subject: A Pedagogia de Jesus [print this page] A Pedagogia de Jesus no um assunto estanque e essa pesquisa pode levar a novos estudos cientficos. Por meio do ensino, Jesus prepara doze pessoas iguais aos demais seres humanos. So homens sem nenhum referencial terico.
Jesus, o educador, foi um referencial para os seus discpulos, assim como Paulo, que pde dizer: "Sede meus imitadores, como eu sou de Cristo". Diferentemente de muitos educadores que dizem: "Faam o que eu digo, mas no o que eu fao".
A prtica educativa de Jesus partia da preocupao com a pessoa toda. Jesus acolhia, confortava, mas tambm confrontava e exigia posicionamentos radicais e definitivos. A construo da personalidade moral dos seus ouvintes deveria ser um processo constante. Eles deveriam dar frutos e fazer diferena em seus meios de vida: ser sal da terra e luz do mundo (Borges, 2008, p.266).
A misso de Jesus no uma folia. Esses doze so talhados por Jesus para que sejam o sal da terra e a luz do mundo (Mt 5.13). A misso dos doze exige tenacidade.
Segundo o ponto de vista de Rosa (1899, pp.88-112) precisamente no captulo III de seu livro, a autora faz uma analse do aspecto educacional do Cristianismo, tomando como referncias Clemente de Alexandria (160-220) Agostinho (354-430) e Aquino (1225 -1274). Clemente de Alexandria, um dos representantes da Patrstica, autor da trilogia: o Protrptico, o Pedagogo e o Stromata. O Protrptico um convite s pessoas para seguirem ao Cristianismo. O Stromata procura demonstrar de que maneira o cristo justifica sua f mediante o saber. O Pedagogo a parte central da trilogia. O mestre o Logos. Quando encaminha os homens para a verdade, chama-se Logos Pedagogo; quando ensina a verdade, chama-se Logos Didascalo. Para Clemente, o nosso Pedagogo o prprio Deus, na pessoa de Jesus. Algumas vezes, Ele se d o nome de "pastor", o Pedagogo que guia seus filhos, seja no Antigo ou no Novo Testamento. Assim, nosso pedagogo, Jesus, d-nos o esquema da vida verdadeira e calca a educao do homem nele prprio. D seus mandamentos imprimindo-lhes uma caracterstica tal que nos permite execut-los. Jesus recebe a tarefa de mostrar o caminho e educar. com Jesus que aprendemos a simplicidade, a modstia, todo o amor liberdade dos homens e do bem. Adquirimos a semelhana com Deus, oriunda da pedagogia de Jesus.
Agostinho, como Clemente, pertence ao perodo da Patrstica. Em Agostinho o Cristianismo comea a ver-se como meio de disciplina e, Pedagogia, como um processo de contemplao. O ponto de partida de sua Pedagogia a situao aflitiva em que o homem se encontra. Tem que decidir, muitas vezes, diante de objetivos antagnicos. A resposta coerente est na disciplina crist. Para ele, s se chega verdade atravs de uma experincia pessoal. S se aprende quando se reconhece interiormente a verdade; esta no pode vir do exterior, pois habita dentro de cada um. Deus quem confere mente a possibilidade de reconhecer uma preposio como verdadeira. O rgo de toda a aprendizagem para Agostinho, o Logos, o Mestre Interior, Jesus. Toda educao , assim, uma auto-educao. O Mestre Interior atua por iluminao divina, utilizando-se das palavras e dos signos como meio de comunicao.
Toms de Aquino um dos mais famosos filsofos da escolstica. Baseia em Aristoteles e considera a razo como a chave principal da verdade. Nove sculos depois de Agostinho, Aquino retoma o tema, admitindo, como Agostinho, que o verdadeiro mestre que ensina dentro de nossa alma Deus. Sublinha a necessidade de uma ajuda exterior. Assinalando as qualidade do mestre cristo e a base psicolgica do ensino, faz ver a necessidade da participao do educando no processo educativo. Para Aquino s Deus o verdadeiro agente da educao. O homem no pode comunicar a cincia, mas prepara para ela. Logo, o homem no pode, na verdade, ensinar algum. Isto prerrogativa exclusiva de Deus em Jesus.
No pensamento de Wenzel (1997, pp.54-60) Jesus ensina com sua vida, e tem a capacidade de tomar posio em defesa dos mais dbeis. Nada passa despercebido, e nenhuma questo fica sem resposta. O ensino de Jesus tambm carregado de contedo poltico que desperta a conscincia crtica da multido diante de seus lderes (Mc 1.21-28). Liberta seus ouvintes das amarras (Mc 2.5). Os discpulos, presentes a tudo e at mesmo diretamente implicados (Mc 2.24) so convidados implicitamente a conhecer Jesus e seu projeto. a pedagogia de Jesus de aprender pela convivncia. Quem v e produz a experincia de uma vida nova capaz de acreditar, ao ponto de investir toda a sua vida nesse projeto. Os doze so escolhidos, mas no so enviados de imediato. So homens dinmicos, acostumados ao duro trabalho da pesca, a enfrentar os perigos do mar. So dispostos e decididos, capazes de deixar tudo para seguir uma vida nova. Jesus tem conscincia de que precisa haver um processo de mudana em nvel profundo, na forma de pensar e agir. Ento, antes de envi-los, Jesus ocupa-se com eles e lhes proporciona ensinamentos.
O estilo de ensino de Jesus nos seus dias, de acordo com Duncan (2002, p.19) no facilmente e disponvel a palavra escrita. Os livros possuem uma mstica tal que hoje nem sequer se imagina, e quando a palavra falada praticamente o nico meio de ensinar e de se comunicar em massa. Sendo assim, essencial que um mestre apresente seus ensinamentos de modo que sejam claramente compreendidos e memorizados. Isso exige que Jesus seja ao mesmo tempo um poeta e um contador de histria, e no pode haver dvida de que Jesus domina com perfeio ambos os talentos, para o ensino.
Bacharel em Teologia da Escola Superior de Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. E Bacharel em Administrao de Empresa pelo Centro Universitrio Unisantanna.