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subject: A influência da Filosofia nas somatizações, psicossomatizações no pensar Psicossomático [print this page]


A influncia da Filosofia nas somatizaes, psicossomatizaes no pensar Psicossomtico

Este trabalho ser apresentado em 11 partes a saber:

A filosofia da Grcia clssica

A filosofia medieval

A filosofia renascentista

O Iluminismo

O sculo XIX

A fase psicanaltica

A fase behaviorista

A escola de Chicago

A escola Psicossomtica Americana

O Instituto de Psicossomtica de Paris

A escola de Boston

Introduo

A famosa frase de Renne Descartes "Cogito ergo sum" - penso ,logo existo- sempre me leva a refletir com quais ferramentas ou instrumentos conceituais eu penso , como , quando e de que forma eu as utilizo e de que forma esse pensar me faz chegar a uma, nenhuma ou vrias concluses. Tambm me faz refletir que quanto mais ferramentas conceituais eu utilizo mais ngulos de possveis respostas e concluses poderei ter. O meu existir depende da forma do meu pensar e meu pensar depende da maneira do meu existir. Penso que a relao entre a existncia (matria) e o pensar(abstrao) a mesma de uma balana de pratos duplos. Para termos equilbrio preciso equaliza-las !

A Filosofia

A filosofia pode ser definida como um conjunto de concepes, prticas ou tericas sobre :o ser, os seres vivos ou no, o homem e seu papel no universo. Para elaborarmos tais conjuntos de concepes, necessitamos de atitudes reflexivas, crticas ou especulativas. Elas so a base de todo conhecimento, de toda cincia ou saber racional.

Esses conjuntos de concepes nos permitem atitudes de reflexo crtica sobre os fundamentos do conhecimento, tambm chamados de valores cognitivos, e da lgica, da tica e da esttica tambm chamados de valores normativos. Por ser normativa e cognitiva, a filosofia est presente em todos os sistemas ou princpios que procuram explicar toda e qualquer ordem de conhecimento humano, alm de influenciar diretamente nosso modus vivendi e nosso modus operandi. Dessa forma, o pensar especulativo e reflexivo vem , ao longo do tempo, plasmado pensamentos e atitudes que podem facilitar ,ou no ,a psicossomatizao e a somatizao de sentimentos em processos patolgicos orgnicos e / ou emocionais. Em suma , a forma que me relaciono com o meu pensar altera minhas susceptibilidades, facilitando ou no a somatizao e a psicossomatizao.

Por que filosofia?

Estamos em constante adaptao. Somos submetidos a uma srie de fatores e influencias tais como nosso meio ambiente, nosso tempo, nosso passado histrico individual e coletivo, nossas expectativas,etc. Desconhecer essas influncias um dos obstculos que limita o nosso auto-conhecimento. A filosofia um dos mecanismos que nos traz a possibilidade desse conhecimento ampliando nossos limites.

A abrangncia da filosofia to grande e importante, que envolve a totalidade do ser humano, (individual e coletivo) com suas manifestaes dentro da nossa natureza (meio interno), fora de nossa natureza (meio externo) e para alm dela (meio espiritual).

No h resposta definitiva aos problemas e questionamentos relativos ao ser humano e/ou humanidade. Por isso , os questionamentos,jamais sero ultrapassados; eles retornam sobre si mesmos com diferentes possibilidades de soluo conforme o enfoque e a poca e o individuo em que ressurgem.

Talvez seja por isso, que no estudo da filosofia, no h uma separao simples de passado e presente nem compartimentos como em outras cincias. Ela no deve, ou no deveria, ser uma srie de exposies metdicas, cronolgicas ou entediantes do pensar e das opinies deste ou daquele filsofo.

Por ser uma cincia que se ocupa do questionamento da natureza, de tudo o que nos cerca, dos fenmenos, e principalmente do ser humano pensante ou no, que se torna imprescindvel para a compreenso, no s da Psicossomtica, mas de toda cincia ou arte, principalmente as que tm o ser humano como foco.

Abordaremos, resumidamente, algumas escolas e filsofos ocidentais que o autor acredita que auxiliaram, e ainda auxiliam, a formar uma viso mais analtica do individuo.

O pensamento filosfico ocidental

1) A filosofia e o pensamento grego antigo:

O ser humano, independente de sua posio geopoltica social, sempre fez reflexes sobre si, sobre o mundo e seus fenmenos, mas foi civilizao grega que organizou, sistematizou e racionalizou essas reflexes.

