O objetivo deste trabalho , por meio de citaes e comparaes entre diversos temas em segurana pblica e privada e a atividade do olhar reflexivo, alertar para a necessidade e priorizao da observao como principal promotor de segurana e proteo eficaz.
Palavras Chave: Ser Vigilante, Olhar Reflexivo, Vigilncia, Segurana e Proteo.
1 Introduo
O olhar reflexivo, crtico, persistente e jamais dispersivo, na atuao do operador de segurana pblica e privada a ferramenta de trabalho mais eficiente, uma verdadeira arma preventiva que regula e inibe a possibilidade de uso de fora maior. [...] "Estes dados primrios sobre a viso esclarecem bem uma declarao que ser toda como surpreendente: a primeira e a mais fundamental das represses a do olhar."[...] (Gaiarsa, O olhar, 2000, p.27)
2 Olhar critico
Para se operar segurana, vigilncia e proteo faz-se necessrio uma vastido de elementos fsicos, equipamentos, formao continuada e atualizada constantemente, tecnologias de ponta em constante transformao, acompanhamento direto e indireto, posicionamento crtico-reflexivo e uma disposio de alma e corpo que at mesmo sobressaia aplicabilidade de todos os elementos anteriores citados e demais que porventura venha a existir, entretanto, toda essa mquina de proteo s ter efeitos favorveis e produtivos se o profissional que a opera simplesmente saber: Olhar.
estranho que nem os oftalmologistas nem os psiclogos e ou psicanalistas nem mesmo os socilogos parecem saber disso ou usar esses dados fundamentais em suas reflexes. Parecem todos envolvidos e limitados- pelas palavras e bem pouco atenta ao que se v. (Gaiarsa, O olhar, 2000, p. 19)
2.1.1 Elemento fsico e proteo
Uma edificao arquitetnica bem projetada e edificada visando a segurana, de fato uma barreira importantssima delinqncia e banditismo, contudo se o olhar reflexivo, quando digo olhar reflexivo me refiro a uma viso critico construtivista que explore os pontos vulnerveis, uma verdadeira transposio de corpo, ou seja, o agente vigilante precisa entrar no crebro do suposto meliante infrator-invasor, precisa analisar: Se eu fosse agir por onde iniciaria, quais os pontos vulnerveis, que antdoto ser mais eficiente. Essa reflexo crtica a arma mais operacional em segurana e os olhos seu executor, pois se eles falharem, o local ainda que detentor das melhores estruturas, tornar-se a vulnervel.
Ao olhar para as causas fsicas nossas mentes se abrem e se expandem; e nesta perseguio, independente de perdermos ou ganharmos o jogo, a caa certamente possui uma serventia. (Monteiro, 2009, p. 14)
2.1.2 Tecnologia e equipamentos munindo o agente vigilante
Na vida, ao contrario do filme, ningum tem a chance de fazer com que os fatos se repitam, e assim muitos mal entendidos se eternizam. Na hora um percebeu isso e isso e o outro s aquilo e aquilo... Assim se torna claro o significado desta expresso enigmtica de Teilhard du Chardin: " preciso ver tudo o que h para v." (Gaiarsa, O olhar, 2000, p. 19),
Encontramos na rea de segurana uma tecnologia de ponta que certamente assegura uma certa tranqilidade ao gestor em proteo e segurana, mas que valor ter tudo isso se quem opera no o fizer corretamente, de que vale toda uma tecnologia em circuito fechado de cmera e tv se o objeto observador tropear em algum momento? O descuido de segundos poder custar anos de prestao de contas, de explicaes e se for s isso, ainda valer de alguma coisa, o grande problema que esses segundos de desateno podero custar vidas.
[...] " mais fcil construir uma mquina para resolver problemas lgicos ou matemticos para manipular smbolos de acordo com determinadas regras do que para ver."[...] (R.L. Gregory, 1979, p. 42)
As armas letais ou no, a defesa pessoal entre outros, so equipamentos fundamentais, no se pode pensar segurana, vigilncia e proteo sem equipamentos de combate direto, que no atenda as necessidades de uma atuao eficiente, altura do agravo e que promova um efeito psicolgico capaz de reprimir uma possvel ao antes mesmo que a mesma se inicie, entretanto, na maioria das vezes que o agente utiliza os equipamentos de trabalho em combate direto, em algum momento houve falha na observao; a arma: Olhar, no cumpriu seu papel. Poder surgir a indagao: e no caso do equipamento ser utilizado como advertncia? O equipamento como arma que adverte, exemplo o tiro de advertncia, em momento algum se configura uma perca de controle, ou abuso de poder, ele na verdade a prova cabal e contundente de que o profissional est utilizando muito bem a arma: Olhar, e o efeito psicolgico benfico dessa ao de propores inestimveis.
Se o olhar bem executado a possibilidade de utilizao de arma de fogo em combate direto muito remota, principalmente se esse equipamento cumpre o seu papel de impactar psicologicamente. Um operador de segurana atento e bem equipado uma verdadeira vacina contra a delinqncia e criminalidade.
2.1.3 Formao, especializao, atualizao e acompanhamento. O ser vigilante assessorado.
Ver objetos envolve muitas fontes de informao alm daquelas que se apresentam ao olho quando olhamos para um objeto. Envolve geralmente o conhecimento do objeto derivado de experincias prvias, e tais experincias no se limitam viso, mas podem incluir os outros sentidos: tato, olfato, audio e talvez at temperatura e dor. (R.L. Gregory, 1979, p. 11).
