subject: PERSPECTIVAS EPIDEMIOLÓGICAS DO PRÉ-NATAL: um estudo realizado em João Pessoa/PB [print this page] 1- INTRODUO 1- INTRODUO
O pr-natal um tema de extrema importncia tanto para as mulheres quanto para as polticas pblicas de sade brasileira, sendo assim o Ministrio da Sade do Brasil preconiza ser primordial o acolhimento da mulher desde o incio da gravidez, ou seja, ir alm dos procedimentos clnicos transcendendo os limites fsicos, incorporando a informao e a educao na rotina do atendimento, com vista a promoo da sade (BRASIL, 2000).
Segundo Davin (2003), a assistncia pr-natal rene um conjunto de procedimentos clnicos e educativos com o objetivo de promover a sade das gestantes e do feto. O pr-natal um acompanhamento da evoluo da gestao, geralmente realizado pelo obstetra, procurando cuidar da sade da mulher e do beb at que o parto ocorra. Contudo este processo vai alm do cuidar da sade fsica, pois durante o pr-natal que a mulher recebe orientaes sobre sua gravidez, os cuidados que ela deve ter neste perodo, a nutrio, exerccios, trabalho de parto, parto, aleitamento e outros temas. Este deve ser tambm um momento para que a mulher possa conversar sobre suas dvidas e seus medos, de ter um apoio.
Para (NEME; MARETTI, 2000), a assistncia ao pr-natal, deve ser realizado a partir da organizao de servios que mesmo parecendo simples, so fundamentais tais como: 1- dar incio assistncia no primeiro trimestre da gestao, a fim de permitir, precocemente, aes preventivas, educativas e teraputicas; 2- realizar o controle peridico, contnuo e extensiva da populao alvo para que seja facilitado o fluxo de informaes com os servios de sade no sistema de referncia e contra-referncia, exigindo-se assim: ficha pr-natal, carto da gestante e mapa de registro dirio das ocorrncias; 3- pessoal devidamente treinado e capacitado (mdicos e enfermeiros); 4- rea fsica ampla e adequada; 5- instrumental e equipamentos mnimos; 6- apoio laboratorial mnimo; 7- avaliaes peridicas das aes da assistncia prodigalizadas, a fim de se considerar mudanas estratgicas e funcionais. Para tento, considerar os resultados obtidos em relao a morbiletalidade materna e perinatal da populao assistida; 8- reserva de medicamentos bsicos.
Em nossa pesquisa um dos aspectos abordados no questionrio aplicado diz respeito ao local onde a mulher realizou ou realiza o seu pr-natal, se em hospital ou postos de sade, contudo no realizamos, neste momento, uma averiguao destes locais a fim de constatar se os mesmos obedecem organizao dos servios preconizados por Neme e Maretti. (2000)
O pr-natal est relacionado sobretudo com a preveno, pois no decorrer deste torna-se possvel detectar patologias que podero intervir no bem estar fsico e psicolgico tanto da me quanto do beb e a partir de ento tomar as providncias necessrias para o restabelecimento e/ou o no aparecimento de problemas futuros.
Tendo em vista a escassez pesquisas realizadas na regio Nordeste, e sobretudo na Paraba, objetivamos a partir deste estudo averiguar como est sendo, ou foi, a realizao do pr-natal pelas mulheres de uma classe econmica menos favorecida da cidade de Joo Pessoa, e quais os problemas de sade por elas detectados durante o pr-natal. Nossa pesquisa teve a participao de 95 mulheres, que j fizeram ou esto fazendo o pr-natal, e que se encontravam presentes na IV Mega-Ao Social da FACENE/FAMENE.
Veremos que no Brasil, apesar de ter ocorrido um grande avano, ainda existem vrios aspectos que devem ser melhorados com relao as polticas de sade pblica, e neste contexto encontramos os exames peridicos do pr-natal, assim esperamos que estes resultados possam auxiliar na melhoria deste servio.
OBJETIVO GERAL
Verificar junto s mulheres, mes ou gestantes, que participaram da IV MEGA-AO SOCIAL da FACENE/FAMENE realizado em novembro de 2006, dados epidemiolgicos sobre a realizao do pr-natal.
