subject: EM FOCO: CURSO TV NA ESCOLA E OS DESAFIOS DE HOJE EM ALAGOAS [print this page] Introduo Introduo
Objetivo do Curso
O curso TV na Escola e os Desafios de Hoje foi criado atravs da parceria SEED/MEC e Unirede com o apoio das universidades vinculadas e das coordenaes estaduais, com objetivo de qualificar os educadores das escolas pblicas, no sentido de desenvolver e/ou despertar a viso reflexiva e crtica quanto s tecnologias de linguagens audiovisuais, com foco na televiso e no vdeo como ferramentas pedaggicas, inserindo-as no cotidiano escolar a partir do projeto poltico-pedaggico.
A iniciativa da criao do curso foi de grande relevncia, por buscar despertar no professor a importncia da leitura interpretativa das linguagens audiovisuais. Na medida em que o professor aprende a interpretar as mensagens televisivas, passa a ter conhecimento e discernimento do que est sendo veiculado, seleciona o que considera bom, adota postura crtica e pressupe-se que se torna exigente, cobrando melhor qualidade na programao da televiso, assim como tambm aproveita as mensagens boas e as ruins para trabalhar na sala de aula.
inevitvel no enfatizar a dimenso do objetivo geral do curso quanto qualificao do professor e a insero da TV e do vdeo na escola, a partir do desvendamento das linguagens audiovisuais, das contribuies que os meios podem oferecer ao processo de aprendizagem do aluno, no apenas como forma de motivao, de sensibilizao para trabalhar determinados contedos, mas tambm para aproximar a fala da escola fala do cotidiano. Com isso, a escola, atravs do professor, seu principal agente articulador do processo ensino e aprendizagem, deve fazer elo entre as questes discutidas na escola com o mundo real ou fictcio retratado pela televiso, mdia to prxima do aluno e da qual o professor pode lanar mo visando desenvolver a capacidade de analisar, criticar e se posicionar, condio fundamental para construo da cidadania.
A formao de professores para utilizar linguagens audiovisuais proporciona aos educadores conceberem a televiso e o vdeo como ferramentas pedaggicas, tendo-as como objeto de estudo no decorrer do curso.
A televiso um dos mais poderosos veculos de massa, presente em quase todos os lugares, atingindo a diversos e diferentes pblicos e classe social. A mensagem televisiva tem vrios objetivos dentre os quais, informar, formar, entreter, manipular, influenciar, persuadir e outros.
Atravs de suas distintas mensagens, a televiso vende o seu produto, suas ideologias, que precisam ser identificadas, desveladas e analisadas pelos educadores para que possam auxiliar o aluno nessa compreenso.
A escola enquanto instituio formadora de cidados, que auxilia a descortinar o mundo, a ler criticamente e a se posicionar diante das questes que o permeiam no pode e no deve negligenciar o direito dos educandos de aprender a interpretar e compreender a mensagem televisiva. No mais possvel assumir postura do ponto de vista dos apocalpticos[1], que entendem a televiso como mal crnico, responsvel pela disseminao das mazelas do mundo, nem tampouco ignor-la, trat-la indiferentemente como se no fizesse parte do cotidiano da vida das pessoas e como se estas no se encontrassem nela atravs da representao de sua histria de vida, do desejo, do sonho, da fantasia e da fico.
A televiso, como formadora de comportamento e opinies, tem participao significativa na formao das pessoas e o educador enquanto agente responsvel pela construo do conhecimento e mediador do processo de ensino e aprendizagem, precisa e deve encarar a televiso como aliada, recurso de aprendizagem, interpretando as mensagens veiculadas, conhecendo suas especificidades, funes e limitaes pedaggicas.
As mensagens televisivas chamam a ateno, encantam, atraem, repulsam, comunicam algo que se aproxima mais das emoes das pessoas. O contato com o visual remete alegria, dor, prazer; as imagens falam, nem sempre acompanhadas de textos, tornam-se de difcil compreenso, uma verdadeira incgnita, pois preciso saber ler nas entrelinhas, o que as acompanha, o que est por trs de suas cores, traos, contornos e expresses. As imagens podem denunciar, induzir, divulgar, informar e influenciar.
Textos, sons, cores, movimentos, imagens presentes nas propagandas, programas, documentrios, filmes, telejornais, novelas e outros precisam ser lidos e interpretados pelos professores para que possam saber selecionar determinados elementos e inseri-los na escola, a fim de auxiliar os educandos a lerem criticamente o que veiculado na televiso. Tanto as mensagens que abordam temticas que sensibilizam e despertam por serem agradveis, por falarem de amor, solidariedade, amizade, tica, quanto as que chocam e agridem, por colocarem o telespectador diante da violncia, atitudes animalescas, preconceitos, entre muitas outras mensagens que devem ser utilizadas, desveladas e analisadas na sala de aula para levar os educandos reflexo, discusso, a se posicionarem diante de problemas to reais, ou por meio de fico, ludicidade, mas que traduzem valores e ideologias.
Gadotti afirma que:
A criana passa muito tempo sentada diante da televiso porque sente prazer em ficar l. O que o professor fala no exerce o mesmo fascnio da TV. Cada vez mais as crianas chegam escola transportando consigo a imagem de um mundo-real ou fictcio - que ultrapassa em muito os limites da famlia e da comunidade de vizinhos. As mensagens mais variadas - ldicas, informativas, publicitrias-transmitidas pelos meios de comunicao social entram em contradio com o que as crianas aprendem na escola. Estas mensagens surgem sempre organizadas em rpidas seqncias o que, em numerosas regies do mundo tem uma influncia negativa sobre a capacidade de manter a ateno, por parte dos alunos e, portanto, sobre as relaes na aula. Passando os alunos menos tempo na escola do que diante da televiso, a seus olhos grande o contraste entre gratificao instantnea oferecida pelos meios de comunicao, que no lhes exigem nenhum esforo, e o que lhes exigido para alcanarem sucesso na escola. (GADOTTI, 2003, p. 51)
A escola ainda se limita aos contedos livrescos, apresentados e trabalhados de forma fragmentada, uniforme, com discurso homogeneizante, com pouco espao para considerar a subjetividade, reforados pelo contexto escolar que ignora a televiso como fonte de informaes sobre os acontecimentos sociais, culturais, econmicos e polticos que cercam a vida real e, por vezes, so tratados de forma dinmica, cmica, atraente, convidativa, propondo discusso, enquete, aguando a curiosidade, utilizando-se do poder de seduo e conquista para atrair o telespectador e lev-lo a interagir.
