Que razes nos levam busca da verdade? Estamos realmente prontos para aceitar a verdade? possvel apreender o conhecimento verdadeiro atravs do sujeito? O que temos so apenas especulaes em busca de nossa realidade, que afinal complexa, contraditria e o que mais perturba inexplicvel. O que podemos considerar como principio que as relaes entre o desconhecido e o real ocasionam uma interpretao para a nossa existncia, e sempre existe um propsito para o real. O que o sujeito percebe o que o sujeito consegue representar em sua memria, e que essa representao idntica ao que captamos pode ser considerada como verdade? E como realidade?
A maioria das pessoas pensa que sim, que a apreenso do objeto pelo sujeito pode ser considerada como verdade. A verdade perene imortal, intrnseca, e no efmera. Ao analisarmos a realidade em nossa volta detectamos que isso a verdade que procuramos? Apesar de ser um fato real, o que procuramos uma verdade pura, autentica e inviolvel. A verdade transcende a esfera do desconhecido, percorrendo por vrias pocas, lugares e at mesmo por sentimentos que no se pode explicar.
Na investigao dessa verdade que profissionais ligados de maneira direta e indiretamente proporcionam suas concepes unidas aos fatos reais, e tentam explicar de maneira coerente, expondo seus pensamentos e evidenciando a realidade, ao passo em que surgem novas realidades no nosso convvio social, e que essas verdades podem ser verdades efmeras, ao fato da realidade esta contida na transformao da histria, usa-se esse legado para atribuir o mecanismo do indivduo formado pela relao social.
A REALIDADE A FORMA DE LINGUAGEM
Pensamos apenas no momento, e este presente pode ser alterado com mudana de hbitos, no se pode prever o acontecimento que ir ocorrer no planejamento de uma vida, se quer obter uma clara e coerente informao sobre o futuro, porm e correto afirmar que possibilidades o pensamento percorre o espao e o tempo um busca do bvio, a linguagem uma das formas de se obter e encontrar a verdade, pela linguagem construmos um mundo vivel atravs dos tempos, adotamos seguimentos, criamos religies, combatemos o desconhecido, limitamos o impossvel, e s atravs de uma linguagem apropriada pode aflorar a verdade de todas as coisas, pondo s claras a base de tudo. O mundo contemporneo esta ligado pela linguagem o acesso entre naes por meio das tradues a ao comunicativa e a verdade intersubjetiva do coerncias a este novo conceito de verdade.
"Razo e verdade deixam de ser, assim, contedos e valores absolutos e passam a ser definidos consensualmente. E sua validade ser tanto maior quanto melhores forem as condies nas quais se d o dilogo....O pensamento de Habermas incorpora e desenvolve reflexes propostas pela filosofia da linguagem. A nfase dada por ele a razo comunicativa pode ser entendida como uma maneira de tentar "salvar" a razo."
COTRIM, Gilberto. Pg. 210
No neopragmatismo tambm coloca a linguagem como forma de obter a verdade, e a linguagem mostra a irrealidade do mundo real, o pensamento de Richard Rorty e de refutao a idia de uma verdade objetiva, esttica, inerte e a partir do juzo que fazemos de nossa realidade, que passamos a concordar com o que regido pela razo, o pensamento pode alcanar as irrealidades, e a linguagem pode falar das mesmas irrealidades, o que no necessrio que mesma realidade possa ser transmitida de forma semelhante, a ao comunicativa atravs da razo norteia para que o progresso do dilogo esteja voltado para a socializao e interao das pessoas.
A existncia da verdade esta na conscincia da cada SER. Se acreditarmos naquilo que certo ao pensamento ento o valor mediante o nosso pensamento a verdade? Se no acreditamos possvel que haja uma afirmao que existe algo de verdadeiro? Por isso, o fato em que vivemos confronta as duas formas de realidade objetiva, que lida com o agora, e a subjetiva que lida com o pensar e uma terceira realidade a realidade ilusria. Acreditar na refutao dos nossos pensamentos como se fosse uma realidade que adotamos nesse mundo como fonte para as nossas irrealidades, burlar a identidade da verdade e fixar entre o obvio e o falso entre o certo e o errado princpios que permeiam nossas utopias nosso imaginrio e com isso passar a viver a mesma idia que o nosso sujeito determinou como forma de verdade. E a linguagem o ato da verdade pelo simples fato de aproximar e interagir as pessoas, sobre a maneira que temos em absorver a ao e represent-la ao convvio social.