Objetivos Especficos
Averiguar o nvel de escolaridade das mulheres mes ou gestantes, que participaram da IV MEGA-AO SOCIAL da FACENE/FAMENE realizado em novembro de 2006 e que realizaram o pr-natal.
- Analisar quais os sintomas mais presentes durante o pr-natal por parte das mes ou gestantes, que participaram da IV MEGA-AO SOCIAL da FACENE/FAMENE realizado em novembro de 2006.
- Verificar onde foi realizado o pr-natal das mes ou gestantes, que participaram da IV MEGA-AO SOCIAL .
- Obter informaes que possam auxiliar os gestores na melhoria do atendimento s gestantes no pr-natal realizado no sistema de sade pblica.
2- O PR-NATAL NO CONTEXTO DA SADE PBLICA BRASILEIRA
A histria demonstra que o pr-natal um procedimento recente em nossa sociedade, pois at as primeiras dcadas do sculo XX, as gestantes no eram levadas a hospitais para terem seus filhos e pouco se estudava sobre o que se passava com o beb enquanto ele est dentro do tero, sendo nutrido pelo cordo umbilical. Apenas terminada a Segunda Guerra Mundial, a sade das mes e do feto durante a gestao e o parto passaram a ser mais valorizados.
O grande marco desse avano foi sem dvida a descoberta da ultra-sonografia na dcada de 70, tcnica que finalmente permitiu a visualizao do organismo do beb e a forma como ele se desenvolve no ambiente intra-uterino. J na dcada de 80, foram desenvolvidos exames de retirada do lquido amnitico (amniocentese) e diferentes tipos de anlises de sangue e sorolgicos, proporcionando uma avaliao mais precisa das condies fsicas da me e do feto.
Segundo Tanaka (1995), a preocupao e os cuidados com os eventos que ocorrem durante a gravidez revelam o respeito a cidadania feminina refletindo assim o grau de desenvolvimento de uma sociedade. Contudo, o que podemos observamos no Brasil que o acesso ao pr-natal ainda traz diferenas quanto a regio, escolaridade e residncia.
Dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Sade (PNDS) em 1996, da Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil (BEMFAM) 14,3% das mulheres que tiveram filhos nos cinco anos que antecederam a pesquisa, no haviam recebido nenhuma consulta de pr-natal, sendo 7,6% na cidade e 30,3% no campo. As diferenas regionais esto bem claras quando temos ndices como o do Rio de Janeiro apresentava a menor taxa de mulheres sem cobertura pr-natal, de 3,8%, em contraste com a falta de consultas para 25,2% das mulheres nordestinas e 17,1% das mulheres na Regio Norte.
Ainda, segundo o PNDS, relacionado escolaridade temos que 42,6% das mulheres sem pr-natal eram analfabetas e 27% haviam cursado apenas de um a trs anos de estudo, totalizando 69,6%. Isto , as mulheres que tinham problemas de acesso ao pr-natal estavam nos locais e regies mais pobres e tinham menos possibilidade de educao formal, convergindo diferentes graus de excluso social.
Cecatti (2004) observou que os dados coletados na PNDS em 1996 apresentavam aspectos semelhantes aos declarados no Sistema de Nascidos Vivos (SINASC) nos ltimos anos. Em 1997, 49,8% e em 1998, 49,5% das mulheres declararam ter realizado mais de sete consultas de pr-natal. As desigualdades regionais permanecem: no Sudeste o percentual encontrado de 58,6%, e de 38,6% na regio Norte.
