subject: O Movimento de educação de Base e o Movimento de Cultura Popular [print this page] O Movimento de educao de Base e o Movimento de Cultura Popular.
Jorge Rocha Gonalves
j.rocha60@yahoo.com.br
Resumo: Demonstrar o processo de relacionamento e de como ocorreu a conscientizao das comunidades a partir do envolvimento das instituies representativa da sociedade na organizao popular, aps 1964.
ramos infantis at na arte da percepo, amos escola como qualquer criana e adolescente, caminhava junto de minha irm, desde a rua carneiro Mariz, ate onde a escola Leal de Barros
No trajeto, encontramos o que posteriormente ficou conhecida com o nome de parque Arnaldo Assuno, nas proximidades do parque, a Igreja catolica do bairro.
Atravs dos tempos, participamos da igreja catlica romana, assim como estvamos presentes nas comunidades populares, que se originavam durante a ocupao de reas publicas, longe dos ordenamentos realizados pelo estado, atravs da secretaria de habitao, no Bairro do Empenho do Meio.
Neste perodo, era conhecida como Secretaria Social Contra o Mocambo e posteriormente, Secretaria Estadual de Ao Social e hoje, depois COHAB, hoje, Secretaria de Habitao.
O principal entendimento para a existncia dessas instituies dentro do mbito do Estado federado, at o estado constitudo na federao, vem a ser, diminuir o dficit habitacional e a luta institucional contra a formao das comunidades fora do interesse das elites que administravam as polticas publica, do Estado.
A finalidade no momento convinha em no permitir a proliferao dos mocambos, casas de tabuas ou de barro, onde agredia os olhos das elites.
O material de construo era caro e muito difcil, o tijolo produzido pelos portugueses que se estalaram com as suas olarias as vrzeas do rio Capibaribe, as telhas que se chamava inglesa, cimento e todo o material necessrio a construo de uma casa, para famlia de baixa renda era imposivel de obter para construir ou reformar sua casa.
Enquanto em determinadas ruas do bairro, j havia a existncia de casas da chamada alvenaria.
So lindas as casas e seus desenhos diferentes das que morvamos, que era de tijolo, mais humilde, pois residamos na vila popular, chamado Engenho do Meio novo.
Meu pai havia conseguido uma casa atravs da Secretaria Social Contra o Mocambo, na Rua Carneiro de Mariz, estvamos entre as cinco primeiras famlias que foram contempladas com uma casa popular nesta rua.
Sua composio possua dois quartos, sala, cozinha, um banheiro e terreno para expandir, que duraram dcadas para isso.
Ddevido famlia ser composta de dez pessoas entre pai, me e irmos, tnhamos que dormir na sala em esteiras e um dos irmos na cama de lona na sala.
No se permitia a existncia de casas populares fora dos padres estabelecidas pelas vontades de quem determinava os financiamentos habitacionais, ate hoje, ocorre essa permissibilidade dos governantes, a determinao dos grupos minoritrios prevalecia ao ponto de mandar derrubar as casas que eram levantadas de madeira e barro, as moradias de taipas.
Comum vermos nas ruas a policia derrubando as casas por ordem de algum do estado, que no se sabia quem era, enquanto famlias eram mandadas para outros lugares sob choro e se resistissem, apanhavam na rua da policia e eram levadas presas, tornavase assim o maior sentimento de humilhao ao um homem no perodo.
Ser expulso de sua casa, preso e apanhado pela policia, a vergonha era tanta que dificilmente retornavam ao lugar de origem. Hoje, pensamos como que a policia sabia que em determinado lugar estava se levantando casas com os padres diferentes da determinada pelo o Estado, mesmo antes de se iniciar a construo? Pois quando se levantava a primeira casa e as outras, pouco tempo depois vinham os carros pretos e derrubavam.
A instalao das unidades habitacionais populares, incentivadas pelos governos eram todas iguais, em tudo, nada diferenciava uma das outras, a no ser que o proprietrio fizesse uma reforma no prdio.
Nas casas do conhecido ate hoje Engenho do Meio antigo, as casas seguiam outros padres, a do proprietrio que em muitos casos, pessoas diferentes em se vestir, falar e no local que estudavam, principalmente, nas escolas religiosas.
