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subject: DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM: A DISLEXIA EM QUESTÃO [print this page]


Dificuldade de aprendizagem: A Dislexia em questo

Maria Ranilda Duarte Rodrigues[1]

Samara Izabel Dantas de Oliveira

Resumo

Esta pesquisa tem como objetivo trabalhar com a dislexia, apresentando seu conceito, sua classificao como forma de auxiliar os professores e a famlia, facilitando o diagnstico e entendimento desse distrbio de aprendizagem que afeta no Brasil, cerca de 40% das crianas em sries iniciais de alfabetizao, e, em pases mais desenvolvidos, a porcentagem diminui 20% em relao ao nmero total de crianas tambm em sries iniciais. Diante disso, a importncia do conhecimento sobre essa dificuldade de aprendizagem, para que a escola, os professores, juntamente com a famlia possam trabalhar este aluno de maneira "distinta", para fazer com que este consiga amenizar esse distrbio de aprendizagem, possibilitando o desenvolvimento de sua capacidade intelectual, respeitando seus limites e valorizando seu potencial.

Palavras-chave: Educao, dislexia, dificuldade de aprendizagem.

Abstract

This research has as objective to work with the dislexia, being presented its concept, its classification as form of assisting the professors and the family facilitating the diagnosis and agreement of this riot of learning that affects in Brazil, about 40% of the children in initial series of alfabetizao, and, in developed countries more, the percentage also diminishes 20% in relation to the total number of children in initial series. Ahead of this, the importance of the knowledge on this difficulty the learning to help in the process of socialization with the too much colleagues, as well as to make possible the development of its intellectual capacity, respecting its limits and valuing its potential.

Keywords: Education, dislexia, difficulty of learning.

Introduo

Dentre as dificuldades de aprendizagem, encontra-se com maior recorrncia a dificuldade denominada dislexia, para caracterizar as pessoas que apresentam limitaes no tocante leitura e escrita. A dislexia um transtorno gentico e hereditrio presente em aproximadamente 10% da populao mundial.

Historicamente, a dislexia foi identificada pela primeira vez por BERKLAN em 1881. O termo 'dislexia' foi cunhado em 1887 por Rudolf Berlin, um oftalmologista de Stuttgart, Alemanha. Ele usou o termo para se referir a um jovem que apresentava grande dificuldade no aprendizado da leitura e escrita, ao mesmo tempo, em que apresentava habilidades intelectuais normais em todos os outros aspectos (WIKIPDIA, 2010).

Em 1896, W. Pringle Morgan, um fsico britnico de Seaford, na Inglaterra, publicou uma descrio de uma desordem especfica de aprendizado na leitura no British Medical Journal, intitulado "Congenital Word Blindness". O artigo descreve o caso de um menino de 14 anos de idade que no havia aprendido a ler, demonstrando, contudo, inteligncia normal e que realizava todas as atividades comuns de uma criana dessa idade (WIKIPDIA, 2010).

Durante as dcadas de 1890 e incio de 1900, James Hinshelwood, oftalmologista escocs, publicou uma srie de artigos nos jornais mdicos descrevendo casos similares (WIKIPDIA, 2010).

Um dos pesquisadores principais a estudar a dislexia foi Samuel T. Orton, um neurologista que trabalhou inicialmente em vtimas de traumatismos. Em 1925, Orton conheceu o caso de um menino que no conseguia ler e que apresentava sintomas parecidos aos de algumas vtimas de traumatismo. Orton estudou as dificuldades de leitura e concluiu que havia uma sndrome no correlacionada a traumatismos neurolgicos que provocava a dificuldade no aprendizado da leitura. Orton chamou essa condio por strephosymbolia (com o significado de 'smbolos trocados') para descrever sua teoria a respeito de indivduos com dislexia. Orton observou tambm que a dificuldade em leitura, aparentemente, no estava correlacionada com dificuldades estritamente visuais. Ele acreditava que essa condio era causada por uma falha na lateralizao do crebro. A hiptese, referente especializao dos hemisfrios cerebrais de Orton, foi alvo de novos estudos pstumos na dcada de 1980 e 1990, estabelecendo que o lado esquerdo do planum temporale, uma regio cerebral associada ao processamento da linguagem fisicamente maior que a regio direita nos crebros de pessoas no dislxicas; nas pessoas dislxicas, contudo, essas regies so simtricas ou mesmo ligeiramente maior no lado direito do crebro (WIKIPDIA, 2010).