Cronologicamente a filosofia grega abrange, aproximadamente, doze sculos, ou seja, 1200 anos!

Tem seu inicio seis sculos antes de Cristo e o declnio de sua influncia por volta de seis sculos depois de Cristo. E ,esses doze sculos , foram mais do que suficientes para nos influenciarem profundamente at hoje!

Alguns autores afirmam a filosofia grega pouco se influenciou do pensamento oriental. Ainda no claro que outras culturas da antiguidade tivessem influenciado a filosofia grega. Culturas contemporneas e ancestrais ao perodo grego clssico como as culturas Babilnicas, Egpcias, Hindus e Mesopotmicas no possuam propriamente uma filosofia, mas um modusvivendi e um modus operandi muito sofisticados.

Sempre existiram e existiro autores defendendo apaixonadamente a no influencia de outras culturas na filosofia grega. Como exemplo podemos citar Theodore Gomperz, que afirma que exceo das foras da natureza nada se move, ou moveria que no dependesse das bases de conhecimento grego em sua origem!

Mas, devemos lembrar que o conhecimento e o pensar no se detm diante de fronteiras, alm de serem influenciados da mesma forma que influenciam.

Geopoltica e historicamente a regio da sia Menor j era um grande ponto de passagem de civilizaes (principalmente egpcios, mesopotmicos, hindus, assrios, babilnicos, etc.) que se relacionavam, no s comercialmente; mas tambm com trocas de conhecimentos cientficos como as cincias matemticas, mdicas, e astronmicas; que usavam para se locomover e se localizar.

Junto com as cincias, tambm suas histrias, seus costumes, seus mitos, etc. mais do que provvel que outras culturas tambm influenciaram a cultura grega, mas foram sendo absorvidas e adaptadas ; sem ,no entanto, alterar ou ofuscar o cerne do pensar da civilizao grega. Assim podemos dizer que pensamos, ainda hoje, maneira da Grcia clssica!

Caractersticas gerais do pensamento grego

O homem no mundo grego antigo (Grcia clssica) sente-se integrado e ativo na natureza. A religiosidade na Grcia no vai alm da natureza, mas est dentro da mesma; manifestando sua riqueza no mundo mtico. Para adentrar nesse mundo mtico o homem grego, como em vrias civilizaes, tambm criou e normatizou ritos e condutas que permitiam o contato direto ou indireto (atravs de intermedirios) com seus deuses e heris. Curiosamente ,seus deuses tinham comportamentos e relacionamentos semelhante aos humanos, em todos os nveis.

Esse homem tem amor ao presente e, quando acredita em uma vida futura , tem medo do que possa acontecer no post-mortem, pois seus deuses tem caractersticas emocionais e comportamentais semelhantes s humanas!

Sua dedicao realidade exterior confere-lhe uma caracterstica-mpar do pensamento clssico: o objetivismo.

A perfeio vista e buscada mais nas coisas que no homem e no esprito. O prestigio e a perfeio vem da sabedoria, do sapiente, que a capacidade de estar acima dos acontecimentos do mundo, do dia a dia, dos afetos, das emoes, para poder contemplar com serenidade a cena do mundo e descobrir qual o papel que cada homem cumpre na ordem universal.

Conforme Plato, as ideias (o absoluto) no pertencem inteligncia, mas ao inteligvel. Associando o objetivismo e o materialismo surge o senso do finito, pois aquilo que perfeito tem limites ( comeo, meio e fim). J, o conceito de infinito, era visto pelos gregos como sinnimo de imperfeio e de desordem; no cabendo nas reflexes filosficas, apenas sendo empregado pelos gregos nas cincias matemticas.

Politicamente a ptria um conceito restrito a cidade, novamente o conceito do finito, com limites bem definidos (Polis). No auge da civilizao helnica a Polis mais que uma simples organizao poltica, mas um ideal, a razo de ser do cidado.

Mas faltava-lhes o subjetivismo (que ser uma forte caracterstica da civilizao crist e da civilizao moderna), o olhar para si, de olhar o externo com uma tica interna.

O estudo da filosofia grega pode ser dividido em perodos para melhor compreenso, no s cronolgico, mas tambm para entendermos a evoluo do pensar e os questionamentos humanos.

Apresentaremos alguns filsofos que, acredita o autor, contriburam de forma mais direta com suas especulaes e propostas, na formao do pensamento do ser humano a respeito de si prprio e de suas relaes com a doena, o adoecer, o sofrimento, a dor, a cura, a morte e o pst-mortem.

