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O CONHECIMENTO TÉCNICO CIENTÍFICO NA DOAÇÃO DE ÓRGÃOS E TECIDOS NOS CURSOS DE ENFERMAGEM

Maria Madalena Colla

Maria Madalena Colla

Professora Msc Enfermeira Orientadora.

INTRODUO

O tema "doao de rgos e tecidos" constituiu num projeto encaminhado e aprovado pela comisso de tica da FACVEST, obtendo aprovao conforme Parecer 023/2010 e foi motivado pelo local de trabalho do autor numa unidade de terapia intensiva e da autora no centro cirrgico num hospital da Regio Serrana na cidade de Lages, onde se realiza a abertura e captao de rgos. Em outro momento, participamos do seminrio em sala de aula do curso de Enfermagem, na disciplina de tica e Biotica, na stima fase, e observamos nos colegas a grande curiosidade, despertada pela participao e expresso pblica de opinies e sentimento, quando apresentamos a palestra sobre o dilema de doar ou no rgo ou tecido.

No mundo moderno tem se buscado muitas transformaes fsicas, humanas e tecnolgicas, decorrente de pesquisas cientficas que procuram identificar novas averiguaes na busca de questes levantadas para investigar, considerar e discutir, na procura de decises e solues. O surgimento de doenas e enfermidades acometidas na populao tem gerado na rea da sade uma busca por explicaes, formas de promoo, preveno e tratamento de um modo geral e, em todas as partes do mundo. Dessa forma surge a pr-disponibilidade para receber rgos e tecidos de doadores para uma melhora no quadro clnico e, posteriormente, um prolongamento da vida. A utilidade da doao de rgos para dar continuidade vida para aqueles que necessitam de um simples gesto que pode salvar, representando continuidade e renascimento para muitos cidados, que se encontra em uma fila de espera por um transplante.

A doao sem dvida o maior ato de amor ao prximo, mas nunca suficientemente reconhecido. Entregar uma frao do ente querido, com morte enceflica geralmente abrupta, para proporcionar uma vida normal a um desconhecido extraordinrio. Para o receptor, freqentemente a ltima chance de sobrevida. A negativa da doao determinar seu destino, que tambm a morte. Cinqenta por cento dos candidatos a transplante cardaco morrem na fila de espera no primeiro ano por falta de doaes. (MANRIQUE, 2004, p. 31)

No decorrer do curso de Enfermagem, houve alguns momentos de abordagem sobre "Doao de rgos e Tecidos" com o foco na questo tica e biotica, no constatamos em nenhuma outra disciplina esse tema no contexto tcnico cientfico, surge ento questo: como os cursos de enfermagem tm abordado o tema de doao de rgos em suas estruturas curriculares? Partindo deste pressuposto, objetivamos analisar como os cursos de enfermagem tm abordado o tema de doao de rgos em suas estruturas curriculares, demonstrando a importncia do tema em suas grades.

Este estudo foi desenvolvido em quatro momentos, com objetivos distintos, mas interligados, que esto descritos a seguir, contextualizando conjuntamente a metodologia aplicada, resultado dos dados colhidos e a analise dos mesmos, sendo a seguir delineadas nossas consideraes sobre doao de rgos e tecidos e sua insero na estrutura curricular dos cursos de graduao.

DOAO DE RGOS E TECIDOS

No mundo, um dos primeiros estudos que descrevem os primeiros diagnsticos especficos de morte enceflica foi idealizado com sucesso em 1959. Na dcada de 60 em 1968 a Universidade de Harvard publicou trabalho estabelecendo normas para o diagnstico de morte enceflica.

No Brasil, a primeira fase dos transplantes de rgos iniciou-se na dcada de 1960 e a partir da dcada de 1980, aconteceu segunda fase. A primeira Lei regulamentando o transplante de rgos no Brasil data de 1968. Em 04/02/1997 a Lei n 9.434 e a medida provisria n 1.718-1 de 05/11/98 aprimoraram e atualizaram a lei dos transplantes. No entanto, essa atividade ganhou importncia, aps 15 anos com o desenvolvimento e criao de tcnicas cirrgicas, equipamentos de suporte, mtodos, histricos e compatibilidade entre doador e receptor e, finalmente, frmacos imunossupressores. Mais tarde, esses procedimentos difundiram-se entre os estabelecimentos hospitalares, aumentando a necessidade de uma regulamentao para doao e transplantes de rgos. Houve, inclusive a determinao legal de que na Carteira de Identidade Civil e Carteira Nacional de Habilitao fosse manifestado a doao presumida pelo consentimento informado do desejo de doar. Em determinao da nova lei, as manifestaes de vontade doao de rgos e tecidos, aps a morte, que constavam na Carteira de Identidade Civil e na Carteira Nacional de Habilitao, perderam sua validade a partir do dia 22 de dezembro de 2000. Neste sentido atualmente a retirada de rgos e tecidos de pessoas falecidas depende da autorizao da famlia conforme lei N 10.211 de 23 de maro de 2001 que altera e passa a vigorar:

"Art. 4o A retirada de tecidos, rgos e partes do corpo de pessoas falecidas para transplantes ou outra finalidade teraputica, depender da autorizao do cnjuge ou parente, maior de idade, obedecida a linha sucessria, reta ou colateral, at o segundo grau inclusive, firmada em documento subscrito por duas testemunhas presentes verificao da morte."

Em Santa Catarina, entrou em funcionamento em 16 de dezembro de 1999, pelo decreto Estadual n 553/1999 de 21 de setembro de 1999, a Central de Captao, Notificao e Distribuio de rgos e Tecidosde Santa Catarina, (SC Transplantes) e credenciada pelo Ministrio da Sade, em27 de outubro de 1999, atravs da Portaria SAS n 604, com finalidade de coordenar as atividades estaduais de captao e transplantes, sendo pioneira no Brasil na regulamentao dos Transplantes.

Na cincia, muitos estudiosos realizaram grandes avanos, entre eles, o de transplantes de rgos e tecidos. Para que tudo ocorra com sucesso, a equipe deve seguir um protocolo com levantamento do potencial doador com diagnstico de morte enceflica, no qual tenham sido descartadas contra-indicaes clnicas que representem riscos aos receptores dos rgos. Vale considerar que essas informaes levam horas. Um dos fatores importantes no processo de doao de rgos e tecidos a morte enceflica que ocorre aps uma leso cerebral severa e sbita. Essa situao dificulta a compreenso aos familiares, perante ao fato desconhecido e at mesmo de no aceitao da morte gerando uma resistncia cultural, com diferenas sociais e religiosas. No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM), na Resoluo CFM n 1.346/91, define: "morte enceflica como a parada total e irreversvel das funes enceflicas, de causa conhecida e constatada de modo indiscutvel". nesse momento que o processo de doao de rgos e tecidos tem incio, ocorrendo a abertura de protocolo e notificao da central de captao de rgos e tecidos, fazendo-se a avaliao do potencial doador atravs de exames clnicos e testes como reflexo pupilar, corneano, teste de apnia com exame de gasometria. Aps 12 horas o mdico responsvel deve repetir a avaliao clnica e registrar se ocorreu alguma modificao, exames complementares como Eletro Encfalo Cardiograma (EEG), Ecodopler Transcraniano e a Angiografia, devem ser utilizados para constatao da morte enceflica.

Morte Enceflica a morte do crebro incluindo tronco cerebral, que desempenha funes vitais como o controle da respirao. E quando isso ocorre parada cardaca inevitvel. Embora ainda haja batimentos cardacos, a pessoa com morte enceflica no pode respirar sem os aparelhos e o corao parar em poucas horas. Por isso a morte enceflica j caracteriza a morte do individuo. A morte enceflica e diferente do coma. No coma as clulas cerebrais continuam vivas, executando suas funes vitais. J na morte enceflica as clulas nervosas esto sendo rapidamente destrudas. O que irreversvel. (NITRINI,1999,p.190).

Se positiva para morte enceflica, realiza-se a entrevista familiar com levantamento de dados do histrico do possvel doador e submete-se a uma bateria de exames complementares para verificar se possui doenas que possam comprometer o transplante como, por exemplo, hepatite e Aids. De posse das informaes necessrias, a Central de Transplantes faz um cruzamento de compatibilidade com os pacientes em lista de espera que nica, conforme portaria N. 3.407 de 05 de agosto de 1998, e ao identificar um receptor, as equipes de captao e de transplante so acionadas. A comunicao para a famlia fica sobre responsabilidade da comisso interna de captao do hospital formada por mdicos, enfermeiros, assistentes sociais e psiclogas que ficam responsveis de informar a famlia que posteriormente manifesta o consentimento para doao. Na UTI, o mdico intensivista, os enfermeiros, tcnicos e os auxiliares mantm os cuidados com a manuteno do corpo como sinais vitais entre outros.