A dislexia costuma ser identificada nas salas de aula durante o processo de alfabetizao, sendo comum provocar uma defasagem inicial de aprendizado.

Diante disso, os objetivos deste trabalho so: compreender o conceito de dislexia e suas implicaes no desenvolvimento da aprendizagem do educando, abordando suas causas e sintomas facilitando, assim, seu diagnstico inicial; sugerir os procedimentos que a escola deve seguir para trabalhar com o aluno dislxico e, por fim, apresentar sugestes para ajudar a criana dislxica no convvio familiar e escolar.

Para um melhor entendimento, o trabalho est estruturado em quatro segmentos: inicialmente ser abordado o conceito de Dislexia, onde ser apresentada sua classificao e a legislao nacional sobre o tema. Num segundo momento sero abordados os principais sinais e sintomas para identificar a dislexia. Em seguida, trataremos da incluso escolar do dislxico no espao escolar, mostrando a necessidade da escola estar preparada para receber esse pblico, que necessita de professores capacitados, que possam efetivamente lidar com suas necessidades, criando metodologias eficientes, respeitando a individualidade de cada um. Logo aps, foi abordado a questo da dislexia no contexto familiar, a relevncia do papel que a famlia desempenha na vida de um dislxico, respeitando seus limites e valorizando suas potencialidades. Por fim, tm-se as consideraes finais.

O presente artigo, visa ajudar aos professores no trabalho cotidiano do aluno com dislexia, contribuindo com informaes e metodologias voltadas para a incluso do aluno dislxico em turmas regulares, assegurando uma formao de qualidade, sem qualquer discriminao e, consequentemente, facilitando sua vida acadmica.

1.Conceito de Dislexia

De acordo com a Associao Brasileira de Dislexia, a definio tem origem no grego e no latim, DIS distrbio, LEXIA - (do latim) leitura; (do grego) linguagem, portanto dislexia significa dificuldades apresentadas na leitura e escrita.

A definio mais usada na atualidade a do Comit de Abril de 1994, da International Dyslexia Association - IDA, que diz:

Dislexia um dos muitos distrbios de aprendizagem. um distrbio especfico da linguagem, de origem constitucional, caracterizado pela dificuldade de decodificar palavras simples. Mostra uma insuficincia no processo fonolgico. Estas dificuldades de decodificar palavras simples no so esperadas em relao a idade. Apesar de submetida a instruo convencional, adequada inteligncia, oportunidade scio-cultural e no possuir distrbios cognitivos e sensoriais fundamentais, a criana falha no processo de aquisio da linguagem. A dislexia apresentada em vrias formas de dificuldade com as diferentes formas de linguagem, freqentemente includas problemas de leitura, em aquisio e capacidade de escrever e soletrar.

A dislexia no uma doena, um distrbio de aprendizagem congnito que interfere de forma significativa na integrao dos smbolos lingusticos e perceptivos. Acomete mais o sexo masculino que o feminino, numa proporo de 3 para 1 (ALMEIDA, s/d).

As pessoas dislxicas apresentam um funcionamento peculiar do crebro para os procedimentos lingusticos relacionados leitura, tendo dificuldade de associao do smbolo grfico, com o som que elas representam e organiz-las, mentalmente, numa sequncia temporal. O dislxico no consegue reconhecer imediatamente a palavra: Diante disso, a dificuldade na compreenso dos textos.

Esse transtorno de aprendizagem um dos grandes obstculos nas salas de aulas brasileiras que impedem o pleno desenvolvimento da leitura e da escrita de milhares de crianas que esto em fase de alfabetizao. Mas, necessrio chamar ateno, que nem todas as crianas que apresentam dificuldades na leitura e escrita, so dislxicas, em muitos casos a deficincia da prpria escola.

