A Arte da Possibilidade
"Para gerenciar uma equipe, voc utiliza os msculos e a razo
. Para liderar de verdade, use tambm o corao."
(Abraham Shashamovitz)
Num ano de Olimpadas, prepare-se para uma overdose de artigos, debates e ensaios lastreados em temas esportivos. As empresas acreditam-se modernas, atuais, antenadas com o momento ao optarem por atletas, tcnicos, comentaristas e toda sorte de profissionais ou ex-profissionais vinculados ao esporte como a soluo mgica para questes do mundo corporativo.
inegvel que podemos encontrar no desporto grandes metforas realidade de empresas e profissionais. Assim, Ayrton Senna era exemplo de excelncia; Robinho, sinnimo de ousadia; Oscar Schmidt, cone da obstinao; Pel, referncia em marketing pessoal. As corporaes tambm podem alcanar inspirao nas lies de gerenciamento e liderana legadas por Vince Lombardi (ex-tcnico de futebol americano) ou, mais recentemente, Bernardinho, coach da vitoriosa equipe de vlei masculino do Brasil, dentre tantos outros exemplos.
Embevecidos que ficamos com as fascinantes conquistas perpetradas pelos atletas, diante de sua superao e esprito de cooperao que envolve e transforma uma equipe, deixamos de notar que a realidade do universo empresarial evidentemente distinta, muito mais complexa, de modo que muitas lies apenas no so aplicveis.
Nos esportes, h regras claras e um ou mais juzes preparados para emitir um parecer instantneo, ainda que por vezes inidneo. J o mercado insiste em burlar leis, romper contratos, ignorar regras. E a justia, por sua vez, tem braos largos, porm lentos; olhos abertos, porm vendados.
Foi dentro deste contexto que encontrei uma metfora mais adequada para arguir sobre liderana empresarial. Ela advm de outra arte: a msica.
Observe uma orquestra. Seja ela uma orquestra de cmara (formada por poucos membros), uma sinfnica (mantida por uma instituio pblica) ou filarmnica (sustentada por recursos privados), constituda por diversos msicos e variados instrumentos, divididos em quatro grandes grupos: cordas, madeiras, metais e percusso, cada qual produzindo isoladamente um som caracterstico.
Enquanto num esporte coletivo a equipe pode alcanar a vitria graas a um lampejo de genialidade ou sorte de um nico atleta, mesmo com uma atuao medocre em toda a partida, numa orquestra todos contribuem com o xito do resultado final. Por isso, o produto que entregam uma "sinfonia", ou seja, todos emitindo o mesmo som.
Este objetivo alcanado atravs da mediao de um personagem em particular. Trata-se do maestro, aquele mesmo que permanece em destaque durante a apresentao, tem sua foto estampada na capa de CDs e DVDs, profere palestras e concede entrevistas, mas que curiosamente o nico msico que no emite um nico som.
Aprendi com Benjamin Zander, regente da Orquestra Filarmnica de Boston desde sua fundao, em 1979, que o papel do lder no conquistar poder, mas tornar os outros poderosos. Permitir aos seus colaboradores que se transformem num novo tipo de ser, migrando do individual para o coletivo, de um ser isolado para um ser conectado.
No vdeo "A Arte da Possibilidade", distribudo com exclusividade no Brasil pela Siamar, Zander compartilha suas experincias, instruindo-nos que um regente um arquiteto das possibilidades do grupo. Sua misso explorar estas possibilidades, mergulhando no mago de cada membro de sua orquestra com o intuito de desvend-los, ou seja, remover-lhes a venda que encobre o talento e o potencial de cada msico.
Costumo dizer que o lder aquele capaz de conduzir as pessoas juntas e em direo a uma mesma viso, levando-as at onde no iriam se estivessem sozinhas. Ele vislumbra qualidades extraordinrias em pessoas comuns, potencializando-as, permitindo-lhes oferecer ao mundo o que tm de melhor. No se trata de persuaso, mas de inspirao. Inspirao que nutre o entusiasmo, estimula a criatividade e promove a excelncia.
Seguro de que todos podem fazer a diferena, Ben Zander estabeleceu um interessante critrio para motivar seus pares. Ele sempre confere a nota mxima em uma audio preliminar, exatamente quando o msico est mais sensvel e inseguro. Depois, solicita a cada msico que lhe escreva uma carta justificando como far para merecer tal avaliao ao final de um semestre. O propsito dar ao profissional uma dimenso de suas possibilidades de realizar e no a mera expectativa de alcanar. Afinal, preciso fazer silenciar aquela voz na cabea que em situaes crticas procura nos constranger e apequenar, sentenciando: "Voc no vai conseguir!".
Analogamente, muitas so as oportunidades no cotidiano das empresas para valorizar e elevar seus colaboradores. Porm, no raro continuamos a testemunhar lderes que criticam em pblico e elogiam em particular, quando deveriam fazer o inverso. Lderes que ocultam os acertos e expem os erros jamais os prprios. Cultivam o "no", afastando o "sim" do mapa de possibilidades.
Entre uma orquestra e outra, os instrumentos so os mesmos, mas os msicos no. Por isso algumas melodias falam mais alto ao corao.
preciso compartilhar a viso, cultivar o brilho nos olhos, promover o relacionamento. Liderar no verbo intransitivo. Se o lder est sozinho, ele no est liderando ningum.
A Arte da Possibilidade
Por:
Tom CoelhoPerfil do Autor
Tom Coelho educador, conferencista e escritor com artigos publicados por mais de 700 veculos da mdia em 15 pases. autor de "Sete Vidas Lies para construir seu equilbrio pessoal e profissional", pela Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros. Contatos atravs do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br. (Artigonal SC #3311996)
Fonte do Artigo -
http://www.artigonal.com/negocios-admin-artigos/a-arte-da-possibilidade-3311996.html
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