A televiso deve ser encarada como uma grande aliada da escola, dispens-la no se comprometer com o papel de agente social que o professor tem, desconhecer o potencial da ferramenta, se apossar de um saber que efmero, porque viro outros saberes.
A sala de aula no deve se restringir s quatro paredes, com aulas montonas, repetitivas, cansativas, que desconsidera o movimento da vida, a dinamicidade com que os fatos acontecem, a necessidade de desestruturar para reestruturar, de romper com determinados modelos de professor e aluno, de ensinar e aprender.
Moran destaca:
A TV fala da vida, do presente, dos problemas afetivos; a fala da escola muito distante e intelectualizada - e fala de forma impactante e sedutora - a escola, em geral, mais cansativa. O que tentamos contrapor na sala de aula, de forma desorganizada e montona, aos modelos consumistas vigentes, a televiso, o cinema, as revistas de variedades e muitas pginas da internet o desfazem nas horas seguintes. Ns mesmos como educadores e telespectadores sentimos na pele a esquizofrenia das vises contraditrias de mundo e das narrativas (formas de contar) to diferentes dos meios de comunicao e da escola. (MORAN, 2005, p.97)
Na Sociedade da Informao, para que o educador possa estar sintonizado com as informaes veiculadas no mundo e preparado para analisar, discutir, confrontar, comparar, socializar, (re) elaborar, enfim, estar aberto s aprendizagens preciso cuidar de sua formao nessa direo. O ato de se colocar continuamente como aprendiz, pode lev-lo a mudanas no comportamento, interagindo, compreendendo e respeitando o aluno em suas singularidades e vivncias.
Assim, a formao pode criar situaes que provoquem inquietao no e com o processo de ensino e aprendizagem, movendo o educador na busca de melhores condies de propiciar a aprendizagem, tornando a sala de aula viva, intensa, na qual o mundo est presente, no havendo ruptura escola-mundo.
As temticas que so abordadas na televiso esto presentes implcita ou explicitamente nos contedos curriculares e, por vezes, so tratados pela escola de forma mecanicista, fragmentada, descolada do mundo, do contexto histrico, social e poltico; e a televiso ou um bom vdeo utilizado para sensibilizar os alunos, ao ser introduzida uma temtica uma excelente estratgia, desde que tenha uma ao intencional e planejada.
Ferrs afirma:
Se o ato de assistir televiso a atividade qual os alunos dedicam a maior parte do seu tempo, se a televiso um elemento decisivo na formao do imaginrio coletivo das novas geraes de alunos, no resta dvida de que aprender a partir da televiso facilitar e reforar a aprendizagem porque auxiliar os alunos a vincular os novos contedos a contedos fortemente enraizados em sua psique e em sua mente. (FERRS, 1996, p. 96)
A partir do momento em que o educador desperta para essa percepo que o autor apresenta e tem a compreenso de que educar com a TV uma das formas de auxiliar o educando a obter viso ampla do mundo, compreend-lo e interpret-lo em diversos aspectos: social, econmico, religioso e poltico, a articulao dessa leitura nas distintas disciplinas trabalhadas na escola que, em sua maioria, fragmentada e alimentada por uma viso compartimentada de informaes, propicia aos professores e alunos a viso sistmica de mundo.
As TIC esto postas, com diversidade de linguagens, complexidade e de mecanismos para serem exploradas e utilizadas. Por si ss, so apenas ferramentas, instrumentos; o propsito e a ao de quem vai utiliz-las que faro o grande diferencial. Faz-se necessrio contempl-las no projeto poltico-pedaggico e, a partir deste, de forma intencional, planejada e articulada, utiliz-las como aliada no processo de ensino e aprendizagem.
Organizao Estrutural do Curso
O curso TV na Escola e os Desafios de Hoje composto de trs mdulos, de 60 horas cada, totalizando 180 horas sua realizao integral. Na proposta inicial do curso, o professor cursista, ao concluir apenas um mdulo, obteria a certificao correspondente a este, entretanto, modificaes estruturais foram realizadas pelas universidades pblicas em parceria com as Secretarias de Educao dos Estados, a fim de contextualiz-lo de acordo com as necessidades locais. Especificamente em relao carga horria do curso, em que o professor cursista poderia realiz-lo integralmente ou optar por fazer alguns mdulos. Em Alagoas, a certificao ficou atrelada concluso integral do curso.
Os materiais oferecidos aos professores cursistas foram trs mdulos impressos contendo vrias temticas envolvendo discusso sobre tecnologia e educao; um guia do curso, com informaes e orientaes sobre objetivo, contedos a serem explorados, organizao do curso; dicas de como organizar o tempo e sobre o processo avaliativo. Outros recursos bastante significativos e relevantes foram os vdeos veiculados pelo canal TV Escola, do qual o curso oriundo, que foram ao ar, s quintas-feiras, s 21h e reprisados s sextas-feiras e aos sbados. Existem vdeos de apoio do acervo do Programa TV Escola que ficam no NTE das secretarias de educao, vdeos de diversas reas e com vrias temticas, disponibilizados aos professores cursistas para que possam gravar e utilizar na sala de aula, na escola, a fim de que seja montado o acervo.
Em cada mdulo h propostas de vdeos correspondentes s unidades relacionadas.