Aps todos os critrios e protocolos de exames seguidos, documentos preenchidos e, o principal, o consentimento familiar positivo, d-se incio captao dos rgos. A captao um procedimento cirrgico que consiste na retirada de um rgo como corao, rim, pulmo de um paciente (doador) que foi acometido por morte enceflica. A doao de rgos um ato pelo qual podemos manifestar a nossa vontade de que, a partir do momento da morte, uma ou mais partes do corpo, em condies de serem aproveitados para transplante, possam ajudar outras pessoas que esto com um rgo doente, necessitando a reposio de um com bom funcionamento promovendo sade para manter as suas funes vitais.

O processo de Doao de rgos consiste na retirada voluntria de um ou mais rgos de um individuo capaz, em quanto vivo ou aps a sua morte, que nos termos da lei possa doar rgos ou tecidos sem comprometimento de suas funes vitais e sade metal. Permitindo dessa forma a sobrevivncia dos doentes que estaria de outro modo, condenado a morrer em breve tempo. A caracterstica principal do transplante e a necessidade da utilizao de um rgo ou tecido proveniente de um doador, o que distingui de outras cirurgias, convertendo-o em uma teraputica nica. (BERLINGUER & GARRAFA, 2000).

Um doador pode beneficiar at 25 pessoas. No entanto, as doaes mais comuns de rgos so de: corao, fgado, rim, pncreas, e de tecidos so: sangue, crnea, pele, medula ssea, dura mter, crista ilaca, fscia lata, patela, costelas, ossos longos, cabea do fmur, ossos do ouvido, safena, vlvulas cardacas. Cada rgo a ser transplantado tem o seu o tempo de manuteno fora do corpo depois da parada cardaca (DPC) e antes da parada cardaca (APC).

Conforme observamos todos os rgos necessitam de manuteno para uma efetiva concretizao do processo, envolvendo toda a parte logstica como: o condicionamento, armazenagem, transporte e a distncia entre o centro de captao e o de implante de rgos dentro de tempo hbil pr-determinados, por sua vez, depende da rapidez, interao da equipe e preciso com que o processo conduzido. Para que isso acontea, o enfermeiro deve estar preparado para assegurar conhecimento tcnico, o que se observa em muitos casos, que os enfermeiros no so qualificados para atender e dar suporte, por no ocorrer na sua qualificao quanto acadmico, alguma disciplina que trate desde tema amplamente, sendo necessrio a discusso, informao e capacitao dos enfermeiros para atuar nestas situaes.

EDUCAO E A FORMAO PROFISSIONAL

A capacidade que o homem tem de conhecer valores e mandamentos morais e aplic-los nas diferentes situaes da sociedade s se consegue pelo amplo conhecimento dos fatos e assuntos, aperfeioando a formao consciente de novas geraes segundo os ideais de cultura de cada povo.

A educao vai alm de ensinar, um processo de formao que precisa estimular a curiosidade. compreendida e fundamentada em conhecimentos que so adquiridos ao longo da vida. Tanto os professores como os alunos devem ser o que aprendem. "Outro ponto que a educao um momento no qual voc tenta convencer-se de alguma coisa, e tenta convencer os outros de alguma coisa". (FREIRE. 1986. p46.).

Entende-se que pela educao que se consegue construir um mundo melhor, se atribuindo na equipe de enfermagem valores de conhecimento tcnico mais aprofundado na doao, vamos elevar o nvel de cultura gerando mais socializao de informao, conseqentemente promovendo uma assistncia adequada na qualidade da doao de rgos, no podemos limitar o conhecimento apenas em medicar, avaliar, observar, o papel do enfermeiro vai alm, pois se ele faz parte das comisses de captao muitas vezes gerenciando o grupo, ento o porqu no estar inserido nas grades curriculares ou disciplinas fatos que gerem mais conhecimento aprofundado para formao profissional do enfermeiro tratando-se de doao de rgos e tecidos.

Esse conhecimento deve ser acoplado e produzido no cotidiano aprendido e repassado ao longo do ensino. o aprendido na histria que podemos nortear nossos conhecimentos levando assim a uma descoberta diria de uma aprendizagem dinmica e que se reinventa com o passa e repassar de conhecimentos. " no processo de aprender, em que historicamente descobrimos que era possvel ensinar como tarefa no apenas embutida no aprender, mas perfilada em si". (FREIRE, 1996, p.24).

