EDUCAÇÃO AMBIENTAL UMA QUESTÃO SOCIAL
Introduo
Introduo
As questes ambientais nos dias de hoje tem sido alvo de muitas discusses, visto que um assunto de interesse de todo o mundo, tanto humano quanto animal. O cerne da problemtica ambiental reside na inadequao de um sistema scio-econmico de consumo e produo in insustentvel, situao que perdura a 500 anos, norteando a poltica, o direito, a administrao pblica, a educao e os costumes, embasados em paradigmas da insustentabilidade. Atualmente denota-se um desconforto scio ambiental que est expresso na m qualidade de vida em todo o ambiente terrestre.
A educao ambiental opera processos que oferecem vantagens prticas, sensveis e s vezes imediatas muito positivas queles que prezam os atos do ser humano.
fcil compreender que a cultura da insustentabilidade determinou o modo de vida do Brasil, podendo ser direcionada promoo de informao e educao ambiental.
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1-Graduada em Licenciatura Plena em Pedagogia pela Universidade Estadual do Piau UESPI, aluna do curso de Ps-graduao Lato Sensu em Psicopedagogia pela FAEME/MONTENEGO, atualmente professora do curso de pedagogia pela UESPI, Universidade Estadual do Piaui - PI e gestora da Unidade Escolar Municipal Professor Joca Vieira na cidade de Amarante - PI.
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A educao ambiental ser desenvolvida como prtica educativa, contnua e permanente do pr-escolar ao quinto ano do ensino fundamental, essa dimenso deve constar dos currculos de formao de professores, em todos os nveis e em todas as disciplinas. O objetivo primordial desenvolver uma compreenso integrada do Meio Ambiente em suas mltiplas e complexas relaes, envolvendo aspectos ecolgicos, legais, polticos, sociais, econmicos, cientficos, culturais e ticos.
Desenvolvimento
1- A Relao Homem x Meio em que vive e os cuidados que so cobrados pela natureza.
Desde os primrdios, as sociedades humanas utilizaram os recursos naturais existentes a sua volta, inicialmente de forma equilibrada, utilizando apenas o que era necessrio perpetuao da espcie, interveno essencial para sua sobrevivncia e permanncia no planeta. por ocasio desse contato direto entre o meio ambiente e o homem que podemos ver sua distino como ser biolgico. "Foi assim que o homem, pelo processo natural do trabalho, aos poucos veio a desvendar, conhecer, dominar e modificar a natureza para melhor aproveit-la" (ALVES, 1993:58). Contraditoriamente, porm, a degradao ambiental surge com o prprio homem, pois no momento em que ele comea a intervir no meio ambiente, produzindo para alm da sua sustentao, e acumulando a produo excedente ,ou seja, a partir da propriedade privada, inicia-se, tambm, a deteriorao da relao homem-natureza e as relaes de produo social.
A esse fato, segue, historicamente, a instaurao da sociedade moderna que muda o modo de produo social do campo para a cidade, com o modelo industrial-urbano criado pela sociedade capitalista.Assim, a sociedade progride do ponto de vista scio-econmico e cultural, desprezando os fatores ecolgicos, base necessria produo da vida social e a humanidade despertada com o surgimento dos desastres ecolgicos.
na dcada de 60, com a publicao do livro Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, o primeiro grande alerta para as questes ambientais. Essa publicao denuncia a ocorrncia de desastres ecolgicos criados pelo homem, resultando em uma grande polmica sobre o modelo predatrio de desenvolvimento que, tratando apenas, as questes polticas, econmicas e sociais e desprezando os elementos ecolgicos, poder levar o planeta a uma
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"primavera silenciosa". Assim que, por esse modelo, o homem contemporneo tem fundamentado sua prtica social no consumismo e desperdcio, na busca da acumulao de bens que smbolo de status, pois para a teoria do capital, os valores se invertem, significando a perda da essncia do homem como ser histrico e comprometendo a sobrevivncia das futuras geraes.
Ao que parece, a humanidade vem esquecendo ou ignorando o que a Cincia j deixou bem claro, h muito tempo somos parte da complexa teia da vida,e, a destruio de seus elementos pode acarretar a extino da espcie
humana (ALVES, 1993:57).Comea-se a perceber a urgncia de um novo modelo de organizao social que resulte numa maior interao do ser humano com as leis naturais, j
que a sua permanncia no planeta depende, fundamentalmente, da sua melhor interao com o meio ambiente.