Perodo que vai dos sculos VII a.C. ao V a.C .ou perodo conhecido como Pr-Socrtico:

No sculo VI a.C., os filsofos pr-socrticos, buscavam um princpio que explicasse a unidade da natureza, tentando situar o corpo e suas doenas na trama das foras do Universo.

A escola Pitagrica

Pitgoras de Samos o fundador da escola Pitagrica, na Itlia em 530 a.C.. Considera que a vida fsica (corprea) o meio para a expiao de um pecado original ( ou uma grande ofensa aos deuses). Prega a crena na transmigrao das almas e que para obter a sua purificao e libertao s seria possvel atravs do culto s cincias, por consider-la a mais perfeita contempladora das coisas eternas e divinas.

Por utilizarem a capacidade de abstrao, seus discpulos e o prprio Pitgoras fazem surpreendentes descobertas nas cincias matemticas e suas aplicaes, como na geometria (triangulo de Pitgoras) e em astronomia. Sua devoo cincia, aos nmeros e a exatido plasmaram uma cincia racional e quantitativa em que as medidas so base de todo o conhecimento, que impulsionaram as descobertas humanas. De acordo com Irineu Strenger entre outros, a filosofia Pitagrica representa a transio da filosofia realista filosofia intelectual (3).

Para Pitgoras a verdadeira realidade no so as coisas materiais, mas sim a alma na sua essncia mortal: no ser humano. E acima desse mundo, em que tudo perecvel, h um mundo das essncias eternas, a dos nmeros e da harmonia. Sua doutrina se baseia na exatido, na harmonia e no equilbrio de todas as coisas e a melhor maneira de exprimi-las colocar nos nmeros a essncia de tudo. Uma doutrina cujo grande passo foi preparar as cincias para investigar a fundo todas as coisas. Esse seu grande legado e tambm o mais conhecido: a expresso matemtica das formas. Observe que Pitgoras e sua escola ,ao considerarem a vida fsica como o meio de expiao de um pecado original, deixam nas entrelinhas a idia de que o corpo fsico apenas o receptculo de uma alma que busca seu resgate divino e para tal, a provao expiatria esperada e, quem sabe, bem vinda!

Herclito

Nasceu em feso por volta de 544 a.C., homem solitrio e introspectivo de carter aristocrtico, que o afastou da massa populacional e o levou a se isolar voluntariamente.

Em seu sistema filosfico (535 a 475 ac.) tudo muda a todo instante, "nada nem ningum o mesmo entre dois instantes". Segundo ele "toda a idia de uma coisa que persiste apenas fico, pois do mesmo modo que o rio em que nos banhamos hoje no seno a aparncia do rio de ontem".

Herclito nos traz a idia da constante mutao da qual fazemos parte como elementos ativos e passivos. De certa forma seus conceitos do a dimenso real da incerteza do viver, contrapondo-se a rigidez matemtica dos pitagoricos.

A grande contribuio, se assim podemos dizer, de Herclito s cincias clnicas o principio da mutabilidade e do no determinismo. Como por exemplo, de acordo com Chrousos e Gold que definem estresse "como um estado de desarmonia ou de homeostase ameaada", Herclito foi o primeiro a sugerir que um "estado esttico, sem alterao, no era condio natural" dos organismos vivos, mas natural a capacidade de se submeterem a alteraes e adaptaes constantes.

Demcrito:

Nasceu na Tracia, no ano de 460 a.C. em Abdera, na regio do mar Egeu. Concebeu a idia de que a massa constituda de tomos, mas diferentes na sua forma, tamanhos e indivisveis.

Suas idias morais estabelecem a noo do prazer e da dor. De maneira dicotmizada, o prazer o bem e a dor o mal, mas para que o prazer constitua o bem do homem esse prazer dever ser uma alegria durvel e permanente, e conclui que por isso que o homem no deve procurar seu prazer nas coisas mortais, mas na profundeza da alma ( que permanente). E atravs da sabedoria que o homem atinge esses propsitos. Observe que ao pregar a permanncia das coisas o conceito de finito comea a ser mudado para o de infinito.

Nesses primrdios do pensamento filosfico acerca do homem e da alma se configuram as ideias de expiao do "pecado original" com um propsito maior, como um meio de atingir a plenitude da alma. A capacidade dos organismos se adaptarem continuamente,permite que o homem sbio atinja seus propsitos de alcanar uma alegria durvel e permanente. Mas qual sabedoria? Talvez a sabedoria de que s atravs da expiao e o sofrimento que o homem atingir seus propsitos. Sofrer ,mesmo que no seja por uma boa causa, passa a ser uma forma importante de se alcanar a plenitude!

a institucionalizao do sofrimento e da dor.