Quadro Demonstrativo da Relao dos Vdeos
Mdulo 1
Unidade 1
Tecnologias no Cotidiano: desafios para o educador
Unidade 2
Linguagem da TV e Novos Modos de Compreender
Unidade 3
Formao de Professor e Educao a Distncia.
Unidade 4
O projeto TV Escola
Mdulo 2
Unidade 1
Televiso/Vdeo na Comunidade Educativa: concepes e funes
Unidade 2
(Parte I)
Possibilidades Pedaggicas de Utilizao de TV/ Vdeo
Unidade 2
(Parte II)
Possibilidades Pedaggicas de Utilizao de TV/ Vdeo.
Unidade 3
TV/Vdeo na Gesto Escolar.
Mdulo 3
Unidade 1
Analisando e Produzindo o Audiovisual: oficina de vdeo na escola
Unidade 2
Como se Produzem Vdeos Educativos
Unidade 3
Planejando a Utilizao Pedaggica de TV e Vdeo na Escola
O primeiro mdulo discute Tecnologia e Educao: desafios e a TV Escola, oportunizando aos professores cursistas reflexo, discusso e anlise sobre as TIC e o potencial pedaggico que pode ser explorado atravs de sua utilizao, em especial, a televiso no contexto escolar, explorando-a como ferramenta pedaggica. Conceitos bsicos importantes, desde o material impresso era digital so temas apresentados, discutidos, refletidos e relacionados com o papel do professor, os desafios advindos dos avanos tecnolgicos, as mudanas de paradigmas na educao e a reorganizao do contexto escolar.
O uso da Televiso e do Vdeo na Escola o segundo mdulo, que trata da TV e vdeo no processo pedaggico, anlise e apropriao destas ferramentas, discernindo as funes que as programaes veiculadas na TV devem desempenhar na sala de aula pelo professor; bem como o vdeo, enquanto suporte da televiso. Aborda e analisa tipos de gneros televisivos, suas caractersticas e a concepo dominante nos programas educativos e de linguagens audiovisuais. Enfatiza a relevncia da integrao da televiso e do vdeo nas atividades curriculares, a fim de desenvolver o senso crtico e seletivo. Apresenta as distintas funes do vdeo na sala de aula e sugestes de atividades em vrias disciplinas a serem utilizadas com a mdia. Discute a importncia do conhecimento e envolvimento dos gestores escolares na insero do programa TV Escola, buscando inseri-lo dentro de uma proposta pedaggica em diversas reas do conhecimento, propiciando ao educador a incorporao da tecnologia tambm como instrumento de trabalho no cotidiano.
O terceiro e ltimo mdulo - Experimentao, Planejando, Produzindo, Analisando, leva o professor cursista a experimentar na prtica, a partir de um projeto didtico produzido pelo mesmo, a utilizao das mdias com objetivo de realizar interveno no contexto escolar. Na proposta pedaggica ele pode utilizar vdeo, mquina fotogrfica, cmara ou outros equipamentos que explorem suas funes e potencialidades.
O mdulo apresenta etapas de como se produz um vdeo educativo, expe a concepo dos vdeos do curso, discute e prope a incorporao destes instrumentos, bem como outras mdias inseridas no projeto poltico-pedaggico.
No final de cada mdulo existe um glossrio para facilitar a consulta das palavras que podem ser consideradas difceis ou desconhecidas. H, previamente, comentrios referentes a atividades relacionadas a cada unidade e uma ficha de avaliao do material impresso e dos vdeos correspondentes a cada mdulo.
Durante a formao, no curso, o professor tem acesso aos mdulos para realizar as leituras e responder s questes solicitadas pelo tutor. Os vdeos e a programao da TV Escola fazem parte relevante do processo, porm o acesso dos professores cursistas aos mesmos depende da estrutura e do funcionamento dos equipamentos tecnolgicos existentes na escola.
Outro material o memorial. A elaborao ocorre ao longo de cada mdulo, uma atividade obrigatria, no sendo atribuda nota, entretanto, imprescindvel para concluso de cada mdulo e certificao do curso. O memorial uma forma de reflexo, auto-avaliao do professor cursista em relao aos seus avanos, experincias, dificuldades, desafios, dvidas, sucesso e aprendizagens que permearam a formao continuada e sua relao com a prtica pedaggica.
Ao final do processo, no ltimo mdulo, d-se a elaborao do projeto didtico desenvolvido no contexto escolar com a proposta pedaggica, utilizando os recursos audiovisuais numa viso crtica, seletiva e interdisciplinar.
Caracterizao das edies do curso em Alagoas: avanos e desafios
A primeira edio do curso, em Alagoas, foi realizada em 2001 e 2002 sob a responsabilidade do Ncleo da Unirede em So Francisco, com sede na UFPE.
No decorrer da realizao do curso, foram detectadas vrias dificuldades, tanto de ordem pedaggica quanto gerencial. De acordo com o relatrio do curso de 2001, alguns problemas mencionados foram: atraso na entrega do material, falta de um momento presencial durante o curso; dificuldades de acesso de muitos professores cursistas s fitase aos vdeos, devido a problemas nos equipamentos das escolas e ausncia de acervo; falta de tempo para apreciao dos programas e vdeos; professores que estavam fora de sala de aula no conseguiam responder algumas atividades; atraso na entrega do material; aumento de carga horria dos professores cursistas, diminuindo o tempo para estudo, entre outros.
As dificuldades apontadas refletiram na motivao, por parte do professor cursista, em continuar realizando o curso, tanto que inicialmente foram matriculados 617, mas apenas 87 concluram.
O trabalho desenvolvido pelos tutores possibilitou a troca de experincias entre professores cursistas, assim como oportunizou aos tutores a observao da ausncia de hbito de estudo por parte de alguns professores cursistas, dificuldades de leitura, compreenso e de discernimento dos diversos tipos de linguagens.