AS ORIGENS DA VERDADE
H sculos os Filsofos se encarregaram por uma investigao aprofundada a respeito da verdade, Herclito, por exemplo, dizia que a verdade era o Devir, a dialtica esta sempre em movimento e as foras contrrias como Bem e mal, positividade e negatividade promovem o surgimento da verdade no mundo. O outro Filsofo que enquadrou no mesmo pensamento de Herclito foi Empdocles que afirmou que dois elementos como princpios universais e opostos estariam submetidos verdade, Amor e dio, um pela atrao e unio o outro pela repulso e separao, as mesmas foras contrrias.
"A tradio da histria da filosofia inaugurada por Hegel viu em Herclito o primeiro filosofo a desenvolver um pensamento dialtico, por valorizar as unidades dos opostos que se integram e no se anulam, e por ver no conflito a causa do movimento no real."
MARCONDES, Danilo. Pg. 3 e seis.
Protgoras tambm registrou a sua contribuio "O homem a medida de todas as coisas", com essa afirmao coloca o homem como determinante da verdade e que tem a liberdade de decidir para si mesmo o que o bvio, a verdade uma virtude humana e no esta na realidade da coisas, e sim no homem, o mesmo pode definir o sentido para a vida acreditando em uma verdade subjetiva, onde o sujeito pode alcanar verdades conhecedoras a realidade do homem atravs do Logos.
"Protgoras parece assim valorizar um tipo de explicao do real a partir de seus aspectos fenomenais apenas, sem apelo a nenhum elemento externo ou transcendente. Isto , as coisas so como nos parece ser, como se mostram na nossa percepo sensorial....Portanto, nosso conhecimento depende sempre das circunstncias em que nos encontramos e pode, por isso mesmo, variar de acordo com a situao."
MARCONDES, Danilo, pg. 43.
Encontrar resposta atravs meio natural era as possibilidades da Escola de Mileto, mas foi com Scrates que a Filosofia tomou rumos de uma verdadeira cincia ainda no explorada, Aquelao de Atenas transferiu todo o seu saber Scrates e este conheceu toda a Filosofia natural da Escola Jnica , com base em seu conhecimento construiu sua teoria na problemtica do homem, passando a adotar um comportamento relacionado ao EU interior, a busca incessante por respostas que levassem a investigao da verdade. Encontrar um sentido para vida era o que procurava o Filosofo, repugnando seus valores sociais, contudo conservava suas condutas ticas e Morais, a mudana que sofre para encontrar o conhecimento da verdade leva Scrates a um mundo de reflexo, visto de uma maneira confusa para alguns mais substanciais para a verdadeira Filosofia.
"Ests enganado, se pensas que um homem de bem deve ficar pesando, ao praticar seus atos, sobre as possibilidades de vida ou de morte. O homem de valor moral deve considerar apenas, em seus atos, se eles so justos ou injusto, corajosos ou covardes."
PLATO. Defesa de Scrates, p. 14. COTRIM, Gilberto, pg. 88.
Agostinho assim o diz, procurou a verdade incansavelmente, e a verdade se revelou a ele, primeiramente foi influenciado pelas leituras de Ccero, seguidor da escola ecltica que buscava os ensinamentos das escolas platnica, aristotlica, hedonista e etc. Depois freqentou o maniquesmo doutrina de origem persa, onde o pensamento de dualismo preponderava, tentou o ceticismo, mas percebeu que essa corrente refutava a verdade, e refletiu que essa constante busca pela verdade seria algo obscuro a nossa realidade, fez com que Agostinho insistentemente guiado pela induo que o levava escolhesse o melhor para si, desestimulado do que procurava at ento, encontrou nas pregaes de uma pessoa literalmente conhecedora da palavra Santo Ambrsio, e fez com que Agostinho se pronunciasse em prol de uma verdade que nem mesmo ele idealizava e que estava alm do seu conhecimento, uma verdade que ultrapassa a epistemologia humana, e aceitou veemente essa a verdade, Agostinho a recebeu, depois de tantas outras doutrinas procura do inexplicvel, ele percebeu que era ali o ponto final, e passou a defender o cristianismo, propagar o conhecimento que nem mesmo ele imaginava, tornou-se um defensor do cristianismo at seus ltimos dias. Essa verdade que Agostinho procurava e foi encontrada, mostra a superao de como as pessoas conseguem o que desejam, isto , prova a determinao de Agostinho em alcanar a VERDADE.