O marco histrico dessa compreenso concretizado na Conferncia das Naes Unidas sobre o Meio Ambiente Humano,realizada na Sucia (Estocolmo), em 1972.H necessidade de se investigar as concepes que orientaram essa prtica de esquecer que a natureza limitada, como tambm de rever nossas prticas, consumindo com limites, evitando o desperdcio, reaproveitando o que for possvel ou terminaremos acarretando a extino de todos os seres vivos de nosso planeta, inclusive o homo-sapiens.
1.1 - Em busca de um modelo de desenvolvimento sustentvel
No caso do Brasil, "a histria da degradao ambiental a nossa histria de 500 anos de dominao e explorao", que vem desde o escravismo colonial at o capitalismo predatrio (FRANCO, 1993:12), fazendo surgir os impasses do ponto de vista ambiental, como a abundncia dos bens produzidos que promove a opulncia de alguns, contrastando com a pobreza crescente de seus produtores.
Na busca da superao desses impasses vividos pela sociedade moderna, temos, diante de ns, o desafio do desenvolvimento sustentvel, atravs do qual precisamos oferecer condies de vida que satisfaam s necessidades e anseios das geraes viventes e futuras. Essas combinaes, porm s podem ocorrer com o empenho e integrao das polticas-sociais, que direcionem o desenvolvimento tecnolgico e cientfico da sociedade, superando o individualismo possessivo gerador do desequilbrio ambiental e das grandes
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desigualdades sociais e promovendo uma anlise crtica sobre as transformaes provocadas no meio ambiente.
urgente a busca de uma sociedade mais justa, solidria e equilibrada na sua relao com a natureza. Este processo se dar atravs da mudana de concepo e postura, na construo e produo do conhecimento na formao integral dos seres humanos. Assim, temos a educao como estratgia fundamental para a aquisio de novos valores capazes de superar o paradigma cartesiano que fragmenta o saber.
1.2 - Voltando o olhar sobre a Escola
A escola precisa construir um processo em que os alunos dominem concepes e destrezas essenciais para a vida moderna, no sentido da proteo do meio ambiente e da biodiversidade. Acreditamos que a melhor forma de revolucionar o ensino encontra-senos pressupostos da pedagogia dialtica que compreende a formao do homem sendo construda, atravs, da elevao da conscincia coletiva realizada, concretamente, no processo do trabalho (integrao) que cria o prprio homem. Por isso, "(...) a pedagogia dialtica da educao social, cientifica, uma pedagogia voltada para a construo do homem coletivo, voltada, portanto para o futuro" (Gadotti, 1997: 147).
Orientada pelo enfoque interdisciplinar, a prtica pedaggica da escola deve romper com hbitos de acomodaes, passando a construir a humanizao pela viso da dinmica globalizadora. O processo de construo dessa prtica deve contar com o entendimento da necessidade de se trabalhar o coletivo com dilogo, produzindo a intercomunicao dos educadores, associando teoria e prtica, relacionando o contedo do ensino realidade social.
A relao da escola com a sociedade que vai estruturar o currculo no sentido de promover o homem ao invs de desumaniz-lo. Para isso importante enfocar a escola transformadora que deve buscar solues para os problemas que ameaam a nossa prpria sobrevivncia. O currculo da escola que propomos, deve levar em considerao a contribuio e participao de todos os seus integrantes, tendo um olhar voltado para as condies concretas de vida dos indivduos que, tambm, esto inseridos no contexto educacional. Assim se far possvel a superao da mesmice que se processa na maior parte das escolas, onde a realidade dos sujeitos totalmente desconsiderada o que provoca a falta de interesse dos agentes desses processos, considerados enquanto educadores e educandos.