Perodo que vai dos sculos V ao IV a.C.

Perodo em que as preocupaes e os questionamentos filosficos esto na esfera emocional, psicolgica.

nesse perodo que aparecem os sofistas. Ao contrario do podemos pensar, os sofistas no eram filsofos que ensinavam sem nenhum escrpulo, nem dissolventes e defensores de opinies perigosas. Sua preocupao se dirige aos ensinamentos da vida prtica, da poltica e das relaes humanas sem qualquer questionamento a respeito da natureza.

Eram verdadeiros mestres da retrica e do uso das palavras de forma tendenciosa. Por isso foram, e ainda so vistos como pessoas que tem por objetivo persuadir e convencer a todo custo, conduzindo por todos os meios para terem sempre razo, no estando comprometidos com a verdade, mas apenas com o sucesso prprio (ao contrrio de Scrates).

Protgoras:

"O homem a medida de todas as coisas, das coisas que so enquanto so e das coisas que no so, enquanto no so".

Esta a frase de abertura da obra de Protgoras denominada "A verdade". Para ele nada simples, mas tudo aquilo que sentimos supe que a percepo do que sentido depende no s do fato em si, mas tambm da capacidade do sentir daquele que o est sentindo. Para ele o homem o produto de suas circunstncias, que sculos depois foi brilhantemente exposto por Ortega y Gasset.

Foi o primeiro a expor o problema da dependncia do conhecimento e percebeu que a importncia para o conhecimento no s do objeto a ser conhecido ou estudado, mas tambm da forma de percepo do individuo que ir conhec-lo, alem, claro das ferramentas emocionais que o mesmo possa possuir naquele momento!

Protgoras viveu de 480 a 410 a.C. e pelo que se relata ele foi o primeiro autor a ter livros queimados em praa publica por ordem do estado, por afirmar que "sobre os deuses, no saberia dizer se existem ou no, pois h muitas coisas que impedem esse conhecimento, tanto a obscuridade do assunto como a vida do homem, que to breve!" Foi desterrado de Atenas, morreu aos 79 anos, afogado, quando viajava para a Siclia.

Hipcrates e sua influencia no pensamento clnico ocidental.

Apesar e no ser um filosofo, Hipcrates exerceu e ainda exerce, grande influencia no pensar clinico de nossos dias. Suas idias sobre a sade e o ser humano so de uma atualidade gritantes. Nascido na Ilha de Cs, por volta de 460 a.C. Esse mdico grego, contemporneo de Scrates, deve a Plato a sua fama de mdico ideal. considerado o autor da obra Corpus Hippocraticum, que atualmente se admite no ser dele.

Lanou as bases da medicina naturalista, que se baseia em uma metodologia e deontologia especficas. Para ele o corpo humano era um todo cujas partes se interpenetram. Introduziu a idia de unidade funcional do corpo, onde a alma exerce uma funo reguladora.

Os homens so seres organizados, que ao desorganizar-se propiciariam a emergncia de uma doena. Partindo desta concepo, define sade como equilbrio harmonioso dos "elementos e das qualidades de vida" e doena como "desarmonia sistemtica destes elementos". Sugere que as foras que provocam a desarmonia - a doena - tm sua origem nas "fontes naturais e no de fontes sobrenaturais e que as foras de contra equilbrio ou adaptativas eram tambm de origem natural" (Chrousos e Gold, 1993).

O que nos remete a Hipcrates seu mais famoso escrito, o "Juramento Hipocrtico" que , possivelmente, de origem Pitagrica. Mas o mais interessante, seno curioso, o fato de que j comeava a surgir idia da unidade funcional do corpo ser constituda de matria e alma em que a mesma exerce funo reguladora, e seu desequilbrio propiciaria a instalao de doenas.

Scrates

Nasceu em Atenas em 470 a.C. de famlia do povo, teve a educao obrigatria de sua poca, mas no teve ensino regular. Foi soldado e lutou em vrias batalhas. De acordo com Plato, viveu em extrema pobreza e manteve-se afastado da poltica. Dedicou toda a sua vida filosofia.

Como mestre realizava um exame incessante de si mesmo e dos outros, que eram dirigidos para esclarecer conceitos que dirigem a vida humana tais como a felicidade, a virtude, a justia, o bem; ou seja, a vida moral.