Nos anos de 1997 e 1998 houve um aumento significativo na realizao do pr-natal tendo em vista a incluso do seu acompanhamento no conjunto de aes bsicas que deveriam ser desenvolvidas pelos municpios. (figura 1) Embora o nmero absoluto de consultas tenha aumentado, a razo nacional em 2000 era de quatro e, para que todas as mulheres conseguissem realizar seis consultas, seria necessrio um incremento de mais de cinco milhes de consultas de pr-natal por ano. Este crescimento, de 50% para o pas, deveria representar um aumento de 105% para a Regio Norte e de 150% para os estados do Nordeste. (ibdem)
Vianna (2001) demonstra que em pesquisas recentes sobre as desigualdades de sade no Brasil encontra-se entre os indicadores de qualidade selecionados, o percentual de mulheres que receberam pelo menos seis consultas pr-natal. indicando que na correlao entre taxa de pobreza e cobertura pr-natal, os autores afirmam que esta inversamente proporcional, ocorrendo, no entanto, interferncia de outros fatores. O resultado dessa correlao apontou que a maioria dos estados com cobertura de pelo menos seis consultas de pr-natal apresentava um nvel econmico compatvel com o esperado para a realizao dessas consultas e que, a cada reduo de 10% na taxa de pobreza, haveria o aumento de 7% na cobertura pr-natal, ratificando o vnculo entre assistncia e renda.
Com a implementao e avano da assistncia ao pr-natal na rede pblica de sade, principalmente, a recomendao este acompanhamento tenha incio assim que a gestao seja diagnosticada para que se possa alm de fortalecer a adeso da gestante ao pr-natal, seja possvel, tambm, diagnosticar possveis fatores de risco. Os dados da PNDS apontam que 66% das mulheres iniciaram o pr-natal at o terceiro ms. As diferenas em relao s regies e localizao so as mesmas que as encontradas para a questo do acesso: assim, a taxa de captao precoce rural 45,7% e a urbana de 72,7% e as Regies Nordeste e Norte apresentam as menores taxas, de 51,9% e 55,7% respectivamente. (ibdem)
Embora tenha havido um grande avano quanto a conscientizao junto s mulheres da necessidade de realizao do pr-natal, e da implementao deste junto a ateno bsica de sade, ainda podemos observar a existncia de diferenas quanto ao grau de escolaridade, regionalizao e condies de atendimento diferenciadas nas zonas urbanas e rurais.
Faz-se mister tambm a implantao de um atendimento multidisciplinar s gestantes, pois o pr-natal envolve alm das transformaes fsicas, mudanas em outros nveis como o psicolgico. Portanto, acreditamos que a assistncia mulher na gestao s deveria ser considerada como concluda aps a consulta puerperal, pois ento seria possvel detectar alteraes tais como a depresso e a anemia.
2.1-PR-NATAL SOB A PTICA DA RESPONSABILIDADE DO ENFERMEIRO(A)
Segundo (GAIO, 2004), os objetivos principais da consulta pr-natal so a avaliao e estado de sade materno e fetal, a identificao de fatores de risco que possam alterar o equilbrio da gravidez e a determinao da idade gestacional. A partir dessa anlise inicial deve ser definido um plano de acompanhamento, onde deve ser realizado por meio de monitoramento contnuo da sala de materno e fetal, no sentido de ampliar o grau e complexidade de atendimento sempre que necessrio.
Relacionado ao papel da enfermagem de suma importncia que no pr-natal a(o) enfermeira(o) fique atenta(o) para interpretar a percepo que a gestante est tendo com relao a aspectos como: famlia, mudanas fsicas, psicolgicas e sociais, pois esta uma experincia nica que envolve vrias dimenses. O profissional de enfermagem deve estar sempre atento a realidade do cliente e no se preocupar apenas em impor o seu conhecimento, pois, caso isto acontea, as orientaes dadas podero no ser adotadas por incompatibilidade com essa realidade. Uma comunicao eficiente entre profissionais e paciente a base para a eficincia de qualquer tratamento, e sobretudo para o empenho da mulher no seu auto-cuidado.
Na primeira consulta, como preconiza Barros (2002), se estabelece as primeiras reaes, positivas e negativas, entre a gestante e o profissional. Dessa forma, fundamental que o profissional conquiste a confiana simpatia da gestante recebendo de maneira atenciosa para que se estabelea um vnculo que auxilie no sucesso e na continuidade da assistncia; o envolvimento do companheiro e ou da pessoa significa para a gestante nesse processo tambm imprescindvel.
A primeira consulta que deve acontecer, preferencialmente, entre seis a oito semanas (ou em qualquer idade gestacional), podendo ser realizada na unidade bsica de sade, em hospitais ou por meio da visita domiciliar. Nesta consulta, deve ser efetuado um plano de acompanhamento da gravidez, obedecendo aos intervalos de 4 semanas at 32 semanas de gravidez; 2 semanas da 32 36 semana de gestao.