Os problemas surgidos no foram solucionados pelo ncleo ao qual o curso estava vinculado, sendo necessrio ser repensado e a edio posterior ocorreu em Alagoas, coordenada pela UFAL.
A partir da 2 edio, em 2002, foi criado um ncleo em Alagoas, sob a responsabilidade da UFAL, em parceria com a SEE/AL, que ficou com atribuio de apoiar a execuo do projeto; coordenar o processo de seleo e matrcula dos professores cursistas; distribuir os materiais impressos e vdeo; participar da avaliao do curso e auxiliar nos aspectos operacionais, como tambm de infra-estrutura fsica e de funcionamento da tutoria. A estrutura fsica destinada coordenao do curso pela SEE possua: sala com ar-condicionado, dois computadores, fax, linha telefnica, mesa para reunies, televiso, vdeo, antena digital e o acervo da TV Escola.
Foi organizado banco de dados, contendo informaes sobre os professores cursistas: matrcula, nome, endereo residencial e profissional, telefones fixos, celular e e-mail.
A UFAL tinha a funo de coordenar a equipe de execuo local; elaborar os relatrios parciais e finais de prestao de contas do projeto; auxiliar no processo de seleo e matrcula dos professores cursistas; coordenar administrao acadmica do curso; definir normas de certificao; executar o projeto de pesquisa e avaliao e articular a infra-estrutura fsica de funcionamento da tutoria.
A 2 edio atendeu o total de 1.000 cursistas, incluindo professores de vrios municpios. Ocorreu processo de seleo de 10 tutores, mediante apresentao de currculo, com a exigncia de experincia em docncia e/ou cursos a distncia, de cuja capacitao para tutores tivessem participado.
A formao de tutores aconteceu em dois momentos: a inicial deu-se atravs de estudos dos materiais do curso: textos complementares, realizao das atividades dos mdulos pelos mesmos, para evitar dvidas ou desinformao e encontros com a coordenadora da SEE. A formao continuada permaneceu a partir de encontros semanais para estudo, troca de experincias e informaes com frum de discusso, construo de memorial por cada tutor.
O curso de capacitao teve vrias temticas e de acordo com Mercado (2006, p.146) as discusses envolveram:
a) Apresentao do curso: objetivos, organizao do curso, contedo dos mdulos, materiais de estudo, funcionamento do curso e ncleo UNIREDE, gesto do curso na SEE e no Ncleo Alagoas, tutoria.
b) Seminrio Educao a Distncia discusso das temticas: importncia da educao distncia; importncia dos materiais didticos nesta modalidade; papel e atuao do tutor; avaliao da aprendizagem dos cursistas; experincia de acompanhamento do curso pela coordenao e pelos tutores que j atuaram nas edies anteriores do curso. Para subsidiar estas discusses foi entregue um volume com textos sobre educao a distncia e tutoria para leitura e posterior discusso no seminrio.
c) Relatrio Final do Curso TV na Escola e os Desafios de Hoje das edies realizadas em Alagoas. nfase nos indicadores: avaliao do curso, dificuldades e anlise dos memoriais dos tutores.
d) Manual de Orientao Acadmica (tutoria do curso); processo operativo de orientao acadmica (tutoria); atribuies do tutor; orientao de estudos; como trabalhar o memorial; atividades de avaliao de desempenho.
e) Leitura do material impresso dos trs mdulos do curso.
f) Assistncia e discusso dos vdeos dos mdulos do curso.
g) Planejamento dos encontros presenciais e tutoria.
h) Construo do memorial individual e relatrio de tutoria.
Um outro aspecto importante foi a descentralizao da tutoria, realizando o primeiro encontro de formao para os tutores, o qual ocorreu na UFAL com apresentao da Unirede, do curso e vrias temticas: Educao a distncia, tutoria em EAD e o processo de tutoria do curso.
Ficou sob a responsabilidade de cada tutor a orientao de 100 cursistas, escalonados de acordo com sua disponibilidade. Para atender as trs regies do Estado de Alagoas foi realizada uma escala de viagens aos municpios-plos para as reunies de capacitao de tutores e planejamento de cada mdulo.
O acompanhamento aos cursistas deu-se atravs de encontros presenciais no incio de cada mdulo e nos dias de plantes de cada tutor, na SEE, UFAL, CRE, NTE e em algumas secretarias municipais e escolas estaduais, para atendimento individualizado ou em duplas, objetivando tirar dvidas. Os encontros presenciais aconteceram nos maiores municpios para que fosse possvel atender a uma quantidade expressiva de professores.
Ocorreram trs momentos presenciais objetivando explicar o funcionamento e estrutura do curso, assim como a orientao das unidades e atividades relacionadas com cada mdulo.
A medida tomada nessa edio, de oferecer encontros presenciais e dos plantes para atendimentos aos cursistas, foi inovadora. Gatti (2002) destaca a importncia de programas e, conseqentemente, de cursos de formao de professores, intercalando momentos a distncia e atividades presenciais. Essa metodologia auxilia o educador a compreender gradativamente a modalidade de EAD, inserindo-se de forma mais segura, autnoma e possibilitando maior interao com o cursista.
Outros aspectos inovadores foram entrega do material centralizada no ncleo, as atividades propostas pelo curso puderam ser desenvolvidas em dupla, proporcionando aos professores cursistas, que quisessem e tivessem disponibilidade para interagir com outros, condies de trocar idias e discusso. Outro elemento relevante foi organizao de estratgias de avaliao para minimizar a evaso que ocorreu no primeiro mdulo dessa edio, a partir da qual uma turma especial foi organizada nos plos de Macei, Arapiraca e Jaramataia, contando com o trabalho da equipe de tutores que atuou intensamente nos momentos presenciais.