Border (1973) classifica a dislexia como sendo disfontica, diseidtica e mista. Mattis (1975) classifica-as como dislexia com alteraes primria da linguagem, dislexia com transtorno articulatrio grafomotor e dislexia com transtorno visoperceptivo.

Outra classificao apresentada por Almeida distingue a dislexia em trs tipos:

DISLEXIA ACSTICA: manifesta-se na insuficincia para a diferenciao acstica (sonora ou fontica) dos fonemas e na anlise e sntese dos mesmos, ocorrendo omisses, distores, transposies ou substituies de fonemas. Confundem-se os fonemas por sua semelhana articulatria.

DISLEXIA VISUAL: Ocorre quando h impreciso de coordenao viso-especial manifestando-se na confuso de letras com semelhana grfica. No temos dvida que o primeiro procedimento dos pais e educadores levar a criana a um mdico oftalmologista.

DISLEXIA MOTRIZ: evidencia-se na dificuldade para o movimento ocular. H uma ntida limitao do campo visual que provoca retrocessos e principalmente intervalos mudos ao ler.

Cabe destacar, que a dislexia uma condio hereditria com alteraes genticas, apresentando ainda alteraes no padro neurolgico. Existem muitos mitos sobre a dislexia que precisam ser abandonados. A dislexia no o resultado de m alfabetizao, desateno, desmotivao, condio scio-econmica ou baixa inteligncia.

A dislexia tambm pode ser adquirida, quando uma pessoa tiver um traumatismo craniano, doenas neurolgicas graves ou problemas emocionais severos, ela poder apresentar um grande transtorno em sua aprendizagem e consequentemente na leitura, mas com causa evidente.

Por ser caracterizada por muitos fatores que o diagnstico da dislexia deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar. Para que seja possvel oferecer condies de um acompanhamento mais efetivo das dificuldades aps o diagnstico, direcionando-o s particularidades de cada indivduo, levando a resultados mais concretos. Esse diagnstico de grande relevncia para nortear o trabalho do professor, como tambm ajuda na relao familiar da criana dislxica.

A criana com dislexia, est amparada na legislao brasileira sobre a gide da Lei 8.069, de 13 de julho de 1990 (ECA), da Lei 9.394/96 (LDB), da Lei 10.172 de 9 de janeiro de 2001 - Plano Nacional de Educao - Captulo 8 - Da Educao Especial e do Parecer CNE/CEB n 17/2001 / Resoluo CNE/CEB n 2, de 11 de setembro de 2001.

Na Lei 8.069, de 13 de julho de 1990 (ECA) - artigo 53, incisos I, II e III:

a criana e o adolescente tm direito educao, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exerccio da cidadania e qualificao para o trabalho, assegurando-se-lhes: I igualdade de condies para o acesso e permanncia na escola; II direito de ser respeitado pelos seus educadores; III direito de contestar critrios avaliativos, podendo recorrer s instncias escolares superiores.

Na Lei 9.394/96 (LDB):

Art. 12 - Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, tero a incumbncia de: I - elaborar e executar sua Proposta Pedaggica; V - prover meios para a recuperao dos alunos de menor rendimento.

Art. 13 - Os docentes incumbir-se-o de:III, zelar pela aprendizagem dos alunos; IV, estabelecer estratgias de recuperao para os alunos de menor rendimento.

Art. 23 - A educao bsica poder organizar-se em sries anuais, perodos semestrais, ciclos, alternncia regular de perodos de estudos, grupos no seriados, com base na idade, na competncia e em outros critrios, ou por forma diversa de organizao, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar.

Art. 24, V, a) avaliao contnua e cumulativa; prevalncia dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do perodo

Lei 10.172 de 9 de janeiro de 2001 - Plano Nacional de Educao - Captulo 8 - da Educao Especial:

8.2 - Diretrizes

A educao especial se destina a pessoas com necessidades especiais no campo da aprendizagem, originadas quer de deficincia fsica, sensorial, mental ou mltipla, quer de caractersticas como de altas habilidades, superdotao ou talentos.