Segundo Montinegro, (2003), devem ser solicitados na primeira consulta pr-natal alguns exames de rotina, tais como: Hemograma completo; Tipagem sangunea (quando no realizado anteriormente); Glicemia de jejum; VDRL (sorologia para Lues); Sorologia para HIV; EQU e urocultura e o Citopatolgico cervical e exame direto de secreo vaginal.
Alm destes existem vrios exames diagnsticos, que podem ser usados para completar a histria e o exame fsico da gestante. Contudo, cada instituio tem seus exames padronizados, que devem ser realizados em todas as gestantes. Caso haja a necessidade outros exames podem ser acrescentados, de acordo com as necessidades de cada paciente. (BRANDEN, 2000).
Com o trmino dos exames fsicos e a concluso da historia de sade, a(o) enfermeira(o) deve analisar os dados e formular os diagnsticos de enfermagem pertinentes. Dentro das possibilidades, a(o) enfermeira(o) deve envolver a paciente no estabelecimento dos diagnsticos e enfermagem apropriados, pois essa participao ir originar uma sensao de responsabilidade, preservar a livre escolha da mulher e reforar sua capacidade de solucionar problemas.(ibem)
Aps as avaliaes e no tendo sido constatado risco na gravidez, o intervalo entre as consultas pode seguir o calendrio padro de com intervalos de quatro semanas at a 32 e duas semanas at a 36 semana. A partir disso, as consultas devem ser agendadas com intervalos de uma semana at ocorrncia do parto. Nas consultas subseqentes os procedimentos adotados pelos profissionais de uma forma multidisciplinar devero envolver: a leitura do pronturio; nnamnese atual; Clculo a anotao da idade gestacional; exame fsico geral e obsttrico; determinao de peso; medida da presso arterial; inspeo das mucosas; inspeo das mamas; mensurao da altura uterina e da circunferncia abdominal; palpao obsttrica; ausculta dos batimentos cardiofetais; pesquisa de edema; toque vaginal, exame especular e outros se necessrio; acompanhamento das condutas adotadas em servios especializados; realizao de aes e prticas educativas; agendamento de consultas subseqentes.
Na maioria das vezes cabe ao profissional da enfermagem a responsabilidade de orientar a paciente e a sua famlia sobre os riscos potencias durante o perodo pr-natal e a promoo de sade necessria para a me e o feto.
Segundo Barros (2002), papel tambm da enfermagem conhecer os hbitos alimentares da gestante e de avaliar se est realizando uma ingesto alimentar em quantidade e qualidade suficiente para as necessidades aumentadas durante a gestao, para tal necessrio que a gestante relate quais os alimentos ingeridos nas 24 horas dirias, em quais quantidades, como os alimentos so distribudos nas refeies, em que horrio so realizadas e quais os intervalos entre elas.
de fundamental importncia, na assistncia pr-natal, as recomendaes alimentares, levando-se na realidade da gestante fatores como o sociocultural, econmico, os hbitos e tabus alimentares, entre outros, especialmente nas gestantes que relatam uma dieta inadequada em relao a quantidade e a qualidade, os autores sugerem ento que neste caso as consultas sejam remarcadas em intervalos menores que fixados no calendrio habitual. Para a avaliao do estado nutricional da gestante, alm dos fatores citados utiliza-se um nomograma e um grfico de ganho ponderal, que deve se situar entre oito e doze quilos para uma gestante normal.
3-METODOLOGIA
Desenho do Estudo:
Trata-se de um estudo descritivo, observacional e transversal.
rea de Estudo
O estudo foi realizado no decorrer da IV MEGA AO SOCIAL , evento promovido pelas Faculdades de Enfermagem e Medicina Nova Esperana, com as mulheres presentes ao evento que j tivessem filhos ou que estavam grvidas. Seguindo os preceitos ticos da Resoluo n 196/96 CNS/MS, que trata da pesquisa com seres humanos, todas as mulheres foi esclarecido os objetivos do estudo e solicitado a sua participao espontnea. Trata-se de uma amostra de convenincia por ser um evento que propicia a presena de inmeras mulheres advindas de uma parcela mais carente da populao.