Nessa edio surgiram algumas dificuldades, tanto em relao aos tutores quanto aos cursistas, pois, apesar do processo de seleo e formao dos tutores, alguns apresentaram insegurana nas orientaes a serem dadas aos professores cursistas, ausncia de disponibilidade, descompromisso com horrio de tutoria e problemas ao orientar e analisar as atividades dos professores.
Nessa direo, Mercado destaca:
... vimos que por ser um curso desenvolvido na modalidade a distncia, o tutor tem um papel fundamental no processo e portanto deve ter um perfil de educador que passa a orientar as atividades a serem executadas e esclarecer dvidas sobre os contedos que sero trabalhados, procurando acima de tudo motivar e encorajar os seus cursistas, para que haja a construo do conhecimento. (MERCADO, 2004 p.125-126)
O tutor uma figura fundamental em EAD por interligar toda uma estrutura do curso aos demais personagens (equipe multidisciplinar) que planejam, produzem o curso e as aes que devem ser orientadas, mediadas e acompanhadas. fundamental a assistncia aos cursistas no processo de ensino e aprendizagem, auxiliando-os em suas descobertas, dvidas, questionamentos, reflexes, fomentando sua participao e envolvimento de forma prazerosa e significativa nas atividades desenvolvidas, a fim de auxili-lo na construo de sua autonomia, um processo gradativo, por vezes difcil, pelos desafios lanados na modalidade, devido a suas caractersticas, s quais a maioria dos alunos no est habituada.
Outros problemas detectados nessa edio em relao aos professores cursistas, foram: obstculo em lidar com um curso a distncia; dificuldades de leitura e compreenso dos textos dos mdulos; a ausncia de domnios dos conceitos bsicos da linguagem televisiva e problemas relacionados elaborao do "projeto didtico" proposto no mdulo III, como etapa final; falta de manuteno; ausncia dos recursos tecnolgicos; falta de acesso de muitos professorescursistasaos vdeos, por problemas nos equipamentos ou na gesto das escolas; falta de tempo de apreciao dos programas; impossibilidade de realizao prtica de algumas atividades; ausncia de tempo para estudo e realizao das atividades dos mdulos, mesmo com a ampliao dos prazos e outras situaes. Essa edio foi concluda com 480 professores.
A terceira edio ocorreu no perodo de 2002 a 2003, com 209 escolas atendidas, em 50 municpios, com matrcula inicial de 782 professores cursistas, concluindo essa edio 524 professores.
Os critrios para inscries dos professores cursistas foram: a escola possuir o kit tecnolgico em funcionamento; os professores terem cursado Ensino Mdio; terem disponibilidade de tempo e estarem exercendo a atividade profissional na sala de aula, sala de multimeios ou coordenao; no estarem vinculados a outros projetos, cursos e justificarem sua opo. Para cada CRE foram estabelecidos critrios de vagas, assim como tambm foi definido que haveria, no mximo, dez vagas por escola em cada municpio atendido.
Quanto seleo de tutores, foi feita por meio de anlise de currculo e da entrevista. Os critrios para seleo foram: formao docente, disponibilidade de tempo para viagens aos plos, experincia em EAD e interesse em pesquisar sobre a temtica. Foram selecionados 8 professores para exercer a funo de tutor, os quais iniciaram as atividades tutoriais com carga horria de 12 a 20 horas semanais, sendo 12 horas no ncleo e 8 horas a distncia para estudos e atividades pedaggicas.
A formao de tutores ocorreu desde a segunda edio, com carga horria de 40 horas; a terceira edio com 80 horas, sendo 50 horas presenciais e 30 a distncia.
A descentralizao da tutoria foi um aspecto bastante relevante por propiciar aos tutores acompanhamento aos cursistas em diversos plos, a partir de encontros em cada regio do estado.
A organizao de uma estrutura para gravao dos vdeos do curso foi uma deciso importante, por servir de apoio aos professores cursistas, aos tutores e a toda a equipe responsvel pelo curso para gravao e consultas de vdeos.
A insero dos materiais do curso na disciplina de Informtica Educativa do Curso de Pedagogia a Distncia da UFAL, para atendimento a 300 alunos na regio de Xing, foi outra iniciativa inovadora do ncleo Alagoas, pois os dois primeiros mdulos foram inseridos na disciplina, o terceiro foi opcional, se o aluno decidisse realizar teria suporte da tutoria do curso e receberia certificao.
As iniciativas que deram certo na edio anterior permaneceram como encontros presenciais, plantes tutoriais, elaborao dos memoriais os quais, a priori, os professores cursistas sentem dificuldades de produzir. Porm, na medida em que refletem sobre a prtica, os desafios, as possibilidades com as TIC, a avaliao dos vdeos assistidos, o olhar crtico e criterioso sobre a televiso e as leituras do material impresso, acredito que assumem uma nova postura e naturalmente sentem a necessidade de registrar sua trajetria nesse contexto.
Fragmentos dos depoimentos dos cursistas em seus memoriais traduzem esses impactos:
Sabemos que a televiso tem se tornado um meio de comunicao cada vez mais importante, mas temos observado que nem sempre o compromisso deste veculo de comunicao atende aos interesses dos cidados, apesar de que deveria ser sua finalidade maior, dado o carter de concesso pblica; no entanto nem sempre o compromisso com a promoo cultural e formao dos indivduos. s vezes a mdia serve a uma minoria privilegiada, que de alguma forma detm o poder e no tem nenhum interesse em reverter a situao. Quanto menos o povo pensar melhor. Despertar o senso crtico prejudicial ao sistema. raro haver informao honesta e desprovida de segundas intenes. A TV procura sempre nos levar a consumir o que querem e agir de acordo com os interesses da minoria que detm o poder, a valorizar o que nos mostrado como bom e maravilhoso, e o alvo mais vulnervel so as crianas. A televiso para crianas cada vez mais vista como um mercado, patrocinada e dominada pelos anunciantes. (AL - Macei)
Muitos professores apresentam resistncia diante do novo, mas as atuais mudanas no contexto educacional, no s brasileiro, mas no mundo, solicitam do professor mais que a constante atualizao do contedo disciplinar, necessrio ter o domnio das novas tecnologias de comunicao e informao como o rdio, vdeo, TV, computador, que lhes permitiro ampliar sua prtica pedaggica contextualizando-a no momento em que estamos vivendo.
