Board logo

subject: A campanha pautada pela mídia [print this page]


A campanha pautada pela mdia
A campanha pautada pela mdia

16 de setembro de 2010, da Vila Setembrina de farrapos trados por latifundirios e mentirosos na omisso da epopia missioneira, Bruno Lima Rocha

Se agosto o ms do desgosto e este correra em gua morna, setembro fez-se presente, reavivando o que antes eu afirmei nesta publicao ser o esprito da UDN em busca de um salvador "mar de lama" a quem acusar. Existente ou no, o estilo lacerdista aflorou e o ex-governador de So Paulo comea a atuar como Serra, vindo com tudo. Meu argumento parte de um fato contumaz. Nesta disputa eleitoral so as empresas jornalsticas que pautam os temas da campanha e no ao revs.

Como o acaso no o fator determinante na poltica, exponho algumas dvidas de fundo quanto aos tempos de produo jornalsticos empregados. Para mim, o intrigante nestas peas de acusao moral (a localizada na Receita e agora, mais recentemente, na Casa Civil) atravs de canhes miditicos, sua temporalidade. Traduzindo. Ocorrendo o escndalo da quebra de dados sigilosos em abril e setembro de 2009, porque os mesmos se tornam munio de campanha agora? Poderamos afirmar o fato miditico como "requentado"? Vejamos o caso dos dados sigilosos. Se a quebra de sigilo corriqueira (podendo ser comprados em camels do Centro de So Paulo) e sendo atingidos no episdio a quase duas centenas de brasileiros, porque os nomes elencados como "alvos" so os do alto tucanato ou parentes do candidato do PSDB? Outra possibilidade, digna de um livro-reportagem do genial jornalista argentino Rodolfo Walsh, supor a manobra inversa. Esta parte da premissa que teria havido a quebra de sigilo intencional por motivos polticos. E, para forjar o argumento de uma estria cobertura, atingem nomes de gente vinculada e annimos, como possibilidade de manobra diversionista, cobrindo os rastros eleitorais. A conjectura acima algo perfeitamente possvel e, segundo qualquer manual de inteligncia, tal fato mais que comum. A nica evidncia de que os acusados de haver violado os sigilos fiscais so ou foram filiados ao PT. J os reais mandantes, se que existe um ou mais coordenadores da ao, estes continuam encobertos.

No entro no mrito se h ou no critrio de relevncia da notcia, porque o tema importante. Assim como tem relevncia e impacto a suposio de possibilidades de trfico de influncia a partir de relaes familiares por dentro da Casa Civil, sendo esta denncia matria de capa de Veja, edio de 11 de setembro de 2010 e com a manchete "O polvo no poder". O que coloco em debate a temporalidade desta pauta. Qualquer pessoa no leiga em comunicao e poltica sabe que os enunciados, antes de virem a pblico, so fruto de larga negociao e relaes de fora. Que o diga a Operao Castelo de Areia! Soa no mnimo "curioso" estarem estas pautas em manchetes garrafais justamente no momento em que Dilma apontava para a vitria j em primeiro turno. Tambm transparece a mesma "curiosidade" o fato da matria de capa da revista semanal Carta Capital, edio nmero 613, com o ttulo "Quem bisbilhota quem" no ter tido a mesma repercusso nos telejornais. At pode ser alegado que o impacto da revista semanal do grupo Abril no meio do jornalismo profissional maior do que a publicao de Mino Carta. Mas, prefiro a hiptese de que a proximidade das linhas editoriais e preferncias polticas (porque todos ns as temos) seja o critrio de definio dos textos de escalada dos noticirios televisivos e das manchetes em mdia impressa e eletrnica.

Concluo com algumas evidncias. Ambos os lados tm episdios nebulosos em seus governos e aliados comuns mais do que comprometedores. Diante disso, a gravidade dos fatos perde seu poder de chocar. Isto se d por trs razes. Primeiro, porque as campanhas so personalistas, no h instrumento de identificao coletiva que ultrapasse a idia bsica da "turma da fulana" ou "turma do fulano". Segundo, boa parte dos fulanos e beltranos que foram governo tanto na Era FHC como agora no final dos oito anos de Lula, assim seguiro sendo, ganhe quem ganhar. Por fim, o eleitorado se comporta de forma pragmtica e, estando superado o ndice de rejeio, deixa as reputaes e a moral para um segundo plano.

www.estrategiaeanalise.com.br

http://twitter.com/estanalise

http://groups.google.com.br/group/estrategiaeanalise

Estratgia & Anlise: a poltica, a economia e a ideologia na ponta da adaga.

Expediente

Editor: Bruno Lima Rocha

Reviso, diagramao e envio: Lisandra Arezi

Correio: blimarocha@gmail.com

msn: blimarocha@hotmail.com

skype: bruno.lima.rocha

Agradecemos a publicao deste artigo, sempre citando a fonte e solicitamos o favor de enviar para nosso endereo eletrnico o LINK da pgina onde o texto foi reproduzido.

Gratos pela ateno

Estratgia & Anlise e Equipe

A campanha pautada pela mdia

Por: Bruno Lima Rocha

Perfil do Autor

Nascido em 14 de julho de 1972, carioca de origem e gacho por adoo, iniciou sua vida poltica ainda secundarista, em 1988. (Artigonal SC #3279691)

Fonte do Artigo - http://www.artigonal.com/politica-artigos/a-campanha-pautada-pela-midia-3279691.html




welcome to loan (http://www.yloan.com/) Powered by Discuz! 5.5.0