(...)

A integrao dessas pessoas no sistema de ensino regular uma diretriz constitucional (art. 208, III), fazendo parte da poltica governamental h pelo menos uma dcada. Mas, apesar desse relativamente longo perodo, tal diretriz ainda no produziu a mudana necessria na realidade escolar, de sorte que todas as crianas, jovens e adultos com necessidades especiais sejam atendidos em escolas regulares, sempre que for recomendado pela avaliao de suas condies pessoais. Uma poltica explcita e vigorosa de acesso educao, de responsabilidade da Unio, dos Estados e Distrito Federal e dos Municpios, uma condio para que s pessoas especiais sejam assegurados seus direitos educao. Tal poltica abrange: o mbito social, do reconhecimento das crianas, jovens e adultos especiais como cidados e de seu direito de estarem integrados na sociedade o mais plenamente possvel; e o mbito educacional, tanto nos aspectos administrativos (adequao do espao escolar, de seus equipamentos e materiais pedaggicos), quanto na qualificao dos professores e demais profissionais envolvidos. O ambiente escolar como um todo deve ser sensibilizado para uma perfeita integrao. Prope-se uma escola integradora, inclusiva, aberta diversidade dos alunos, no que a participao da comunidade fator essencial. Quanto s escolas especiais, a poltica de incluso as reorienta para prestarem apoio aos programas de integrao.

(...)

Requer-se um esforo determinado das autoridades educacionais para valorizar a permanncia dos alunos nas classes regulares, eliminando a nociva prtica de encaminhamento para classes especiais daqueles que apresentam dificuldades comuns de aprendizagem, problemas de disperso de ateno ou de disciplina. A esses deve ser dado maior apoio pedaggico nas suas prprias classes, e no separ-los como se precisassem de atendimento especial.

Parecer CNE/CEB n 17/2001 / Resoluo CNE/CEB n 2, de 11 de setembro de 2001.

O quadro das dificuldades de aprendizagem absorve uma diversidade de necessidades educacionais, destacadamente aquelas associadas a: dificuldades especficas de aprendizagem como a dislexia e disfunes correlatas; problemas de ateno, perceptivos, emocionais, de memria, cognitivos, psicolingsticos, psicomotores, motores, de comportamento; e ainda h fatores ecolgicos e socioeconmicos, como as privaes de carter sciocultural e nutricional.

O dislxico j rompeu muitas barreiras na sua luta contra discriminao, para ser tratado de forma "normal", tendo respeitado sua limitaes e individualidades, mas muita coisa ainda precisa ser modificada principalmente na rea educacional.

2 Principais sinais e sintomas encontrados no dislxico

Segundo a ABD, como a dislexia gentica e hereditria, se a criana possuir pais ou outros parentes dislxicos quanto mais cedo for realizado o diagnstico melhor para os pais, escola e prpria criana. A criana poder passar pelo processo de avaliao realizada por uma equipe multidisciplinar especializada, mas se no houver passado pelo processo de alfabetizao o diagnstico ser apenas de uma "criana de risco".

Alguns sinais e sintomas podem ser observados desde cedo, so dados primrios que no so suficientes para fechar um relatrio definitivo, mas servem como premissa para detectar se a criana dislxica.

A ABD atenta para os seguintes sintomas:

Haver sempre:

dificuldades com a linguagem e escrita ;

dificuldades em escrever;

dificuldades com a ortografia;

lentido na aprendizagem da leitura;

Haver muitas vezes :

disgrafia (letra feia);

discalculia, dificuldade com a matemtica, sobretudo na assimilao de smbolos e de decorar tabuada;

dificuldades com a memria de curto prazo e com a organizao;

dificuldades em seguir indicaes de caminhos e em executar sequncias de tarefas complexas;

dificuldades para compreender textos escritos;

dificuldades em aprender uma segunda lngua.

Haver s vezes:

dificuldades com a linguagem falada;

dificuldade com a percepo espacial;

confuso entre direita e esquerda.