Dentre nossos professores, muitos ainda se encontram numa situao de completo analfabetismo tecnolgico, e o agravante que h, ainda, aqueles que so irredutveis e mostram-se temerosos diante das inovaes tecnolgicas. Tive a oportunidade de acompanhar a resistncia de muitos, principalmente os mais antigos na Rede Pblica de Ensino.
Quando a escola em que trabalhei durante dois anos foi contemplada com o kit tecnolgico da TV Escola, a princpio criou-se todo um questionamento sobre os benefcios trazidos pela TV e pelo vdeo. Os professores mais dispostos passaram a se reunir, antes mesmo da instalao do kit, com a coordenao da escola, para avaliar as possibilidades de gravar programa para enriquecer os contedos programticos em sala de aula; entretanto, alguns professores que j esto acostumados com o ritmo das suas aulas: quadro de giz, livro didtico, atividades de classe e extra-classe, vez por outra uma pesquisa que inclua visitas ao tmido acervo literrio da escola, anteciparam crticas negativas s benesses do recm chegado aparato tecnolgico.
Logo surgiu a alegao de que assistir televiso em sala de aula diminuiria a concentrao dos alunos e serviria de estmulo ao total esquecimento da leitura de livros j to praticada. Tal justificativa revela o desconhecimento que muitos de ns professores ainda temos da importncia e da riqueza de contedo fornecido pela leitura de imagens. (WDR)
Atravs do memorial, os professores cursistas registravam os avanos, dvidas, retrocessos, dificuldades, sucesso e revelavam a compreenso e articulao terico-prtica do que estavam vivenciando no curso. Alm da auto-avaliao, utilizavam o instrumento para analisar em sua escola a postura dos demais professores em relao s discusses e incorporao das TIC na sala de aula, constituindo esse documento um material rico e significativo que sinalizava o percurso realizado pelo professor cursista e um feedback para o curso.
Uma ao desenvolvida no curso que merece destaque foi a realizao do trabalho de recuperao e reintegrao dos cursistas que estavam com atividades atrasadas ou abandonaram o curso. Os mesmos alegaram dificuldades de realizar as atividades pela ausncia de acesso ao equipamento, por falta de tempo devido sobrecarga de trabalho, no compreenso de atividades e no elaborao do memorial e falta de tempo para apreciao dos programas e vdeos. A atividade de reintegrao ocorreu a partir da elaborao de cronogramas diferenciados para o recebimento das atividades e atendimento ao professor que tivesse dificuldades.
Nessa edio, alguns pontos foram fundamentais para o desenvolvimento das aes do curso: A capacitao dos tutores, encontros presenciais (plantes), a distribuio dos materiais e o prazo de entrega das atividades pelos cursistas.
Segundo Mercado (2006, p.155) os tutores desenvolviam durante os plantes pedaggicos inmeras atividades, entre as quais esto algumas relacionadas abaixo:
Organizao das inscries, diviso dos mesmos por tutores, envio de correspondncias para os professores cursistas, definindo o local, data e horrio do 1 momento presencial. Realizao do primeiro encontro presencial, explicao, orientao das atividades propostas e entrega dos mdulos. Elaborao das fichas de acompanhamento, organizao do banco de dados, com os nomes dos cursistas, endereos e telefones. Agendamento dos plantes nas cidades plos para atendimento dos que residiam no interior, atualizao da listagem com os nomes dos professores cursistas, atendimento aos mesmos para retirar dvidas de algumas questes do mdulo e do memorial, entrega de fitas solicitadas para gravao, correo dos trabalhos e atribuio de conceitos. Elaborao de relatrios, memoriais e planejamentos; participao nos encontros de capacitao para tutores, utilizao do ambiente virtual do curso, entre outras atividades.
A quarta edio ocorreu no perodo de 2003 e 2004, e o processo de seleo dos professores cursistas permaneceu o mesmo, sendo ofertadas 1.000 vagas, "ampliando-se para 1209, porque a UFAL, com recursos prprios, matriculou 209 alunos que cursavam pedagogia distncia, cuja turma foi denominada de Projeto Xing". (NEVES, 2006, p.59)
Os momentos presenciais ocorreram com a orientao dos tutores, contando com a presena da coordenao do curso e participao dos cursistas em seus respectivos plos: Arapiraca, Palmeira dos ndios, So Miguel dos Campos, Unio dos Palmares, Santana do Ipanema, Viosa, Po de Acar, Penedo, Xing, Porto Calvo, Rio Largo e Macei.
Nos momentos presenciais ocorreu a apresentao da estrutura e funcionamento do curso, explicao das atividades do mdulo e do memorial. Nos locais onde era possvel, de acordo com a estrutura, havia a exibio do vdeo relativo ao mdulo apresentado.
Os professores cursistas que participaram dos momentos presenciais receberam mdulo, guia do curso, a relao nominal dos tutores com nmero de telefone, local e dias dos plantes. Os professores cursistas que no compareceram receberam o kit durante os plantes dos tutores e tambm pelo correio; tambm receberam aqueles que no compareceram aos plantes, mas haviam confirmado sua participao no curso.
Os tutores foram os mesmos da edio anterior, devido ao desempenho apresentado, mas foram incorporados ao grupo dois novos tutores, em virtude de o nmero de professores cursistas ter sido ampliado nessa edio.
A existncia de apenas uma linha telefnica disponibilizada para os tutores contatarem os professores cursistas foi insuficiente, tornando-se invivel a comunicao entre eles no horrio de trabalho. Esse foi um dos problemas que perdurou nas vrias edies, sendo disponibilizadas, nessa edio, contas de e-mail para os professores cursistasque podiam ter acesso Internet.