Populao de Estudo
O estudo teve como populao mulheres que se encontravam grvidas ou que j tinham filhos, perfazendo um total de 95 mulheres, com idade variando entre 16 e 79 anos, sendo que 03 questionrios foram desprezados por erros que poderiam influenciar nos resultados da pesquisa.
Fontes de Dados:
Os dados foram coletados, atravs de um questionrio que foi realizado com as mulheres presentes, havendo coleta de dados referentes a realizao ou no do pr-natal durante a gestao, grau de escolaridade, idade, nmero de filhos, se fumante ou no, se havia abortado ou no (caso afirmativo se natural ou provocado), sintomas mais presentes durante a gravidez e local onde foi ou est sendo realizado o pr-natal.
Plano de anlise:
Para anlise foram utilizadas tabelas com distribuio das freqncias das variveis. Para a apresentao dos dados de forma tabular foi utilizado o Excel 2000, produzido pela Microsolft Officer e o programa Bioestat verso 4.0.
4- RESULTADO E DISCUSSO
As anlises evidenciaram que o atendimento nos servios pblicos de sade, a baixa escolaridade materna e a ausncia de companheiro so fatores associados ao uso inadequado dos cuidados pr-natais. Delvaux et al. (apud Almeida,2005), estudando as barreiras para o cuidado pr-natal na Europa, concluram, de forma semelhante, que o pr-natal inadequado foi proporcionalmente maior entre mulheres com renda no regular, com baixo nvel educacional, com menos de 20 anos, solteiras e que no planejaram a gravidez.
- Mulheres presentes na IV Mega Ao Social com relao a realizao do pr-natal
O Brasil tem avanado muito no que diz respeito sade pblica e a implementao do pr-natal nas Unidades Bsicas de Sade tem sido um dos grandes responsveis pela diminuio, dos ainda altssimos, ndices de mortalidade materna e infantil. Podemos assim observar que grande parcela das mulheres tem se preocupado em realizar o acompanhamento durante a gestao. Como demonstrado no grfico acima, de uma amostra de 95 mulheres, 84 realizaram o pr-natal, enquanto apenas 02 no o fizeram. Da amostra 09 no responderam a questo.
-Local onde foi realizado o pr-natal segundo as mulheres pesquisadas
Ao questionamento referente ao local onde foi realizado o pr-natal a maioria se reportou ter sido atendida em hospitais, mais especificamente, nas maternidade (56); o PSF ficou em segundo lugar com um total de 30 mulheres e 09 no responderam a pergunta. Evidenciando-se que mesmo com a implementao das Unidades de Sade da Famlia nas comunidades a procura ainda maior nas maternidades, devendo-se ento ser realizado um trabalho contnuo e perseverante junto populao para que o pr-natal seja realizado nas prprias Unidades, diminuindo assim as superlotaes das maternidades.
- Situao do Estado civil das mulheres pesquisados
Da amostra pesquisada 34% declarou estar solteira no momento da realizao da pesquisa; 25% afirmou estar casada; 23% disse encontrar-se separada; 16% rotulou a sua situao como estando amigada, ou seja, morando junto mas sem haver a unio formal; 1% declarou estar viva e 1% no respondeu. Podemos observar nesta amostra que a maioria est solteira, e tambm grande parte das mulheres est separada, um total de 57%, ocasionando uma nova realidade na nossa sociedade que a mulher como responsvel e provedora do lar e dos filhos, criando os mesmos sem a presena do pai. Dados estatsticos demonstram ser cada vez mais comum filhos de mes solteiras ou de pais separados. Esta situao tambm faz emergir problemas como a depresso ps-parto e como foi afirmado anteriormente por Delvaux (apud Almeida) poder acarretar um pr-natal inadequado.
