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subject: O MITO DO GAÚCHO [print this page]


O mundo tem demonstrado, atravs dos tempos, uma necessidade de criao de mitos relacionados a temas religiosos, a processos de resgatar "imagens perdidas" e aspiraes diversas. A sociedade, praticamente sem se interrogar e questionar sobre a significao dos seus mitos, absorve signos, smbolos e esteretipos. Levando-se tambm em conta que um mito pode representar uma compensao, servir como substituto de uma realidade no aceita, ou ainda forjar um interesse, seria possvel, no caso do esteretipo do gacho, enquadr-lo como um mito?

H casos de mitos que existem sem que possamos precisar sua origem, pois sua formao no intencional. Neste caso, nunca houve a inteno inicial de se criar um mito, sendo a sociedade, o tempo e o inconsciente coletivo os responsveis pelo processo natural e gradativo da criao. Entretanto, h casos de mitos programados antecipadamente, ou seja, a mitificao artificial de coisas e pessoas com fins de conquistar a sociedade para interesses econmicos, polticos e sociais.

No caso do gacho, com o passar do tempo, muitas modificaes no modo de viver do foram observadas. Todas decorrentes das mudanas ocorridas no setor econmico, tais como o crescimento agrcola e industrial e a diminuio da atividade pastoril, esta a mais caracterstica do gacho. Assim, o substrato que sustentava o gacho "tradicional", e que o promovia, ruiu. O romantizado e bravo gacho teve de enfrentar outra realidade social e econmica.

A partir de ento, como um mecanismo de defesa, representantes de ideologias rurais e de identidades culturais feridas passaram a ver e propagar o gacho com caractersticas mticas e hericas dos "bons tempos" passados como discurso para sua sobrevivncia.

Em suma, se considerarmos como verdadeiro que haja um mecanismo de defesa dos representantes de interesses ideolgicos e saudosistas, e como tambm verdadeiro que haja uma defesa dos "bons tempos" como substituto de uma realidade atual no aceita, pode-se dizer que o esteretipo do gacho enquadrvel como um mito. Um caso tpico de mito forjado e programado artificialmente com o intuito de conquistar uma sociedade, que absorve smbolos sem questionamentos, para tentar justificar determinados interesses econmicos, polticos e sociais em processo de extino.

Prof. Hermes Edgar Machado Junior

Referncias e sugestes bibliogrficas:

"Ns, os Gachos", Sergius Gonzaga e Luis A. Fischer (coord.), Ed. da Universidade

"O Gacho", Carlos Reverbel, Ed. LPM

"RS: Cultura & Ideologia", Jos H. Dacanal e Sergius Gonzaga (coord.), Ed. Mercado Aberto

"Modelo Poltico dos Farrapos", Moacir Flores, Ed. Mercado Aberto

"Origem e Evoluo da Ideologia", Otto Alcides Ohlweiler, Ed. da Universidade

"Sociologia Geral", Eva Maria Lakatos, Ed. Atlas

"O Gacho a P", (um processo de desmitificao), Elizabeth R. Lara, Ed. Movimento e FISC

"Histria do Rio Grande do Sul", Danilo Lazzarotto, Ed. UNIJUI

"Rio Grande do Sul: 4 Sculos de Histria", Jlio Quevedo (org.), Martins Livreiro Editor

"O Homem e seus Smbolos", Carl G. Jung, Ed. Nova Fronteira

"Convite Filosofia", Marilena Chaui, Ed. tica

O MITO DO GACHO

Por: Prof. Hermes Edgar Machado Jr.

Perfil do Autor

Prof. HERMES EDGAR MACHADO JUNIOR (ISSARRAR BEN KANAAN) Temas relacionados espiritualidade universalista e ecltica, meditao, esperanto, hebraico, psicologia, filosofia, histria, arqueologia, naturismo e informtica (principalmente linux).

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Fonte do Artigo - http://www.artigonal.com/educacao-artigos/o-mito-do-gaucho-3259597.html




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