As dificuldades apresentadas pelos professores cursistas foram semelhantes s edies anteriores. A ausncia de tempo e a sobrecarga do trabalho foram as principais justificativas para o atraso das atividades e o no comparecimento aos plantes para tirar dvidas. Outro ponto a considerar foi a no realizao das atividades prticas pelo professor, pela ausncia do equipamento tecnolgico na escola ou o mau funcionamento deste.
Destaco tambm que, em todas as edies, foram evidenciadas, inicialmente, dificuldades do professor cursista em realizar o projeto final do curso: elaborao do projeto didtico utilizando as tecnologias de linguagens audiovisuais, uma vez que nunca haviam elaborado e desenvolvido um projeto em sua prtica pedaggica. Por isso, foram dadas orientaes aos professores cursistas pelos tutores com base nos seus questionamentos. Alguns projetos foram reformulados por no corresponderem aos critrios bsicos exigidos na produo do projeto didtico, porm vrios professores cursistas conseguiram compreender e superar o desafio na produo, realizando propostas significativas para o contexto escolar.
Mercado (2006, p. 162-163) apresenta algumas propostas de projetos didticos elaborados pelos professores cursistas:Leitura na escola; Despertando e valorizando o uso do audiovisual na escola; Uso das tecnologias vivenciando situaes reais de ensino e aprendizagem; Escola viva; Incluso do uso de recursos audiovisuais no projeto poltico-pedaggico; Produo de vdeo escolar em matemtica; Centenrio de Cndido Portinari; Utilizando o vdeo "uma baita embalagem"; Cine-Vdeo na escola; Compartilhando desafios com as novas tecnologias; Matemtica e audiovisual: uma parceria que d certo; O cordel e a TV na escola; Vdeo como meio de expresso escrita e oral; Documentando nossa histria; Desembrulhando a aprendizagem diante da TV.
A construo do projeto didtico foi atividade considerada mais difcil pelos professores cursistas. O trabalho final do curso era obrigatrio, uma proposta significativa de incorporao das TIC na escola, que exigia leituras, pesquisas, reflexo e parceria entre alunos e professores.
De acordo com o relatrio da 4 edio, as demais atividades realizadas pelos professores cursistas obtiveram bom rendimento, os que no alcanaram xito, foi por falta de tempo para assistir e analisar os programas de televiso para fazer os comentrios requisitados ou dificuldades nos equipamentos para desenvolverem as atividades prticas.
Foi relevante a deciso da coordenao do curso em Alagoas de incluir alunos de licenciatura da UFAL, objetivando lev-los, enquanto estagirios e futuros professores, reflexo crtica acerca das TIC, principalmente as de audiovisual. Obtiveram experincia por intermdio da convivncia com professores que lhes falaram sobre a prtica pedaggica em sala de aula com o uso das TIC; entrevistaram os mesmos e registraram seus depoimentos acerca da vivncia.
Gestores e coordenadores que participaram do curso tiveram dificuldades para realizar atividades direcionadas sala de aula, mas foram orientados para resgatar experincias anteriores e trocar idias com professores cursistas que estavam em sala de aula.
Sintetizo, nos quadros abaixo, as estratgias que foram realizadas para melhoria do curso e os desafios que surgiram no decorrer do processo desde a 1 a 5 edio:
AVANOS
Momentos presenciais;
Plantes Pedaggicos;
Criao dos Plos;
Processo de seleo de tutores;
Insero dos materiais do curso na disciplina de Informtica Educativa;
Ampliao do prazo de entregas mediante justificativas;
Reintegrao dos cursistas que estavam com atividades atrasadas ou abandonaram o curso;
Disponibilizao da linha 0800 para o curso;
Troca das antenas parablicas dos kits tecnolgicos;
Oferecimento do curso no ambiente virtual Teleduc.
DESAFIOS
Falta de manuteno dos kits tecnolgicos;
Obstculo na permanncia da linha telefnica;
Dificuldades para o professor lidar com o curso a distncia;
Falta de hbito de estudo de alguns professores cursistas;
Ausncia do tempo para os professores acessarem os vdeos e programas;
Dificuldades do professor na elaborao do memorial e da produo do projeto didtico;
Resgate dos professores cursistas;
Problemas com alguns tutores.
Nos relatrios da 2 4 edio, esto registradas as dificuldades que os professores cursistas tinham quanto metodologia de um curso a distncia, assim como o desconhecimento da utilizao da televiso como ferramenta pedaggica, a ausncia da compreenso da linguagem televisiva quanto aos sons, imagens, movimentos, cores, ou seja, elementos que esto presentes nas programaes veiculadas na televiso e que produzem significados. De acordo com as informaes dos relatrios, alguns problemas apresentados por vrios professores cursistas quanto construo de determinados saberes sobre a utilizao da televiso/vdeo na sala de aula, como incompreenso das leituras realizadas, ausncia de clareza nas produes, falta de hbitos de estudo, dificuldades de realizar associaes, relacionar, experimentar e produzir conhecimento, foram superados gradativamente atravs de aes planejadas e o trabalho sistemtico dos tutores no atendimento aos professores cursistas.
As estratgias adotadas para auxiliar, acompanhar, esclarecer dvidas sobre os contedos trabalhados, o incentivo formao de duplas ou grupos para discutir as atividades dos mdulos e vdeos, o estmulo e a provocao no sentido do professor refletir a prtica pedaggica, propiciou maior compreenso da utilizao das tecnologias de linguagens audiovisuais e enriqueceu a prtica pedaggica, conforme registro no relatrio final da 3 edio (2003, p. 31):
Durante o curso pudemos observar o desenvolvimento dos professores cursistas. Ao analisar as atividades constatamos que a cada mdulo o compromisso e a responsabilidade foram evidenciados. Salientando tambm o quanto eles expressaram sua opinio em relao importncia do curso, destacando que atravs dos estudos e respostas das atividades propostas tiveram oportunidade de colocar em prtica o uso de forma integrada das tecnologias existentes na escola.