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Para se contemplar as demandas e a pluralidade cultural que compe a realidade brasileira, a temtica ambiental elege contedos e instrumentos que possibilitem aos alunos se posicionarem em relao s questes ambientais. Segundo os Parmetros Curriculares Nacionais (PCNs) o contedo de Educao Ambiental deve ser trabalhado de forma transversal. A proposta fazer o aluno conhecer e compreender o meio ambiente, adotar novas posturas, analisar situaes, perceber fenmenos, conservar recursos naturais, valorizar adversidade natural e sociocultural e identificar-se como parte da natureza. Deve assim, proporcionar ao aluno diversas experincias para poder trabalhar as diferentes realidades na escola e, fora dela, considerando as especificidade de cada regio.Baseadas nos PCNs e na experincia, destacamos, alguns temas relacionados temtica ambiental que podem ser trabalhados nas instituies de ensino:
Conservao, tratamento e utilizao da guas saneamento bsico
Fossas, esgotos e outros; coleta, destino, seleo e reciclagem do lixo;
Poluio do ar, da gua, do solo, etc.
Manejo e conservao do solo;
Cuidados com plantas, animais e seu desenvolvimento;
Desperdcio dos recursos naturais;
reas de conservao, proteo e reserva ambiental;
Valorizao e proteo das diferentes formas de vida;
Biodiversidade e direitos humanos.
A proposta apresentada nos PCNs deveria ter considera diversidade das experincias cotidianas que foram desenvolvidas em sala de aula, de Estados e Regies, ao longo dessas duas ltimas dcadas. Isso porque a realidade do aluno, ou seja, as suas representaes devem ser o ponto de partida para os demais contedos. Sem perder o enfoque terico que perpassa todas as questes ambientais, as atividades educativas nunca devem ter um fim em si mesmo e as vivncias de alunos e professores devem ser tomadas como referencial de um currculo que se pretende interdisciplinar.
A escola precisa ser aberta e criativa e os educadores devem estar conscientes da complexidade do mundo atual que implica em novas idias e maneiras para que possamos superar a rotina escolar que, muitas vezes, tem sufocado o processo educativo.
Alm disso, temos que proporcionar aos nossos alunos o exerccio de seus direitos e deveres como cidados do mundo e, "neste sentido a educao se converte em um processo
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estratgico com o propsito de formar os valores, as habilidades e as capacidades para orientar a transio na direo da sustentabilidade" (LEFF, 1999:112).
Concluso
Portanto, a dimenso ambiental representa a possibilidade de lidar com conexes entre diferentes dimenses humanas, possibilitando, entrelaamentos e mltiplos trnsitos entre mltiplos saberes. Atualmente o desafio de fortalecer uma educao para a cidadania ambiental convergente e multirreferencial se coloca como prioridade para viabilizar uma prtica educativa que articule de forma incisiva a necessidade de se enfrentar concomitantemente a crise ambiental e os problemas sociais. Assim, o entendimento sobre os problemas ambientais se da atravs da viso do meio ambiente como um campo de conhecimento e significados socialmente construdo, que perpassado pela diversidade cultural e ideolgica e pelos conflitos de interesse.
Os educadores (as) devem estar cada vez mais preparados para re-elaborar as informaes que recebem, e dentre elas as ambientais, para poder transmitir e decodificar para os alunos a expresso dos significados em torno do meio ambiente e da ecologia nas suas mltiplas determinaes e interseces. A nfase deve ser a capacitao para perceber as relaes entre as reas e como um todo enfatizando uma formao local/global, buscando marcar a necessidade de enfrentar a lgica da excluso e das desigualdades.
Atualmente, o avano para uma sociedade sustentvel permeado de obstculos, e um dos grandes desafios de enfrentar a complexidade, as incertezas e as contradies de forma conjunta. Isto implica principalmente na necessidade de estimular uma participao mais ativa da sociedade no debate dos seus destinos, como uma forma de estabelecer um conjunto socialmente identificado de problemas, objetivos e solues.
O desafio que est colocado de no s reconhecer, mas estimular prticas que reforcem a autonomia e a legitimidade de atores sociais que atuam articuladamente numa perspectiva de cooperao, como o caso de comunidades locais e ONGs. Isto representa a possibilidade de mudar as prticas prevalecentes, rompendo com as lgicas da tutela e da regulao, definindo novas relaes baseadas na negociao, na contratual idade, e na gesto conjunta de programas e atividades, o que introduz um novo significado nos processos de formulao e implementao de polticas socioambientais.