Mesmo assim, nessa rea, nesta vila, morava um sapateiro, sua casa e famlia, eram diferentes das demais, passei boa parte da infncia, em companhia do sapateiro Sr, Geraldo e seus filhos e filhas, a casa de alvenaria, mais era a mais humilde e sem trato da vila, isso o distinguia das demais, este era um intruso.
Seus filhos so meus amigos ate hoje, alguns trazem na face, a sombra de morar em um lugar diferente e sendo identificado como diferentes, se sentia humilhados por serem filhos de um sapateiro.
Apesar de ser difcil v-los, encontramos um ou outro s vezes nas ruas do centro de Recife, na correria do dia-a-dia e falamos pouco um com o outro, pois difcil para cada um de ns, sentirmos na pele, o fato de morarmos em casas doadas pelo o governo.
E ficamos sabendo, que nem todos da famlia fizeram um curso tcnico ou superior,pois o destino era um s, trabalhar para ajudar a famlia a se manter.
O motivo de meus irmos, s trs terem cursos superiores, e das irms nenhuma terem, exatamente isto, vem da estrutura familiar e educacional, que a mulher era para trabalhos domsticos, aos homens trabalhar.
Ouvamos como criana, que teramos que fazer um curso para ser algum e enquanto isso, os mais velhos se envolviam nas fbricas que estava sendo instalada na cidade como ABC rdio e televiso do Nordeste e o grupo Bompreo que entre as primeiras lojas se destacava a da CEASA, durante sua formao.
No possuindo tempo para estudar, pois largavam tarde, mais tambm, diziam que queriam se divertir um pouco, pois no tiveram infncia as minhas irms se envolviam no trabalho fora de casa.
No entendia nada, a no ser que minha me me levantava e junto com meu irmo menor Claudio e ela amos juntos para levarmos minha irm ao girador da Ceasa, hoje, um conjunto de viadutos com acesso ao agreste e outras regies do estado, para que ela pega-se uma conduo para ir ao trabalhar no bairro da Mustardinha na fbrica de radio, ABC, para economizar na conduo e era muito cedo, com a marmita dela do almoo na mo e depois a entregava, com tchau e o rosto de como se fosse sempre uma despedida.
O que gostava muito era de andar dentro do mato onde fica hoje a comunidade de roda de fogo, antes ocupada por um prdio nico, todo branco e rodeado de fios e antenas, onde vi pela primeira vez um homem de olhos azuis, roupa branca e de estatura mais alto e forte,corri, pois havia nas redondezas que se algum fosse pego no local, seria levado para algum lugar.
Este local se chamava radional e hoje sabemos que era um prdio que fazia parte do sistema de informao instalado no bairro para servir de comunicao e apoio aos norte americanos durante a guerra.
O Engenho do Meio, era um bairro lindo, cheio de lugares vazios e desprovidos de infra-estruturas, quando chovia, andvamos pulando as poas de lama, mesmo assim, do lado contrario onde moravamos, comeava a se erguer casas de alvenaria, mais a policia vinha e derrubava, pois era considerada rea de invaso, de propriedade no autorizada para ocupao como eles explicavam.
At resistiram e hoje uma vila enorme, mais estreitou a rua, pois a nsia de ter um teto levou muitos moradores a sair do aliamento cartogrfico e com isso, ficou difcil o trnsito de carros e tambm, outros benefcios, como a arborizao da rua, mais ficou evidente desde infncia a questo da propriedade e principalmente de mostrar ao outro que apesar de estar em lugar proibido, conseguiu sua casa.
Existia posteriormente, a diviso da populao no prprio espao, da afronta aos residentes na vila, como se dissessem, "voc reside ai, eu aqui, e fao qualquer coisa e voc no", por isso que os muros das casas avanavam tanto para frente como para o terreno baldio que ficava por traz, inclusive, construindo em cima do canal de gua que passava no local.
Hoje, totalmente fechado pela vila que se formou depois da chegada do ento Miguel Arraes ao governo de Pernambuco, aps o exlio, mais s depois do segundo governo que os lotes foram doados, aps um entendimento entre o governo do estado e o proprietrio da terra, que finalmente, ficamos sabendo que pertencia ao antigo INPS, vem ento outra duvida, o povo no podia invadir, pois pertencia a Unio, mais por dcadas, os norte americanos, mantinham uma base de comunicao em terreno pertencente unio.
