subject: GOVERNO INEFICAZ E JUVENTUDE PERDIDA [print this page] Alguns amigos pediram para que eu tente explicar as causas dessa onda de violncia que est assolando os grandes centros brasileiros, notadamente, a partir do sistema penitencirio.
Peo licena para iniciar apontando alguns dados recentes sobre a nossa juventude.
Estudo do IPEA aponta na direo da responsabilidade de todos ns para com o nosso futuro. Um estudo feito por uma equipe do Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada (IPEA) mostra que mais de 05 (cinco) milhes de brasileiros entre 15 e 24 anos esto desempregados.
Eles representam 48% (quarenta e oito) por cento da populao acima de 14 anos que esto sem emprego, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional de Amostras por Domiclio (Pnad). O trabalho revela tambm, com base em dados do Ministrio da Sade, que 40% (quarenta) por cento dos bitos por homicdios no Brasil ocorreram nessa faixa etria. Por conta dessa calamidade, 4% dos homens jovens no completam o 25 aniversrio.
Pelo jeito, a poltica assistencialista do governo Lula, e at mesmo o Bolsa Famlia, se mostrou ineficaz para o combate a misria e a violncia urbana.
Desemprego, pobreza e violncia esto associadas trajetria dos jovens brasileiros h muito tempo. Muito mais do que se poderia suportar. A insensibilidade dos atuais governantes manteve e reproduziu essa cruel realidade.
O mais estranho constatar que o governo do PT no investiu com prioridade em segurana pblica. Nem com aes preventivas, nem com polticas de ocupao de nossas fronteiras, para coibir o contrabando de armas e drogas.
Por outro lado, o oramento contingenciado para as reas sociais insistiu, inexplicavelmente, em medidas pontuais, com nfase na represso, com a compra intil de mais armas e veculos.
possvel afirmar que o governo do PT fracassou no enfrentamento da violncia crescente, quer pela tica social quer pela viso atrasada sobre a questo da segurana.
So 35 milhes de jovens entre 15 e 24 anos, segundo o levantamento do IBGE/PNAD, dos quais 5 milhes de moas e moos, no estudam, nem trabalham, nem procuram emprego. Esta uma tendncia crescente. o esmagamento do futuro. Uma sociedade suicida.
A constatao tanto mais grave quando sabemos que esse desemprego estrutural, ou seja, resultado do avano tecnolgico das foras produtivas. Quanto mais moderna a empresa, menos absorve fora de trabalho.
O governo Lula no compreendeu que o novo padro de acumulao do capitalismo elimina postos de trabalho e os substitui por computadores.
expressivo e rpido o crescimento da proporo dos jovens que no estudam, nem trabalham. So milhes de jovens em crise, sem qualquer perspectiva profissional. No basta manter os programas assistencialistas via Bolsa Famlia e Prouni.
Essa poltica compensatria pode ser muito boa para montar um discurso eleitoreiro, mas no eficaz para evitar o suicdio coletivo das futuras geraes. Que fazer?
Sem fazer a profecia do caos, toro para que essa onda de violncia aguda possua fora e capacidade para que a sociedade civil organizada saia do imobilismo, e entenda de uma vez por todas que construir escola investimento, e construir cadeia desperdcio.
Crises agudas costumam criar oportunidades, abrindo janelas para processos de ruptura. urgente e indispensvel iniciar o rompimento com a realidade vivida at este momento.
O Bolsa Famlia deve ser mantido, ampliado, e integrado a programas de capacitao profissional, para que seus beneficirios assim no permaneam, mas adquiram a dignidade de bom emprego.
Num plano mais geral e abstrato, trata-se de determinar qual o peso que a sociedade deve atribuir exigncia de insero social, com garantia de estudo, trabalho e renda, para os muitos milhes de jovens brasileiros. Qual o destino deles, que perspectivas podem ter e, sobretudo, de que maneira eles se relacionam com a construo de um Projeto de Nao.
Mantida a inrcia governista atual em termos de polticas para a Juventude (e a fraqueza da nossa sociedade civil); essas brigas de gangues e assaltos dirios a que estamos somente assistindo, vo parecer brincadeira de criana frente ira santa das massas urbanas perifricas marginalizadas, cuja caldeira j est bastante aquecida.
Se a opo da maioria for realmente manter o continusmo, ter sido a negao da luta de toda uma gerao.
Rinaldo Barros professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, desde 1988. Foi presidente da Fundao Cultural Capitania das Artes (2001 a 2004), onde articulou a implementao de uma poltica cultural comprometida com a construo da cidadania. At recentemente ocupou a Diretoria Cientfica da FAPERN Fundao de Apoio Pesquisa do Rio Grande do Norte, onde busca contribuir para que a disseminao do conhecimento cientfico e a prtica da pesquisa se tornem mecanismos de desenvolvimento do Rio Grande do Norte. Atualmente, consultor e diretor do Instituto Teotnio Vilela, em Natal. (Artigonal SC #3210691)