Na fase escolar, necessrio atentar para saber se a criana continua apresentando alguns ou vrios dos sintomas a seguir, para que seja realizado um diagnstico e acompanhamento adequado, para dar seguimento nos estudos junto com os demais colegas tendo menos prejuzo emocional:

Dificuldade na aquisio e automao da leitura e escrita;

Pobre conhecimento de rima (sons iguais no final das palavras) e aliterao (sons iguais no incio das palavras);

Desateno e disperso;

Dificuldade em copiar de livros e da lousa;

Dificuldade na coordenao motora fina (desenhos, pintura) e/ou grossa (ginstica, dana,etc.);

Desorganizao geral, podemos citar os constantes atrasos na entrega de trabalhos escolares e perda de materiais escolares;

Confuso entre esquerda e direita;

Dificuldade em manusear mapas, dicionrios, listas telefnicas, etc...

Vocabulrio pobre, com sentenas curtas e imaturas ou sentenas longas e vagas;

Dificuldade na memria de curto prazo, como instrues, recados, etc...

Dificuldades em decorar sequncias, como meses do ano, alfabeto, tabuada, etc..

Dificuldade na matemtica e desenho geomtrico;

Dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomias);

Troca de letras na escrita;

Dificuldade na aprendizagem de uma segunda lngua;

Problemas de conduta como: depresso, timidez excessiva ou o 'palhao'' da turma;

Bom desempenho em provas orais.

Caso a criana no tenha tido um acompanhamento adequado na fase escolar ou pr-escolar, quando adulto os sintomas da dislexia continuaro acarretando uma srie de prejuzos emocionais, tendo como consequncia: depresso, ansiedade, auto-estima baixa, promovendo ainda perdas na vida profissional e social.

Segundo Braggio (2006) O diagnstico de dislexia traz quase sempre indicao para acompanhamento especfico em uma ou mais reas profissionais (fonoaudiologia, psicologia, psicopedagogia...), de acordo com o tipo e nvel de dislexia constatados. Assim sendo, a escola procura assegurar, desde logo, os canais de comunicao com o(s) profissional(is) envolvido(s), tendo em vista a troca de experincias e de informaes.

3 O dislxico e a escola

A escola desempenha um papel fundamental no trabalho com os alunos que apresentam dificuldades de linguagem e escrita, tendo em vista que no ambiente escolar que os sinais da dislexia comeam a ser percebidos, pois o local onde a leitura e a escrita so permanentemente utilizadas e, sobretudo, valorizadas.

Braggio (2006) aponta que:

A experincia tem demonstrado a necessidade de se manter a comunidade educativa permanentemente informada a respeito da dislexia. Informaes sobre eventos que tratam do assunto e seus resultados, desempenho dos alunos portadores de dislexia, caractersticas da sndrome, maneiras de ajudar o aluno dislxico na escola, etc.

(...)

No necessrio que alunos dislxicos fiquem em classe especial. Alunos dislxicos tm muito a oferecer para os colegas e muito a receber deles. Essa troca de humores e de saberes, alm de afetos, competncias e habilidades s faz crescer a amizade, a cooperao e a solidariedade

Diante disso, percebemos a necessidade da comunidade escolar manter-se constantemente informada sobre a dislexia, como forma de assegurar uma educao de qualidade, garantindo aos mesmo um espao apropriado para troca de experincias, onde sintam-se a vontade e no tenha constrangimentos de suas limitaes. importante que o professor desenvolva metodologias que possam integrar os alunos dislxicos com os demais colegas, facilitando assim o seu trabalho.

A Associao Nacional de Dislexia, aponta algumas sugestes para ajudar o professor a trabalhar com a criana dislxica, tendo em vista que a criana sente a necessidade de se sentir segura e aceita pelos professores e colegas.