"Baseando se no profeta bblico Isaias, dizia ser necessrio crer para compreender, pois a F ilumina os caminhos da razo, e que a compreenso nos confirma a crena posteriormente. Isso significa que, para Agostinho, a F revela verdades ao homem de forma direta e intuitiva."
COTRIM, Gilberto, pg. 112.
A LINGUAGEM DE JESUS
A verdade imutvel? A felicidade o meio pelo qual nos tornamos verdadeiros, ser que a nossa mente ao percorrer por lugares ainda no explorados, encontra a felicidade que justa que real, ou ser que isso tudo uma utopia sem fim? Jesus ao mencionar o conceito de verdade da uma esperana aos nossos coraes, encontrar a felicidade encontrar a verdade em si, ao mesmo tempo em que a memria intrnseca tambm efmera, Jesus falou por meio de parbolas, mas falou tambm pelos fatos que passavam em sua poca, ao relatar aes de uma vida alm das esferas da realidade humana, e essas palavras so testemunhos do prprio Jesus:
"Eu sou o caminho, e a verdade e a vida. Ningum vem ao pai seno por mim."
JOO, CAP 14, VESICULO, 6
Com o seu pronunciamento sobre a verdade levou a uma concepo idealista e realista, ao mesmo tempo tinha uma dupla funo em evangelizar e a praticar para se cumprir aquilo que realmente idealizava na consistncia de sua F, elaborada pelo sujeito e no em apreenso do objeto e sim na sua praticidade, pois tudo que idealizava era totalmente adverso a experincia, a representao que obtinha da realidade era de alguma forma inexplicvel, justificou essa verdade com a representao do paraso que o aguardava, Jesus veio ao mundo no para nos convencer e sim, para informar que existe uma verdade SUPERIOR, e que essa verdade estar em acreditar no que a conscincia nos permite, e em no abandonar nossa confiana, mesmo que a representao seja algo idealizado por nossas aparncias.
Em destarte, o homem busca a certeza e com isso gera a incerteza, a rea de conflito aonde pode solucionar todos os seus problemas esta em seu prprio ser, a sua mente a nica regio que pode cessar essa guerra ideolgica, o homem se caracteriza pela razo e no pelo instinto que os nivela aos irracionais. pela razo que se projeta na metafsica, na histria e na sua pluralidade de conhecimento, e pelo esprito que transcende a tridimensionalidade do tempo, espao e massa, que encontramos as respostas para o enigma da vida e da morte, a extino do ser humano no passa de uma transio de ambientes que chamamos de morte, de mudana de plano ou esfera, o homem no est s no mundo, existe uma inteligncia superior que nos guia para achar em definitivo o caminho para a verdade. E as correntes Filosficas abraam a questo do conhecimento, e relatam atravs da histria as mudanas que ocorrem no nosso saber.
"O homem persuadido pela ignorncia de sua prpria razo."
(O AUTOR)
REFERENCIAS BIBLIOGRFICAS
BRANCO, Camilo Castelo. O Gnio do Cristianismo, CHATEAUBRIAND, editora Brasileira, So Paulo 1970.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos Filosficos, editora Saraiva, 2006, So Paulo.
HABERMAS, Jurgen. Teoria y prxis. Madri, tecnos. 1997.
MARCONDES, Danilo. Iniciao a Histria da Filosofia, editora Zahar, Rio de Janeiro, 2007.
MARIAS, Julin. Histria da Filosofia, editora Martins Fontes, So Paulo 2004.
RE, Jonathan. Heidegger Historia e Verdade em Ser e Tempo, editora UNESP, 1998.