Os interesses eram conflitantes e de forma contraditria em nossa cabea quando adolescente, pois quando criana era de ouvir, "cuidado no v ali, o bicho pode pegar e levar voc". "No pode ir l, pois o bicho papo leva as crianas e elas no voltam mais".
E o bicho papo, por algum tempo ficava no imaginrio das crianas de minha poca, ate entendermos posteriormente, que o bicho papo alm de roubar crianas, matava roubava, estrupavam e chamavase comunistas, assim todos que se organizavam em grupos eram o bicho papo, os pais no permitiam que ficssemos em grupos, nas ruas s possveis ate determinadas horas e dentro do permetro visvel a famlia.
No poderamos fazer nada que pudesse chamar o "bicho papo", tais como, cantar musica proibido, vestir roupas de cor vermelha ou usar uma rosa e no falar com estranhos e quando vir a policia, correr para casa, ficava com um medo quando via soldados a cavalos passarem na rua onde morvamos, eles dizia que faziam a ronda para manter a ordem e prender os maus feitores.
Na caminhada para escola Leal de Barros, encontrava-mos quase mensalmente, era difcil no v-lo, um padre que caminhava com passos curtos, mais no lentos e de fala mansa, lhe pedia a beno e beijava a sua mo, ele abria um sorriso discreto, de roupa preta, que vieram dizer que era a batina a roupa preta como um vestido e nos braos um guardachuva, posteriormente, fiquei sabendo dessas informaes por minha irm Diraci, que o mesmo se chamava padre Helder, arcebispo de Olinda e Recife, ele visitava as casas da rua onde morava que no eram muitas, mais havia uma em particular que posteriormente fiquei sabendo que seu morador era o e Josu de Castro e depois no o vi mais nas redondezas, onde iniciou suas pesquisas sobre a fome.
Eram dias fceis para a s crianas, a no ser o bicho papo, mais difcil para os adultos e adolescentes e no queria que chegasse minha idade de ser adolescente, ir se apresentar ao exercito, pois diziam que era muito ruim.
Toda minha infncia vinha diante de uma comunidade cheia de historias e algumas assustavam quando vamos, como por exemplo, a de um homem que ate hoje no sabemos quem o , mais, saia correndo a chamado de uma vizinha quando o via, o desconhecido e no seu p, havia muitas feridas e sua perna estava inchada, foi ai que conheci o drama de quem possua a doena que destrua os rgos da pessoa, a lepra em forma de bolhas, e ele caminhava em direo a Ceasa, foi quando avisaram que ele ia para o Sancho em Tejipio, e onde era esse local?
Neste local at o presente momento, funciona uma casa de abrigo aos portadores de lepra degenerativa chamada de Santo Cristo.
As informaes chegam pelo radio e pelas conversas de rua, muitas vezes com voz baixa e de preferncia dentro de casa, alguns assuntos no podem ser dito aos outros, "s dentro de casa", assim tambm, "em conversa de adultos, criana no pode ouvir ou falar sob pena de apanhar", como o dilogo era difcil em casa ou na rua.
Na escola nem pensar, respeito aos professores e professoras, e a forma de ensino era bastante complicada, tabuada na ponta da lngua como dizia os professores e se no soubesse, ficava de castigo no recreio.
Nesta poca, lembro da participao de um professor diferente, o nome dele era Manuel, depois ficamos sabendo que era pastor da igreja Presbiteriana e era baiano.
Jovem, de aproximadamente uns 30 anos, magro, mais ou menos 1.70 de altura e conversava com os alunos e alunas, falava diferente, que tnhamos de ver o mundo a nossa volta e participar, tambm ensinava e danava capoeira, dizia ele que era comum na Bahia e os negros utilizava para se defender, de quem se defender?
Um ms depois no vamos mais Manuel, cad o professor perguntava - mos a dona Margarida, chefe de disciplina, ela vivia pelos corredores da escola vendo o que fazamos e colocava quem deixava de fazer de castigo, de rosto para parede, ou de joelhos em cima do milho e de vez em quando, com orelhas como de burro em frente da sala de aula e na rua os colegas cantavam, "orelha de burro, pois no gosta de estudar".
Depois do Manuel, surgiram outras professoras diferentes, tratava os alunos com mais carinhos e ateno, ensinava utilizando o quadro preto com frases e palavras conhecidas da gente, como trabalho, respeito, ser humano, mais tambm, a de ave, b de borboleta e por ai vai.
