Board logo

subject: A linguagem e o sentido [print this page]


Este artigo tem por objetivo mostrar a relao entre linguagem e sentido, tendo como embasamento terico Gregolin e Foucault. Com base no sentido, sujeito e memria, que escreveu Gregolin, a linguagem est na confluncia entre a histria e a ideologia. Observamos que a palavra a materializao da linguagem interior e da conscincia, alm de ser elemento de posio privilegiada da comunicao na vida cotidiana. No podemos ver linguagem, sem fazermos uma relao com sentido ideolgico e vivencial, pois est diretamente ligada ao contexto e carrega um conjunto de significados que socialmente foram dados a ela. Deste modo uma palavra pode representar diferentes significados ao longo de sua histria e depende do contexto em que enunciada e dos sentidos dados pelo sujeito, o que torna a compreenso de uma palavra possvel, tambm a suposio do ouvinte, pois ao falarmos, damos uma entonao expressiva na voz e gestos, e expresses faciais.

A compreenso uma forma de dilogo, o significado das palavras vo alm do dicionrio, Bakhtin nos diz que, o que pronunciamos ou escutamos, no so palavras, mas so verdades ou mentiras, coisas boas ou ms, importantes ou triviais, agradveis ou desagradveis etc. A palavra vai sempre carregada de um contedo ou sentido ideolgico ou vivencial. Quanto mais tentamos pesquisar sobre a linguagem e o sentido, percebemos que h uma concordncia entre os autores, pois pode haver linguagem sem sentido, mas no sentido sem linguagem. A linguagem nas suas diferentes manifestaes corporal, escrita, musical e visual permite a narrao quando se constitui como experincia do sujeito, no momento que ouvimos uma msica o corpo descansa e o pensamento vai longe, isso ocorre porque a arte d outra visibilidade realidade, permitindo novos olhares, novas narrativas. A imaginao indispensvel tanto para o artista criar sua obra, como para o cientista fazer suas descobertas e invenes, se alimenta da realidade vivida e sentida.

Sem duvida a linguagem uma grande ferramenta e exerce inmeras funes, tem um lado prtico, funcional, utilitrio, mas no se limita a isto. A viso sistemtica da lngua, observando a fala de forma irrelevante foi posta em discusso, no final da dcada de 60, pra ser mais preciso na Frana, em uma conjuntura intelectual e poltica, em que as discusses sobre a lingstica eram de maneira mais ampla e de acordo com esses intelectuais da poca, a linguagem no poderia estar limitada ao sistema reducionista (Gregolin,2003). De certa forma as condies de produo do discurso esto relacionadas s relaes de poder e de lugar ocupado pelo sujeito do discurso e pelos interlocutores, o que nos leva a crer que a fora do discurso determinada pela posio social do falante. O discurso transpassa uma exterioridade da linguagem e abarca elementos ideolgicos e sociais, entendemos portanto que o discurso a materializao da linguagem e traz consigo as manifestaes ideolgicas de ordem scio-histrica anunciadas pelos sujeitos do discurso, por esse motivo que a AD se situa em trs campos do saber cientfico: a Lingustica, para esclarecer os processos da enunciao; o Materialismo Histrico, para explicar os fenmenos sociais e o assujeitamento pela ideologia; e a Psicanlise que explica a subjetividade e a relao do sujeito com o simblico.

O signo uma arena privilegiada da luta de classes, por isso, no se pode dizer o que se quer quando se ocupa um determinado lugar social, pois este exige um emprego de certas representaes e a excluso de outras. Gregolin diz, " se temos hoje um sentido para dada coisa porque houve um processo que o cimentou e organizou a excluso do sem-sentido" (2001). O sentido de um enunciado numa determinada formao discursiva varia de acordo com o lugar ideolgico e a posio ocupada pelo sujeito. Compreendemos ento, que a formao discursiva no pode ser definida apenas como aquilo que pode ou deve ser dito num determinado enunciado e espao, mas tambm deve ser levado em considerao o que no pode ou no deve ser dito, num determinado contexto de enunciao. Vemos dessa forma, que as formaes discursivas no devem ser consideradas isoladamente, mas partindo da viso de que elas interagem entre si, j que o discurso produzido em meio a sua relao com o outro.