METODOLOGIA, RESULTADOS E ANALISE

Este estudo foi desenvolvido nas Faculdades Integradas Facvest, instituda como pessoa jurdica de direito privado, no municpio de Lages - Santa Catarina (SC), pela principal caracterstica de termos vivenciando as primeiras etapas junto comunidade acadmica do Curso de Enfermagem, j que o local vem ao encontro com as necessidades propostas no pr-projeto, favorecendo a obteno da pesquisa descritiva.

Apresenta como pesquisa descritiva quela que "analisa, registra, observa e correlaciona fatos ou fenmenos sem manipul-los", buscando conhecer as diversas situaes e relaes que ocorrem na vida social, poltica econmica e demais aspectos do comportamento humano, tanto do individuo, como de grupo de comunidades. (SEVERINO, 2000, p. 140).

Este estudo tem carter quanti-qualitativa, visto que foi realizado de maneira planejada e descrita de acordo com as normas de metodologia consagradas pela cincia. (MARCONI, 1999) Pesquisa quati-qualitativa definida como:

Aquela que os fatos so observados, registrados, analisados e interpretados, sem que o pesquisador interfira sobre eles; tem a finalidade de proporcionar maiores informaes sobre o assunto que se vai investigar; facilitar a delimitao do tema da pesquisa; orientar a fixao dos objetivos e a formulao das hipteses ou descobrir um novo tipo de enfoque para o assunto. (ANDRADE, 1997)

Fundamentou nosso estudo a pesquisa bibliogrfica como fonte inicial atravs de leitura para constituir o conhecimento tcnico e cientfico, tendo como apoio publicaes consagradas (livros), materiais de curso da Associao Brasileira de Transplantes (ABTO) e artigos de peridicos especficos sobre o tema. Garantimos a questo tica, fundamentada na Resoluo 196/96 Comisso Nacional de tica em Pesquisa (CONEP), quando fazemos citaes de nomes de profissionais e instiuies atravs de codimones, com exceo da FACVEST, instituio que aqui representamos.

Apresentamos a seguir os momentos realizados neste estudo que foi desenvolvido em dois semestres do curso, correspondendo ao perodo do segundo semestre de dois mil e nove ao primeiro semestre de dois mil e dez.

O primeiro momento foi planejado e organizado por ns autores deste estudo, com apoio da Coordenao do Curso de Enfermagem e aconteceu no Teatro da Facvest, na data de 29 de setembro de 2009, com trs horas de durao, com o objetivo de tornar de interesse comum a informao a conscincia, sobre a doao de rgos e tecidos. Estiveram presentes 206 estudantes de todas as fases do curso, que foram convidados e liberados de suas aulas nesse dia. Convidamos para palestrar o mdico intensivista, Dr. Motivador[, que forneceu o histrico das captaes em um hospital da regio serrana, os principais exames realizados, diagnsticos de morte enceflica e como funciona a abertura de protocolos.

Observamos que todos os estudantes presentes estiveram atentos exposio de conhecimentos, visto que eram poucas as conversas laterais, bem como estiveram presentes at o final, fazendo inmeros questionamentos, o que para ns caracterizou o interesse pelo tema e o sucesso do evento, visto que o tema foi abordado de maneira simples, clara, objetiva e abrangente. Este resultado nos motivou a dar continuidade com o estudo e a ampliar nossos conhecimentos.

Realizamos o segundo momento com o objetivo de confirmar o interesse despertado nos estudantes sobre o tema e quantificar o potencial de doador entre os estudantes. A pesquisa envolveu os acadmicos de primeira a oitava fase do curso de enfermagem, totalizando duzentos e um acadmicos, correspondendo aos acadmicos matriculados no curso. Os critrios de escolha dos pesquisados foi aleatria conforme presena em sala de aula visitada no perodo de 25 a 31 de maro de 2010. Foi solicitada autorizao Coordenao do Curso com aprovao para visitar as turmas e aplicar o instrumento de pesquisa bem como comunicado e pedido licena ao professor no referido perodo, sendo que obtivemos colaborao dos mesmos em cem por cento. Aos estudantes e colegas, que estiveram em sala naquele momento, apresentamos e justificamos nosso interesse pelo tema, esclarecemos os objetivos do estudo, orientamos sobre o sigilo das identidades dos pesquisados e aplicamos um questionrio com questes abertas e fechadas.

