subject: Princípios Lean e os Sete Desperdícios: uma forma de reduzir custos [print this page]
Voc j parou para observar quantas vezes teve que fazer (ou re-fazer) uma determinada tarefa em casa ou no trabalho? Voc j se pegou aguardando um documento ou informao que nunca chega at voc? Voc j... Se continussemos a elaborar perguntas semelhantes, esta postagem ficaria igual a uma conversa com respostas monossilbicas: SIM, SIM, SIM! Certo? Ento est na hora de mudar um pouco esta situao para que voc consiga mais facilmente alcanar os seus objetivos quando vai s compras, na sua empresa e at em casa. Tudo isso que ocorre e que separa voc do seu objetivo chama-se Muda (palavra japonesa que significa desperdcio e pronuncia-se mud) e esta relacionada a qualquer atividade humana que consome recursos, mas no gera Valor. Importante ressaltar que apesar da sua origem ser no cho de fbrica, os Princpios Lean se aplicam aos escritrios ou setores administrativos privados e at pblicos (no sei porque lembrei daquela msica: "Sonho meu... sonho meu... vai buscar quem mora longe, sonho meu.")
No incio do sculo um executivo da Toyota chamado Taiichi Ohno (1912-1990), considerado o maior crtico do desperdcio, identificou 7 formas diferentes de desperdcio que so facilmente encontradas nos mais diversos tipos de negcios, em pequenas e grandes empresas, em casa e at mesmo num destes quiosques onde paramos para comprar um lanche no final da tarde. Para entendermos melhor estes desperdcios devemos antes entender quais Princpios Lean (as nossas referncias) sero usados como base para a identificao e visualizao correta de cada um destes 7 desperdcios. O que queremos ao final fazer mais com menos: menos esforo, menos equipamentos, menos espao, menos tempo, ficando prximo da perfeio que o desejo do nosso cliente.
Os Cinco Princpios Lean so os seguintes:
Valor: ponto de partida para o Lean ou Pensamento Enxuto e deve ser definido pelo cliente final. Muitas empresas criam ciclos de debates tentando criar conceitos sobre o que seus produtos entregam de valor aos seus clientes (ledo engano), mas Valor funo do cliente e ponto final. Se optar por fazer esta mesma reunio ento convide um cliente ou eleja um representante do seu cliente neste mesmo frum. Valor o ponto de partida do Pensamento Enxuto.
Cadeia (ou Fluxo) de Valor: Identificao do conjunto de atividades necessrias para desenhar, desenvolver, ordenar e prover um produto, servio ou at a combinao dos dois. Existem trs tipos de processos: os que geram valor para o cliente final, os que no geram mas so necessrios ou importantes como processos de manuteno, qualidade, regulamentos, normas (muda tipo 1) e os que realmente no agregam qualquer valor (muda tipo 2). Estes so os nossos principais inimigos e devemos atac-los j no incio da nossa luta contra os desperdcios.
Fluxo Contnuo: conhecido o Valor e identificada a Cadeia de Valor devemos ento (uma vez j eliminados os desperdcios que sero apresentados a seguir) pensar em gerar Fluxo Contnuo aos processos e para isso precisaremos mudar alguns conceitos pr-existentes, pois o grande problema na gerao de Fluxo Contnuo o fato de ser Contra-Intuitivo. Apresar de estimulante, esta uma das fases mais difceis do processo, pois o nosso pensamento normalmente trata de trabalhos em lotes ou "departamentalizados" o que efetivamente no cria Fluxo Contnuo.
Produo Puxada: nada deve ser produzido at que o cliente final sinalize sua necessidade, uma inverso do fluxo produtivo. Se pensarmos na produo de livros, boa parte destruda ou reciclada se a produo for muito maior que a demanda. Devemos pensar tambm na preparao necessria para atender as solicitaes do cliente final.
Perfeio: considerando-se que j especificamos o que Valor (definido pelo cliente final), j estabelecemos a nossa Cadeia de Valor e eliminamos os desperdcios, geramos Fluxo s nossas operaes e processos e aguardamos o sinal do nosso cliente para puxar a nossa produo devemos ento buscar continuamente a Perfeio atravs da criao de valor. Ter total transparncia dos processos eleva a participao de todos os envolvidos (empregados, clientes, distribuidores, terceirizados, etc) na busca do aprimoramento contnuo.