Tnhamos que rezar e cantar o hino do Brasil, de Pernambuco e outros todos os dias antes de entrar na sala de aula, fazamos fila, entrava turma por turma e tnhamos de estar fardados.
Os pais pagavam uma taxa na escola, quando podiam doar, e ganhvamos sapato conga de cor azul, tecido branco para fazer uma bata, emblema da escola e tecido azul para fazer cala ou saia para as meninas.
O padre ia escola onde rezava e dava a bno e a programao da igreja, mais havia padres que no parecia padres, se vestiam de roupa branca de linho e organizavam o ento grupo jovem da igreja, onde convidvamos para irmos missa no domingo.
Em um desses domingos, chamaram-me para ir aos encontros de jovens no sbado e dos jovens com Cristo em datas especificas.
Nos sbados noite, iniciava a missa dos jovens as sete e terminava as 21h00min h, mais havia sbados especficos que terminava mais cedo ou se fazia uma festa na casa de algum.
Todos os jovens apareciam e cada vez mais jovens, nestes encontros, comeava a conhecer Padre Moura, jovem tambm, e tocava violo, danava era diferente dos padres carrancudos, falava conosco e em circulo.
Ficamos em roda um olhando para o outro e ele na roda e falava de ajudar os necessitados e ensinar a ler e escrever quem no sabia na igreja, foi assim que conheci a escola paroquial Nossa senhora da Conceio, que ficava por traz da igreja.
Aquele padre que mim encontrava com ele, chamado de padre Helder entrava para ir a igreja, certo dia foi atrs, escondido e fiquei sabendo que a entrada pela escola paroquial, terminava dentro da igreja e l havia uma porta que dava no primeiro andar e havia vrios quartos e camas, sala, cozinha, banheiros e um escritrio e janelas que via tudo que se passava fora do terreno da igreja.
A igreja tem um terreno enorme, um quarteiro e quando terminava a missa dos jovens, ficamos na frente da igreja juntos com a comunidade e o padre Moura, conversava com todos que participava do circulo que fazia a sua volta, seja sentado na grama, ou na cadeira da lanchonete.
Nesta conversa, combinvamos como amos ajudar os necessitados, principalmente aqueles que moravam em umas casas de madeira que ficava arrudiando ao cano de gua da compensa prximo ao a colnia penal do Bom Pastor, que muito tempo depois que se falou que era um presdio feminino, antes, sabamos que ate hoje, um convento de freiras e em poucas vezes que consegui entrar nele, pois era proibido homem entrar segundos as freiras.
Alguns padres e freiras faziam reunies l, como pode, eu Recifense, no podia, padres e freiras de lngua diferente, estranhas, podiam.
E alguns passavam noite, principalmente, aqueles padres e freiras que vinham do estrangeiro como algumas freiras do convento diziam, ns no podiam ficar nem na entrada do convento e os carros que entravam vinham com padres, freiras e as vezes a policia estacionavam o carro na entrada.
Quando a policia vinha, as portas da capela ficavam abertas e entravamos no convento para assistir a missa, depois como era difcil assistir uma missa no local, geralmente era pela manh do domingo ou no final da tarde e depois passava fechado a semana toda, ate as janelas.
Normalmente, os nomes dos padres ou freiras no eram verdadeiros, isso ficava sabendo depois quando falavam com uma das meninas que entrava no convento, elas diziam que o nome do padre ou freira que estava la era outro nome, diferente e de pronuncia difcil, normalmente, esses padres e freiras no usavam a batina ou o habito.
Andavam com roupas comuns de cor branco e tecido de linho e mim chamava ateno que todos era assim, inclusive o padre Moura, como tambm, eles na rezavam a missa, s vezes auxiliavam o padre, normalmente, ficavam sentados nos bancos e s falavam quando terminavam as atividades religiosas.
Um dos pontos que hoje colocamos para analise vem a ser a questo dos padres e freiras envolvidos no processo de renovao social desde os jovens catlicos, a falta de participao direta destes nas missas, normalmente, apareciam nas igrejas onde os jovens estavam reunidos e no usavam o traje tpico, estavam normalmente vestidos com roupas civis e de vez em quando, passavam um tempo sem ser vistos.