Segundo a AND o dislxico tem uma histria de fracassos e cobranas que o fazem sentir-se incapaz. Motiv-lo, exigir de ns mais esforo e disponibilidade do que dispensamos aos demais; no receie que seu apoio ou ateno v acomodar o aluno ou faz-lo sentir-se menos responsvel. Depois de tantos insucessos e auto-estima rebaixada, ele tende a demorar mais a reagir para acreditar nele mesmo;

A Associao Nacional de Dislexia prope que para melhorar a auto-estima dos dislxicos preciso: Incentivar o aluno a restaurar a confiana em si prprio, valorizando o que ele gostae faz bem feito; ressaltar os acertos, ainda que pequenos, e no enfatizar os erros; valorizar o esforo e interesse do aluno; atribuir-lhe tarefas que possam faz-lo sentir-se til; evitar usar a expresso "tente esforar-se" ou outras semelhantes, pois o que ele faz o que ele capaz de fazer no momento; falar francamente sobre suas dificuldades sem, porm, faz-lo sentir-se incapaz, mas auxiliando-o a super-las; respeitar o seu ritmo, pois a criana com dificuldade de linguagem tem problemas de processamento da informao. Ela precisa de mais tempo para pensar, para dar sentido ao que ela viu e ouviu. Um professor pode elevar a auto-estima de um alunoestando interessado nele como pessoa.

Para o desenvolvimento efetivo da aprendizagem a AND sugere o monitoramento das atividades. Certifique-se de que as tarefas de casa foram compreendidase anotadas corretamente; certifique-se de que seu aluno pode ler e compreender o enunciado ou a questo. Caso contrrio, leia as instrues para ele; leve em conta as dificuldades especficas do aluno e as dificuldades da nossa lngua quando corrigir os deveres; estimule a expresso verbal do aluno; d instrues e orientaes curtas e simples que evitem confuses; d "dicas" especficas de como o aluno pode aprender ou estudar a sua disciplina; oriente o aluno sobre como organizar-se no tempo e no espao; no insista em exerccios de fixaorepetitivos e numerosos, pois isso no diminui a sua dificuldade; d explicaes de "como fazer"sempre que possvel, posicionando-se ao seu lado; utilize o computador, mas certifique-se de que o programa adequado ao seu nvel. Crianas com dificuldade de linguagem so mais sensveis s crticas, e o computador, quando usado com programas que emitem sons estranhos cada vez que a criana erra, s reforar as idias negativas que elas tm de si mesmas e aumentar sua ansiedade; permita o uso de gravador; esquematize o contedo das aulasquando o assunto for muito difcil para o aluno. Assim, o professor ter a garantia de que ele est adquirindo os principais conceitos da matria atravs de esquemas claros e didticos; no insista para que o aluno leia em voz alta perante a turma, pois ele tem conscincia de seus erros. A maioria dos textos de seu nvel difcil para ele.

Tendo em vista que a criana dislxica tem problemas na leitura e escrita, consequentemente ela apresentar dificuldades no processo avaliativo, acerca disso a AND, aponta as seguintes recomendaes que, ao elaborar, aplicar e corrigir as avaliaes do aluno dislxico, especialmente as realizadas em sala de aula, adote os seguintes procedimentos:

Leia as questes/problemas junto com o aluno, de maneira que ele entenda o que est sendo perguntado;

Explicite sua disponibilidade para esclarecer-lhe eventuais dvidas sobre o que est sendo perguntado;

D-lhe tempo necessrio para fazer a prova com calma;

Ao recolh-la, verifique as respostas e, caso seja necessrio, confirme com o aluno o que ele quis dizer com o que escreveu, anotando sua(s) resposta(s);

Ao corrigi-la, valorize ao mximo a produo do aluno, pois frases aparentemente sem sentido e palavras incompletas ou gramaticalmente erradas no representam conceitos ou informaes erradas;

Vocpode e deverealizar avaliaes orais tambm.

O zelo pela aprendizagem passa pela recuperao daqueles que tm dificuldade de assimilar informaes, sejam por limitaes pessoais ou sociais. Da, a necessidade de uma educao dialgica, marcada pela troca de idias e opinies, de uma conversa colaborativa em que no se cogita o insucesso do aluno (MARTINS, 2001).