- Nvel de escolaridade das mulheres sujeitos da pesquisa
Neste grfico temos a confirmao de inmeras pesquisas realizadas quanto ao grau de escolaridade das pessoas pertencentes a uma camada mais pobre da populao, com a presena de 72% das mulheres no terem concludo o ensino fundamental; 9% afirmou ter concludo o ensino fundamental; 11% declarou ter o ensino mdio completo. 3% disse no ter completado o ensino mdio; 3% admitiu ser analfabeta e apenas 1% das entrevistadas declarou ter o ensino superior completo e a mesma quantidade declarou no ter concludo o curso superior.
No foi possvel, neste momento questionar os motivos da no concluso dos estudos. Mas, evidencia-se neste resultado a importncia de uma comunicao clara e objetiva por parte dos profissionais, para que as recomendaes possam ser seguidas de forma adequada.
- Tipos de partos realizado pelas mulheres pesquisadas
Ao questionamento relacionado ao tipo de parto realizado pelas mulheres a maioria 64% disse ter sido normal, reforando um incentivo dado pelo Governo Federal para a realizao deste tipo de parto. O modelo oferecido pelo SUS o baseado na evidncia, do parto normal, com uma margem de opo da mulher bastante limitada.
Na prtica, no Brasil, temos o convvio de vrios modelos de parto tpico mais prevalente e mais adequado a cada cenrio: para as mulheres do SUS em geral e dos convnios mais baratos, o modelo mais prevalente seria o parto vaginal com os procedimentos do parto tpico, sem o recurso peridural, e eventualmente a cesrea.
No entando estudos indicam que nos servios em que as mulheres podem negociar mais, os modelos mais prevalentes seriam o da cesrea (eletiva, negociada no pr-natal, ou indicada com menos ou mais critrio no decorrer do parto) e, na minoria dos casos, do parto vaginal tpico com a peridural. Mesmo na classe menos favorecida, como o caso dos sujeitos desta pesquisa temos a presena de um significativo nmero de cezarianas, tendo em vista que 32% das mulheres responderam ter tido filhos atravs deste tipo de parto, enquanto 4% afirmaram ter tido filhos em ambas as modalidades.
-Incidncia do aborto e tipo de aborto ocorrido nas mulheres pesquisadas
Das mulheres pesquisadas que j haviam sofrido aborto 81% disse ter sido aborto espontneo, natural. Enquanto 19% disse ter provocado o aborto. Pesquisas demonstram que Aproximadamente 25% de toda gravidez termina em aborto durante as primeiras 16 semanas, estimam os mdicos. Como alguns ocorrem num tempo ainda menor (por volta de 20 dias), existem mulheres que abortam sem nem saber que estavam grvidas.
- Uso de cigarro por parte das mulheres pesquisadas
Do total das mulheres pesquisadas durante a Mega Ao Social a maioria respondeu no ser fumante- 71%- enquanto 22% respondeu fazer uso do cigarro. Do total 02 no responderam. Estamos vivenciando uma poca de campanhas anti-tabagismo tendo em vista os males que o cigarro pode acarretar. No caso das mulheres grvidas e fumantes o cigarro afetar principalmente ao feto que poder nascer com vrias seqelas decorrentes do cigarro.
- Sintomas mais freqentes durante a gravidez segundo as mulheres pesquisadas
Dentre os sintomas propostos pelo questionrio temos uma prevalncia da Anemia como o mais significativo, 53,7%. Em vrios estudos a Anemia foi referida como um elemento comum enquanto condicionante para uma gestao de alto risco e baixo peso do recm-nascido. Associado a este, como causa ou conseqncia, est a desnutrio. Conforme pesquisas a anemia durante a gravidez um dos principais problemas de sade de muitos pases em desenvolvimento, onde as deficincias nutricionais, a malria e outras infeces parasitrias contribuem para uma maior morbidade e mortalidade materna e perinatal.
As Clicas aparecem em segundo lugar em 41,8 % das mulheres, dores estas que podem estar relacionadas a inmeras causas e o tipo de sintoma que a mulher grvida no 1. trimestre deve procurar o seu mdico. Em alguns casos, as clicas e dores abdominais so sintomas que podero ser observados durante toda a gestao e sem nenhuma repercusso gravidez.