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O momento atual exige que a sociedade esteja mais motivada e mobilizada para assumir um carter mais propositivo, assim como para poder questionar de forma concreta a falta de iniciativa dos governos para implementar polticas pautadas pelo binmio sustentabilidade e desenvolvimento num contexto de crescentes dificuldades para promover a incluso social. Para tanto importante o fortalecimento das organizaes sociais e comunitrias, a redistribuio de recursos atravs de parcerias, de informao e capacitao para participar crescentemente dos espaos pblicos de deciso e para a construo de instituies pautadas por uma lgica de sustentabilidade.
Nessa direo, a educao para a cidadania representa a possibilidade de motivar e sensibilizar as pessoas para transformar as diversas formas de participao em potenciais fatores de dinamizao da sociedade e para uma nova proposta de sociabilidade baseada na educao para a participao,
Esta se concretizar principalmente pela presena crescente de uma pluralidade de atores que, atravs da ativao do seu potencial de participao tero cada vez mais condies de intervir consistentemente e sem tutela nos processos decisrios de interesse pblico, legitimando e consolidando propostas de gesto baseadas na garantia do acesso informao, e na consolidao de canais abertos para a participao (Jacobi, 2003).
Para isso a escola deve ser o espao de aprendizagens significativas, facilitando a reconstruo dos princpios referenciais de anlise da realidade que deve ser trabalhada, entre todas as disciplinas, buscando uma viso transdisciplinar em prol da melhoria das condies da biodiversidade no Planeta Terra.
Nesse sentido, a proposta que apresentamos para a Educao Ambiental, busca uma ruptura com esse paradigma positivista e cartesiano do conhecimento que distanciou o homem da natureza, para que possamos instituir a produo do conhecimento em sua totalidade. E, sendo o conhecimento gerado, integralmente, atravs da realidade na qual estamos imersos, sua estruturao por forma fragmentria, por disciplinas, tem se apresentado inoperante na soluo dos problemas enfrentados pela humanidade. atravs de um contato maior com a natureza que o aluno vai poder questionar o que est acontecendo e idealizar um mundo novo que ele mesmo ser capaz de construir pelo desenvolvimento da conscincia crtica que gera a responsabilidade e o compromisso social. Por isso, escola cabe provocar processos de transformao coletiva de conscincias e atitudes e, tambm,
voltar-se para a formao integral e integrada do ser humano, tendo como princpio ativo a capacidade de cuidar do meio ambiente sem restries. A educao precisa estabelecer suas
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reais finalidades para que ela possa trabalhar, de forma clara, a noo de homem, cidado do mundo, atravs de uma ao conjunta e interdisciplinar, gerando um conhecimento questionador e reflexivo, onde os conceitos relacionados ao meio ambiente sejam trabalhados possibilitando que a compreenso do mundo seja algo possvel.
Precisamos acabar com a postura comodista de pensar que nada podemos, diante da imensido dos problemas que nos cerca. Precisamos adquirir uma responsabilidade poltica e tcnico-pedaggica com as transformaes que precisam ser objetivadas e estabelecidas como metas, em nossas escolas.
DEVEMOS AMAR A NATUREZA!!!!
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REFENCIAS
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CEDI/CRAB. Educao ambiental: uma abordagem ecolgica dos temas da atualidade. Ao Educativa. Rio de Janeiro, 1994.
DIAS, Freire Genebaldo. Educao Ambiental Princpios e Prticas de Educao Ambiental. So Paulo: Gaia; 1992.
__________. Atividades Interdisciplinares de Educao Ambiental. ed. Global, So Paulo, 1994.
JACOBI, Pedro. Meio ambiente urbano e sustentabilidade: alguns elementos para a reflexo. In: Cavalcanti, Clvis (org.). Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentvel e Polticas Pblicas. So Paulo: Cortez Editora, 1997.
Leff, Enrique. Epistemologia Ambiental. So Paulo: Cortez Editora, 2001
Leff, Enrique. Pensar a complexidade Ambiental. In: Leff, Enrique (org.). A Complexidade Ambiental. So Paulo: Cortez Editora, 2003.
EDUCAO AMBIENTAL UMA QUESTO SOCIAL
Por:
Maria Edilene VilarinhoPerfil do Autor
(Artigonal SC #3162991)
Fonte do Artigo -
http://www.artigonal.com/ensino-superior-artigos/educacao-ambiental-uma-questao-social-3162991.html
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