3 O dislxico e a famlia

de grande importncia a atitude da famlia para ajudar no diagnstico e tratamento da dislexia, tendo em vista que a partir das observaes feita pelos pais possvel viabilizar um tratamento mais especfico para possibilitar a essa criana um desenvolvimento pleno, tanto na esfera educacional como social. A famlia deve descobrir tudo que voc puder sobre o desempenho de seu filho para prestar um melhor acompanhamento, buscando tambm um o profissional adequado para ajud-lo.

A AND aponta algumas sugestes para que a famlia possa ajudar a criana dislxica. Eis algumas:

SEJA PACIENTE E PERSEVERANTE

Tente desenvolver um bom relacionamento com seus professores e discuta se possvel o problema com eles.

Sempre se pergunte: "O que eu estou fazendo: estou ajudando meu filho ou somente estou dando vazo minha frustrao?"

Tente ficar calmo ao receber alguma notificao escolar.

Ensine seu filho a fazer coisas por si prprio, dando-lhe autonomia.

Ensine a ele como se organizar, usando seu tempo da melhor maneira.

Seja paciente com os progressos que ele fizer, quando estiver tendo atendimento apropriado. No vo acontecer milagres. Tudo isto leva tempo. necessrio muita determinao e esforo.

SEJA ATENTO

Ele poder ter muitos desapontamentos como: ser chamado de bobo ou preguioso, chegar atrasado em compromissos, ter frustraes nos trabalhos escolares. Mas vocs como pais podem ajud-lo a vencer a maioria deles, desde que percebam a tempo. Preste ateno nos sinais de stress, como enurese ou introverso. No pense que necessariamente todos esses sinais so por causa da dislexia. Seu filho est crescendo e pode ter problemas como qualquer adolescente. Tem que haver uma interveno gentil, mas com firmeza.

Vrios professores, psiclogos, clnicos e outros profissionais, de alguma maneira compreendem e so solidrios aos dislxicos.

No o deixe desistir.

Ele poder ficar to cansado com o esforo que faz na escola, que precisar, eventualmente, ter um dia mais folgado.

Sua criana dislxica e depende muito de sua ateno. Mas no d mais ateno a ela do que aos outros membros da famlia.

Nunca compare crianas.

Voc pode se tornar neurtico(a) ou super protetor(a), o que um perigo.

SEJA PRTICO

Qualquer que seja a idade de seu filho, leia para ele. Muitos dislxicos no compreendem o que esto lendo e quando voc deve agir.

Digite suas anotaes escolares.

Algumas matrias podem ser gravadas em fita cassete.

Desenvolva o interesse dele por arte de um modo geral ( teatro, arte e msica ).

Assista TV, vdeos com ele e depois converse sobre o que viram.

Incentive as atividades livres.

Elogie, motive, informe e estimule sua auto confiana e sua auto-estima.

BOTES E LAOS

No simples ensin-los a amarrar cordes em sapatos e a abotoar.

Sapatos sem cadaros com elstico, ou velcro, podem diminuir o problema, apesar no o resolver.

Uma pessoa canhota, exercita tarefas de maneira diferente da pessoa destra. Por isso se voc e seu filho no usam o mesmo lado das mos (a mesma lateralidade), voc deve ensinar essas tarefas em frente a ele. Caso vocs usem o mesmo lado, isto , ambos so destros ou ambos so canhotos, voc deve ficar atrs dele para ensin-lo.

Para ensinar a abotoar, sempre comece da parte inferior do boto e no em cima, pois fica embaixo de seu queixo e ele no poder ver bem.

Explique criana o que voc est fazendo, enquanto est executando a tarefa.

Por fim, perceptvel a funo primordial da famlia para ajudar o dislxico a conquistar sua autonomia pessoal, intelectual e social, sempre incentivando-o, elevando sua auto-estima, ajudando a criana a entender sua limitaes, mas tambm, mostrando que o mesmo capaz de realizar qualquer atividade.

Consideraes finais

Sabe-se que as causas de alteraes de linguagem e de dificuldades de aprendizagem podem ser variadas, apesar de existirem muitos estudos indicando fatores neurolgicos para tais problemas.