Em terceiro lugar aparece a Hipertenso com 26,9%, o diagnstico da hipertenso, principalmente da crnica, de suma importncia na preveno de quadros como os de descolamento prematuro da placenta, causa importante de bitos maternos e fetais. Como doena oligo ou assintomtica, sua deteco torna indispensvel o uso de uma tcnica muito simples e de baixssimo custo, a aferio da presso arterial em todas as consultas de pr-natal.
Em seguida temos a presena da Diabetes com 17,9%, Sangramento e Colesterol empatados com 14,9%, 7,5% com problemas Respiratrios, 4,5% disse ter tido sintomas de Depresso, 3% sofreu de Desnutrio e no houve a presena de nenhum relato de Doenas Sexualmente Transmissveis.
CONSIDERAES FINAIS
Reputamos esta pesquisa como sendo de suma importncia, pois revela informaes reais de uma parcela da populao a quem so dirigidas as polticas pblicas de sade, no caso da nossa amostra mulheres residentes em alguns bairros da periferia de Joo Pessoa que se encontravam presentes durante a IV MEGA-AO SOCIAL DA FACENE/FAMENE, evidenciando a necessidade da realizao do pr-natal como uma condio sine qua non para o desenvolvimento de uma gravidez saudvel tanto para a me quanto para o filho. Alguns resultados obtidos vm a corroborar os ndices de outras pesquisas realizadas em mbito nacional, tais como as questes que abordam as condies scio-demogrficas.
Os resultados obtidos demonstraram que mais de 80% das mulheres pesquisadas realizaram o pr-natal, mas embora seja um percentual relativamente alto o ideal que se atinjam os 100%. Verificou-se tambm que relacionado ao local onde foi realizado o pr-natal o hospital, ainda se encontra em primeiro lugar, embora a tendncia natural seja as mulheres virem a realizar mais no PSF tendo em vista a disponibilidade deste nos bairros. Com relao aos sintomas apresentados durante a gestao detectou-se a presena da anemia, desnutrio e problemas respiratrios que podem ter a sua origem no fato das condies de moradia e alimentao a que est sujeita.
Quanto ao aborto observou-se, infelizmente, um alto ndice de abortos espontneos, demonstrando ainda mais a necessidade da realizao de um pr-natal bem feito para que se possa evitar este fato to doloroso para todos e especialmente para a me.
Os resultados obtidos corroboraram o conhecimento existente a respeito da hipertenso que tida como um dos maiores agravos sade da mulher durante a gestao, ocasionando, inclusive, um elevado nmero de bitos tanto da me quanto do nascituro. Contudo, durante o pr-natal, esta poder ser detectada, tratada e acompanhada at o parto, evitando assim danos maiores. Os ndices de depresso neste contexto tambm nos alerta para a sua presena e a necessidade de acompanhamento psicolgico mulher durante toda a gestao, tendo em vista que a depresso ps-parto se inicia, muitas vezes, ainda no perodo da gravidez, sendo necessrio tentar minimizar o sofrimento que este causa.
Tambm foi possvel observar que, embora o parto natural ou normal seja o incentivado para as mulheres e ser o mais presente nas de classe social mais baixa, temos um grande avano no nmero de cesarianas tambm nesta camada da populao. Faz-se ento urgente, campanhas educacionais de incentivo e estmulo ao parto normal, tendo em vista os baixos riscos que estes representam para a mulher e a possibilidade de vivenciar na sua totalidade todos as nuances que envolvem este momento nico que o nascimento do filho.
Os resultados alcanados nesta pesquisa demonstram, sobretudo a importncia de oferecer uma assistncia pr-natal de qualidade, visando promover a sade de forma integral, especialmente em comunidades carentes, onde prevalecem os fatores de risco. Somente assim poderemos diminuir os nmeros de mortalidade materna e infantil que ainda assolam e preocupam o pas.
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PERSPECTIVAS EPIDEMIOLGICAS DO PR-NATAL: um estudo realizado em Joo Pessoa/PB
Formada em Psicologia, Mestre em Educao pela UFPB e Doutora em Psicologia pela UFPB. Professora do Curso Graduao em Psicopedagogia da UFPB e pesquisadora do Ncleo de Pesquisa Sade Mental, Educao e Psicometria. Foi professora de Epidemiologia, Psicologia e Metodologia da FACENE/FAMENE.