemplo, de picadas de cobras, o jeito era recorrer s rezadeiras ou curandeiros. Eram pessoas sem quase nenhuma instruo, mas de uma f a toda prova.

O meu av foi uma dessas pesssoas. No raro, ele era acionado para socorrer gente com problemas de sade. Na verdade, os chamados no se limitavam a acudir pessoas, muitas vezes eram os animais que precisavam de cuidados especiais devido a ferimentos graves. O mais impressionante, queiramos crer ou no, que as rezas funcionavam de verdade, como se fossem poderosos antdotos da cincia moderna.

Recordo-me da ocasio em que meu av foi solicitado para ajudar um senhor que estava muito doente. Lembro-me, tambm, dele no ter atendido ao chamado naquele dia, tendo o mensageiro retornado na data seguinte para reforar o pedido. Porm, o meu av estava de sada para a cidade, tendo dito que ao voltar atenderia a solicitao, o que acabou no acontecendo em funo de atraso na sua viagem de retorno - lembre-se de que estamos falando de uma poca em que as pessoas se locomoviam no lombo de cavalos e burros.

"Desejo que voc sendo jovem, no amadurea depressa demais. E que, sendo maduro, no insista rejuvenescer e que, sendo velho, no se dedique ao desespero."

(Victor Hugo)

Da, em funo do agravamento do estado de sade do homem, alguns dias mais tarde, o mensageiro retornou, pela quarta vez, com pedido veemente de comparecimento do meu av. Ele, como de praxe, arrumou a mochila e pediu-me para acompanh-lo. Fizemos uma caminhada de umas trs horas at a casa do enfermo. No caminho, recordo-me de ouvir o meu av reclamar da forma como a sua presena foi requisitada. No fundo, ele interpretou a solicitao como uma ordem, da se sentir um pouco amolado.

Assim que chegamos a casa, percebemos que a famla do doente aparentava aborrecimento pela demora. Na verdade, tentava-se demonstrar harmonia e cordialidade, mas havia insatisfao de ambas as partes. Da, meu av, comigo grudado como carrapato, foi direto ao quarto do doente. Assim que entramos ele perguntou ao senhor que estava deitado na cama: "como voc est?" Ele abaixou o livro que estava lendo, afastou com um pouco de dificuldade o lenol que o cobria, olhou para o meu av e respondeu: "eu estou muito bem, graas a Deus!"

E continuou, "apesar de no poder sair por a e trabalhar como gostaria, eu sei que posso continuar sendo til. Agora tenho tempo para compreender melhor a vida, as pessoas e a mim mesmo. Sinto que o meu corpo est doente, mas a minha mente est funcionando como nunca antes". Alis, disse ele, "acho que depois que adoeci passei a viver melhor".

"O saber a gente aprende com os livros e os mestres. J a sabedoria se aprende com a vida e com os humildes"

(Autor desconhecido)

Claro que naquela poca, no podia entender muito do que ouvia, mas agora refletindo melhor, percebo que, apesar das dificuldades para se recuperar, aquele senhor tinha um brilho de esperana especial em seu olhar. Ele, creio eu, estava diante de uma grande perda: a sua sade, mas recusarva-se a sucumbir a doena. Com muita f, amor e determinao ele lutou contra a enfermidade e acabou se recuperando e vivendo por muitos anos.

Agora eu pergunto: quando foi que aquele senhor nasceu? Seria no dia de registro em sua certido de nascimento? Na data que se abateu sobre uma cama e comeou a entender melhor a vida e suas nuances? Quando percebeu a importncia da compaixo, amor, f, humildade, pacincia? Ou quando passou a lidar com a perda? No sei voc, mas eu, francamente, penso que nascemos no exato momento em que aprendemos a ser humildades diante das derrotas e vitrias. Creio que , exatamente, a que acordamos para a vida, voc no acha?

Pense nisso e tima semana.

Evaldo Costa

Escritor, Consultor, Conferencista e Professor.

Autor dos livros: "Alavancando resultados atravs da gesto da qualidade", "Como Garantir Trs Vendas Extras Por Dia" e co-autor do livro "Gigantes das Vendas"

Site: www.evaldocosta.com.br

E-mail: evaldocosta@evaldocosta.com.br

Quando nascemos afinal?

Por: EVALDO COSTA

Perfil do Autor

Evaldo Costa escritor, consultor, conferencista e professor. Autor dos livros: "Alavancando resultados atravs da gesto da qualidade", "Como Garantir Trs Vendas Extras Por Dia" e co-autor do livro "Gigantes das Vendas". (Artigonal SC #3304063)

Fonte do Artigo - http://www.artigonal.com/auto-ajuda-artigos/quando-nascemos-afinal-3304063.html




welcome to loan (http://www.yloan.com/) Powered by Discuz! 5.5.0