Diante disso, necessrio ter conhecimento acerca da dislexia como forma de prestar um atendimento qualificado para o aluno dislxico, para que seu desenvolvimento educacional e pessoal seja bem conduzido, atravs de uma equipe multidisciplinar formada por profissionais da rea de sade e de educao, em conjunto com a famlia.

preciso, pois, que o professor reconhea a necessidade de renovaes no processo de ensino que possa instaurar novas formas de aprendizagem, desenvolvendo aes pedaggicas que levem os alunos dislxicos a desenvolver suas potencialidades individuais. A meta a ser atingida ser o desenvolvimento da capacidade do aluno em adequar suas limitaes realidade educacional.

O papel do professor dirigir um olhar flexvel para cada aluno que tenha dificuldade, compreender a natureza dessas dificuldades, buscar um diagnstico especializado, uma orientao para melhorar o dia-a-dia da criana, e se instrumentalizar, pois h muitos professores que lecionam e no sabem o que dislexia.

Os professores precisam ser capacitados para trabalhar com essas crianas, j que requerem muita calma e pacincia, pois eles sero mais lento que os demais no desenvolvimento das atividades, necessitando de mais tempo para ele fazer a prova, copiar a matria da lousa, resolv-la. Alm disso, necessrio usar de diferentes estratgias com estes alunos, para que eles consigam compreender o contedo: o uso de materiais estimulantes e interessantes, os quais ele possa ver sentir, ouvir, manusear, etc.: jogos, cartazes, histrias em CD, material dourado, etc., buscando ensin-lo da maneira como ele entender melhor o contedo proposto mesmo que seja atravs de uma brincadeira onde tudo seja realizado na oralidade.

A escola ainda no est preparada para receber o aluno dislxico uma vez que o professor no teve uma formao acadmica para trabalhar com este aluno. A escola no possui recursos didticos adequados para o aprendizado deles. Nota-se que o diagnstico precoce pode oferecer ao aluno subsdio para que ele construa perspectivas de sucesso em todos os aspectos de sua vida.

No h um mtodo, uma cartilha, uma receita, para trabalhar com alunos dislxicos. Assim sendo, preciso mais tempo e mais ocasies para a troca de informaes sobre os alunos, planejamento de atividades e elaborao de instrumentais de avaliao especficos. Atualmente, depois desses anos de prtica, temos professores que j criaram uma metodologia prpria para lidar com os dislxicos. Os que vo trabalhando com eles nas sries seguintes j os conhecem das anteriores e sabem como agir com eles; isso parece facilitar, e muito, o trabalho.

Bibliografia

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BRAGGIO, Mario Angelo. A incluso do dislxico na escola. Disponvel em: < www.dislexia.org.br/material/estudantes/inclusao_dislexico.doc>. Acessado em: 11 ago 2010

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MARTINS, Vicente. Dislexia e educao especial no Brasil. Disponvel em: . Acessado em: 11 ago 2010.

MELO, Maria Conceio Gomes de. Dislexia: comprometimento no ensino fundamental. Disponvel em < http://melofreud.blogspot.com /2009/08/ monografia-dislexia-comprometimento-no.html>. Acessado em: 11 ago 2010.

MORAIS, Antonio Manuel Paplona. Distrbios de Aprendizagem: Uma abordagem psicopedaggica. 12. ed. So Paulo: Edicom, 2006.

[1] Alunas do Curso de Especializao em Psicopedagogia, das Faculdades Integradas de Patos. Trabalho de Concluso de Curso.

DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM: A DISLEXIA EM QUESTO

Por: RANILDA

Perfil do Autor

Maria Ranilda Duarte Rodrigues, professora da rede estadual e municipal de ensino da cidade de Uirana - PB. Especialista em psicopedagogia pela FIP e em Metodologia do Ensino pela FASP.

Samara Izabel Dantas de Olivera, professora da rede municipal de ensino da cidade de Uirana-PB. Especialista em psicopedagogia. (Artigonal SC #3287876)

Fonte do Artigo - http://www.artigonal.com/educacao-artigos/dificuldade-de-aprendizagem-a-dislexia-em-questao-3287876.html




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