subject: Quero Colo [print this page] Mas sortudo este caraMas sortudo este cara. S com ele acontece. Comigo, nada. E eu fico aqui sem saber como que . Ele j quebrou o dedo, tem uns quantos pontos na testa e agora o p. E eu nunca quebrei nada, nem uma unha sequer, porque eu ro elas. No d para entender!". Quem ouviu o desabafo se encarregou de dizer: "Cruz credo! vira essa boca para l, guri". lgico que se tratava de uma criana, perplexa ante um pequeno acidente com o irmo, ao v-lo com um imobilizado.
Quando ficamos doentes os olhos dos familiares se voltam para ns e o nosso quinho de afeto parece que aumenta. Como amor um sentimento que no se divide, no tem medida, d a impresso que algum se arvorou de uma parcela nossa no carinho familiar, j que ficam paparicando o doente. L se foi o nosso pedao, como se amor fosse uma torta gostosa e finita, com fatias delimitadas para cada um, onde aumentar a de algum pode significar diminuir a nossa. Ainda mais se estivermos lidando com crianas que disputam milimetricamente a nossa ateno, vigilantes se o outro pode estar recebendo mais.
Gostamos de quem faz as tarefas por ns. Queremos eternamente ser servidos, cortejados e isto traduzido em atitudes corriqueiras, como trazer o caf na cama se imobilizados, ajudar-nos a vestir, ficar mais tempo perto, alcanar o controle remoto da TV. Mas a o querido abusa e pede que desamos para buscar uma gua justo no meio da novela, pois ele est tem sede, no importa o quanto suas pernas doam depois de um dia de trabalho e no queiramos perder aquele captulo de Viver a vida. Para o doente dengoso o centro do universo ele, sob a forma de surrupiar a ateno que deveria ser equanimente distribuda entre os demais.
Todos ns queremos colo, mas crescemos e o nosso inconsciente se encarrega de aproveitar as raras oportunidades em que o colo est ali, na nossa frente, esperando por ns, como a dizer: "Vem, que o colo seu e eu no vou reclamar que voc est grande demais para t-lo". pr j. Caimos de cabea nele, loucos para que as dores, as aflies passem e o regao perdure.
Porm, ningum volta s sries iniciais quando se est na faculdade. O aprendizado presume galgarmos degraus e a est includo o amadurecimento emocional. perfeitamente compreensvel o cime de uma criana. Mas tambm cabe verificar se ela no est manifestando uma diviso de afeto inadequada no dia a dia e achou uma desculpa vlida para se manifestar. Se a mesma sensao perdura quando se trata de um adulto, precisamos rever qual parcela de ns permaneceu l na infncia querendo colo e se negando a crescer.
Bacharel em Administrao de Empresas; Certificao em: Gesto em Marketing, Gesto de Pessoas pelo INEPAD-UNB-DF; \Cronista dos jornais \\\"ATOS E FATOS\\\" no noroeste do RS; e \\\"CAPITAL DAS PRAIAS\\\"No litoral norte do RS. Poeta com livro publicado \\\"INTERVALO\\\".Blog: http://verboesubstantivo.blogspot.com/ (Artigonal SC #3210145)