"Alcanar a Perfeio impossvel, mas o esforo para prev-la nos d inspirao e direo essenciais para progredir ao longo do caminho".James Womack Lean Thinking
Agora que j sabemos qual o nosso "Norte" vamos ento entender quais so os desperdcios (muda tipo 2) para ento elimin-los. Antes, porm temos algumas dicas importantes:
- Aperfeioe seus processos antes de automatiz-los (mquinas e computadores), pois mesmo sendo executados mais rapidamente voc no ter eliminado os desperdcios.
- Maximize os Recursos Humanos antes de comprar solues.
- Inicie sempre pelo Valor e este deve ser definido pelo cliente.
- O que os clientes querem: produtos e servios adequados, na hora certa, na quantidade certa, com custos condizentes e sem defeitos.
Vamos ento conhecer os 7 Desperdcios que podem ocorrer em qualquer uma das fases da gerao de produtos ou servios na sua empresa.
Espera ou Tempo Ocioso: tempo em que operadores ou mquinas ficam parados aguardando itens requeridos para completar uma tarefa (informaes, materiais, suprimentos, documentos, assinaturas, etc). Neste caso levamos em considerao homens e mquinas durante parados por atrasos e no pela ausncia completa de servio, pois a j outro problema.
Movimentao de Pessoas: quaisquer deslocamentos de pessoas (na busca por materiais ou informaes) que no agregam valor ao produto ou servio. Estaes de trabalho mal projetadas, etc. Voc j se viu andando de um lado para o outro buscando aprovaes que muitas vezes o aprovador seque l o que est aprovando?
Excesso de Processamento: qualquer esforo ou tempo gastos e que no adicionam Valor Cadeia de Valor. Duplicidades de testes sem um propsito claramente definido, coleta de dados alm do necessrio, etc.
Estoque ou Inventrio: excesso de materiais armazenados aguardando processamento. Compras por lotes alm do necessrio, compras de saldos, produo superior demanda, etc
Movimentao de Itens: transportar desnecessariamente informaes ou materiais de uma estao de trabalho para outra ou de um setor para outro. Nmero reduzido de ferramentas de baixo custo, layout ruim, etc
Excesso de Produo: produzir informaes ou servios alm do que o cliente final solicitou. Pode ser desde materiais ou at em relatrios ou planilhas com um sem nmero de colunas onde voc simplesmente queria a listagem com o nome e cdigo dos seus 10 principais clientes.
Reparar defeitos ou re-trabalho: tempo gasto consertando ou retrabalhando materiais ou informaes. Testes incompletos, soldagens deficientes, etc
E a? Ser que j d para voc olhar para a sua empresa e notar alguma forma de desperdcio? Que tal perguntar aos seus clientes o que eles vem como tarefas que no agregam Valor? Est com receio de ouvir algo que no goste? Este j um indicativo de que seus processos precisam passar por alteraes para eliminar os muda (desperdcios). Rena sua equipe e tente mapear cada uma das etapas da produo de bens ou servios. Se precisar da nossa ajuda entre em contato.
Veja a beleza deste comercial onde tantas aes acontecem para fazer a propagada do veculo e seus produtos e acessrios. Se analisado sob a tica doLeanestas aesseriam eliminadas bastando ligar o veculo.
Eliminar os desperdcios a maneira mais fcil de potencializar a manuteno do lucro de sua empresa. A prtica constante destes princpios Lean certamente conduzir sua empresa, no importando o tamanho ou o trabalho executado, a alcanar mais facilmente metas e objetivos alm de ser uma forma de motivar sua equipe na busca da Perfeio.
Os seus clientes certamente vo agradecer!
Graduado em Proc. de Dados pelo Mackenzie/SP, Ps em Administrao Industrial e MBA pelo INPG. Aluno de Mestrado em Produo do ITA. Gerente de empresa multinacional com vrios cursos e seminrios no Brasil e Exterior. Palestrante e Diretor do Palestra Cnica.
Princpios Lean e os Sete Desperdcios: uma forma de reduzir custos
Graduado emProc. de Dados pelo Mackenzie/SP, Ps em Administrao Industrial e MBA pelo INPG. Aluno de Mestrado em Produo do ITA. Gerente de empresa multinacional com vrios cursos e seminrios no Brasil e Exterior. Palestrante e Diretor do Palestra Cnica. Possui um blog sobre Administrao http://ngfconsultoria.blogspot.com (Artigonal SC #3212556)