Em relao questo Voc doador de rgos e tecidos, cento e vinte e nove acadmicos responderam que sim e que no sessenta e nove. Na seqncia foi questionado Para voc importante a doao, obtivemos cento e noventa e quatro sim e trs no. Existe algum na sua famlia que manifestou a vontade de ser doador? Cento e oito sim e que no trs. O que sabe sobre doao de rgos e tecidos? Gostaria de saber mais sobre o tema? Cento e noventa e cinco sim e trs que no gostariam. Sobre a questo Quais dvidas/esclarecimentos voc deseja sobre o tema? Surgiram alguns questionamentos e curiosidades como:

"haver desfigurao do corpo?", "como e feito o transporte?", "como funciona a vontade de doar pela manifestao da carteira de identidade?"

Estas respostas e dvidas nos permitiram visualizar que os acadmicos mantm o interesse tcnico cientfico demonstrado no primeiro momento, indicando os tpicos a serem desenvolvidos no processo de ensino aprendizagem dos cursos de enfermagem. Nossa reflexo nesse momento indica que os acadmicos demonstraram a mesma necessidade que tivemos inicialmente de aprender sobre o tema e que este tema hoje faz parte da prtica do enfermeiro assistencialista na rea hospitalar j em nossa regio e que deve ser tambm de abordagem na promoo em sade junto a coletividade. Assim, compreendemos que na estrutura curricular dos cursos de enfermagem deve haver uma disciplina que aborde o assunto de maneira mais tcnica do que simplesmente como tem sido, ou seja, estudado como uma questo de biotica.

A partir deste resultado, iniciamos o terceiro momento do estudo, com a pesquisa on line, no perodo de 10 de abril a 25 de maio de 2010, objetivando identificar a insero do tema doao de rgos e tecidos como contedo tcnico cientfico em disciplinas nas estruturas curriculares nos cursos de enfermagem de cinco universidades dos principais estados de nosso Pas, bem como enviamos e-mail para as mesmas, perguntando da existncia de alguma disciplina sobre o tema ou que envolvesse o mesmo. Das cinco maiores Universidades do pas apenas uma da regio sul, nos orientou sobre sua estrutura curricular, nos dizendo que visitssemos o site da mesma. Minuciosamente ali observamos e no encontramos em suas smulas algo relacionado sobre o tema. As demais universidades pesquisadas, aps trinta dias, no nos forneceram nenhuma resposta. E assim, partimos para a pesquisa em suas grades dos cursos de enfermagem, e no encontramos nas suas smulas nada indicando uma disciplina que fale sobre o tema. Continuamos nossa pesquisa on line no contexto mais amplo, buscando artigos ou dissertaes e, encontramos apenas alguns trabalhos desenvolvidos por acadmicos que manifestaram seu interesse e curiosidade. Desta maneira, consideramos que a doao de rgos e tecidos tem sido tratada dentro do ensino superior apenas de forma indireta, por meio de teses, dissertaes e artigos ou at mesmo como uma palestra de algum evento. Entendemos um desinteresse dos responsveis das instituies de ensino bem como visualizamos no coletivo a falta de considerao com o tema dentro da promoo e assistncia sade dos cidados.

Na busca de maiores resultados para a compreenso e o entendimento deste estudo, investigamos junto a profissionais atuantes na rea de doao de rgos e tecidos sobre a sua formao acadmica em relao ao tema em questo, e assim, foi constitudo o quarto e ltimo momento. Entrevistamos membros de comisses de captao de rgo e tecidos de nosso Estado. Entrevistamos os trs enfermeiros que so integrantes da comisso de captao de uma instituio hospitalar em nossa regio, conforme contato pessoal com convite e aceite. E no evento estadual sobre tica que aconteceu em Florianpolis SC, no Encontro das Comisses de tica, ocorrido em 10 de junho de 2010, tivemos a oportunidade de participarmos e entrevistarmos trs enfermeiros, trs tcnicos e dois auxiliares de enfermagem que atuam em comisses de tica de instituies hospitalares do Estado. Seguimos um roteiro de entrevista, com as seguintes questes de referncia: na sua formao acadmica houve alguma disciplina que especificamente falasse sobre a doao de rgos e tecidos? O seu interesse sobre o tema foi despertado quando j estava atuando como enfermeiro?, Aps sua formao acadmica e contato com a prtica na rea de doao, voc buscou alguma capacitao? E pretende continuar sendo um divulgador ou formador de opinio sobre esse tema?