Seu interesse era o homem e sua conduo de sua vida pratica, em seu dia a dia e nas suas relaes com os outros. Tendo como mtodo de ensino e aprendizado apenas o dialogo, nada escreveu.

Por no desejar criar uma doutrina, procurou estimular a procura da verdade e do bem, visto que acreditava que esse era o verdadeiro meio do homem para encontrar a sua felicidade!

Scrates era um amvel conversador, mas s vezes era um censor severo, e dessa forma ao entreter seu interlocutores arrancava-lhes as mais profundas confisses, fazendo cair s mscaras da falsidade e orgulho expondo-os a situaes de humilhao, de impotncia e de imoralidade.

Por acreditar com f na cincia, realizava um mtodo de exame que recomendava que cada um fizesse em si mesmo. Afirma que o ser humano deveria saber apenas uma coisa: conhecer a si prprio.

Para dar andamento a essa busca lana mo de vrios procedimentos de auto-observao e de autocritica para tomar conscincia de si prprio, ou seja, a anlise incessante de si mesmo. Mas,primeiramente, para nos conhecermos devemos admitir nossa ignorncia sobre ns. Dessa forma Scrates, com uma ironia muito prpria demonstra o carter fictcio do saber que acreditamos possuir, e conclui que por no possuirmos o saber, tampouco possumos o conhecimento da verdade e do bem. A conscincia de que nada possumos faz com que busquemos esse conhecimento (o da verdade e o do bem) e em virtude dessa busca tornamo-nos virtuosos e, consequentemente, felizes.

A Maieutica um mtodo que se baseia em reduzir as nossas opinies em proposies claras, se possvel, incontestveis e compar-las a fatos de maneira que no possam ser negadas.

Admite que no podemos aprender nada sozinhos, e que o mestre apenas um facilitador.

Apenas atravs de um dialogar continuo consigo mesmo e com os outros que se pode chegar raiz da verdade.

nesse contnuo dialogar que podemos atingir o nosso eu verdadeiro e o dos outros.

Scrates estabeleceu as identidades da cincia e da virtude. Saber no significa ser virtuoso, pois aquele que no sabe o que o bem no pode pratic-lo, da mesma forma aquele que no sabe o que a justia no pode ser justo, mas sempre tendo como agente motivador o livre arbtrio.

A respeito do conhecimento, Scrates afirma "que aquele que aprendeu uma cincia em sua mxima expresso e profundidade reduzido a essa prpria cincia, e que o raciocnio indutivo leva a definio do conceito, e o conceito aquele que exprime a essncia (a natureza da coisa), aquilo que a coisa deve ser".

O Daimon de Scrates, ou a voz da conscincia, pode ser interpretada como nossa autoridade moral que se manifesta em nossa intimidade.

Seguramente, o Daimon muito mais do que um impedidor ou um filtro moral, mas um guia transcendente e divino da conduta humana (citado de forma brilhante por Irineu Strenger in "Histria da Filosofia").

Aos 70 anos, em 339 a.C. foi acusado por trs atenienses (Melito, lcon e Anito) de corromper e seduzir a juventude, ao ensinar crenas contrarias as leis do estado. Condenado a morte por envenenamento bebeu cicuta em meio a seus amigos e discpulos, e segundo Plato, discorrendo sobre a imortalidade da alma e o destino do homem ps-morte.

Scrates, ao aplicar seu mtodo de anlise, traz a luz das cincias e da humanidade a necessidade do dialogo para a auto descoberta e do conhecimento pessoal.

Essa proposio forneceu as bases das cincias mdicas , principalmente da psicanlise e da psicossomtica. Bem como da adequao das relaes entre o individuo e seu curador (facilitador), alm de expor de forma consistente as relaes de nossas atitudes e suas manifestaes em nosso corpo e em nossa alma.

Plato

"O mesmo vento que sopra sobre dois homens, frio para aquele que tem frio, ao passo que no frio para aquele que no tem frio; as coisas so para cada um de ns tal como as sentimos". Esta um das frases da pea Teeteto, de Plato.

um dos filsofos que mais influenciaram a cultura ocidental, cujo nome verdadeiro era Arstocles. Teve origem em uma famlia rica e envolvida com a poltica e com polticos.

Arstocles ficou conhecido como Plato por causa do seu vigor fsico e ombros largos ("platos" significa largueza). A excelncia da forma fsica era muito apreciada na Grcia antiga e os seus "dilogos" esto repletos de referncias s competies esportivas.