Nestes perodos, ficvamos fazendo algum tipo de trabalho na igreja e tambm visitando as famlias da comunidade que passava por algumas dificuldades.
Nossos pais normalmente, no aceitavam o fato de passarmos horas fora de casa, especificamente a minha, no havia muitas cobranas, pois ramos caseiros e quando samos era por pouco tempo, mais havia casos de jovens que ficavam presos, trancados no quarto ou em outra rea da casa e tnhamos s vezes de usar a escadas ou destelhar parte da casa para que entrassem ou sassem das suas moradias e nunca explicavam esta atitude deles, a no ser na chamada surra.
As casas eram normalmente paredes ligadas com outras paredes, isto nas casas populares, o que chamavam de parede com parede, s nas reas conhecidas como nobres nos bairros populares, que vamos casas onde as paredes eram separadas e de muros, com terrenos grandes, normalmente, cabiam mais de uma casa no terreno que componha o lote dessas casas.
Havia normalmente, arvores plantada, normalmente, eram coqueiros, mangueiras, cajueiros, pitombeiras. Jenipapeiros, e muitas outras plantas inclusive de uso espiritual e medicina caseira, principalmente contra vermes, coceiras, dores de barriga e o chamado sangue fraco ou anemia.
Aprendemos a comer contra a anemia, muito comum na poca, alimentarnos da carne da venda chamada figo de alemo, normalmente encontrada nas mecearias dos bairros e tipicamente consumida pela populao de baixa renda.
A soluo das populaes carentes as suas carncias, foi a utilizao das plantas medicinais, trazida pelas geraes, o que era comum onde as famlias possuam uma parentela de origem negra, na qual nas aqueles anos, at 1970, era possvel encontra na vizinhana ou na prpria famlia descendentes de escravos libertos com a lei do ventre livre que no foram habitar nos quilombos.
Assim tivemos contato direto com minha av dona Severina, nega Bil como era chamada desde criana, a dona Izaura, av Izaura, tambm a negra Janete como ela se identificava, como a mais velhas de todas na qual dizia ter nascida poucos dias depois da lei do ventre livre, todas vieram falecer com mais de noventa anos, lcidas e com historia de arrepiar.
Eu tinha 26 anos quando do falecimento da v Izaura, negas Bil e Janete j haviam falecidos h muito tempo. Todas mim falavam a mesma coisa, como era difcil os dias da mocidade onde as negras eram brutalmente tratadas a no ser, quando escolhidas pelas sinhazinhas para cuidar delas, mais antes eram analisadas pelo dono das terras se eram boas para parir.
A alimentao que estas negras faziam e mim deixava com vontade de comer mais eram, o p de moleque, a cocada, o bolo de fub e qualquer comida onde se usava a panela de barro, sem deixar de ver os homens mais velhos beberem certo licor que depois fiquei sabendo que era de jenipapo, onde enxertavam a aguardente artesanal feita de da cana por eles com jenipapo e depois enterrava por um perodo no quintal que era comum ter alguns ps de cana que chamavam ser da espcie caiana, a melhor para fazer a bebida e rolos de cana.
Os incentivos financeiros vindos de pases financiadores no cultivo da formao de imprios tornaram se a forma legal de permitir a entrado do capital estrangeiro, burlando a legislao brasileira.
Apesar das iniciativas de moralizao do pas, observa se que os procedimentos no seguiam os reais interesses da nao e a sociedade continuava pobre, no s de casa, comida e vesturios, sade, emprego, mais principalmente, da liberdade de ir e vir, de pensar, de ser o que alguns no gostariam que fossem, pessoas portadoras da habilidade de pensar, criar e agir em busca de uma comunidade mais justa, ideal para uma nova ordem, a partir das comunidades.
Referenciais
FREIRE, P.1983. Educao como Prtica da Liberdade. So Paulo: Paz e Terra.
FREIRE,P. !990. Carta a Guin-Bissau. So Paulo: Paz e terra.
O Movimento de educao de Base e o Movimento de Cultura Popular
Sou professortcnicoda secretaria estadual de Educao de Pernambuco. se preparando para terminar o mestrado emCinciasda Educao e iniciar o doutorado. Gosto do trivial da vida, principalmente, no contato com a vida e a natureza, alm da leitura e escrita. (Artigonal SC #3153366)