Das entrevistas realizadas, que foram registradas e analisadas, o que se observa de forma unnime entre os profissionais pesquisados que h interesse sobre o tema, e que em quanto estudante o fato foi tratado em segundo plano em alguns momentos sendo apenas discutido como um tema de dilema na sade. Dois dos trs enfermeiros procuraram conhecimento tcnico sobre o tema e participaram depois de formados de seminrios e palestras para aperfeioamento, j que os hospitais que trabalham iniciaram h menos de dois anos, a captao de rgos. As falas dos enfermeiros e tcnicos de enfermagem indicam que tambm no tiveram em sua formao profissional alguma abordagem tcnica - cientfica na estrutura curricular dos cursos, falando sobre doao de rgos e tecidos, como vemos:

" no inicio no se sabia nada, buscamos na internet e junto a comisso estadual"

"de quando em quanto tempo devemos fazer os testes de apnia..."

"tivemos que ir a busca de informaes e de materiais, por que no tnhamos conhecimento do que era necessrio"

"na faculdade no vimos nada sobre o contedo"

"no comeo foi uma correria, no sabamos como e quais documentos e registros a se fazer..."

Ao analisar estas falas, confirmamos os dados pesquisados no terceiro momento, de que no h na estrutura curricular dos cursos de enfermagem nenhuma disciplina especfica de doao de rgos e tecidos e nem como contedo com abordagem tcnica cientfica. Mas esses profissionais indicam que aps contato com a prtica sentem necessidade de buscar conhecimento para que acontea com qualidade a assistncia de enfermagem no processo de doao de rgos e tecidos.

CONSIDERAMOS

Foi possvel observar que nos questionrios em sala de aula, e com todos os entrevistados formalmente, e que todos tm interesse em saber mais sobre o assunto, mas as faculdades e universidades, no tratam, desde assunto como disciplina importante na grade curricular, apenas de forma indireta oferecem pouco conhecimento. Sendo assim se ocorrer uma agregao do assunto na grade curricular nas universidades, vamos propiciar uma associao de valores favorecendo o conhecimento e gerando discusses, pois esses acadmicos futuramente podero ser potencialmente doadores, receptores de rgos, ou algum familiar e pessoa ligada poder necessitar. SUGERIMOS que o tema seja introduzido nas grades curriculares em quanto conhecimento tcnico cientficos das universidades, por exemplo, de enfermagem, j estaremos realizando uma conscientizao, e favorecendo o conhecimento. Sendo assim alcanamos nosso objetivo de analisar e abordar o contedo, no ensino superior, favorecendo o entendimento e obtendo satisfao durante o tempo do estudo, desenvolvido com tica e responsabilidade.

REFERNCIAS

AMRIGS Revista, Porto Alegre, 50 (4): 313-320 out. - dez. 2006 - Especial A Poltica de Transplantes. VALTER DURO GARCIA Membro da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina. Coordenador Hospitalar de Transplante da Santa Casa de Porto Alegre;

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BRUNNNER & SUDDARTH, tratado de enfermagem medico - cirrgica Guanabara Koogan,2005 10 edio Vol. 2;

BERLINGUER, G & GARRAFA, V. O Mercado Humano: Estudo biotico da compra e venda de partes do corpo. Editora UNB: Porto Alegre-RS 2000;

BRASIL. Lei n. 9434 de 04 de fevereiro de 1997. Dispe sobre a remoo de rgos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento e d outras providncias. Braslia (DF): ANVISA; 1997;

CAMPOS, Ricardo - Centro Universitrio de Belo Horizonte Doao de rgos: a atividade de Relaes Pblicas em favor da vida, junho de 2006;

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FREIRE. Paulo. Medo e Ousadia / O cotidiano do Professor. 4ed. Paz e Terra. Rio de Janeiro, 1986.

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SC Transplantes Acessado em 01/12/09 s 16h30min.

O CONHECIMENTO TCNICO CIENTFICO NA DOAO DE RGOS E TECIDOS NOS CURSOS DE ENFERMAGEM


Por: Nassiff e Cintia

Perfil do Autor

(Artigonal SC #3354574)

Fonte do Artigo - http://www.artigonal.com/ensino-superior-artigos/o-conhecimento-tecnico-cientifico-na-doacao-de-orgaos-e-tecidos-nos-cursos-de-enfermagem-3354574.html
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