Temos cursos de formao, extenso e especializao em segurana de uma qualidade indiscutvel, as cabeas pensantes esto a toda prova agindo na produo de novas tcnicas e tecnologias, as empresas de segurana particulares e pblicas investem pesado na rea; mas se toda essa formao, tropear na prtica do olhar, afirmo que de nada valeu.
O acompanhamento direto ou indireto na ao do agente vigilante fundamental, contudo o que se v no um acompanhamento e sim uma fiscalizao ineficiente e que ao invs de produzir efeitos positivos, frustra, estressa e sobrecarrega ainda mais o profissional observado. O inspetor, fiscal, chefe, encarregado, corregedor, etc... no acompanha pra aumentar o efeito vigilante e sim pra punir e promover o medo. O agente vigilante necessita de um acompanhamento eficiente que o conduza a um posicionamento crtico, que o torne melhor, que dignifique sua ao, promovendo segurana e proteo eficaz.
2.1.4 O descanso na atuao do observador ativo
Quando uma hiptese perceptual Uma percepo est errada, ns somos desorientados, tal como somos desorientados na cincia quando vemos o mundo distorcido por uma falsa teoria. Perceber e pensar no so independentes. ( R.L. Gregory, 1979, p. 14)
A atividade de olhar criticamente exige descanso e quando digo descanso estou afirmando que o agente vigilante que no tem um perodo de descanso, principalmente durante o perodo noturno, no consegue e jamais conseguir olhar adequadamente.
Em prestao de vigilncia, o descanso to importante quanto a alimentao, vou alm, mais importante. O cansao, sono, extress, no permite a manuteno da viso critico/continuada em conseqncia a proteo do ser / coisa fica totalmente fragilizada. [...] "No mundo animal, vencedor aquele que v-reage rpida e adequadamente, seja ele predador, seja presa."[...] (Gaiarsa, 2000, p.31)
Qual a eficincia deste sistema olhos movimentos? Altssima e a favor das presas! Mesmo um tigre (e o que lhe acontece vale para todos os predadores) tem de sair caa dez vezes (estatisticamente) para conseguir seu almoo! Um tigre, maior e melhor mquina de caa existente no mundo animal. (Gaiarsa, 2000, p.31).
2.1.4 Os olhos na percepo de si, do outro e do meio
Para onde apontar essa poderosa arma. Em se tratando de segurana, vigilncia e proteo a viso de si de fundamental importncia, nos acostumamos demasiadamente com as coisas e o comodismo a arma mais terrvel na promoo de erros, acidentes, ocorrncias.
preciso estar-se alerta e sempre se policiando. inaceitvel uma falsa impresso de que tudo est, ou vai bem. Se um posto, um servio foi assumido j sinal suficiente pra se saber que no h clima de tranqilidade, se assim o fosse no se faria necessrio um profissional em segurana no local.
A viso crtica de si, de como se porta, sente, est fsica e psicologicamente e o grau de especializao na rea de vital importncia. De igual modo no se faz segurana sem estar-se atento ao parceiro-colega, imprescindvel uma viso crtica das pessoas a sua volta, de como se portam, agem, decidem sobre o servio, do grau de comprometimento com o servio e colegas, e por mais que se confia, a prudncia e cautela devem nortear toda essa relao para que decepes no custem caro. No custem vidas.
[...] "ao olhar para as causas fsicas nossas mentes se abrem e se expandem; e nesta perseguio, independente de ganharmos o jogo, a caa certamente possue uma serventia." [...] (Monteiro, 2009, pg. 14)
A viso crtica de si e do outro deve ser acompanhada da viso circundante, tudo deve ser suspeito, investigado e cuidadosamente analisado. Segurana s se firmada pela desconfiana e observao continua.
3 CONSIDERAES FINAIS
Um olhar eficaz em segurana, vigilncia e proteo, e esse ser eficaz sobressai ao ser eficiente, pois esse o faz bem feito, contudo aquele faz da maneira perfeita e nessa rea o fazer da maneira adequada indispensvel, s vir de um agente vigilante que se entrega ao seu servio de alma e corpo, que valoriza a vida, a segurana e a proteo.
Na atuao do operador de segurana pblica e privada o olhar, por todas as premissas analisadas, induvidavelmente a mais poderosa arma de preveno, conteno e proteo cabendo ao seu profissional executar, bem como as instituies que tratam segurana, explorarem de maneira critico-construtiva essa devastadora arma e assim cumprir seu trplice papel: Segurana Vigilncia Proteo.
Viso circundante: relativa defesa, vigilncia, detecode perigo oualimento. Quanto de mais longe for percebido a ameaa, maiores as possibilidades de sucesso na defesa. (Gaiarsa, 2000, p. 93)
4 REFERNCIAS
GAIARSA, Jos Angelo. O olhar. So Paulo: Editora Gente, 2000
MONTEIRO, Daniel Lago. No limiar da viso: a potica do sublime em Edmund Burke. So Paulo: USP, 2009
R.L., Gregory. Olho e crebro psicologia da viso traduo lvaro Cabral . Rio de Janeiro: Zahar Editores,1979