subject: Sadomasoquismo: O sadismo [print this page] No complexo terreno do comportamento sexual, difcil estabelecer a fronteira exata entre o "normal" e o "anormal". So conceitos que variam temporal, espacial e culturalmente. Para os antigos egpcios, o casamento entre irmos era um dever real com isso, mantinha-se a "pureza" do sangue nobre. Na Grcia Antiga, o homossexualismo era aceito e praticado livremente.
O sadismo a excitao ertica provocada pela imposio do sofrimento. A expresso origina-se do nome de um nobre francs do sculo XVIII, o Marqus de Sade. Ele passou a maior parte da vida na priso e, nos perodos de liberdade, freqentemente se envolvia em escndalos. Atravs de seus livros ele pedia maior tolerncia para os que, como ele, possuam "gostos estranhos". Chegou a propor a constituio de uma sociedade na qual todos teriam liberdade de praticar quaisquer formas de "desvios" sexuais os quais sentissem inclinao.
O sadismo manifesta-se pelo impulso de causar dor fsica e tambm humilhao. J o masoquista sente prazer em sentir dor e ser humilhado. Pode haver uma cominao em uma s personalidade sadomasoquista. O prprio Marqus de Sade era masoquista em certas ocasies, embora o elemento sdico fosse dominante. Casais que empregam fantasias sadomasoquistas, grilhes e espancamentos no ato sexual, freqentemente alternam seus papis.
O sdico incapaz de atingir a excitao sexual ou o orgasmo sem causar sofrimento ao parceiro sexual. O objetivo dominar inteiramente o companheiro. Ainda que consiga realizar o ato sexual, o sdico no se sente suficientemente estimulado para atingir o clmax se no causar dor e humilhao ao parceiro. Em contrapartida, h sdicos para os quais s o ato de causar crueldade j o bastante para provocar orgasmos.
Paradoxalmente, apesar do desejo de causar dor, o sdico quase nunca fere o parceiro. Quase todo o sadismo assemelha-se a uma fantasia como as crianas quando brincam de "mocinho" e "bandido". No o desejo de maltratar que o motiva, e sim de obter dominao sobre o parceiro.
Sadomasoquistas so tidos, em geral, como indivduos que no puderam conciliar duas tendncias igualmente fortes na infncia: independncia e proteo. Por isso no conseguem relacionar-se satisfatoriamente sem que se reproduzam o vnculo dominao-submisso, existente entre pais e filhos.
Mas ateno! O impulso ertico do homem que experimenta prazer ao aoitar sua companheira masoquista, no o mesmo impulso do homem que estupra e mata uma mulher. Embora o criminoso possa ter fantasias sdicas, seu comportamento um risco sociedade e deve ser combatido.
Por outro lado, existem elementos da conduta sdica encontrados, em grau varivel, em muitas pessoas. Para elas um certo grau de sadismo pode ser um elemento necessrio realizao sexual. Na verdade, o ato sexual em si contm certa agressividade natural. Morder, arranhar, beliscar e agarrar fazem parte da resposta humana ao estmulo sexual. So comportamentos naturais, que no tm nada de "desviante" e no pem em risco a sociedade.
Idealmente, a maioria das pessoas gosta de pensar que deve existir igualdade e reciprocidade na expresso sexual do amor. Mas alguns amantes no pensam assim e querem dominar seu parceiro.
Jonatas Dornelles Doutor em Antropologia Social e pesquisador dos temas de sociabilidade virtual, internet, consumo, cultura, cibercultura, comunidades virtuais e pesquisa de marketing. Mais informaes em seu site pessoal: http://jonatasdornelles.wordpress.com/ (Artigonal SC #3259565)