Na tica da Anlise do Discurso, a linguagem no se limita a comunicar e a transmitir informao, bem mais que isso, ela tambm serve para no comunicar. A linguagem o lugar de conflitos e confrontos, ela s pode ser apanhada no processo de interao social, no h nela um repouso confortante do sentido estabilizado. O sentido est inserido na ordem do discurso, basta descobrirmos as regras de sua formao para tornar evidente a polifonia que fez dela um n de significncia. Mas a polissemia afronta os sentidos reais, rasgando a mscara que esconde a heterogeneidade. Por isso, todo sentido cristalizado deixa entrever um rastro do jogo do poder que o instaurou nas malhas da linguagem. No estudo da linguagem, no podemos separar a linguagem das condies sociais que a produziram, pois so as condies que evidenciam o sentido. Foucault (1999) esclarece que a produo do discurso controlada, selecionada, organizada e distribuda, a fim de que seus "perigos e poderes" sejam conjurados. A AD contra a ideia de imanncia do sentido. No pode haver um ncleo de significncia inerente palavra, porque a linguagem da qual o signo lingustico faz parte polissmica e heterclita. O signo no pode estar alienado de outros que com ele interagem. Entre o lingstico e o social, h num contexto mais amplo, relaes intrnsecas.

Como alapes, os textos capturam a infinidade dos sentidos em uma momentnea completude...Inserido na histria e na memria, cada texto nasce de um permanente dilogo com outros textos; por isso, no havendo como encontrar a origem, os sujeitos s podem enxergar os sentidos plenos (Gregolin, 2001, p. 10). Eis a razo pela qual o sentido alvo do poder, principalmente em sociedades cujos governos so autoritrios.

A Anlise do Discurso, mostra a relao que existe entra a produo do saber que naturaliza o sentido, com o poder que estabelece as regras da formao do referido saber. O que define de fato o sujeito o lugar de onde se fala. Foucault diz que "no importa quem fala, mas o que ele diz no dito de qualquer lugar" (2005, p. 139). Esse lugar um espao de representao social (pai, professor, mdico, motorista, etc.), que uma unidade apenas abstrata, pois, na prtica, atravessada pela disperso, temos o costume de ligar o indivduo a uma identidade, a nomear para familiarizar, generalizar para domesticar, sem darmos conta, somos consequncia da atuao de poderes mltiplos como famlia, escola, patronato, etc, que agem sobre nossas vidas para forjar representaes de subjetividade e impor formas de individualidades. Foi o que Foucault chamou de tcnicas de Si, ou seja, procedimentos que fixam, mantm e transformam a identidade, em funo de determinados fins.

O poder quem administra os saberes sobre o indivduo de maneira a projetar-lhes um perfil ideal, submetendo-os condies de serem passivos politicamente e ativos economicamente. isso que a AD chama de subjetivao, o poder cria sobre o sujeito para regul-lo. Portanto, no devemos ver a linguagem apenas centrada na lngua(abstrato e homogneo) mas , numa viso bem mais ampla, j que o processo de interao verbal se d por meio da produo do discurso, alm de tudo, num ato enunciativo, participamos de um jogo de imagens que criamos a respeito de nosso interlocutor e vice-versa, e a Teoria Lingustica Anlise do Discurso, teve papel predominante para que vejamos a linguagem hoje, no somente como cdigo, mas, sobretudo como prtica, relacionando-a com o sentido

A linguagem e o sentido

Por: jackeline Bandeira

Perfil do Autor

(Artigonal SC #3265871)

Fonte do Artigo - http://www.artigonal.com/ciencias-artigos/a-linguagem-e-o-sentido-3265871.html




welcome to loan (http://www.yloan.com/) Powered by Discuz! 5.5.0