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"Nao nos banhamos duas vezes no mesmo rio"

Nesta semana assisti a um filme muito interessante

, estvamos em trs alegres telespectadores com aquela ansiedade gostosa das surpresas que a estria poderia nos oferecer. J havia sido alertada que embora o filme fosse classificado "comdia" haveria muitas vertentes reflexivas.

Sim, rimos vrias vezes, mas o roteiro era pra l de angustiante e aps os primeiros 20 minutos me vi questionando vrias coisas da minha vida, do mundo e das pessoas a minha volta.

O filme que refiro chama-se Feitio do Tempo e vou resumi-lo para dar incio as minhas inquietaes. A estria gira em torno de um reprter do tempo chamado Phil, uma pessoa extremamente egocntrica, irnica nas piadas sem graa, porm, ambguo no mau humor de quem se sente a ltima bolacha do pacote. Ele, a produtora e o cinegrafista foram convocados para uma reportagem na pequena cidade do interior dos Estados Unidos, chamada Punxsutawney. Todo ano, exatamente no dia 02 de janeiro se comemora o Dia da Marmota, ela responsvel por prever quanto tempo continuar o inverso at a chegada da primavera. Phil, o personagem central, no esconde sua frustrao em cobrir tal evento, ironiza a simplicidade das pessoas, o hotel cinco estrelas que no tem nem gua aquecida, o reencontro com um pattico ex-colega de colgio, enfim, Phil s pensa em acabar a reportagem e voltar capital. Porm no caminho h uma grande nevasca que o faz retornar a Punxsutawney.

A partir deste ponto comea o auge do filme, pois no dia seguinte s 6 horas da manh, o rdio relgio o desperta, os radialistas repetem as mesmas notcias, o funcionrio faz a mesma piada sobre a chegada da primavera, a dona do hotel oferece o caf da manh do mesmo jeito do dia anterior, no caminho encontra o chato ex-colega de escola, pisa na mesma poa d'gua, a produtora e o cinegrafista esto prontos aguardando-o para cobrir o dia da marmota. A princpio, Phil fica confuso e pensa, no estou num sonho? Mas, os dias passam numa sucesso de repeties, a realidade que todos os dias so 02 de janeiro.


Phil, ao reviver as mesmas experincias se viu aprisionado no tempo experimentando sensaes de raiva, ansiedade, medo, desdm com a simplicidade do lugar e das pessoas, amargura e at certa dose de loucura, pois num ato de desespero se atira do penhasco, se joga em frente de um carro e de cima de uma igreja. Mas, nada, no dia seguinte amanhecia na sua cama com o rdio anunciando o dia da marmota.

Vou parar neste ponto para iniciar as minhas consideraes.

Quantas vezes nos vemos aprisionados no tempo? O tempo hoje controlado por exigncias de um mundo moderno e tecnolgico e na medida em que aumenta a importncia mercadolgica, menor o tempo dedicado a ns mesmos, as pessoas, situaes e atitudes significati O tempo tambm algo muito subjetivo, podemos nos prender a ele numa cela invisvel revivendo amarguras, desiluses, desamparos, erros e sofrimentos incontveis, consumidos pelo tdio, vazio e desesperana. Lano a pergunta:

Voc controla o tempo ou controlado por ele? Quando foi a ltima vez que fez algo de legal, leu um livro, fez uma visita a um amigo e ente querido ou optou por ficar em casa curtindo msica, assistindo tev pela simples sensao de prazer?

Phil viveu anos assim, acordando para viver somente aquele dia pr-determinado, foi ento que surpreendendo as expectativas comeou a segunda fase do filme. Phil iniciou o processo de sensibilizao, exercitando a compaixo, respeito e lanando um olhar amoroso aquelas pessoas subjugadas inferiores e desinteressantes. Ampliou a sua percepo alterando os caminhos e passou a enxergar novas possibilidades de aprender, interagir, amar e valorizar o tempo. Abriu mo do autocontrole passando a conviver com os novos fenmenos sem a necessidade de monitorar o tempo em busca de respostas, manipulaes ou algo que representasse perigo.

O Phil que se configurava no era mais algum aprisionado, mas conquistando a liberdade e partindo para o encontro de algum que ele pouco conhecia, si mesmo.

Olhando para o significado que voc atribui ao tempo vivido e subjetivo, o que podemos aprender com a experincia de Phil?

Ser que os dias sero sempre iguais ou somos capazes de descobrir novas maneiras de renovao? Voc acredita que pode abrir a cela, retirar os grilhes invisveis do cotidiano e transformar o seu destino? vas.

Assista ao filme e no se espante em encontrar inmeras outras questes a refletir.

Ficha Tcnica

Feitio do Tempo

Pas/Ano de produo: EUA, 1993

Durao/Gnero: 101 min., comdia

Direo de Harold Ramis Roteiro de Danny Rubin

Elenco: Bill Murray, Andie McDowell, Chris Elliott e Stephen Tobolowsky

"Nao nos banhamos duas vezes no mesmo rio"

Por: Valria Ftima da Rocha


Perfil do Autor

Psicoterapeuta Existencial com Especializao em Psicoterapia Fenomenolgico Existencial, Centro de Psicoterapia Existencial. Atuao Clnica e Desenvolvimento de Programas de Orientao Profissional e Assistncia a Obesos e portadores de Transtornos Alimentares.

http://valeriapsc.blogspot.com/ (Artigonal SC #3155231)

Fonte do Artigo - http://www.artigonal.com/gerencia-de-tempo-artigos/nao-nos-banhamos-duas-vezes-no-mesmo-rio-3155231.html
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