Os ganhos dos professores cursistas no processo de formao foram efetivos e a prtica ressignificada. Destaco no mesmo relatrio outro registro do desenvolvimento, dos ganhos cognitivos dos professores cursistas.
Os professores cursistas demonstraram maior conscientizao em relao aos trabalhos, autonomia no que se refere pesquisa e utilizao das novas tecnologias, provocando uma mudana na prtica pedaggica da sala de aula.
Nos depoimentos dos professores cursistas a seguir, constata-se o crescimento, a leitura crtica que fazem sobre sua postura frente ao processo de formao e anlise da televiso e do vdeo como objeto de estudo:
O medo de arriscar e de errar nos foi ensinado desde a infncia, principalmente nas escolas. Ali aprendemos a repetir respostas prontas e iguais s que a professora queria e a fazer idntico ao modelo mostrado. Por isso, a dificuldade de responder algumas perguntas do mdulo, por serem respostas que exigem uma viso mais ampla. Gostei de ousar, e se houver erros, mesmo assim ter valido a pena. Hoje preciso criar coragem e sair de caminhos j aprendidos e sem medo seguir novos. (M.P.S)
Sabemos que a televiso tem se tornado um meio de comunicao cada vez mais importante, mas temos observado que nem sempre o compromisso deste veculo de comunicao atende os interesses dos cidados, apesar de que deveria ser sua finalidade maior dado o carter de concesso pblica: nem sempre o compromisso com a promoo cultural e formao de indivduos. s vezes, a mdia serve a uma minoria privilegiada, que de alguma forma detm o poder e no tem nenhum interesse em reverter a situao. raro haver informao honesta e desprovida de segundas intenes. A TV procura sempre nos levar a consumir o que querem e agir de acordo com os interesses da minoria que detm o poder, a valorizar o que nos mostrado como bom e maravilhoso, e o alvo mais vulnervel so as crianas. (A.L.S)
Quando analisamos criticamente uma mensagem no estamos contra a mensagem. Quando criticamos, estamos refletindo com profundidade e utilizando nossa capacidade de anlise e interpretao. Precisamos sempre criticar para que haja correes e melhorias. (M.C.S. H)
Romper com velhas e repetitivas formas de ensinar, comprometer-se consigo mesmo e com o processo de crescimento profissional, permitir-se a aprender, ousar, estudar, compreender o que est implcito no que veiculado nas mdias, o que est de forma oculta ou no claramente posto e que est cheio de significados e produzem sentidos na vida das pessoas. Posicionar-se diante destas e outras questes demonstram o nvel de amadurecimento intelectual que o professor alcanou e que o processo de formao no foi fcil, precisou de determinao, compromisso pedaggico e poltico com a prpria formao e a de seus alunos, desejo de mudana, de renovao, confronto e produo de novos saberes.
Para os professores que persistiram, superaram os desafios no processo de formao, fizeram destes, ganhos significativos e efetivos, tanto para as experincias pessoais, quanto para a prtica pedaggica, incorporando as tecnologias de forma reflexiva e crtica, desvelando, desvelando-se, articulando saberes, planejando-se, intervindo no contexto em que atuam, abertos s mudanas e transformando.
Em 2005, aconteceu em Alagoas, a 5 edio do curso, "com total responsabilidade da UFAL, no havendo nenhum vnculo com a SEE, por fazer parte de um projeto de extenso da SESU/MEC, sob responsabilidade da Coordenao do Programa na UFAL" (NEVES, 2006, p.60).
A cada edio, inovaes, tentativas de melhorar, oferecer mais elementos de aprendizagens e contextualizar o curso, aproximando-se das necessidades, sugestes e vivncias de professores cursistas e tutores em suas localidades. Nessa edio foi apresentado como elo importante entre tutores e professores, o ambiente virtual Teleduc, em que os professores cursistas foram ensinados a utiliz-lo e incentivados a explorar suas ferramentas. Alm dessa estratgia, ocorreu aumento da quantidade de plantes tutoriais, passando para trs por semana, com duas horas de durao.
A culminncia da 5 edio foi um seminrio organizado pela Coordenao do Curso e tutores, com palestra sobre EAD e apresentao de projetos e trabalhos realizados pelos professores cursistas.
O quadro abaixo apresenta dados quantitativos de professores cursistas em cada edio.
EDIO
MATRCULA
CONCLUINTES
%
1) 2001/2002
617
87
14,1
2) 2002/2003
1000
480
48
3) 2003/2003
782
524
67
4) 2003/2004
1209
908
75,1
Fontes: Relatrio da 4 edio do curso TV na Escola e os Desafios de Hoje/ (UNIREDE Alagoas/ UFAL)
Os dados demonstram e reforam as dificuldades evidenciadas e os desafios superados nas edies. Vale ressaltar que todo o trabalho desenvolvido, construdo, (re) estruturado ocorreu a partir da parceria UFAL e SEE. E segundo depoimento do Coordenador do Curso na UFAL, "a parceria favoreceu tudo, tornou o curso mais gil e a organizao mais eficiente". Os ganhos, os desafios e os avanos a partir das estratgias adotadas com o objetivo de oferecer melhor qualidade no curso ofertado foram decorrentes das aes compartilhadas, no s entre as instituies, mas, principalmente, entre as pessoas.
[1] Litwin (1997), assim denomina os que acreditam que a tecnologia s traz mazelas para educao.
EM FOCO: CURSO TV NA ESCOLA E OS DESAFIOS DE HOJE EM ALAGOAS
Maria Ambia Viana Gomes, formada em pedagogia, mestre em educao, coordenadora pedaggica de escola pblica de Macei e docente do curso de pedagogia da Facima. (Artigonal SC #3242789)