Iniciou-se na filosofia com Scrates, na juventude, com quem conviveu durante oito anos. Depois de acompanhar todo o processo que condenou Scrates, desiludido com a democracia ateniense, viaja pela Grcia, Egito e sul da Itlia, e comea a escrever.

Em 387 AC, funda em Atenas uma escola chamada Academia,voltada para a geometria e as cincias matemticas tornando-se um dos maiores centros culturais da Grcia, tendo recebido polticos e filsofos como Aristteles, Demstenes, Eudoxo de Cnido e Esquines, entre outros.

A sua obra conta com 28, a 30, dilogos basicamente centrados em Scrates, onde procura definir noes do comportamento humano como: a Mentira , o Dever , a Natureza humana , a Sabedoria ), a Coragem , a Amizade , a Piedade e a Retrica ,a Virtude , a Heurstica ,a Justeza dos nomes,o Amor , a Justia ,a Cincia ,e Parmnides.

A forma dos escritos platnicos o dilogo, uma forma de transio espontnea entre o ensinamento oral e fragmentrio de Scrates e o mtodo estritamente didtico de Aristteles.

Apesar de sua academia estar voltada para a geometria e as cincias matemticas, muitas vezes em Plato o mito, a poesia e os elementos puramente racionais do sistema se confundem com uma certa frequncia.

Aristteles

A relao com as cincias, a alma, o bem e o mal, a virtude, sistematizao da lgica so os objetos de estudo e reflexo de Aristteles.

considerado o fundador da Lgica, e sua obra tem grande influncia na Teologia crist na Idade Mdia. Nasce em Estagira, antiga Macednia, atual provncia da Grcia. Muda-se para Atenas aos 17 anos, frequenta a Academia de Plato e permanece como seu discpulo por 20 anos. Aps a morte de Plato, passa trs anos em Assos, na sia Menor, e muda-se para a Ilha de Lesbos. Em 343 a.C. chamado para ser professor do prncipe Alexandre, da Macednia. Quando Alexandre, o Grande assume o trono, volta a Atenas e, em 335 a.C., organiza sua prpria escola, o Liceu.

Ao contrrio da Academia de Plato, interessada apenas na Matemtica, o Liceu voltado pesquisa das Cincias Naturais. Aristteles desenvolve a um sistema filosfico baseado numa concepo rigorosa do Universo.

De orientao realista, defende a busca da realidade pela experincia. Para ele, deve-se procurar o conhecimento por meio do "intelecto ativo", como chama a inteligncia.

Todas as suas obras se perderam, salvo Constituio de Atenas. O pensamento aristotlico foi preservado por seus discpulos e atinge vrias reas do conhecimento, como Lgica, tica, Poltica, Teologia, Metafsica, Potica, Retrica, Antropologia, Psicologia, Fsica e Biologia. Seus escritos lgicos esto reunidos no livro Organon.

Fim da primeira parte

Bibliografia recomendada para a primeira parte

Negraes,EC; O livro dos mortos do antigo Egito-editora Hemus 1982

Collinson,D;50 grandes filosofos da grcia antiga ao sculo XX- Editora Contexto 2004

Strenger,I; Histria da filosofia-Editora Ltr 1998

Blackburn,S; Dicionrio Oxford de filosofia Jorge Danilo Zahar Editor 1994

Mello Filho,J; Psicossomtica Hoje Artmed Editora 1992

A influncia da Filosofia nas somatizaes, psicossomatizaes no pensar Psicossomtico

Por: marco mammoli

Perfil do Autor

Cirurgio Dentista

Especialista em Psicossomtica-FACIS-IBEHE So Paulo

Especialista e ps-graduado em Ortopedia Facial e Reabilitao Dinmica e Funcional dos Maxilares em Odontopediatria-UNICASTELO-SP

Formao em Terapia Floral -So Jos dos Campos

Residncia em Odontologia Hospitalar e Cirurgia e Traumatologia Buco-maxilo - facial - Hospital Santa Catarina-SP

Atua como Professor coordenador da cadeira de Ortopedia Facial, alm de Orientao etutoriamento em trabalhos cientficosdos cursos de aperfeioamento e especializao da Associao Brasileira de Odontologia ABO - So Paulo regional Vale do Paraba desde 2003.

Atua como professor de psicossomtica pelo Instituto Valeparaibano de Psicossomtica desde 2004.

(Artigonal SC #3188313)

Fonte do Artigo - http://www.artigonal.com/medicina-artigos/a-influencia-da-filosofia-nas-somatizacoes-psicossomatizacoes-no-pensar-psicossomatico-3188313.html




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